Posts com a tag ‘Tancredo Neves’
27 de janeiro de 2012
Eliane Catanhêde*
O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, foi salvo na última hora pelo desabamento de prédios no Rio. Não fosse a tragédia, as principais imagens e conversas políticas pelo país afora seriam sobre Kassab levando ovos no dia do aniversário da capital paulista.
Com Kassab virando omelete, o PSDB dividido irrecuperavelmente e Dilma fazendo bonito nas pesquisas, o PT recupera fôlego e sai a galope para a prefeitura, onde joga o seu futuro. Como já dito aqui, se Fernando Haddad -que fez 49 anos- se eleger prefeito da principal capital do país, estará automaticamente na lista de presidenciáveis de 2018.
Quando FHC diz que Aécio Neves é a opção “óbvia” para a Presidência, empurra Aécio para uma arena inglória. Em 2014, será a chance de o PSDB paulista fazer com Aécio o que ele fez com Serra e Alckmin em 2002, 2006 e 2010: jogá-lo aos leões -ou leoas. Dilma não terá mais só a aura de Lula. Tenderá a ter também a sua própria popularidade e, no rastro dela, a união dos governistas.
O jogo que está sendo jogado é, sobretudo, para 2018, com um trio que tem o impulso da renovação natural e se destaca desde já: Aécio pelo PSDB, Haddad pelo PT e Eduardo Campos (PSB) como um pêndulo entre os dois, mas na verdade querendo ele próprio concorrer.
Os três apontam para o futuro da política, mas há diferenças: Aécio é neto de Tancredo, e Campos, de Miguel Arraes. Enquanto eles têm a articulação política no sangue e a liderança nos seus partidos, Haddad tem que comer na mão de Lula, aprender os primeiros passos com Dilma e evitar acidentes “em casa” - no PT.
Kassab circula bem entre PSDB, PSB e PT, como um coringa que pode reforçar a cartada de um dos três. Deve, porém, ajustar sua (ótima) capacidade política e sua (medíocre) popularidade. A questão geracional ajuda a definir o jogo e os jogadores, mas não é o único fator. É apenas uma imposição da política, como da vida.
*Eliane Catanhêde é colunista da ‘Folha’.
Tags: Aécio Neves, Eduardo Campos, Eleições de 2014, Eliane Catanhede, Fernando Haddad, FHC, Gilberto Kassab, Lula, Miguel Arraes, Tancredo Neves
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4 de julho de 2010
O bagulho entupiu.
Assim, plagiando o sambista Zeca Pagodinho, esse blog resumiu, há dias, a campanha de José Serra à Presidência. Era impressionante a quantidade de erros cometidos pelo comando tucano, culminando com a escolha do vice, Índio do Demo.
Hoje, o jornalista Élio Gaspari faz nova comparação, obviamente de maneira mais sofisticada. Vamos a ela.
“José Serra está na situação do sujeito que digita um texto em “Times New Roman” e ele aparece na fonte “Arial”. (Numa entrevista, indagado pela jornalista Miriam Leitão sobre a autonomia do Banco Central, destratou-a.) Depois, o cidadão decide salvar uma planilha, e ela some. (Forma uma chapa puro-sangue com um vice que noutra encarnação foi expulso do PSDB.) Finalmente, no meio de uma palestra com PowerPoint, suas tabelas travam. (Diante da insurreição do DEM, fecha a chapa com um candidato com quem nunca conversou por mais de cinco minutos.)
O freguês do computador achou que o problema estava no programa Word (Jornalistas perguntando o que não devem). Depois a suspeita migrou para o Excel. (O PSDB é muito volúvel). Finalmente, o culpado é o PowerPoint (É preciso reformular a estrutura da campanha).
Se os problemas fossem esses, seriam pequenos, mas, levando-se as queixas a quem sabe mexer com as máquinas, a resposta é dura: na melhor das hipóteses é o seu sistema operacional que está corrompido. O bug não está nos diversos programas que acompanham a candidatura, mas na sua essência. É preciso reinstalar o sistema. Na pior das hipóteses, a encrenca não está no software, mas na própria máquina. Por ser a alternativa catastrófica, letal, convém desprezá-la.
