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Posts com a tag ‘FHC’

A trinca e o coringa

27 de janeiro de 2012

                                             Eliane Catanhêde*

         O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, foi salvo na última hora pelo desabamento de prédios no Rio. Não fosse a tragédia, as principais imagens e conversas políticas pelo país afora seriam sobre Kassab levando ovos no dia do aniversário da capital paulista.
Com Kassab virando omelete, o PSDB dividido irrecuperavelmente e Dilma fazendo bonito nas pesquisas, o PT recupera fôlego e sai a galope para a prefeitura, onde joga o seu futuro. Como já dito aqui, se Fernando Haddad -que fez 49 anos- se eleger prefeito da principal capital do país, estará automaticamente na lista de presidenciáveis de 2018.
Quando FHC diz que Aécio Neves é a opção “óbvia” para a Presidência, empurra Aécio para uma arena inglória. Em 2014, será a chance de o PSDB paulista fazer com Aécio o que ele fez com Serra e Alckmin em 2002, 2006 e 2010: jogá-lo aos leões -ou leoas. Dilma não terá mais só a aura de Lula. Tenderá a ter também a sua própria popularidade e, no rastro dela, a união dos governistas.
O jogo que está sendo jogado é, sobretudo, para 2018, com um trio que tem o impulso da renovação natural e se destaca desde já: Aécio pelo PSDB, Haddad pelo PT e Eduardo Campos (PSB) como um pêndulo entre os dois, mas na verdade querendo ele próprio concorrer.
Os três apontam para o futuro da política, mas há diferenças: Aécio é neto de Tancredo, e Campos, de Miguel Arraes. Enquanto eles têm a articulação política no sangue e a liderança nos seus partidos, Haddad tem que comer na mão de Lula, aprender os primeiros passos com Dilma e evitar acidentes “em casa” - no PT.
Kassab circula bem entre PSDB, PSB e PT, como um coringa que pode reforçar a cartada de um dos três. Deve, porém, ajustar sua (ótima) capacidade política e sua (medíocre) popularidade. A questão geracional ajuda a definir o jogo e os jogadores, mas não é o único fator. É apenas uma imposição da política, como da vida.
*Eliane Catanhêde é colunista da ‘Folha’.

Dilma, esqueça Yoany Sánchez

25 de janeiro de 2012

       O ex-deputado Fernando Gabeira, um dos sequestradores do embaixador norte-americano Charles Burke Elbrick, é proibido de entrar nos Estados Unidos.
Certa vez, a Câmara quis incluí-lo na delegação de parlamentares brasileiros que, anualmente, participam da Assembléia Geral da ONU.
Mas não obteve êxito.
Quando o filme “O que é isso, companheiro?”, baseado no livro de Gabeira, foi indicado para o Oscar, nova tentativa e nada feito.
Isso tudo ocorreu no governo Fernando Henrique Cardoso.
                                * * *
No segundo governo Lula, o ministro de Comunicação Social do Governo chamava-se Franklin Martins -  assim como Gabeira, participante ativo no sequestro do embaixador norte-americano.
Franklin, mesmo como ministro, nunca conseguiu acompanhar Lula nas viagens do Presidente aos EUA.
O Governo norte-americano negou, sistemáticamente, o visto diplomático à autoridade, mesmo estando ele em missão oficial.
                                * * *
Agora cobram uma posição de Dilma Rousseff em favor de Yoany Sanchez, “dissidente” cubana que quer vir ao Nordeste fazer propaganda anti-castrista.
Se nem FHC, nem Lula conseguiram êxito na defesa de seus nacionais, junto aos EUA, por que diabos Dilma deve defender a vinda de uma estrangeira ao Brasil?
A tentativa de emparedar Dilma não é apenas uma falta de respeito ou cobrança fútil da mídia brasileira com a Chefe do Governo, e mais do que isso: é uma tentativa de desmoralizá-la perante a opinião pública.
Dilma vai a Cuba tratar assuntos de Estado, e não se imiscuir em assuntos internos da Ilha.
Poderia até, em conversas informais, tratar da questão dos presos políticos, de uma maneira mais ampla - assim como já fizeram, com êxito, a Espanha e o Vaticano.
Mas não cuidar de um assunto isolado - de uma blogueira que reclama não pode sair do país, mas que já viveu anos na Europa, e hoje está em Cuba, a soldo sabe-se lá de quem, sem trabalhar, com liberdade suficiente para escrever o que bem entende, e com tradução em 18 idiomas.

