Valcke vem ao Brasil dia 11
5 de março de 2012 Do repórter Almir Leite, do ‘Estadão’:
“Se o governo brasileiro continuar batendo pé na exigência à Fifa de trocar seu interlocutor para os assuntos relacionados à Copa do Mundo e se o secretário-geral da entidade, Jérôme Valcke, não rever sua posição e pelo menos pedir desculpas por suas declarações deselegantes, uma saia-justa de grandes proporções tem tudo para ocorrer nos próximos dias. Isso porque Valcke desembarca no País no dia 11 e, dois dias depois, tem agendada uma reunião em Brasília com o governo. Como o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, já avisou que não vai recebê-lo, o cartola da Fifa corre risco de dar com a cara na porta.
A visita de Valcke ao Brasil está programada desde janeiro e ele garantiu no sábado que não vai mudar de planos. Ele vai passar também por Recife e Cuiabá. Na capital, além de pretender encontrar com representantes do governo federal, ele quer conhecer o Estádio Nacional Mané Garrincha. Outro compromisso é uma reunião com o Conselho de Administração do Comitê Organizador Local (COL).
O primeiro compromisso oficial de Valcke é no dia 12, no Recife, onde fará vistoria na Arena Pernambuco, que ainda depende de confirmação para receber partidas da Copa das Confederações de 2013. Terá a companhia de Ronaldo e Bebeto, integrantes do COL. Encerrará o tour no dia 15, na Arena Pantanal, em Cuiabá. “Será minha primeira visita a uma cidade que não receberá jogos da Copa das Confederações, mas me contaram que estaremos no coração do Brasil”", disse Valcke há duas semanas.
Jérôme Valcke se especializou na tática do morde e assopra ao falar sobre a Copa no Brasil. Desde que começou a fazer suas “avaliações”", em um determinado momento “detonava”" o que estava sendo feito para na manifestação seguinte dizer que tudo estava caminhando de maneira satisfatória.
Agiu várias vezes assim em relação aos estádios, às obras de mobilidade - mesmo reclamando do trânsito e da falta de infraestrutura aeroportuária. Mas nunca engoliu a demora da aprovação da Lei Geral da Copa, que para ele já deveria estar em vigor há anos.
Em janeiro, quando esteve no Brasil para uma série de reuniões e visitas a algumas cidades-sede, obteve do governo federal a garantia de que a Lei Geral da Copa seria aprovada até meados deste mês de março. Publicamente, se disse satisfeito, mas a seus pares na Fifa e mesmo a membros do Comitê Organizador reclamou de itens que não agradavam à entidade. Apesar disso, dizia que o mais importante era o “fim da novela”".
No mesmo dia em que saiu da linha ao fazer críticas ao que o Brasil (não) está fazendo pela Copa do Mundo, Jérôme Valcke garantiu que a Fifa não tem um “plano B”", ou seja, não pensa em tirar a competição do País. Mas, se quiser, ainda pode fazer isso sem ter de pagar multa. E agiria de acordo com o combinado. Isso porque a entidade tem até o dia 1.º de junho para desistir de fazer o Mundial no Brasil.
Essa garantia foi dada à entidade no “Acordo da Candidatura”", assinado em 2007 pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Uma das cláusulas do documento permite a retirada da Copa até 1.º de junho de 2012, sem ônus para a Fifa, no caso de o governo não estar cumprindo as garantias dadas à entidade.
A questão das garantias é, no fundo, a que mais irrita a Fifa. Isso porque a Lei Geral da Copa ainda não foi aprovada e a demora é vista na entidade como um sinal de má vontade e desorganização.
Para piorar, a votação do texto-base da Lei Geral, na semana passada pela Comissão Especial da Câmara, não teve validade porque foi fechada depois que houve a chamada da ordem do dia, o que feriu o regimento. Assim, nova votação deverá ser feita nesta semana, talvez amanhã. Mas, além do texto-base, há dez destaques que precisam ser votados - a maioria deve resultar em ferrenhas discussões.
A liberação da venda de bebidas alcoólicas nos estádios é um dos temas polêmicos. Vários deputados que integram a comissão já avisaram que são contra. Outro ponto de discórdia é sobre a responsabilidade civil da União. A entidade quer que o governo assuma qualquer tipo de prejuízo que ela venha a ter. O governo só aceita pagar por aquilo que tiver culpa, por ação ou omissão”.