Problemas na escolha dos vices são mais comuns do que resfriados. Geraldo Alckmin jogou ao mar Henrique Alves; Fernando Henrique Cardoso sacrificou Guilherme Palmeira. Tancredo Neves, reunido com o senador Pedro Simon numa suíte do Hotel Nacional, ouviu um veto desprimoroso a José Sarney, que se retirou da sala, tomou o avião e foi para o Rio. Tancredo disse a Simon que o vice de seu projeto era Sarney e acabou com a divergência. Quando o ministro do Exército, general Lyra Tavares, disse ao general Médici que o almirante Rademaker não podia ser seu vice, o então comandante da guarnição do Sul pegou o quepe e voltou para Porto Alegre, onde foram buscá-lo, com Rademaker na vice.
Serra detonou a proposta de prévias de Aécio Neves, que poderia expor o PSDB a uma saudável exposição de contraditórios. Fez isso insistindo em postergar o lançamento de sua candidatura. Há um ano, quando a nação petista começou a mover a candidatura de Dilma Rousseff, o governador de São Paulo estava 30 pontos à frente da chefe da Casa Civil. Assumindo a candidatura, acreditou demais na possibilidade de atrair Aécio Neves e cultivou a ideia de dispensar o DEM. Serra temia, e continua temendo, a exibição dos vídeos do democrata José Roberto Arruda e de sua quadrilha embolsando dinheiro em malas, bolsas e meias.
Há um mês, Serra poderia escolher o vice que bem entendesse. Não queria buscá-lo no DEM, mas não disse isso a ninguém. Fez uma escolha oportunista, calculou mal o equilíbrio da política paranaense e acordou na quarta-feira sem plano B, C ou Z. Aceitou um companheiro de chapa produzido muito mais pela marquetagem do que pelos Maia do Rio de Janeiro. Todas as decisões e indecisões saíram do seu sistema operacional e deu no que deu.
Há três meses, Serra lembrou que “a boa equipe necessita de um norte claro, sempre claro, de quem está no comando” e lançou-se na campanha presidencial dizendo que “o Brasil pode mais”. Depois disso, o “Times Roman” virou “Arial”, a planilha sumiu e o “PowerPoint” travou. Como a campanha mal começou, poderá reinstalar o sistema”.
Tags: Aécio Neves, Almirante Rademaker, Bagulho Entupiu, Cesar Maia, Dilma Rousseff, Elio Gaspari, Fernando Henrique Cardoso, General Médici, Geraldo Alckmin, Guilherme Palmeira, Henrique Alves, José Roberto Arruda, José Serra, Lyra Tavares, Pedro Simon, Serra e Miriam Leitão, Serra e Zeca Pagodinho, Tancredo Neves, Zeca Pagodinho
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6 de junho de 2010
De Elio Gaspari*
O tucanato está tonto, sem motivo. A prova da falta de rumo está na insistência de José Serra em fazer oposição vigorosa… ao governo da Bolívia. Campanhas presidenciais têm momentos mágicos, como o dia em que Fernado Henrique Cardoso viu eleitores empunhando cédulas do real durante um comício na Bahia. Serra precisa perseguir esses momentos. Ele entrou na disputa com um discurso aveludado, lembrando Tancredo Neves, e em poucas semanas crispou-se, tentando ficar parecido com Fernando Collor.
A perplexidade tucana não tem amparo na realidade. A percentagem de eleitores dispostos a tirar o PT do governo é igual à daqueles que gostariam de votar em Dilma Rousseff. Trata-se apenas de batalhar pelo votos com uma plataforma real, livre de marquetagens. Se perder, paciência.