TV não mudará resultado

17 de agosto de 2010

    É dura a vida do candidato José Serra.
Veja o que diz a reportagem da ‘Folha’, assinada por Ranier Bragon e Fernanda Odilla:
“A campanha na TV tem histórico de relevantes movimentações na intenção de voto dos candidatos à Presidência, mas até hoje não teve impacto suficiente para tirar a vitória daquele que iniciou o período na dianteira.
Nas cinco eleições presidenciais após a redemocratização -de 1989 a 2006-, saiu vitorioso o candidato que liderava as pesquisas imediatamente antes da entrada da campanha na TV.
A análise das planilhas do Datafolha mostra que se encontravam nessa situação Fernando Collor (PRN) em 1989, Fernando Henrique Cardoso (PSDB) em 1994 e 1998, e Lula (PT) em 2002 e 2006 -em 94, FHC dividia a ponta com Lula, em empate técnico, mas em ascensão.
Apesar disso, a propaganda televisiva coincidiu com períodos de movimentações que em dois casos levaram um cenário de vitória em primeiro turno para o segundo.
Em 1989, Collor abriu o período da propaganda com sete pontos de vantagem sobre todos os principais oponentes somados. No final, havia caído de 40% para 26% na pesquisa. Embolado na terceira posição, Lula praticamente dobrou seu índice e, por margem estreitíssima, derrotou Leonel Brizola (PDT) e foi ao segundo turno.
Nas vitórias de 1994 e 1998, ambas no primeiro turno, FHC tinha mais minutos na programação eleitoral e assistiu no período televisivo a uma ampliação da vantagem em relação a Lula. Já em 2002, Lula iniciou a TV com Ciro Gomes (PPS) como seu principal oponente. Entretanto, Ciro derreteu de 27% para 11% das intenções de voto, desempenho em parte atribuído à exploração na TV de frases polêmicas e da discussão com um eleitor.
José Serra (PSDB), dono da maior fatia eletrônica, acabou indo ao segundo turno.
“O horário eleitoral sepultou as chances de Ciro por conta das bobagens que ele falou”, disse o cientista político Marcus Figueiredo, professor da UERJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro), Autor de estudos sobre o tema, ele diz que a propaganda na TV constrói a imagem dos candidatos e pauta debates, mas que está longe de ser a única variável para que o eleitor defina seu voto.
Na disputa de Lula pela reeleição, em 2006, o petista vencia o conjunto dos principais oponentes por dez pontos no início da propaganda.
Em meio à repercussão do episódio em que petistas foram presos tentando comprar um dossiê antitucano e após faltar ao último debate, na TV Globo, teve que disputar o segundo turno com Geraldo Alckmin (PSDB).
As planilhas do Datafolha mostram não haver padrão sobre o momento da campanha na TV em que as intenções de voto se estabilizam. Houve mudanças, no entanto, no resultado final de outras eleições. Um dos exemplos mais claros é o da eleição de Gilberto Kassab (DEM) à Prefeitura de São Paulo, em 2008. Em 22 de agosto, na semana de início da propaganda na TV, ele tinha 14%, contra 41% de Marta Suplicy (PT) e 24% de Geraldo Alckmin (PSDB)”.

