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Posts com a tag ‘PDT’

Garotinho convida Cesar

13 de abril de 2010

De Ilimar Franco, no ‘Panorama Político’:
“Em conversa com Dilma Rousseff, candidata do PT a presidente, semana passada, Anthony Garotinho (PR) pediu apoio para puxar o PDT para sua chapa no Rio.
O PDT já fechou com a reeleição de Sérgio Cabral (PMDB) e terá o ex-deputado estadual Carlos Correia como suplente de Jorge Picciani para o Senado. Garotinho avisou que já convidou Cesar Maia (DEM) para integrar sua chapa. Antes da resposta, o DEM avalia o impacto que essa eventual aliança teria em seu eleitorado.
Há também um problema político, já que o DEM apoia José Serra (PSDB) na eleição presidencial, e o palanque de Garotinho será de Dilma”.

Zé Dirceu responde a Virgílio

9 de abril de 2010

Do ex-ministro José Dirceu em seu blog:
“O líder do PSDB, senador Artur Virgilio (AM) é conhecido por sua retórica vazia e seus rompantes no Senado. Ninguém dá muita importância à sua verborragia, exceção da Folha de S.Paulo que lhe dá espaço hoje com uma matéria de página interna com a chamada ”Tucano ataca luta de Dilma contra a Ditadura”.
Claro, essa é uma agenda cara à Folha que faz de tudo para caracterizar como “bandida” a luta contra a ditadura e segregar os democratas que resistiram com armas, mesmo em autodefesa. O jornal esconde que todos nós que pegamos em armas viemos da luta política institucional que foi proibida, reprimida e eliminada.
E que todos - isso mesmo, todos - que lutaram contra a ditadura foram vítimas das torturas e assassinatos, independente da forma de luta em que se engajaram, se apenas política ou militar. O tucano - que já foi comunista como ele mesmo diz no discurso que fez - afirmou que Dilma “não é bandida, mas lutou de maneira errada contra a ditadura militar”.
É uma afirmação sem nenhum sentido histórico. Os tenentes que se levantaram em 22 e 24, na Coluna Prestes, e depois triunfaram na Revolução de 30, erraram em 1922 quando 18 deles enfrentaram de peito aberto a repressão e todos, menos Eduardo Gomes, foram assassinados pelas balas covardes das tropas federais?
Erraram aqueles que levantaram São Paulo em 1924, sob a liderança de Miguel Costa, e depois conformaram a Coluna Prestes? Erraram os Inconfidentes? Erraram os que lutaram contra as ditaduras na República Velha?
Claro que não. Não venceram naquela fase, como também Nelson Mandela não venceu na África do Sul e ficou 27 anos na cadeia. Mas, o próprio Mandela nunca renegou a luta armada. Não faltam exemplos no mundo para refrescar a memória do senador tucano”.

Na nota seguinte, diz Zé Dirceu:

“(Dilma) lutou contra a ditadura. Com as armas, a concepção, as limitações que tinha, e eu também. A análise políica daquele momento nos levou, tanto ela quanto a mim, a uma posição de ultraesquerda. Tanto ela quanto eu e outros agimos como a nossa consciência ditava na época(…) Lutar contra a ditadura da forma mais radical era uma exigência ética e moral”.
Ao invés de ficar com destempero verbal, o líder tucano no Senado, Artur Virgílio (PSDB-AM) deveria era ler - e com muita atenção - o trecho acima, de entrevista ao Estadão de hoje de seu companheiro de partido, o deputado e ex-chefe da Casa Civil de Serra em São Paulo, Aloysio Nunes Ferreira Filho. Ele fala exatamente sobre a resistência de Dilma Rousseff à ditadura e de um momento que Virgílio claramente não compreende.
Nas acusações que faz contra a candidata do presidente Lula, governo, PT e aliados, Dilma Rousseff, o  senador Artur Virgílio (PSDB-AM) erra quando diz que ela devia ter optado por um partido como o MDB. Ora, ela optou.
Atuou no MDB em Porto Alegre e não só coordenou, junto com outros democratas, a campanha do vereador eleito em 1976, Marcos Klassmann - cassado pela ditadura dois anos depois - como ajudou a fundar o IEPS e, depois, a Associação de Debates do então PTB brizolista.
Dilma ainda se filiou ao PDT depois que a ditadura tirou de Leonel Brizola a legenda do PTB, no final da década de 70 e o general Golbery do Couto e Silva entregou a legenda à deputada Ivete Vargas. Atuou no Movimento Feminino pela Anistia e no Comitê Brasileiro pela Anistia.
Também foi secretária da Fazenda de Alceu Colares na Prefeitura de Porto Alegre e em seu governo no Rio Grande do Sul. Como toda democrata Dilma lutou a luta que era possível. Dilma não faltou à convocação da história. Quando necessário enfrentou a ditadura na tradição rebelde e insurgente de toda as lutas democráticas de nosso povo”

