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O que Thor Batista não explicou

20 de março de 2012

        

        O jovem Thor Batista, responsável pela morte do ciclista Wanderson Pereira dos Santos, 30 anos, sábado à noite, na BR-040, na altura de Xerém, publicou a seguinte nota no Twitter:
       “Descia a BR-040 após um almoço com amigos, coisa que faço uma vez por mês. No restaurante Clube do Filet em Itaipava. Durante todo o trajeto, a velocidade do veiculo SLR McLaren permaneceu dentro dos limites da lei, realizei ultrapassagens.
Perto do local do acidente, não tem iluminação, por isso utilizava o farol alto, farol de milha e farol de neblina. Trafeguei por ali cerca de seis vezes dentro de 1 ano, estava consciente que frequentemente ciclistas atravessam a faixa dupla da autoestrada.
Vinha na faixa esquerda com muito cuidado, sem ao menos dialogar com o meu carona, repentinamente um ciclista atravessou do acostamento do lado direito até o meio da faixa da esquerda, onde trafegam veículos. Minha imediata reação foi aplicar forca total nos freios do carro, segurando o volante reto, mas infelizmente foi impossível evitar a colisão.
Me recordo que Wanderson empurrava a bicicleta com o pé esquerdo no chão.
Sentado, porém, no banco da bicicleta. A frenagem trouxe o carro de 100 km/h até 90 km/h até o momento da colisão apenas, infelizmente. Eu conduzo carros com transmissão automática com um pé no acelerador e outro no freio, o que possibilita uma reação muito mais rápida.
Após a colisão, a pressão no pedal do freio continuava, trazendo o veiculo ate 20 km/h. Meu dever era levar o veículo ate o acostamento. O forte impacto quebrou o para-brisa, provocando cortes no meu corpo e impossibilitando a minha visão. Abri, então, a porta do motorista, botei a cabeça para fora do carro e conduzi o veiculo até um local seguro, evitando outra colisão.
Estacionei o carro longe da colisão, diria que 200 metros de distância. Liguei o pisca alertas e com o auxílio de outros consegui sair. Estava com dores no corpo, com muito sangue no corpo, tremendo de nervosismo, traumatizado. Nunca tinha sofrido um acidente.
Por estes motivos, eu estava fisicamente, psicologicamente e emocionalmente INCAPACITADO de prestar socorro ao Wanderson. Outros motoristas vieram me auxiliar. Pedi para que os mesmos chamassem ambulância urgentemente e prestassem socorros, já que eu tive que ser levado urgentemente ao posto médico do pedágio a 3 km de distancia da colisão, pois sangrava muito e estava atordoado.
Ainda no carro a caminho do posto médico, liguei para uma das pessoas que se responsabilizou por prestar socorros a Wanderson. Pois queria muito saber o estado da vítima. Fui informado que a ambulância já estava no local da colisão e havia constatado, infelizmente que a Wanderson Pereira dos Santos havia falecido. Fiquei sem reação no momento.
Chegando no posto medico da CONCER, ao lado do pedágio, os enfermeiros me levaram para dentro de uma ambulância. Cuidaram primeiro do carona, que suspeitava ter fraturado a mão. Na minha vez, ele constatou que eu precisava ir até um hospital urgentemente.
Pedi ao menos para que o enfermeiro jogasse soro no meu braço direito, todo cortado, antes de partir
.”
                                * * *
1. É difícil imaginar que Thor estivesse dirigindo a uma velocidade de apenas 100km/h. Quem conhece a região, sabe que o local do acidente é o primeiro retão após a descida da Serra de Petrópolis. Se ele não gostasse de velocidade, por que então possuir um carro que alcança 334km/h e que consegue atingir os primeiros 100km/h em apenas 3,8 segundos? Aliás, todas as nove multas de Thor dizem respeito a excesso de velocidade.
2. Diz Thor que todo mes vai almoçar com os amigos e que, no ultimo ano, passou por ali seis vezes. Se foi 6 vezes em 12 meses, deveria ser mais preciso e dizer que sobe a serra a cada dois meses.
3. Segundo ele, “perto do local do acidente, não tem iluminação, por isso utilizava o farol alto, farol de milha e farol de neblina”. Com todos esses faróis acessos em um carro cujo valor supera os R$ 2,7 milhões, não se pode falar em escuridão. E pior. Diz ele: “Estava consciente que frequentemente ciclistas atravessam a faixa dupla da autoestrada”. Se isso é verdade, a velocidade por menor que fosse,  era excessiva, já que é normal que pedestres irresponsáveis, são capazes de cruzar a pista, mesmo quando avistam um bólido super iluminado.
4. Mas Thor declara que viu a vítima à distância, pois dá detalhes: “Me recordo que Wanderson empurrava a bicicleta com o pé esquerdo no chão. Sentado, porém, no banco da bicicleta…” Ora, quem está numa biclicleta com o pé no chão, não estava andando de bicicleta, está parado.