Em 2008, nos Estados Unidos, o jogo bruto detonou a candidatura de Hillary Clinton, que parecia invencível. Em vez de falar macio, ela e o marido, Bill, decidiram pegar pesado. Ciscaram para fora. Num episódio típico, empurraram Ted Kennedy para o colo de Obama. É verdade que ele namorava a hipótese, mas a gota d”água se deu quando Bill Clinton disse-lhe: “Esse sujeito nunca fez nada. (…) Ele nos servia café!”. Kennedy ouviu e fechou a conta.
Tanto Serra como Dilma se parecem mais com madame Clinton do que com o companheiro Obama. O problema de Serra é que Dilma tem Lula ao seu lado. Com estrondos, não ganhará a eleição.
* Elio Gaspari é jornalista, para ‘O Globo’ e a ‘Folha’.
Tags: Dilma Rousseff, Elio Gaspari, Fernando Collor, Hillary Clinton, Lula, Serra critica a Bolívia, Tancredo Neves, Ted Kennedy, Tucanato Tonto
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21 de maio de 2010
De Noeli Menezes, da ‘Folha’:
“Cogitado para vice na chapa de José Serra (PSDB) à Presidência, o senador Francisco Dornelles (PP), autor de emenda do projeto Ficha Limpa, negou ter feito alteração para beneficiar o deputado Paulo Maluf (PP). “Não sou malufista.” Dornelles reafirmou que a mudança serviu para unificar tempos verbais diferentes. Deputados afirmam, porém, que, com a mudança, só políticos condenados depois da aprovação serão atingidos. Dessa forma, quem já foi condenado por um colegiado, como Maluf, não ficaria mais inelegível.
- Por que o sr. não fez a unificação com os verbos no passado ao invés de no futuro, evitando a polêmica sobre a abrangência da lei?
- Isso não tem nenhuma base jurídica. Unificar para o retroativo? A lei não pode ser retroativa. Se fizesse isso, estaria prejudicando pessoas. Mas a minha opinião independe da emenda. O problema do projeto é que precisava de uma unificação.
- O sr. fez essa emenda a pedido de alguém?
- Não.
- Sem a emenda, a lei poderia atingir Maluf. Agora a mudança poderá beneficiá-lo. O sr. fez essa emenda para favorecê-lo?
- Não sou malufista. Até gosto do Maluf pessoalmente, mas estava no colégio eleitoral para apoiar Tancredo Neves. Ninguém pode personalizar uma emenda.
- Para alguns, a alteração permite que mais políticos com “ficha suja” fiquem livres nas eleições.
- Eu não vou discutir o sentido da lei. Só posso dizer que, se eles ficarem livres, não será por causa da emenda, que é puramente de redação. O projeto precisava de coerência.
- O sr. acha que essa emenda pode prejudicar a sua imagem caso venha a ser vice do Serra?
- É um assunto que não comento, é especulação.
- O sr. gostaria de ser o vice do Serra?
- Seria deselegante dizer que quero ou não uma coisa que nunca me foi colocada. Em política, eu jogo com fato concreto.
Tags: 'Folha', Dornelles e Maluf, Dornelles Vice, Ficha Limpa, Francisco Dornelles, Lei não pode retroagir, Noeli Menezes, Paulo Maluf, Tancredo Neves, Vice de José Serra
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21 de abril de 2010
De Élio Gaspari:
“Há um quarto de século, morreu Tancredo Neves. Na noite de 14 de março de 1985, os brasileiros foram dormir esperando assistir às cenas de sua posse na manhã seguinte e acordaram com o último dos generais deixando o palácio pela porta dos fundos enquanto José Sarney vestia a faixa presidencial. Tancredo só chegou a Brasília morto.
Ele foi uma resultante. Somava marqueses da ditadura, cardeais da moderação democrata-cristã, comissários de uma esquerda mais ou menos convicta. Morto Tancredo, a coligação perdeu o nexo e, aos poucos, deslizou para o colapso financeiro da hiperinflação e o desastre político do collorato.