PDT: “a equação não fecha”

25 de fevereiro de 2010

 ’O Globo’ publica hoje uma matéria curta, sem assinatura, e bastante curiosa. Diz ela:
“O governador do Rio, Sergio Cabral (PMDB), pré-candidato à reeleição, terá o apoio do PDT nas eleições de outubro.
Os pedetistas vão anunciar a aliança ainda na primeira semana de março, após uma reunião da executiva do diretório regional. Cabral ganhou a guerra travada nos bastidores contra o adversário e ex-governador Anthony Garotinho (PR), que também disputará o cargo, e chegou até a pedir a interferência no caso da chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, a seu favor quando ela esteve no Rio, em janeiro.
A opção por Cabral ocorreu pelo fato de Garotinho ter deixado o PDT depois de divergências com Leonel Brizola quando era governador, em 2000, provocando uma crise no partido.
— Feridas ficaram abertas e até hoje não cicatrizaram — disse o presidente regional do PDT, José Bonifácio”.
                    * * *
Como costuma dizer o governador, “essa equação não fecha”.
1 - O ministro Lupi esteve conversando com o Garotinho e, sem que ninguém o perguntasse, ele disse que foi ao encontro atendendo a um pedido da ministra Dilma Rousseff. Lupi é homem de juízo e não iria contrariar a pré-candidata à Presidência.
2 - Cabral ofereceu ao PDT o vaga de suplente do candidato ao Senado pelo PMDB, Jorge Picciani.
3 - E se o partido de Garotinho não lançar candidato ao Senado, e apoiar um nome do PDT? O que vale mais?
A reportagem do ‘Globo’ não cheira bem.
Mas como ela diz que o anuncio será feito na primeira semana de março, vamos aguardar.

Cabral anuncia novidades, sem nada de novo

24 de fevereiro de 2010

 A excelente repórter Luciana Nunes Leal, do ‘Estadão’, comprou hoje gato por lebre.
Em reportagem intitulada “Cabral amplia aliança para isolar Garotinho”, diz Luciana:
“Na tentativa de isolar o ex-aliado Anthony Garotinho, que pretende disputar o governo do Rio pelo PR, o governador Sérgio Cabral (PMDB) negocia a formação de uma chapa muito mais ampla que a de 2006, quando foi eleito para o primeiro mandato. Adversários do peemedebista no primeiro turno da eleição passada, PT, PSB e PC do B estarão na aliança pela reeleição de Cabral. O governador tenta atrair ainda o PDT e deverá manter a parceria anterior com PP e PTB.
Cabral também tem a seu lado outro ex-adversário, o prefeito Eduardo Paes, que disputou o governo em 2006 pelo PSDB, mas migrou para o PMDB no ano seguinte. Paes é hoje um dos mais próximos aliados do governador e terá papel importante na campanha da capital.
No plano nacional, a ação do governador é para se firmar como o principal aliado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da pré-candidata à Presidência Dilma Rousseff. No carnaval, Cabral expôs sua contrariedade com o fato de Dilma ter se aproximado de Garotinho, que também apoia a ministra, e chamou a atenção para os riscos do palanque duplo no Rio.
A intenção de Cabral é reproduzir no Estado a disputa nacional entre o PT de Dilma e o PSDB do governador José Serra. Os aliados do tucano insistem em que o principal adversário será o deputado Fernando Gabeira (PV), que disputará o governo em coligação com o PSDB, o DEM e o PPS.
“Vamos montar um palanque muito mais forte nesta eleição. Haverá no Rio a mesma polarização nacional. Em eleições presidenciais, as disputas estaduais ficam em segundo plano. Cabral está conseguindo trazer praticamente todos os partidos que estão com Lula e Dilma”, diz o vice-governador Luiz Fernando Pezão (PMDB).
As duas vagas de candidatos ao Senado estão reservadas para o PMDB, com o presidente a Assembleia Legislativa, Jorge Picciani, e para o PT, que vai decidir entre a ex-governadora Benedita da Silva e o prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias.
No PMDB do Rio, ainda há expectativa da desistência de Garotinho, hipótese rebatida pelo ex-governador e pré-candidato do PR. “Isso é desespero do Cabral. O problema para ele é que o interior e a Baixada Fluminense estão comigo e a capital está com Gabeira. O que sobra para o Cabral? Eu não troco votos com o Gabeira e sim com o Cabral”, diz Garotinho.
O PMDB ofereceu uma suplência de Senado para o PDT, mas os pedetistas ainda estão divididos sobre o futuro no Rio. Entre os partidos da base de Lula que enfrentaram Cabral em 2006, apenas o PRB não está em negociação com o PMDB”.
Na verdade nada mudou.
Como bem disse a repórter, os partidos que hoje estão com o governador, foram seus adversários no primeiro turno, mas quando Cabral aderiu, no segundo turno, à candidatura Lula, todos eles foram para o PMDB, que assim mesmo teve menos votos que o Presidente no Rio de Janeiro.Aliás, Lula teve mais votos que Cabral no primeiro e no segundo turno. E todos esses partidos comandam secretarias em seu governo,
Novidade mesmo, se houver, seria a adesão do PDT, que hoje faz oposição a Cabral na Assembléia, e está alijado governo.
Todo o restante é um blá-blá-blá do incansável Pezão, o vice que decide, e que começou sua carreira política no PDT de Brizola, quando se elegeu vereador e, depois, prefeito de Piraí.

