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FHC afasta Serra e lança Aécio

24 de janeiro de 2012

    De Uirá Machado, da ‘Folha’:
    “Em entrevista na qual faz diversas críticas ao PSDB, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso atribui a José Serra parte da responsabilidade pela derrota tucana nas eleições de 2010 e afirma que o “candidato óbvio” do partido para disputar a Presidência em 2014 é o senador mineiro Aécio Neves.
As declarações foram publicadas pelo blog “Americas View”, da revista britânica “The Economist”.
Para o ex-presidente, Aécio está mais apto a formar alianças, e Serra deveria abrir espaço para outros.
“No caso do PSDB, o ex-governador Serra faz o papel do Lula: ele tem coragem, gosta de competir. Eu não sei até que ponto ele vai se convencer de que [a disputa] não é para ele, a abrir espaço para outros”, diz o
tucano.
FHC prevê também uma “briga interna muito forte no PSDB, entre Serra e Aécio” na corrida para 2014. Ele, no entanto, diz que o cenário estará mais claro apenas depois das eleições municipais.
Outra avaliação de FHC é que o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), não está no páreo.
As declarações representam uma mudança de tom do ex-presidente.
Em maio do ano passado, em entrevista ao portal iG, FHC já havia afirmado que Aécio tinha uma vantagem sobre Serra, mas dizia que a questão não estava fechada e ainda considerava Alckmin no cenário.
A entrevista de FHC deve aumentar a tensão entre Serra e Aécio, que disputam a indicação do partido para concorrer à Presidência em 2014.
No final do ano passado, quando Aécio disse publicamente que queria disputar a Presidência em 2014, Serra rebateu pelo microblog Twitter: “Querer colocar o carro adiante dos bois só atrapalha e desorganiza a oposição”.
Ao rever o desempenho tucano em 2010, FHC avalia que o PSDB cometeu “erros enormes” na campanha. Não fosse por isso, afirma, seu partido poderia ter vencido a disputa com a hoje presidente Dilma Rousseff. “O que estou tentando dizer é que era possível ter vencido. Foi falha nossa”, diz FHC na entrevista, que foi publicada na última quinta.
O ex-presidente é então questionado se o PSDB poderia ter vencido com “o mesmo candidato”.
“Bem, talvez não”, diz.  Para FHC, um dos fatores que pesaram contra os tucanos foi o isolamento
do partido, em parte provocado pelas características de Serra. “Não formamos alianças. Foi uma espécie de arrogância. Nosso candidato estava isolado, mesmo internamente”, diz FHC, que concorda quando a
entrevistadora pergunta se Serra afastou as pessoas: “Sim. E foi muito ruim”.
Procurado, Serra afirmou por meio de sua secretária que não havia lido a entrevista e não poderia comentá-la.
Na entrevista, FHC conta que teve um sonho recente com o ex-presidente Lula: “Sonhei que nós, Lula e eu, estávamos propondo juntos consenso nacional [risos]“.
Na vida real, o tucano propõe que o petista se afaste um pouco para permitir a chegada de novos líderes.
“Deixe-me falar sem personalizar: nos últimos 20 anos, houve apenas dois líderes”, diz, logo após concordar que ele ainda é uma das vozes mais importantes do PSDB, “pela falta de alternativas”.
FHC pondera, porém, que há uma nova geração: “É uma questão de tempo. Provavelmente, se Lula não estivesse envolvido -o mesmo se aplica a mim-, seria melhor”.
Quanto a 2014, FHC diz que ninguém sabe qual será o papel de Lula. Porém, ele afirma que o petista deve querer disputar a eleição, porque é “um animal muito competitivo, um animal político”.