Passados 25 anos, persiste o mito de que Tancredo Neves era um conservador. Com aquele jeito, falando baixo, sempre de terno, só podia ser. Além disso, seu conservadorismo seria um bálsamo capaz de aliviar o passado de Sarney e o futuro de Fernando Henrique Cardoso. Um mito conveniente.
Felizmente, o jornalista Mauro Santayana organizou o livro “Tancredo: O Verbo Republicano”, com os textos dos últimos discursos e entrevistas de Tancredo Neves. Santayana assessorou-o por quase 20 anos. Na tarde de 14 de março de 1985, passou cerca de duas horas com ele, revendo o discurso que faria na manhã seguinte, ao tomar posse. Semanas depois, quando sabia-se que Tancredo não sairia vivo do hospital, Santayana entregou os originais a Risoleta Neves, mulher do presidente eleito.
A primeira metade do discurso de Tancredo contém uma das mais belas páginas da oratória política nacional. Elegante no estilo, profético no conteúdo. Em alguns momentos impressiona pela atualidade, mas, se isso indica a clarividência de Tancredo, ilustra também a mediocridade do debate nos 25 anos que se seguiram. Alguns trechos:
“Temos construído esta nação com êxitos e dificuldades, mas não há dúvida, para quem saiba examinar a história com isenção, de que o nosso progresso político deveu-se mais à força reivindicadora dos homens do povo do que à consciência das elites. (…) A pátria dos pobres está sempre no futuro e, por isso, em seu instinto, eles se colocam à frente da história”.
“A legislação sindical brasileira se encontra envelhecida. (…) A unidade sindical não pode ser estabelecida por lei, mas surgir naturalmente da vontade dos filiados. (…) Os sindicatos não podem submeter-se à tutela do governo nem subordinar-se aos interesses dos partidos políticos”.
“Já vivemos, nas grandes cidades brasileiras, permanente guerra civil (…). É natural que todos reclamem mais segurança nas ruas, e é dever do Estado garantir a vida e os bens dos cidadãos. Essa garantia, sabemos todos, não será oferecida com o aumento do número de polícias, ou com a multiplicação dos presídios. É muito mais fácil entregar ferramentas aos homens do que armá-los, e muito mais proveitoso para a sociedade dar pão e escola às crianças abandonadas, do que, mais tarde, segregar adultos criminosos. A história nos tem mostrado que, invariavelmente, o exacerbado egoísmo das classes dirigentes as tem conduzido ao suicídio total”.
“Temos de ampliar o mercado interno, o único com que podem contar permanentemente os empresários brasileiros. Não se amplia o mercado interno sem que haja mais empregos e mais justa distribuição da renda nacional”.
Tags: 'Tancredo: O Verbo Republicano', 25 anos Sem Tancredo, Elio Gaspari, Fernando Henrique Cardoso, FHC, José Sarney, Mauro Santayana, Risoleta Neves, Tancredo - o povo e as elites, Tancredo e a violência, Tancredo e o mercado interno, Tancredo e os sindicatos, Tancredo Neves
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20 de abril de 2010
Da repórter Paola de Moura, do ‘Valor Econômico’:
“Enquanto o DEM bate o pé, o PV continua a tentar uma alternativa para que o deputado federal Fernando Gabeira (PV) seja o candidato a governo do Estado e dê ao candidato do PSDB à Presidência, José Serra, o tão desejado palanque no Estado do Rio. O presidente do PV no Rio, vereador Alfredo Sirkis, colocou em seu site uma nova proposta de coligação que tenta evitar a necessidade de aprovação do Tribunal Superior Eleitoral. Segundo o vereador, ” a geometria é simples porque se tratam de duas eleições majoritárias: uma estadual, de governador, e outra federal, na qual o eleitor deve votar para dois poderes, o Legislativo, senador, e o Executivo, para presidente ” . Com isso seriam permitidas as diferentes coligações, na primeira, entre PV, PSDB e PPS e, na segunda, PSDB; DEM e PPS. Para ele, nesta composição, apenas Gabeira perderia tempo de televisão. ” Mas será o ônus que teremos que pagar”.
