Uma história escabrosa
2 de abril de 2010Assessoria de imprensa é uma praga.
E quanto maior, pior ela é.
Há quem diga que, uma grande assessoria – entenda-se grande como aquela que tem muitos clientes – tenha hoje mais poder político do que muita redação de jornal.
Tudo isso é para contar uma história que, em princípio, pode parecer apenas curiosa, embora seja uma tragédia, e que precisa ser muito bem explicada. Ou pela agencia junto ao seu cliente e aos veículos de imprensa, ou pelos jornais e revistas que participam dessa maracutaia - ou são vítimas dela.
Fui a um jantar, essa semana, em um restaurante do Rio, onde comemorava-se o aniversário de uma amiga. Não direi o nome do estabelecimento, pois aqui ele é vítima, consciente ou inconscientemente.
Ao sair de casa, já em cima da hora, não encontrei o endereço que havia anotado, mas lembrava o nome do restaurante. Fui para a internet e o localizei.
Ele possui um belo site, inclusive com o cardápio, carta de vinhos e preços, coisa rara nos restaurantes do Rio.
Um dos ítens do site, trata da Imprensa, onde são reproduzidas reportagens ou críticas publicadas em jornais e revistas.
Só que em cima de cada uma das matérias, é exibido um quadro curioso, onde está listado o nome do veículo, a seção em que foi publicado, o número da página e a data, a tiragem da edição, a centimetragem ocupada e o valor (custo) da reportagem.
Assim, uma matéria na ‘Folha’, na seção Dinheiro/Mercado Aberto, custou R$ 78.048,00; no Rio Show, do ‘Globo’, saiu por R$ 42.845,00; para a publicação de uma foto legenda no ‘Jornal do Brasil’, com um cliente da casa, foram gastos R$ 17.792,00; duas páginas na ‘Viver Brasil’ custou R$ 37.608,80; e, na ‘Veja Rio’, uma crítica custou R$ 23.671,50, enquanto para a publicação do chamado ‘tijolinho’ – onde informa-se alguns pratos, endereço, telefone, manobrista, cartões de crédito, como chegar, etc – paga-se R$ 1.908,99.
Como todas as reportagens e críticas são elogiosas, fica-se com a impressão de que o jornalista falou bem - e o veículo em que ele trabalha publicou o seu texto - pois o restaurante pagou pelo espaço.
Será verdade?
Espera-se que não. Se for, não dará mais para confiar nas críticas a outros bares e restaurantes da cidade, tanto do Rio, quanto de São Paulo.
O que poderá ter acontecido? Das duas uma.
1 – Ou a agencia paga aos veículos para que seu cliente tenha uma crítica e/ou reportagem favorável;
2 – Ou ela não paga um tostão, mas cobra do cliente esses valores, com o argumento de que o espaço (centimetragem) ocupado custaria aquele tanto.
Alguém está sendo enganado nessa história: ou os leitores ou os clientes.
O fato é que a agencia está atingindo, de maneira totalmente irresponsável, aquilo que os veículos mais perseguem ou preservam – a sua credibilidade.
O fato é gravíssimo, pois tem-se a impressão de que tudo isso seja verdade, já que outras três reportagens, não específicas sobre o restaurante, mas em que ele foi citado, não custou um único centavo nem no ‘Globo’, nem no ‘Jornal do Brasil’, e nem na ‘Vejinha’.
A responsável pela lambança chama-se FSB Comunicações - intermediária da mutreta, ou empresa incompetente ao extremo para dar assessoria a um restaurante, pois atinge não só o seu cliente, como também os mais importantes veículos de imprensa do país.
Como a FSB atende a centenas de contas em todos os ramos de negócios -alguns muito poderosos – pode-se supor que todos eles pagam para que suas empresas sejam alvo de reportagens favoráveis em jornais e revistas.
A FSB pode provocar danos irreparáveis a saúde dos veículos de comunicação.