Tucanos buscam um discurso

5 de julho de 2010

O tucanato está mesmo sem discurso.
José Serra decidiu lançar seu programa de governo no Paraná, Estado onde ele sempre liderou as pesquisas, mesmo depois de ter defenestrado o seu primeiro candidato a vice, Álvaro Dias, que não sabe se comparecerá ao ato:
- Só vou se o Serra insistir muito - disse o senador paranaense.
O ponto alto do lançamento será o compromisso de Serra com o  Bolsa Família. Segundo o comando da campanha, ele dirá que manterá o programa e, mais do que isso, irá melhorá-lo.
Mesmo que seja verdade, por que eleger alguém que promete uma coisa, em prejuízo de alguém que já o mesmo?
                  * * *
Nesse final de semana, o presidente de honra do PSDB, Fernando Henrique Cardoso, publicou um artigo de críticas a Dilma Rousseff, onde ele não combate suas idéias - simplesmente duvida delas.
“A encenação para a eleição de outubro já está pronta. Como numa fábula, a candidata do governo, bem penteada e rosada, quase uma princesinha nórdica, dirá tudo o que se espera que diga, especialmente o que o “mercado” e os parceiros internacionais querem ouvir. Mas a própria candidata já alertou: não é um poste. E não é mesmo, espero. Tem uma história, que não bate com o que se quer que ela diga. Cumprirá o que disse?  No México do PRI, cujo domínio durou décadas, o presidente apontava sozinho o candidato a suceder-lhe, num processo vedado ao olhar e às influências da opinião pública. No entanto, quando a escolha era revelada ao público - “el destape del tapado” -, o escolhido via-se obrigado a dizer o que pensava. Aqui, o “dedazo” de Lula apontou a candidata. Só que ela não pode dizer o que pensa para não pôr em risco a eleição. Estamos diante de uma personagem a ser moldada pelos marqueteiros. Antigamente, no linguajar que já foi da candidata, se chamava isso de “alienação”.
               * * *
FHC, o mais exitoso produto de marketing político surgido até hoje, parece desesperado.
Qual o problema de Dilma estar sempre bem penteada e ter a pele rosada? Será que FHC - o mais vaidoso dos políticos brasileiros -  prefiriria vê-la com um aspecto doentio?
Dilma não deveria cuidar da aparencia ao se apresentar ao eleitorado?
Por que José Serra não sai às ruas sem pó de arroz no rosto?
Dilma parece princesa nórdica? Pode ser. Mas ela é o que é.
Serra não aparece em público sem maquiagem, e suas fotos são produtos de fotoshop. Ou alguém acredita que seu sorriso é o que os cartazes estampam?
É normal, é legítimo que as idéias de Dilma sejam criticadas, combatidas… Mas por que duvidar delas?
Só o porta-voz de um partido sem programa, sem discurso,  poderia utilizar tal artifício.