O deputado federal e presidente do DEM, Rodrigo Maia, nem quer ouvir falar na proposta. Segundo Maia, a nova tentativa está sendo feita para evitar uma possível derrota na Justiça Eleitoral. ” Eles vão perder, é claro ” , afirma o deputado. Para Maia, não há mais negociação possível. O DEM quer uma coligação completa que inclua em todos os horários de TV o ex-prefeito Cesar Maia como candidato da coligação ao Senado. ” Não há como ceder mais.”
Desde a semana passada. Gabeira disse que poderia novamente desistir de se candidatar ao governo do Estado porque seus eleitores não aprovavam a união de seu nome com a do ex-prefeito Cesar Maia, tese defendida por Sirkis desde o início das negociações. Gabeira chegou a dizer que voltaria a se candidatar a deputado federal se não tivesse tempo suficiente de televisão para tentar concorrer com a máquina do atual governador Sérgio Cabral.
Ontem, na inaguração da exposição em comemoração ao centenário de Tancredo Neves; no Museu Histórico Nacional, no Rio, com a presença do ex-governador de Minas Gerais, Aécio Neves, e do candidato José Serra, Rodrigo Maia marcou presença junto a políticos do PSDB. Nem Gabeira nem Sirkis compareceram. Do PV apenas a vereadora Aspásia Camargo, virtual candidata ao senado pelo partido, caso o nó político não seja desfeito.
Apesar da intransigência, Rodrigo Maia disse que o ex-deputado Márcio Fortes (PSDB) e candidato a vice-governador na chapa é quem está negociando com Gabeira uma solução para o problema. ” O que o Márcio Fortes conseguir, vamos negociar ” , afirmou. Sirkis também afirmou, por telefone, que a decisão está nas mãos de Gabeira e que vai apoiá-lo seja ela qual for.
Caso a coligação saia, a vereadora Aspásia Camargo ainda sonha com a candidatura ao senado. Ela diz que a legislação permite que o partido tenha um candidato avulso. ” A Marina (Marina Silva, candidata à presidência pelo PV) precisa de um candidato ao Senado. Não pode ficar sem ninguém ” , acredita.
No evento no Museu Histórico Nacional, tanto José Serra como Aécio Neves não quiseram falar de política. Em curta entrevista, depois de conhecer a exposição rapidamente, sempre acompanhado do ex-governador mineiro José Serra se limitou a dizer que Tancredo o inspirava muito. Os dois ficaram lado a lado durante toda a visitação, que durou cerca de meia hora”.
Tags: 'Valor Econômico', Aécio Neves, Alfredo Sirkis, Cesar Maia, DEM, Fernando Gabeira, José Serra, Marcio Fortes, Marina Silva, Museu Histórico Nacional, Paola de Moura, PPS, PSDB, PV, Rodrigo Maia, Serra, Tancredo Neves
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13 de abril de 2010

O sonho de Dornelles é ocupar o ministério da Defesa. Quem sabe Dilma o atende?
A competencia do presidente nacional do PP, senador Francisco Dornelles, é de se tirar o chapéu.
Ele é o único presidentem de partido, dos que integram a base do governo, inclusive ocupando um ministério - o das Cidades - que ainda não declarou apoio explícito a candidatura de Dilma Rousseff.
Por isso, seu nome é citado, vez por outra, pelos tucanos, para ser o vice de José Serra.
Apesar de ser senador pelo Rio, Dornelles é mineiro de Belo Horizonte, mas foi criado em São João del Rey, na casa do tio Tancredo Neves, de quem era sobrinho por parte de mãe. Por parte de pai, Dornelles tem outro paretesco forte na política: sobrinho de Ernesto Dornelles, primo do presidente Getúlio Dornelles Vargas.
O presidente do PP, como vice de Serra, amarraria Aécio Neves ao candidato do PSDB, menos pelo presidente e mais pelo vice - o tio Francisco.