Singer ataca o PMDB

21 de fevereiro de 2010

O ex-porta-voz da Presidencia, André Singer, que já havia defendido a candidatura do deputado Ciro Gomes para ser o vice de Dilma Rousseff, voltou a carga hoje na ‘Folha’ e, em entrevista a repórter Ana Rosa, o cientista político disse que o PT deveria dizer não ao PMDB:
- O PT ainda é um partido de massas e de trabalhadores?
- Continua sendo, mas já com as mudanças que eram previsíveis, de acordo com a trajetória dos grandes partidos socialistas das democracias ocidentais. O PT teve uma trajetória de sucesso eleitoral relativamente rápida. Isso faz com que o peso no partido dos que têm mandato comece a crescer. Essa trajetória faz com que o grau de participação, a chamada militância, vá diminuindo ao longo do tempo. Não é mais a militância da primeira década.
- O que fez a influência de Lula crescer tanto no partido?
- O principal fator é o que eu tenho chamado de lulismo. É um fenômeno novo. Não é o resultado, ao meu ver, de um realinhamento eleitoral. A base social que elegeu Lula em 2006 é diferente da que o elegeu em 2002. Essa nova base social são os eleitores de baixíssima renda, foram o resultado de políticas de governo do primeiro mandato. Esse primeiro mandato significou uma mudança tão importante na estrutura eleitoral do país que deu ao presidente uma base que é relativamente autônoma do partido.
- É uma base diferente daquela que sustenta o PT?
- O PT tem uma base eleitoral ampla, mas é uma base historicamente de classe média. O lulismo trouxe essa novidade de estar ancorado nessa base de baixo. Isso faz com que a adesão seja mais a uma figura que tem grande visibilidade do que a uma instituição, a um partido. Eu acho que é possível que haja uma convergência entre essa base social e o PT.
- Se essa adesão ao projeto se confirmar, garantiria, então, a eleição da escolhida do presidente?
- É a minha percepção. É mais uma adesão de projeto do que carismática.
- Quais os efeitos, para o PT, de uma aliança com o PMDB?
- O PMDB tem se caracterizado por ser um partido de baixo teor programático, o que é danoso para o sistema partidário brasileiro. Faz com que a política fique parecendo algo que diz respeito aos interesses dos políticos.
- Então é ruim para o PT?
- A opção preferencial pelo PMDB fortalece esse aspecto negativo. Ela é compreensível do ponto de vista pragmático. Na minha opinião, o PT deveria arcar com um certo risco de procurar primeiro os partidos que estão mais próximos a ele no campo de esquerda e de centro-esquerda. No caso, o PSB, que tem como pré-candidato Ciro Gomes. O PSB ainda é um partido ideologicamente mais próximo do PT. Eu também poderia me referir ao PDT, ao PC do B. O PT deveria retomar uma prática de que suas alianças fossem orientadas pelo programa.
- O PT decidiu não correr o risco por ter uma candidata eleitoralmente fraca?
- Eu acho que o problema é de outra natureza. Acho que o pragmatismo é uma força extraordinária em partidos eleitorais. Todo partido tende a ser fortemente pragmático.
- Mas se o candidato fosse alguém mais conhecido do eleitor, seria diferente?
- Eu não sei. Uma vez estabelecidos os critérios pragmáticos, como o tempo na TV e essa relativa capilaridade eleitoral [do PMDB], sempre será um elemento fortemente levado em consideração. O que está em jogo é pragmatismo versus opção programática.
- O fato de Lula ter escolhido a candidata enfraquece o PT?
- Essa é uma condição que está relacionada com a grande influência de uma liderança carismática, que tem os votos. Sem dúvida, ela significa que o partido é fortemente influenciado por essa liderança.
- O lulismo pode engolir o PT?
- A questão se vai haver essa convergência ou não vai depender de em que medida esses eleitores que a meu ver aderiram ao lulismo irão pouco a pouco votar no PT. Nas eleições de 2006 os estudos mostram que isso não aconteceu. A base social do PT continua sendo a base social tradicional, mais forte no Sudeste e no Sul do que no interior do Norte e Nordeste. Dá para ver essa diferença entre lulismo e petismo”