O fim da pré-campanha

4 de julho de 2010

                                                                     Marcos Coimbra*
Quem tinha razão era Magalhães Pinto, velha raposa política e ex-governador de Minas Gerais. A política é mesmo como nuvem. Uma hora, você olha e vê uma coisa. Olha de novo e ela já mudou.
Se estivesse vivo, seria o que ele diria sobre o período da campanha presidencial que agora se encerra. Do início de abril, quando se desincompatibilizaram os principais candidatos, ao fim de junho, quando começa a reta final da sucessão, tudo ficou diferente.
A entrada em campo de Serra era aguardada havia meses. É verdade que ele teve que disputar, até dezembro, o posto de candidato com Aécio, ainda que não se preocupasse muito com as aspirações do mineiro. Estava convencido de que o PSDB terminaria por lhe entregar a vaga.
De qualquer maneira, o fato é que, desde quando Aécio saiu do páreo, nada mais restava em seu caminho. Com a candidatura assegurada, teve amplo tempo para se preparar, montar sua estratégia, organizar sua equipe. Ainda que continuasse, de janeiro a março, com suas obrigações de governo, pôde pensar com calma no que faria quando saísse do Palácio dos Bandeirantes.
Com algum retardo (que ajudou a manter o suspense sobre sua decisão até a véspera do prazo fatal), ele finalmente renunciou ao cargo de governador e virou candidato. Juntou-se a Dilma, que, dias antes, havia deixado o ministério.
Entre o começo de abril e meados de maio, Serra viveu seus melhores 45 dias desde quando iniciou sua jornada em busca da Presidência. Quem tiver alguma memória se lembrará do que andaram dizendo seus correligionários e publicaram aqueles que por ele torcem na imprensa fluminense e paulista.
Era como se estivesse ali começando para valer a sucessão, com um goleador nato, em momento inspirado, mostrando seu melhor futebol. Para eles, Serra fazia um gol atrás do outro, com postura serena, palavras sempre bem escolhidas, hábeis manobras.
Pelo que se lia nesses jornais, enquanto Serra conquistava novos apoios, Dilma perdia os dela. Era apenas questão de tempo até que as pesquisas assinalassem seu crescimento. Enquanto não vinham, as colunas estavam cheias de especulações sobre “pesquisas internas”, que já o mostrariam bem à frente da adversária.
Se era esse o tom da cobertura a respeito do candidato tucano, via-se o inverso no que era publicado sobre a petista. Parecia que uma desastrada havia entrado em campo, cometendo um erro depois do outro. Precipitação, amadorismo, inabilidade, incompetência, era isso que se falava dela e de sua campanha. Chegaram a dizer que Lula andava nervoso, agitado, irritadiço.
As nuvens, no entanto, mudaram. Se o sol parecia brilhar para Serra até o meio de maio, a chuva desabou de lá para cá. Viu-se que a falta de traquejo eleitoral não prejudicava Dilma. Ela cresceu nas pesquisas, suas alianças se confirmaram, outras surgiram. Gorou a esperança de que as propagandas partidárias de PSDB, DEM, PPS e PTB, somadas, mudassem o panorama. Na maioria dos estados, alegrias para o governo, decepções para a oposição. Lula não franzia mais a testa. Quando junho chegou ao fim, ele era só sorrisos.
Ficou, no entanto, para o apagar das luzes da “pré-campanha” o pior momento. O episódio da escolha do companheiro de chapa de Serra tem tudo para entrar para a história.
Desde quarta-feira, quando Índio da Costa foi confirmado, já se falou tanto que é até cruel insistir no assunto. Qualquer argumento em favor de seu nome chega a ser risível, desde o potencial de seus 39 anos atraírem a juventude e provocarem a reversão do voto no Sudeste à densidade de sua biografia de “ficha limpa”.
Mas resta uma pergunta: por mais que as pessoas se julguem imortais, um candidato a presidente não tem a obrigação de raciocinar com a hipótese de vir a faltar, por qualquer motivo? Não foi, talvez, pensando assim que Collor escolheu Itamar, que Fernando Henrique convidou Marco Maciel, que Lula optou por José Alencar?
Goste-se ou não de Michel Temer, nem seus inimigos negam que tem experiência e qualificações para, se imperativo, substituir Dilma. E Índio da Costa?
* Marcos Coimbra, sociólogo, presidente do Instituto Vox Populi, escreve para o ‘Correio Brasiliense’.