Sem falar na saia justa que ficaria o governador Sergio Cabral…
E para se somar a tudo isso, Dornelles ainda foi procurado, nesse final de semana, pelo presidente do PSB e governador de Pernambuco, Eduardo Campos, que foi pedir o apoio do PP à candidatura de Ciro Gomes. Aqui um parenteses: Ciro e Dornelles residem no mesmo prédio, no Rio de Janeiro.
O presidente do PSB voltou de mãos abanando, depois que o senador Dornelles lhe disse que o partido estava fechado com Dilma Rousseff em pelo menos 20 Estados.
Se são em pelo menos 20 estados, a conta pode chegar a 21.
Como existem apenas 26, então a maioria dos estados já decidiu.
Mas Dornelles, que dá nó em pingo d’água, prefere esperar um pouco mais para anunciar a posição oficial do partido.
Tags: Cabral, Ciro Gomes, Dilma, Dilma Rousseff, Dornelles com Dilma, Dornelles vice de Serra, Dornelles vizinho de Ciro, Eduardo Campos, Francisco Dornelles, Governador de Pernambuco, José Serra, Ministro de Vargas, presidente do PP, presidente do PSB, São João del Rey, Sergio Cabral, Serra, Sobrinho de Ernesto Dornelles, Sobrinho de Tancredo, Tancredo Neves, Tio de Aécio
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12 de abril de 2010
Do repórter Roberto Almeida, do ‘Estadão’:
“Ao lado da presidenciável Marina Silva, o deputado Fernando Gabeira (PV-RJ), pré-candidato verde ao governo do Rio, criticou em discurso a visita da petista Dilma Rousseff ao túmulo de Tancredo Neves, na semana passada. “Precisamos retomar as ideias de Tancredo, e não ficar discutindo em torno do túmulo dele a possibilidade de ganhar votos”, disse.
De acordo com Gabeira, a visita de Dilma é resultado de uma visão de “contradição”. E atacou movimentações recentes do governo com relação à política externa, especialmente com o Irã e Cuba.
“Nossa visão de País, de unidade, que se manifesta na política externa, não é a que se abraça com o Irã, não é a que pode virar as costas paras pessoas que estão sofrendo com a ditadura na América Latina. Todos esses erros vem de uma visão segundo a qual a contradição move o mundo.”
Gabeira participa, em São Paulo, da pré-convenção estadual do PV paulista, que lança as pré-candidaturas do ex-presidente do Instituto Ethos Ricardo Young ao Senado e do ex-deputado Fábio Feldmann ao governo do Estado”.
Tags: Dilma, Dilma Rousseff, Eleição em São Paulo, Fabio Feldman, Fernando Gabeira, Gabeira critica Dilma, Marina Silva, Ricardo Young, Sucessão presidencial, Tancredo Neves, Túmulo de Tancredo
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9 de abril de 2010
Das repórteres Maria Clara Cabral e Ana Flor, da ‘Folha’:
“O governador de Minas Gerais, Antonio Anastasia (PSDB), afirmou ontem que as expressões “Dilmasia” e “Anastadilma”, usadas pela pré-candidata petista Dilma Rousseff durante visita ao Estado anteontem, não encontram “amparo na realidade” e que o pré-candidato José Serra (PSDB) terá “situação eleitoral favorável” entre os mineiros.
Os dois termos se referem a dobradinhas híbridas no segundo maior colégio eleitoral do país unindo as candidaturas de Dilma à Presidência e de Anastasia ao governo estadual, reeditando o fenômeno do voto “Lulécio”, observado em 2006, que abarcou fatia dos eleitorados de Lula e Aécio.
Ontem, a direção do PT e os pré-candidatos petistas ao governo de Minas minimizaram a declaração de Dilma, afirmando que foi uma brincadeira. Em sua primeira visita “institucional” a Brasília como governador, Anastasia afirmou também que “soou estranha” a visita da ex-ministra ao túmulo de Tancredo Neves, avô de Aécio, pela atitude do PT no colégio eleitoral, em 1985.