Garotinho garante o interior à Dilma

19 de fevereiro de 2010

Da repórter Paola Moura, do ‘Valor Ecônomico’:
“O ex-governador do Rio Anthony Garotinho (PR) acredita que a atual ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, não vai atender aos apelos do governador Sérgio Cabral e subir apenas no palanque do PMDB no Estado. Garotinho afirma que o interior do Rio é conservador e hoje dá mais votos para a candidatura presidencial do governador José Serra (PSDB) do que à futura candidata do PT. Garotinho faz questão de frisar o hoje, dando a entender que, com seu apoio, a ministra conseguiria reverter a situação.
No domingo de Carnaval, a ministra Dilma esteve no camarote do governador no sambódromo do Rio. Cabral teria reclamado com a ministra sobre o encontro dela com Garotinho no fim de janeiro e pedido que ela não subisse no palanque do ex-governador durante a campanha presidencial.
A visão de Garotinho é compartilhada pelo ex-prefeito Cesar Maia, do DEM, que apoia Serra. Para Maia, Dilma precisa mais de Garotinho do que ele dela para ter votação expressiva no interior do Estado. Somado aos municípios da região metropolitana do Rio, o interior responde por 60% do eleitorado. Segundo pesquisa feita pela coligação PSDB-DEM, Serra teria hoje 55% dos votos no interior do Estado do Rio, Dilma, 24% e Marina Silva (PV), 9%. Garotinho diz que também tem pesquisas semelhantes, mas, como estava de cama, em casa, com problemas de coluna, não tinha como acessá-las de imediato para divulgá-las. O ex-governador passou o Carnaval de repouso com pinçamento em duas vértebras, causado pelo excesso de peso e também pelas cinco horas diárias em que passa sentado na frente de um microfone da rádio. “Vou ter que mudar a cadeira”, brinca.
O ex-governador também rebate boatos de que deixaria sua candidatura de lado para apoiar Cabral, em resposta a possíveis pressões do PMDB do Rio. “Já cometi este erro uma vez e não vou repeti-lo”, afirma. Garotinho explicou que ainda não lançou sua candidatura oficialmente, mas deve fazê-lo em março. “Tenho 90% de chances de sair candidato”, afirma.
Enquanto isto, costura alianças políticas. No início de fevereiro, ele se reuniu com o ministro do trabalho, Carlos Lupi, presidente licenciado do PDT, para articular uma aliança no Rio. Segundo Garotinho, Lupi estava disposto a apoiá-lo. No entanto, teria afirmado que precisaria primeiro consultar seu partido.
O deputado estadual Paulo Ramos, líder da bancada pedetista na Assembleia Legislativa Rio, no entanto, conta que o partido ainda está dividido entre ter candidato próprio e apoiar um dos já existentes. Paulo Ramos diz que será muito difícil, no entanto, um acordo estadual com Cabral, já que durante seus quatro anos de governo ele não aceitou negociar com o partido. “As resistências são maiores para um acordo com Cabral do que com Garotinho”, explica o deputado. “Cabral está oferecendo uma suplência de senador, enquanto o Garotinho nos daria um vice e um candidato ao Senado”.
O ex-governador também negocia com outros partidos, mas prefere não anunciá-los antes do acordo fechado. Entre outros boatos, há quem afirme que ele negocia com o senador Marcelo Crivella, do PRB, que deve concorrer à reeleição no Senado”.