A saúde como sacerdócio

19 de julho de 2010

                                                                      José Serra*
  Eu estava deitado com minha neta, que se ajeitava para dormir e conversava comigo e com o irmão, com quem divide o beliche. Havia acabado de chegar da Bahia, no sábado à noite, e fora vê-los. Foi nesse momento de mansidão que um assessor entrou na casa, disse que precisava falar-me e deu a notícia terrível: o Barradas tivera um ataque cardíaco e morrera. A calma que me dominava deu lugar a uma alucinante sensação de fragilidade e revolta, com o desaparecimento gratuito de alguém tão bom e tão próximo.
No final de março de 1998, quando aceitei o convite de Fernando Henrique Cardoso para assumir o Ministério da Saúde, fui tomado por uma ideia fixa: levar o Luiz Roberto Barradas comigo, para introduzir-me no mundo da saúde, instruir-me sobre o funcionamento do ministério, ajudar-me a escolher os colaboradores e dar os primeiros passos naquela área imensa, difícil e tão essencial para o nosso povo.
Ele era secretário-adjunto em São Paulo, não queria deixar o posto, mas aceitou afastar-se por uns três meses e trabalhar comigo em Brasília, viajando também pelo Brasil. Tempos depois, ficou comigo mais seis meses. De conhecidos, nos tornamos desde então amigos de infância, com um bônus interessante: um achando o outro engraçado no seu jeito de ser. E certa cumplicidade no estilo de trabalho.
A assessoria que me prestou foi impecável, condição mesmo para que, ao longo de quatro anos, déssemos passos largos no avanço da saúde no Brasil. Desde aquela época, costumo esclarecer que foi com o Barradas que aprendi, logo no início, a diferença entre vírus, verme, micróbio e bactéria…
Barradas era médico sanitarista, dedicado de corpo e alma às políticas públicas de saúde. Essa especialidade é, por sua natureza, cativa do setor governamental e, portanto, recebe salários relativamente modestos. Na verdade, a área dos sanitaristas exige muita vocação, um quase sacerdócio.
Não é pouca a contribuição que eles têm dado ao nosso país. Por exemplo, as campanhas de vacinação, numerosas, abrangentes e benfeitas, num país tão grande, heterogêneo e repleto de localidades pobres. Ou a criação do SUS, um sistema único da saúde inovador entre os países em desenvolvimento, que só precisa de governos bons para funcionar melhor.
A implantação e a consolidação do sistema de Organizações Sociais na gestão de unidades de saúde em São Paulo, iniciadas pelos governos Covas e Alckmin, que deram tão certo e hoje se reproduzem em outros Estados, deveram-se muito ao descortino e à capacidade de fazer acontecer do Barradas.
Ele teve também um papel decisivo no fortalecimento das entidades filantrópicas sérias e na aliança do governo com os hospitais universitários, ambos peças fundamentais do SUS. Para ele era clara a distinção que transformamos em norma no Ministério da Saúde: nem tudo o que é público é necessariamente governamental. Um hospital como o das Irmãs Marcelinas atende de graça e a qualquer pessoa: por isso é público, embora não pertença ao governo.
Muitos programas e ações de saúde tiveram a mão, a cabeça, a vontade e a dedicação do médico sanitarista Luiz Roberto Barradas. De programas como o de distribuição gratuita de remédios -o Dose Certa- à primeira lei antifumo do Brasil. Da implantação do Instituto do Câncer Octavio Frias de Oliveira, desafio que fiz a ele quando foi meu secretário, ao Hospital Estadual de Ribeirão Preto, e outros nove hospitais estaduais somente nos últimos quatro anos. Da expansão da Furp -fábrica estadual de medicamentos- à produção da vacina antigripe, no Butantan. Da concepção e implantação dos Ambulatórios Médicos de Especialidades (AMEs) à ideia original das AMAs -Atendimento Médico Ambulatorial -, implementada quando fui prefeito de São Paulo. As AMAs, que hoje recobrem a cidade de São Paulo, foram reproduzidas no Rio de Janeiro, como UPAs; os AMEs, no futuro próximo, virarão programa nacional, encurtando a demora em consultas e exames no âmbito do SUS.
Ficamos agora sem um grande servidor público -modesto, criativo, competente e sensato. Foi-se um amigo querido e o Brasil perdeu um homem de grande valor. Uma tragédia. Como ouvi dele mais de uma vez, sua motivação era “ajudar as pessoas”.
Ausentou-se muito prematuramente, mas sua família e seus amigos podem orgulhar-se: ele cumpriu como ninguém seu generoso propósito de vida e continuará a ser um grande exemplo para os que compartilham sua vocação.
*José Serra foi ministro da Saúde, governador de São Paulo, é candidato à Presidência pelo PSDB e escreveu para a ‘Folha’.

