Rio: o Cristo que se dane
17 de abril de 2010
A recompensa de R$ 5 mil para quem der uma pista que leve aos vândalos pichadores do Cristo Redentor, é mais uma prova do descaso das autoridades do Rio pelo monumento.
O prefeito Eduardo Paes não mencionou os nomes dos doadores, não por modéstia. Foi pura vergonha.
Quando a estátua do Cristo Redentor, e o seu entorno, disputavam o privilégio de se tornar uma das 7 Maravilhas do Mundo, o governo do Rio não moveu uma palha. Agora faz o mesmo.
Na época, nem ao menos um link do concurso - para que as pessoas votassem - o Governo do Rio exibia em seu portal.
Aécio Neves e José Serra, infinitamente mais antenados que Sergio Cabral, perceberam logo a importância da campanha e subiram o Corcovado. O governador os acompanhou, posando como um verdadeiro papagaio de pirata.
Todos entendiam que o Cristo era do Brasil, assim como as pirâmides são do Egito, a Torre Eiffel da França e o Taj Mahal da Índia. Menos o governador.
Na época, o autor desse blog disse que as autoridades preferiam, ao invés da campanha do Cristo, os jogos do PAN, pois eles movimentavam verbas e empreiteiros, proporcionavam superfaturamentos e bocas-livres, além de caixinhas e mordomias.
Eleito, o monumento não mereceu, por parte das autoridades, nem ao menos um policiamento. Por isso a ação dos pichadores.
A indignação de Cabral com o fato é zero. Até agora, ele não deu uma declaração sobre a vergonha que hoje corre o mundo. Ou a pichação não tem importância, ou ele não tem opinião.
O fanfarrão que prometeu reunir empresários para pagar uma palestra de Tony Blair – político desprezado pelos ingleses e sem condições de dar consultoria as Olimpíadas de Londres, mas que foi convidado para dar palpites nas Olimpíadas do Rio - não disparou um único telefonema para ajudar na busca dos pichadores.
A notícia da recompensa de R$ 5 mil, foi divulgada no mesmo dia em que a Polícia Federal prendeu um traficante, cuja recompensa era de US$ 5 milhões.
É claro que uma coisa é uma coisa, e outra coisa é outra coisa.
Mas soa estranho que um colombiano preso esteja valendo 1 mil e 800 vezes mais do que o Cristo Redentor limpo.
$ergio Cabral entende de números.
Por isso, seu comportamento é o mesmo de quando o monumento estava em campanha.
O Cristo que se dane.