Cabral faz ameaça a Dilma

16 de fevereiro de 2010

 ’O Globo’ de hoje, publica hoje, em sua Passarela Impressa, um enredo assinado por Chico Otavio, Flávio Tabak e Maiá Menezes, intitulado “Um bloco para atrair Garotinho”.
Vejam as alas e ouçam o samba. Depois cuidaremos dos destaques:
“Encorajado pela apresentação da Unidos da Tijuca, que acabava de passar empolgando o público com o enredo “É segredo”, um aliado próximo do governador Sérgio Cabral (PMDB) revelou que já começaram as negociações para convencer o ex-governador Anthony Garotinho (PR), até aqui o mais ferrenho opositor de Cabral, a sair do páreo em troca de alguma vantagem política.
A notícia circulou na porta do camarote do governador, na Passarela do Samba, logo depois da saída da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, que passou quase quatro horas no Sambódromo, tempo suficiente para assistir, entre rápidos aplausos e braços cruzados, à passagem de três escolas de samba. Dilma desembarcara na cidade por volta das 20h, mas, antes de seguir para o camarote, teve uma reunião política com Cabral e seu staff no Palácio Laranjeiras. Garotinho, por outro lado, nega as negociações.  O encontro serviu para um acerto de ponteiros depois do mal-estar provocado pelo encontro de Dilma com Garotinho, ocorrido no fim do mês passado, no Rio. Além de explicar as razões da aproximação, a ministra aproveitou a oportunidade, em pleno carnaval, para acertar com Cabral uma agenda de campanha no estado. Segundo testemunhas, o encontro teria sido “extremamente cordial”.
- Não acredito que as convenções partidárias vão confirmar as candidaturas previamente colocadas. Até lá, muita água vai passar por debaixo da ponte. Há muito balão de ensaio - disse um dos articuladores de Cabral.
Um dos trunfos do grupo de Cabral, no esforço de convencer Garotinho a abandonar o páreo, é o pouco tempo de TV que o ex-governador terá (cerca de dois minutos) numa disputa cada vez mais voltada para a mídia eletrônica. Cabral venceu as eleições passadas tendo em seu palanque o casal Garotinho, na época no PMDB.
Outra novidade esperada é a concretização de uma aliança inédita, no Rio, entre peemedebistas e petistas. Para isso, Cabral contaria com o aval do presidente Lula. Mas o governador sabe que, mesmo após a derrota de Lindberg Farias no PT fluminense, o que afastou o prefeito de Nova Iguaçu da disputa sucessória, ainda terá de acomodar os aliados, já que pelo menos três deles (Marcelo Crivella, do PRB, com apoio de Lula; Jorge Picciani, PMDB; e Benedita da Silva, do PT), cobram apoio de Cabral na disputa das duas vagas ao Senado Federal.
Depois de encerrar, à 1h40m de ontem, sua participação no carnaval 2010, a ministra só voltará ao trabalho amanhã. No Sambódromo, procurou evitar temas políticos. Nem mesmo a provocação, em tom de brincadeira, de Cabral, que tomou o microfone de uma repórter de TV para “entrevistar” Dilma, a convenceu a politizar sua passagem pelo carnaval carioca.
- Ministra, como a senhora se sente ao receber aplausos na Passarela do Samba? - perguntou um sorridente governador.
- Olha, Sérgio, nesse momento eu não prestei atenção. Eu não vi - respondeu.
A ministra estava certa. Não houve aplausos para ela.
Eleito com o aval de Garotinho, de quem hoje é adversário ferrenho, Cabral vinha correndo isoladamente na campanha para a reeleição, até ser surpreendido pela entrada no páreo do deputado federal Fernando Gabeira, que será candidato pelo PV, numa aliança com o PSDB.
Cabral conta com a ajuda do presidente Lula para pressionar o PR a desistir de lançar candidato. O ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, será o novo presidente do partido. Cabral havia pedido uma conversa com o presidente Lula sobre o quadro eleitoral no Rio e trataria do tema durante o carnaval, mas ele desistiu de acompanhar os desfiles.
De acordo com aliados do governador, a maior preocupação de Cabral é com a entrada de Gabeira no cenário: há um temor de que, em um segundo turno, haja uma nacionalização a campanha.
- O presidente ligou para o governador, e a conversa foi marcada para depois do carnaval - disse o vice-governador Luiz Fernando Pezão, acrescentando que Cabral está convencido de que Dilma ficará em apenas um palanque no Rio.
Garotinho faz questão de dizer que ainda não sabe se concorrerá ao governo do estado. Por trás da indecisão está a sua filiação ao PR, em 2009, partido da base do governo Lula. Em troca de seu apoio e dos mais de 20% das intenções de voto que apresenta nas pesquisas, Garotinho quer estar ao lado de Dilma ou, no mínimo afastá-la de Cabral. Garotinho nega que o Planalto está tentando barrá-lo da sucessão.
- Ninguém pode retirar o que não está colocado. A ministra Dilma foi muito clara comigo no encontro que tivemos. Ela disse: “Estou aqui conversando com você, e o presidente Lula sabe que eu não faria nada sem que ele soubesse” - afirma o ex-governador. - Caso se confirmem, hipoteticamente, a minha candidatura, a do Cabral e a do Gabeira, acho pouco provável que ele (Cabral) vá ao segundo turno. A tendência que os setores populares fiquem comigo, e os mais conservadores, com o Gabeira. Aí fica difícil um espaço para ele.
Enquanto Cabral e Garotinho ainda costuram alianças e negociam vagas em suas futuras chapas, o deputado federal Fernando Gabeira (PV) já começa a esboçar o formato de sua campanha ao governo. A coligação PV/PSDB/DEM/PPS foi formalizada no dia 8 de fevereiro. Durante os dias que restam de folia, Gabeira quer ir ao Maracanã para torcer pelo Flamengo na Taça Guanabara, e escrever idéias que serão apresentadas aos eleitores.
- Trarei algumas metas que serão apresentadas na coligação, como utilizar os recursos do petróleo para nos libertarmos dele. Também escreverei sobre como avançar na segurança, que hoje está mais concentrada na Zona Sul (da capital) - diz o deputado”.

