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A mortandade dos peixes

27 de fevereiro de 2010

 No final do ano passado, a taróloga Annie Bravo, em entrevista ao JB, previu que um chicote cósmico iria se abater sobre Sergio Cabral durante todo o ano de 2010.
E não tem dado outra.
O chicote vem castigando o governador desde o primeiro dia do ano, quando houve a tragédia em Angra, e ele ficou dormindo em Mangaratiba, sem atender, nem ao menos, um telefonema do Presidente da República.
De lá pra cá, existem inúmeros exemplos onde o chicote cósmico funcionou: na política, na administração e até mesmo no Carnaval.
Mas a mortandade de peixes na Lagoa Rodrigo de Freitas, que a população imaginava ser um assunto já morto - sem trocadilhos - voltou a chicotear agora, não só o governador, mas todos que o cercam.
1 – Eduardo Paes – Combate com rigor o cheiro de urina nas ruas na cidade, e não consegue esconder a fedentina da Lagoa, com toneladas e toneladas de peixes mortos. Chama o carioca de porcalhão, e vê emporcalhada uma das paisagens mais bonitas do Rio.  Gasta uma fortuna com a Comlurb na retirada dos peixes, e vai ter de pagar essa conta sózinho. Instituiu o Choque de Ordem que prende, bate, multa e esfola, mas não consegue mandar nos peixes da Lagoa, que insistem em morrer.
2 – Marilene Ramos – A bonita, elegante, simpática e risonha secretária estadual de Meio Ambiente, minimizou a mortandade de peixes, e disse que seriam no máximo 500 quilos. Ontem, a Comlurb retirou 12,5 toneladas, e hoje deve mais do que dobrar. Em 2005, morreram 4 toneladas de peixes. Dessa vez a quantidade será, no mínimo, dez vezes superior. A bela Marilene não é mesmo boa de previsão, vide o que ocorreu em Angra. Ela foi consultora da prefeitura.
3 – Wagner Victer – O marqueteiro da Cedae, mudou o nome do órgão para Nova Cedae, para dizer que não tinha nada a ver com o passado da empresa. Mas para quem precisa de seus serviços, a Cedae só fez piorar desde que Victer assumiu a presidência. E não é por falta de dinheiro. O Governo Federal já deu o diabo para ele melhore o sistema de águas e esgostos do Estado. Mas de novo, só o escritório da Barra, decorado com fotos de mulatas. Como gosta de holofotes, iluminou a Estação Alegria – que iria despoluir o entorno da Ilha do Governador, onde ele reside. Nesses três anos a frente da Cedae, Victer passa pelo local duas vezes por dia. Pela manhã vê a obra parada. A noite se deslumbra com ela iluminada.
4 – Fatima Freitas – Essa, tadinha, está tendo os seus 15 minutos de fama. Ela gerencia o departamento que cuida da qualidade da água na Secretaria de Marilene. E declarou ao ‘Globo’ que as savelhas morreram pois são sensíveis à mudanças de temperatura. Como se peixe não gostasse de água fria. Ou pior: se água, seja
qual for a sua temperatura, tenha o poder de fazer com que os peixes morram afogados. Era só o que faltava.
5 – Eike Batista – Esse é uma grande vítima, e é quem Sergio Cabral mais teme, principalmente âs vésperas de uma eleição. Afinal Bati$ta pagou R$ 28 milhões para que episódios como esse não mais se repetissem. E vê agora o seu dinheiro ir parar nas caçambas de lixo da Comlurb. Ele, que continua na guerra para
juntar 100 bilhões de dólares, não deu um único tostão para o Haiti e recusou-se a acudir a ABL. Mas cuidava do seu entorno, não só porque é lá que ele tem o seu restaurante, mas também porque queria explorar os quiosques da Lagoa. 
6 – Sergio Cabral – O governador deveria ser poupado nesse episódio. Afinal o que ele fez?
Nada.
O mesmo que os peixes queriam estar fazendo: nada.
Mas eles continuam morrendo, graças ao trabalho das autoridades do governo: arrogantes, desleixadas e despreparadas. Iguaizinhas ao chefe.