Serra com os sinais trocados

17 de julho de 2010

  José Serra fez, em Pernambuco, a melhor intriga de sua campanha.
Disse que é amigo pessoal de Lula e de Fernando Henrique Cardoso, e eles “são muito mais parecidos do que parece. O ouvinte aqui pode estar surpreso, mas eu conheço os dois”.
                   * * *
A declaração de Serra certamente desagradou a Lula e a FHC.
Mas uma coisa é certa. Os dois chegaram à Presidência usando chapéu de couro, montados num jegue e comendo carne de bode com jerimun.
Em sua caminhada por Caruaru, ontem, Serra parou três vezes para tomar um cafezinho.
E, em Gravatá, ao invés do forró deliciou-se com um concerto do pianista filipino Victor Assunción, na Igreja Matriz de Sant’Anna, parte do projeto Virtuosi de música erudita.
O tucano e sua comitiva chegaram atrasados ao concerto e, por isso, foi vaiado pelos presentes.

Brigalhada programada

6 de julho de 2010

José Serra anunciou a criação de um Conselho Político para sua campanha.
Dele farão parte Fernando Henrique Cardoso, o ex-Senador Jorge Bornhausen, o ex-governador Aécio Neves, o senador Tasso Jereisatti, e mais os presidentes Rodrigo Maia (DEM), Roberto Freire (PPS) e Roberto Jefferson (PTB).
O difícil será obter o consenso.
Seja qual fôr o tema.

Tucanos buscam um discurso

5 de julho de 2010

O tucanato está mesmo sem discurso.
José Serra decidiu lançar seu programa de governo no Paraná, Estado onde ele sempre liderou as pesquisas, mesmo depois de ter defenestrado o seu primeiro candidato a vice, Álvaro Dias, que não sabe se comparecerá ao ato:
- Só vou se o Serra insistir muito - disse o senador paranaense.
O ponto alto do lançamento será o compromisso de Serra com o  Bolsa Família. Segundo o comando da campanha, ele dirá que manterá o programa e, mais do que isso, irá melhorá-lo.
Mesmo que seja verdade, por que eleger alguém que promete uma coisa, em prejuízo de alguém que já o mesmo?
                  * * *
Nesse final de semana, o presidente de honra do PSDB, Fernando Henrique Cardoso, publicou um artigo de críticas a Dilma Rousseff, onde ele não combate suas idéias - simplesmente duvida delas.
“A encenação para a eleição de outubro já está pronta. Como numa fábula, a candidata do governo, bem penteada e rosada, quase uma princesinha nórdica, dirá tudo o que se espera que diga, especialmente o que o “mercado” e os parceiros internacionais querem ouvir. Mas a própria candidata já alertou: não é um poste. E não é mesmo, espero. Tem uma história, que não bate com o que se quer que ela diga. Cumprirá o que disse?  No México do PRI, cujo domínio durou décadas, o presidente apontava sozinho o candidato a suceder-lhe, num processo vedado ao olhar e às influências da opinião pública. No entanto, quando a escolha era revelada ao público - “el destape del tapado” -, o escolhido via-se obrigado a dizer o que pensava. Aqui, o “dedazo” de Lula apontou a candidata. Só que ela não pode dizer o que pensa para não pôr em risco a eleição. Estamos diante de uma personagem a ser moldada pelos marqueteiros. Antigamente, no linguajar que já foi da candidata, se chamava isso de “alienação”.
               * * *
FHC, o mais exitoso produto de marketing político surgido até hoje, parece desesperado.
Qual o problema de Dilma estar sempre bem penteada e ter a pele rosada? Será que FHC - o mais vaidoso dos políticos brasileiros -  prefiriria vê-la com um aspecto doentio?
Dilma não deveria cuidar da aparencia ao se apresentar ao eleitorado?
Por que José Serra não sai às ruas sem pó de arroz no rosto?
Dilma parece princesa nórdica? Pode ser. Mas ela é o que é.
Serra não aparece em público sem maquiagem, e suas fotos são produtos de fotoshop. Ou alguém acredita que seu sorriso é o que os cartazes estampam?
É normal, é legítimo que as idéias de Dilma sejam criticadas, combatidas… Mas por que duvidar delas?
Só o porta-voz de um partido sem programa, sem discurso,  poderia utilizar tal artifício.