                                   * * *
Agora vamos aos destaques do enredo, e os comentários onde o samba atravessa:
1 - Diz o enredo:  “Um aliado próximo do governador Sérgio Cabral (PMDB) revelou que já começaram as negociações para convencer o ex-governador Anthony Garotinho (PR), até aqui o mais ferrenho opositor de Cabral, a sair do páreo em troca de alguma vantagem política”. Que os repórteres utilizem uma declaração em ‘off’, nada contra. É pena que a direção nacional do PR já divulgou uma nota, antes do Carnaval, informando que a candidatura de Garotinho é inegociável. E Cabral sabe disso. O triste é que a fonte declara que  Cabral estaria disposto a pagar, pela desistência do seu  “mais ferrenho opositor”, que  ganharia  “em troca alguma vantagem política”. Só mesmo rindo. Ou chorando.  Então o governador acha possível comprar uma candidatura com dinheiro ou com cargos?  É muita cara de pau, para se dizer o mínimo. A última ação de Cabral contra Garotinho, foi a de expulsar a filha Clarissa Garotinho, da presidência  da Juventude do PMDB,  e entronizar o filho do governador.
2 - Diz a fonte de ‘O Globo’: “Não acredito que as convenções partidárias vão confirmar as candidaturas previamente colocadas. Até lá, muita água vai passar por debaixo da ponte. Há muito balão de ensaio”. A declaração é de tal descaramento, que a fonte deve ter sido, não um assessor, mas sim o próprio governador. Ninguém é tão ousado quanto ele.
3. Mais uma da fonte: “Um dos trunfos do grupo de Cabral, no esforço de convencer Garotinho a abandonar o páreo, é o pouco tempo de TV que o ex-governador terá (cerca de dois minutos) numa disputa cada vez mais voltada para a mídia eletrônica”. Em princípio, isso  é verdade, mas por isso mesmo Cabral não deveria temer o adversário, já que terá mais de oito vezes o tempo de Garotinho na TV. Só que o ex-governador, ao que tudo indica, não ficará apenas com esses  dois minutos. Ele pode chegar a cinco, ou até mesmo um pouco mais, se tiver o apoio do PDT. O ministro Carlos Lupi já esteve com ele, e foi ao seu encontro a pedido da ministra Dilma Rousseff. Aliás, a candidata do PT à Presidência não tem porque dispensar, pelo menos 20% dos votos do Rio que Garotinho detém hoje.
4. O enredo: “Outra novidade esperada é a concretização de uma aliança inédita, no Rio, entre peemedebistas e petistas”.  Essa aliança já houve no segundo turno da última eleição. No primeiro turno, Sergio Cabral deve ter sido o único candidato a governador do país que tenha ficado  em cima do muro. Ele imaginava que Geraldo Alckmin pudesse vencer a eleição. Hoje sabe-se que Lula usa Cabral, já que nos dois outros grandes Estados do país - São Paulo e Minas - os governadores são do PSDB. Mas o Presidente sabe que Cabral não é pessoa confiável.  Por isso trabalha sempre com um pé atrás.
5. E continua o samba: “Mas o governador sabe que, mesmo após a derrota de Lindberg Farias no PT fluminense, o que afastou o prefeito de Nova Iguaçu da disputa sucessória, ainda terá de acomodar os aliados, já que pelo menos três deles (Marcelo Crivella, do PRB, com apoio de Lula; Jorge Picciani, PMDB; e Benedita da Silva, do PT), cobram apoio de Cabral na disputa das duas vagas ao Senado Federal”. Cobram nada. Eles cobram o apoio é de Lula. O apoio de Cabral não serve para absolutamente nada, a não ser arranjar dinheiro para pagar suas campanhas. Lula vai apoiar Crivella e o/a candidato/a do PT.  Jorge Picciani seria a única exigência de Cabral. Vamos ver a quem o governador  trairá. Será que ele vai trair o candidato preferencial  de Lula? Ou vai trair o PT que o apóia? Ou trairá o seu próprio candidato? Falta pouco tempo para cair a máscara carnavalesca do governador.