“Nós lembramos que, naquela oportunidade, o PT não só não apoiou como até expulsou deputados que votaram no presidente Tancredo”, disse. Da tribuna da Câmara, petistas defenderam Dilma. “Acho estranha essa raiva, espécie de ciúme da oposição. Ela visitou o túmulo do Tancredo a convite da família dele”, disse o deputado José Genoino (PT-SP).
Sobre o mal-estar gerado entre os partidos aliados por causa da expressão “Anastadilma”, o presidente do PT, José Eduardo Dutra, disse que a petista telefonou para o ex-ministro Hélio Costa (PMDB), pré-candidato ao governo, para dar explicações e que ele entendeu que “tudo não passou de um chiste da [ex-] ministra”. O coordenador da campanha de Dilma foi na mesma linha.
“É blague”, afirmou Fernando Pimentel, que disputa com o ex-ministro Patrus Ananias a chance de concorrer ao governo do Estado pelo PT.
Pimentel, que acompanhou Dilma na entrevista, afirmou que ela não defendeu um apoio direto ao tucano, mas se referiu àqueles que apoiam Anastasia e preferem, em nível nacional, a continuidade do governo Lula -principal bandeira de campanha da ex-chefe da Casa Civil.
Para definir o imbróglio petista em Minas, deve acontecer no dia 25 uma reunião dos delegados do partido no Estado para definir o pré-candidato. Para o presidente do PT-MG, Reginaldo Lopes, o encontro evitará uma “prévia traumática”.
Carta
Sob orientação de Aécio, o PSDB mineiro prepara uma lista de reivindicações a ser entregue ao pré-candidato do partido, José Serra. O documento, denominado “Agenda de Minas”, enumera as obras “estruturantes” no segundo maior colégio eleitoral do país que carecem de recursos da União no quadriênio 2011-14, como investimentos na ampliação do metrô de Belo Horizonte”.
Tags: Aécio Neves, Anastadilma, Antonio Anastasia, Dilma, Dilma Rousseff, Dilmasia, Eleição em Minas, Fernando Pimentel, Helio Costa, José Eduardo Dutra, José Genoíno, José Serra, Lula, Lulécio, Patrus Ananias, Presidente Lula, PSDB, PT, Sucessão presidencial, Tancredo Neves
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7 de abril de 2010
Do repórter Cesar Felício, do ‘Valor Econômico’:
“No primeiro ato do que, na prática, já é a campanha presidencial, a ex-ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT) testou o que poderá ser um palanque duplo para a base de apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao visitar ontem Ouro Preto e São João Del Rei (MG), onde reverenciou dois ícones mineiros: o mártir da independência Tiradentes e o presidente Tancredo Neves (1910-1985).
Na primeira etapa da viagem, Dilma estava acompanhada pelos dois pré-candidatos do PT ao governo, o ex-prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel, e o ex-ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, e do pré-candidato do PMDB, o senador Hélio Costa (MG).
“Sempre temos falado em palanque único, mas ninguém pode impor nada a ninguém. Eu apelo pelo palanque único, mas, se não tiver palanque único, o que fazer?”, afirmou Dilma, ao encerrar uma rápida entrevista coletiva na Câmara dos Vereadores de Ouro Preto, onde chegou com duas horas de atraso.
A ex-ministra, nascida em Belo Horizonte, mas atuando fora de Minas Gerais desde o início da década de 70, procurou fazer uma profissão de fé da mineiridade. Depositou flores na estátua em homenagem a Tiradentes e no túmulo de Tancredo Neves e , contrita, rezou diante da imagem de Cristo ressuscitado, no altar da Igreja de Nossa Senhora do Pilar, a matriz de Ouro Preto.