FHC descobre o mundo árabe

21 de maio de 2010

De Monica Bergamo, na ‘Folha’:
“Fernando Henrique Cardoso está descobrindo o mundo árabe. Ele, que quando era presidente jamais visitou um país da região, pediu à Câmara de Comércio Árabe-Brasileira que traduzisse seu livro “Dependência e Desenvolvimento na AL” para distribuir naquela parte do globo. “Ele nos disse que a obra foi traduzida em várias línguas, menos em árabe”, diz Salim Schahin, presidente da entidade. Os primeiros 5.000 exemplares devem ser distribuídos no Líbano.
O fato de não ter visitado os países árabes quando exerceu a Presidência não diferencia FHC de seus antecessores. Schahin ressalta que, antes do presidente Lula (que visitou, entre outros, Síria, Líbano, Emirados Árabes, Egito e Líbia), só dom Pedro 2º colocou os pés na região.
A Câmara, por sinal, prepara homenagem da comunidade árabe ao chanceler brasileiro, Celso Amorim”.

Cesar Maia e as eleições no Rio

20 de maio de 2010

Do blog do ex-prefeito Cesar Maia:
“1. Vamos usar a pesquisa Vox Populi relativa a maio, embora com amostra muito curta de apenas 800 eleitores no Estado todo. Ela não afeta os patamares anteriores: Cabral lidera com 41%. Em janeiro, no Vox Populi, tinha 39%. Gabeira vem em seguida com 19% (18% antes) e Garotinho 18% (20% antes). Ambos mantendo o patamar dos 20%. Portanto, em 5 meses nada mudou. É um quadro que aponta para o segundo turno, na medida em que Cabral ocupa a mídia quase sozinho, e com a boa vontade de sempre. E concentra comerciais à vontade na TV e Radio, além de uma chuva de placas. Vai descer na campanha. Quanto (?), dependerá da performance dos demais.
2. Lembre-se que, em 2006, neste momento, Cabral se aproximava de 45%, Crivella tinha menos de 20% e Denise Frossard menos de 15%. Denise venceu na Capital e em Niterói e fechou o primeiro turno com 23% e Cabral com 37%, indo ambos para o segundo turno.
3. O imbróglio na aliança entre PSDB-DEM-PPS-PV foi superado. Os fatos mostraram que o problema era interno ao PV e provavelmente em função do segundo turno, na medida em que Gabeira aponta para Serra e Sirkis para Dilma, pela presença do ministro da cultura no governo Lula.
4. O DEM nunca criou óbice para a candidatura da vereadora Aspásia Camargo. Se o PPS cedesse sua vaga de senador ao PV, estaria tudo bem. Aspásia, quando militante do PP, ocupou a secretaria executiva do ministério de meio ambiente de FHC, cujo titular era Gustavo Krause do PFL (hoje DEM), numa relação harmoniosa. O único alerta dado foi o fato de ela liderar o movimento de desfusão (Autonomia Carioca), e que isso poderia prejudicar Gabeira fora da Capital. Nada mais.
5. O Vox Populi não divulgou pesquisa para Senador”.