6. O jornal: “Depois de encerrar, à 1h40m de ontem, sua participação no carnaval 2010, a ministra só voltará ao trabalho amanhã”. “Só amanhã”? Queriam que ela  voltasse quando? Hoje, na Terça-Feira Gorda? E o governador? Será que ele volta amanhã? Ele nunca voltou nem na quarta, nem na quinta, nem na sexta. Com sorte na próxima segunda. A não ser que, nesse meio tempo,  Lula o chame para ir a Brasília. Aliás, Lula está estressando Sergio Cabral, pois não conversa com ele. Amanhã, quarta-feira de Cinzas, o Presidente receberá até o governador em exercício de Brasília, Paulo Octavio. E Cabral ainda não tem nada marcado. Mas verdade seja dita: se Lula marcar audiência para Cabral amanhã, ou mesmo nessa semana, o  estresse será ainda maior: já pensou ter de trabalhar em plena quarta-feira de Cinzas?
7. O enredo mostra o puxa-saquismo  desnecessário de Cabral com Dilma Rousseff – que nos bastidores é ridicularizada por ele, por não ser carismática. Fingindo-se de repórter de TV, disse Cabral:
“- Ministra, como a senhora se sente ao receber aplausos na Passarela do Samba? - perguntou um sorridente governador.
- Olha, Sérgio, nesse momento eu não prestei atenção. Eu não vi - respondeu.
A ministra estava certa. Não houve aplausos para ela”. Sem comentários.
8. O enredo de novo: “De acordo com aliados do governador, a maior preocupação de Cabral é com a entrada de Gabeira no cenário: há um temor de que, em um segundo turno, haja uma nacionalização a campanha”. É claro que haverá. Mas Lula não tem quase 80% de popularidade? Por que o temor de Cabral? Se Lula tem a capacidade de transferir votos para Dilma, por que não teria a mesma capacidade para transferi-los para Cabral? O governador não deveria ter medo de nada. Só que a verdadeira preocupação de Cabral é outra:  ele teme, e com razão, é não ir para o segundo turno.
9. Diz ‘O Globo’:  “- O presidente ligou para o governador, e a conversa foi marcada para depois do carnaval - disse o vice-governador Luiz Fernando Pezão, acrescentando que Cabral está convencido de que Dilma ficará em apenas um palanque no Rio”. Esse seria o óbvio, mas com alguns reparos. O Presidente não ligou para Cabral. Cabral foi quem cobrou a vinda do Presidente, e esse deu, como desculpa,  uma hipotética  hipertensão da Primeira-Dama, Dona Mariza. Que uma conversa foi marcada para depois do Carnaval, não existe dúvidas, até porque não poderia ser antes. Cabral queria que fôsse na semana passada, mas Lula disse que estava ocupado. E o encontro ainda não tem data marcada. Se tivesse dia e hora acertado eles informariam. E mais: Cabral não está convencido que Dilma ficará em apenas um palanque no Rio. Isso é o seu desejo, e não o seu convencimento. Por isso ele quer conversar com Lula. Mas se Dilma vai, na Bahia, ao palanque de Jacques Wagner e de Geddel Vieira Lima - seus amigos - por que no Rio seria diferente? Apenas para atender ao capricho do governador? Dilma não é mulher de atender a caprichos de quem quer que seja.
Agora a nota 10 do enredo.
Todo esse texto acima saiu publicado na primeira edição do ‘Globo’. Na segunda edição, o jornal publica algo inacreditável, e aí não tem fonte. É o próprio Cabral que se mostra como puxador do samba, quando canta sua chantagem descarada.  Depois de se referir ao encontro de Dilma com Garotinho,  diz o enredo:  “Cabral disse que há uma equação eleitoral que “não fecha”, e deu a entender que Dilma poderá perder seu apoio”.
Em seguida, a chantagem do puxador:
- Acho o seguinte: quando há dois palanques, pode ser um problema. Aqui, a equação não fecha. Como é que ela (Dilma) vai no mesmo dia para um palanque da situação e, depois, para um da oposição? Vai acabar perdendo o voto até da minha mulher.
Outra vez para firmar, vamos repetir o refrão:
 - Acho o seguinte: quando há dois palanques, pode ser um problema. Aqui, a equação não fecha. Como é que ela (Dilma) vai no mesmo dia para um palanque da situação e, depois, para um da oposição? Vai acabar perdendo o voto até da minha mulher.
Como Lula e Dilma não são bobos, eles não irão reclamar.
Mas o fato de não reclamarem, não quer dizer que eles não tenham ouvido a chantagem.
E, nesse caso, fica mais do que provado que o governador não é mesmo confiável.
Ele é capaz de tudo.
Quem viver verá…