“Quem nasce em Minas Gerais, tem Minas dentro de si. A gente sai de Minas, mas Minas não sai dentro da gente. Não é possível que alguém perca a força dessas raízes. Ouro Preto é o berço de uma nação, o berço de um povo, porque aqui se lutou pela primeira vez contra a metrópole. Vou partir desta cidade para uma nova jornada, cheia de desafios”, disse a ex-ministra em seu discurso. Eleitora em Porto Alegre (RS), Dilma mudou de tom desde que foi colocada como pré-candidata. Há alguns anos, em palestra na Federação das Indústrias de Minas Gerais, onde estará na manhã de hoje, a então ministra das Minas e Energia reagiu ao ser chamada de “mineira” por um dos empresários presentes e disse que se considerava gaúcha.
Dilma também escolheu Minas Gerais para iniciar a sua virtual campanha presidencial como uma forma de explorar o que poderá ser um flanco do principal adversário, o ex-governador paulista José Serra (PSDB), nas regiões sul e sudeste. Serra sobrepujou dentro do partido o ex-governador mineiro Aécio Neves, neto de Tancredo , na luta pela candidatura presidencial. Na entrevista coletiva, Dilma procurou caracterizar Serra como um candidato contra Lula e tudo que o presidente construiu durante seu governo, ainda que para isso tenha recorrido a uma sucessão de frases negativas para formular um único conceito: o de que ela é a única sucessora das propostas do atual governo.
“Quem, da oposição, passar por sucessor de Lula não sendo, é um lobo em pele de cordeiro”, disse. Segundo a ex-ministra, “não está certo dizer que todo mundo hoje é igual. Até ontem havia uma oposição clara, que não pode aparecer agora como não sendo oposição. Será estranho uma eleição transformada em um silêncio constrangedor. Nós queremos debater e não é possível fazer uma discussão sobre programas sem que fique claro quais são os outros projetos “, disse.
Na visita a Ouro Preto, Dilma se deparou com reivindicações de cor regional. Do prefeito Ângelo Oswaldo (PMDB), ouviu um pedido para que coloque em sua agenda a revisão da política de distribuição municipal dos royalties da mineração, um tema que foi retirado da proposta de novo Código Mineral elaborada pelo governo federal. “Dilma conhece mineração. Sabe do nosso problema do marco regulatório e da contribuição financeira pela mineração (Cfem). Precisamos de uma política justa. O que vemos hoje nos municípios da região petrolífera é o que queremos para os municípios mineradores”, afirmou Oswaldo, que foi colega de classe de Dilma no curso clássico do Colégio Estadual de Belo Horizonte, no começo dos anos 60.
Ao receber a bênção na Igreja, Dilma ouviu do pároco Marcelo Santiago um pedido de ajuda para recuperar objetos de arte roubados em 1973. Segundo o padre, o inquérito desapareceu na Polícia Federal. “Fazemos um apelo às autoridades para que não se cansem de dar provimento às medidas necessárias”, disse o padre, esquecendo-se que ninguém, na comitiva de Dilma, era mais autoridade federal.
A visita a Minas serviu ainda para Dilma dar um breve mergulho na política municipal. A ex-ministra almoçou com 22 prefeitos da região de Ouro Preto, entre eles dois da base de apoio de Aécio: o de Lamim, do DEM e o de Moeda, do PSDB. No almoço, o prefeito de Ouro Preto, aliado de Hélio Costa na disputa estadual, convidou os três pré-candidatos a discursarem. Segundo seu relato, Patrus procurou desviar do nó eleitoral com um discurso em torno da mineiridade. Pimentel fez uma convocação à base municipal trabalhar por Dilma. Hélio Costa foi o único a apelar pela necessidade de um palanque único no Estado para derrotar o PSDB no Estado e no país”.
Tags: 'Valor Econômico', Cesar Felício, Dilma, Dilma Mineira, Dilma Rousseff, Eleição em Minas, Fernando Pimentel, Helio Costa, Ouro Preto, Patrus Ananias, Sucessão presidencial, Tancredo Neves, Tiradentes
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