PV boicota Gabeira

18 de maio de 2010

Da repórter Ludmilla de Lima, de ‘O Globo’:
“Na tentativa de fortalecer a coligação, que chegou a ser ameaçada por sucessivos impasses, o pré-candidato ao governo do Rio pelo PV, Fernando Gabeira, participou ontem à noite de um ato com a presença do ex-prefeito Cesar Maia, pré-candidato ao Senado pelo DEM, e de outros líderes do PSDB e do PPS. O presidente regional do PV, Alfredo Sirkis, que vem medindo forças com Gabeira no partido, não compareceu ao evento, que reuniu cerca de 400 pessoas a maioria, pré-candidatos a deputado do PPS e do PSDB na Associação Brasileira de Imprensa (ABI).
A vereadora Aspásia Camargo, do PV, pivô da crise interna e que insiste na sua pré-candidatura ao Senado, também não foi ao encontro. Gabeira, ao falar sobre a polêmica no PV, demonstrou, mais uma vez, estar descontente com Sirkis: Sei que ele tem sido o meu maior adversário disse o verde, confirmando que o objetivo de Sirkis ao tentar manter a pré-candidatura de Aspásia possa ser desestabilizar a coligação. O desejo talvez seja esse (criar instabilidade), mas não vai conseguir porque já estamos definidos, e a coligação está seguindo. A própria Marina sabe disso e respalda.
O pré-candidato voltou a pedir que o PV não inicie uma campanha eleitoral contestando o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que decidiu sobre a impossibilidade de uma coligação lançar mais de dois nomes ao Senado.
Durante o ato, foi reafirmada a pré-candidatura ao Senado de Marcelo Cerqueira, do PPS, que estava presente. O grupo de Sirkis chegou a cogitar a substituição de Cerqueira por Aspásia.
Ao discursar, Cesar Maia rasgou elogios a Gabeira, e contou uma conversa que teve com o filho, Rodrigo Maia (presidente nacional do DEM), sobre o verde. Segundo o exprefeito, o político do PV é comparável a Pedro II e ao expresidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB): “Talvez (Gabeira) seja o único político brasileiro, palavras do Rodrigo, que reúne ao mesmo tempo competência, experiência politica e consciência.  Aí eu disse para ele: será que eu posso citar o Pedro II também? E ele disse: pai, não esquece o Fernando Henrique, raro na política brasileira”.
Cesar disse ainda que o filho pediu que ele fosse mais incisivo em relação à aliança. O ato marcou o primeiro encontro público dos dois após o PV tentar barrar Cesar na coligação.
- Como posso fazer para as pessoas acreditarem (no apoio)? Eu fiz o seguinte: vesti a camisa do Gabeira. Eu vesti a camisa do nosso candidato a governador disse, tirando o blazer e mostrando a roupa, apenas listrada de verde.
Também no evento, o ex-governador Marcello Alencar, do PSDB, chamou Gabeira de celebridade e revelou que, mais de uma vez, convidou Gabeira a entrar no PSDB.
O ato reuniu ainda o vice de Gabeira, Márcio Fortes, o deputado estadual Luiz Paulo Corrêa da Rocha, os deputados federais Solange Amaral e Índio da Costa, do DEM, e o presidente regional do PPS, Comte Bittencourt”.

 

Deputado diz que Marta lhe pedirá desculpas

 
 
Da ‘Folha’:
“O pré-candidato do PV ao governo do Rio, Fernando Gabeira, disse ontem que a pré-candidata ao Senado por São Paulo Marta Suplicy (PT) ainda lhe pedirá desculpas por suas declarações sobre o sequestro do embaixador norte-americano Charles Elbrick, em 1969.
“Daqui a alguns anos a Marta vai me pedir desculpas, e eu certamente vou aceitar”, disse Gabeira no Facebook.
Anteontem, em São Paulo, Marta disse que a mídia tem dois pesos e duas medidas ao tratar do passado guerrilheiro da ex-ministra Dilma Rousseff.
“Notaram (…) que do Gabeira ninguém fala? Esse sim sequestrou. Eu não estou desrespeitando ele, ao contrário, mas ele sequestrou. Ele era o escolhido para matar o embaixador. Ninguém fala porque o Gabeira é candidato ao governo do Rio e se aliou com o PSDB”, disse.
No Rio, Gabeira disse que iria ignorar a acusação: “Já faz muitos anos que ignoro as coisas que a Marta diz”. Ele acrescentou que “não é verdade” que tenha sido escalado para matar Elbrick: “Tenho uma visão bastante clara do sequestro. Hoje o condeno como forma de luta”.
As declarações de Marta foram criticadas por um envolvido no sequestro, o historiador Daniel Aarão Reis Filho, e por Vladimir Palmeira, um dos presos soltos em troca de Elbrick.
“Isso aí é uma bobeira. Gabeira não participou da captura do embaixador, ele era um elemento auxiliar. Tinha alugado a casa para onde foi levado o embaixador e por isso ele foi envolvido”, diz Reis Filho, que nega que Gabeira tenha sido indicado para matar Elbrick: “Gabeira de jeito nenhum estava escalado para fazer [isso]“.
Palmeira também disse que a versão de Marta é “altamente discutível”: “O Gabeira era simpatizante. Não tinha atividades armadas àquela altura”.