Arruda a um passo da cadeia

11 de fevereiro de 2010

Êta semaninha boa.
Hoje ainda é quinta-feira e todos os dias tivemos boas notícias.
1. O General Raymundo Nonato de Cerqueira Filho, candidato a uma vaga de ministro do STM,  que havia criticado os gays, enviou uma carta, para a Mesa do Senado, se retratando e pedindo desculpas ao homossexuais.
2. Já o General Maynar Marques de Santa Rosa, diretor-geral de Pessoal do Exército, vestiu o pijama, depois de ter divulgado na internet um texto que chamava de fanáticos os integrantes da Comissão da Verdade.
3. No Rio, o deputado Fernando Gabeira conseguiu finalmente fechar a aliança PV-PSDB-DEM-PPS. isso foi na terça-feira na casa de Marcello Alencar. O presidente de honra do PDT, Carlos Lupi, decidiu apoiar a candidatura de Garotinho ao governo do Rio. Com isso, o candidato do PR ganha mais uns minutos de propaganda na TV. Lupi disse que procurou Garotinho, atendendo a um pedido da ministra Dilma Rousseff. Pena que os leitores de jornais cariocas não saibam, até hoje, nada de Gabeira, nem de Garotinho. No Rio, a imprensa só cuida de Sergio Blindado Cabral.
4. O Presidente Lula ainda não decidiu se vem assistir ao desfile das Escolas de Samba. Se não vier, não precisará dividir, com Cabral, as vaias que estão sendo anunciadas para o Sambódromo. Se Madonna estiver ao lado de Sergio Odorico Cabral, ficará obvio que o público não estará vaiando a cantora.
5. O novo presidente da OAB, Ophir Cavalcante, pediu a prisão preventiva do governador de Brasília, José Roberto Arruda. E o melhor: o ministro do STJ, Fernando Magalhães, relator do inquérito que corre contra o Governador, já decretou a prisão preventina de Arruda. Mas seu relatório precisa ser aprovado pela Corte do STJ que está reunida, nesse momento, examinando a medida.
É bom demais pra ser verdade. A torcida é enorme.

Dilma dá o PDT para Garotinho

9 de fevereiro de 2010

De Renata Lo Prete, da ‘Folha’, para irritar ainda mais o governador Sergio Cabral, que tem agora mais um ítem para estragar o Carnaval do Presidente Lula:
“Presidente do PDT, o ministro Carlos Lupi (Trabalho) visitou anteontem o ex-correligionário Anthony Garotinho (PR) para tratar de possível aliança no Rio: o partido indicaria um dos nomes ao Senado na chapa do ex-governador”.
Até aí nenhuma novidade. Agora vamos a nitroglicerina:
“Segundo Lupi, a própria Dilma lhe pediu que conversasse com Garotinho”.

Ciro ainda hoje é solução

1 de fevereiro de 2010

Ciro Gomes continua calado e seu silêncio é ensurdecedor. Por isso ele está causando uma confusão dos diabos dentro do PT.
Na nova pesquisa  CNT/Sensus - onde o prestígio de Lula aumenta ainda mais - Dilma Rousseff e José Serra estão empatados, tecnicamente, devido a margem de erro da pesquisa. Serra tem 33,2% e Dilma 27,8%. Mas esse quadro só se apresenta com Ciro candidato. Sem ele, Serra pula para 40,5% e Dilma cai 23,5%. Ou seja: com Ciro fora do páreo, Serra leva a eleição no primeiro turno.
Faltam nove meses para o pleito, e Dilma está em curva ascendente.
Mas ela tanto pode disparar, com a ajuda de Lula, e com São Pedro castigando Serra em São Paulo, como pode ocorrer o inverso.
Ciro ainda é a garantia do segundo turno.
Hoje, sua candidatura só faz ajudar a Dilma. Tentar descartá-lo, no momento, será de uma burrice sem fim. E aquilo quje poderá parecer ousadia, para uns, poderá ser identificado como arrogância para outros.
Se é verdade que Lula, na conversa que teve com o governador Eduardo Campos, ficou com lágrimas nos olhos ao falar da lealdade de Ciro, não tem porque insistir em vê-lo fora do jogo. Ao contrário, tem  mais é que liberar o PP, o PDT ou o PCdoB da aliança, para que ele consiga ter uns poucos minutos a mais de TV e não seja obrigado a fazer uma campanha como a de Enéas. Para ajudar a desconstruir Serra, ele precisará de pelo menos 4 a 5 minutos, dos 60 reservados aos candidatos, três vezes por semana.
Entre os candidatos, Ciro é certamente o mais articulado deles, e não merece ir a TV dizer simplesmente  “meu nome é Ciiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiro”.