5. Diz ele: “A frenagem trouxe o carro de 100 km/h até 90 km/h até o momento da colisão apenas”. Então os freios não responderam?   “Após a colisão, a pressão no pedal do freio continuava, trazendo o veiculo até 20 km/h. Meu dever era levar o veículo até o acostamento. O forte impacto quebrou o para-brisa, provocando cortes no meu corpo e impossibilitando a minha visão. Abri, então, a porta do motorista, botei a cabeça para fora do carro e conduzi o veiculo até um local seguro, evitando outra colisão. Estacionei o carro longe da colisão, diria que 200 metros de distância”. Então quando se está a 100 km/h e se pisa forte do freio de uma Mercedes SLR McLaren, só se consegue reduzir a velocidade para 20km/h  200 metros mais adiante? É inacreditável. Outro detalhe: e se o para-brisa não tivesse quebado? O que Thor teria feito?
6. “Vinha na faixa esquerda com muito cuidado, sem ao menos dialogar com o meu carona”… O fato de não estar conversando com o amigo, não quer dizer que estivesse atento e muito menos respeitando o limite de velocidade. Isso que dizer apenas que ambos não tinham o que falar naquele momento. “Repentinamente um ciclista atravessou do acostamento do lado direito até o meio da faixa da esquerda, onde trafegam veículos”. Será possível acreditar que um sujeito, em uma bicicleta, com o pé no chão, praticamente a empurrado, seja veloz o suficiente para sair do acostamento a direita, atravessar a primeira pista e insistir em atravessar a segunda pista, mesmo vendo um carro com os faróis alto, de neblina e de milha acessos? Seria o ciclista um suicida?
7. O mais ridículo de toda a nota: “Eu conduzo carros com transmissão automática com um pé no acelerador e outro no freio, o que possibilita uma reação muito mais rápida”. Isso não é mentira. É ignorância. Carro automático dirige-se apenas com o pé direito, que serve tanto para o acelerador quanto para o freio. Quando se usa os dois, corre-se o risco de pisar em ambos ao mesmo tempo, principalmente num momento de horror pelo qual passou o jovem Thor. Se ele não tirou o pé do acelerador, o carro continuou em velocidade, tanto que se pode conduzi-lo com o freio de mão acionado. Se é verdade que ele dirige com os dois pés, isso é de um burrice infinita.
8. Diz Thor: “Eu estava fisicamente, psicologicamente e emocionalmente INCAPACITADO de prestar socorro ao Wanderson”, o que é normal. “Outros motoristas vieram me auxiliar. Pedi para que os mesmos chamassem ambulância urgentemente e prestassem socorros, já que eu tive que ser levado urgentemente ao posto médico do pedágio a 3 km de distancia da colisão, pois sangrava muito e estava atordoado”. Outros motoristas no caso eram os seus seguranças. Por que eles não foram antender o ciclista? É compreensivel Thor estivesse atordado. Mas e a vítima?
9. “Ainda no carro a caminho do posto médico, liguei para uma das pessoas que se responsabilizou por prestar socorros a Wanderson. Pois queria muito saber o estado da vítima. Fui informado que a ambulância já estava no local da colisão e havia constatado, infelizmente que a Wanderson Pereira dos Santos havia falecido”. Fica claro que Thor seguiu até o posto médico em um carro particular, e não em uma ambulância. E se telefonou para “uma das pessoas que se responsabilizou por prestar socorro” é porque conhecia o numero do telefone. Atordoado e sagrando não registraria telefone algum.
10. No posto do CONCER, “ele (o enfermeiro) constatou que eu precisava ir até um hospital urgentemente. Pedi ao menos para que o enfermeiro jogasse soro no meu braço direito, todo cortado, antes de partir”. Mas para onde Thor foi conduzido? Qual o hospital que o atendeu? O que ele conhece de primeiros socorros para pedir que lhe jogassem soro no braço cortado?
11. Por que Thor não foi a delegacia prestar depoimento?
12. Por que não foi realizado o exame de bafômetro?
13. Por que o carro foi liberado antes que fosse realizada a perícia?
                                          * * *
Uma curiosidade publicada hoje no blog Programa Conexão:
“A Mercedes Mclaren de R$ 2.7 milhões era o grande orgulho do bilionário e era tratado como obra de arte por Eike(…) tanto que o bilionário o guarda na sala de sua mansão, e não na garagem”.
                                           * * *
Agora duas pérolas de Eike Batista em entrevista a colunista Mônica Bergamo, da ‘Folha’:
“Me ligaram dizendo “aconteceu um acidente com o seu filho”. É horrível. Comentaram que tinha uma vítima.
Aí a gente fica mais apavorado. Tudo passa pela cabeça.
Você liga o dispositivo de administração de crise.
Começa a ligar, a se informar. Os seguranças do Thor me contaram o que tinha acontecido. Logo em seguida, ele me ligou. Aí foi um espetáculo, né?”
Tem mais:
“O triste é que as pessoas acham que a arma letal é o carro. O pedestre, no lugar errado, se torna a arma letal para quem está dentro do carro”.