Serra precisa reinstalar o sistema

4 de julho de 2010

  O bagulho entupiu.
Assim, plagiando o sambista Zeca Pagodinho, esse blog resumiu, há dias, a campanha de José Serra à Presidência. Era impressionante a quantidade de erros cometidos pelo comando tucano, culminando com a escolha do vice, Índio do Demo.
Hoje, o jornalista Élio Gaspari faz nova comparação, obviamente de maneira mais sofisticada. Vamos a ela.
   “José Serra está na situação do sujeito que digita um texto em “Times New Roman” e ele aparece na fonte “Arial”. (Numa entrevista, indagado pela jornalista Miriam Leitão sobre a autonomia do Banco Central, destratou-a.) Depois, o cidadão decide salvar uma planilha, e ela some. (Forma uma chapa puro-sangue com um vice que noutra encarnação foi expulso do PSDB.) Finalmente, no meio de uma palestra com PowerPoint, suas tabelas travam. (Diante da insurreição do DEM, fecha a chapa com um candidato com quem nunca conversou por mais de cinco minutos.)
O freguês do computador achou que o problema estava no programa Word (Jornalistas perguntando o que não devem). Depois a suspeita migrou para o Excel. (O PSDB é muito volúvel). Finalmente, o culpado é o PowerPoint (É preciso reformular a estrutura da campanha).
Se os problemas fossem esses, seriam pequenos, mas, levando-se as queixas a quem sabe mexer com as máquinas, a resposta é dura: na melhor das hipóteses é o seu sistema operacional que está corrompido. O bug não está nos diversos programas que acompanham a candidatura, mas na sua essência. É preciso reinstalar o sistema. Na pior das hipóteses, a encrenca não está no software, mas na própria máquina. Por ser a alternativa catastrófica, letal, convém desprezá-la.
Problemas na escolha dos vices são mais comuns do que resfriados. Geraldo Alckmin jogou ao mar Henrique Alves; Fernando Henrique Cardoso sacrificou Guilherme Palmeira. Tancredo Neves, reunido com o senador Pedro Simon numa suíte do Hotel Nacional, ouviu um veto desprimoroso a José Sarney, que se retirou da sala, tomou o avião e foi para o Rio. Tancredo disse a Simon que o vice de seu projeto era Sarney e acabou com a divergência. Quando o ministro do Exército, general Lyra Tavares, disse ao general Médici que o almirante Rademaker não podia ser seu vice, o então comandante da guarnição do Sul pegou o quepe e voltou para Porto Alegre, onde foram buscá-lo, com Rademaker na vice.
Serra detonou a proposta de prévias de Aécio Neves, que poderia expor o PSDB a uma saudável exposição de contraditórios. Fez isso insistindo em postergar o lançamento de sua candidatura. Há um ano, quando a nação petista começou a mover a candidatura de Dilma Rousseff, o governador de São Paulo estava 30 pontos à frente da chefe da Casa Civil. Assumindo a candidatura, acreditou demais na possibilidade de atrair Aécio Neves e cultivou a ideia de dispensar o DEM. Serra temia, e continua temendo, a exibição dos vídeos do democrata José Roberto Arruda e de sua quadrilha embolsando dinheiro em malas, bolsas e meias.
Há um mês, Serra poderia escolher o vice que bem entendesse. Não queria buscá-lo no DEM, mas não disse isso a ninguém. Fez uma escolha oportunista, calculou mal o equilíbrio da política paranaense e acordou na quarta-feira sem plano B, C ou Z. Aceitou um companheiro de chapa produzido muito mais pela marquetagem do que pelos Maia do Rio de Janeiro. Todas as decisões e indecisões saíram do seu sistema operacional e deu no que deu.
Há três meses, Serra lembrou que “a boa equipe necessita de um norte claro, sempre claro, de quem está no comando” e lançou-se na campanha presidencial dizendo que “o Brasil pode mais”. Depois disso, o “Times Roman” virou “Arial”, a planilha sumiu e o “PowerPoint” travou. Como a campanha mal começou, poderá reinstalar o sistema”.

Serra quer distância de FHC

11 de junho de 2010

Fernando Henrique Cardoso está no exterior e, por isso, não participará amanhã, em Salvador, da convenção dos tucanos que consagrará José Serra com seu candidato à Presidência.
Serra deu graças a Deus pela ausência de FHC, que deixou uma mensagem gravada em vídeo.
                         * * *
Os coordenadores da campanha de Serra estão pressionando a direção do PSDB para que o vídeo não seja exibido.

Presidência será de quem vencer em MG

7 de junho de 2010

Está aí uma bela curiosidade mineira, divulgada pelo repórter Paulo Peixoto, da ‘Folha’:
“De todos os presidentes eleitos no país a partir de 1945, após o declínio do Estado Novo, somente Getúlio Vargas, em 1950, não foi o mais votado pelos eleitores mineiros. Todos os demais presidentes eleitos venceram a disputa eleitoral em Minas.
O Estado é o segundo maior colégio eleitoral do país, com 14,5 milhões de eleitores. Por isso tem peso importante na disputa presidencial, a ponto de PSDB e aliados pressionarem o ex-governador Aécio Neves para ser vice na chapa de Serra.
Na exceção que aconteceu com Vargas, a derrota foi por uma margem de 1,8 ponto percentual dos votos válidos, ou 23.496 votos. Desde 1945 aconteceram nove disputas.
Tanto Fernando Collor (1989) quanto Lula (2002 e 2006) se mantiveram na frente nos dois turnos das disputas que venceram.
Nas eleições após a redemocratização, a maior diferença de votos registrada foi em 1994, quando Fernando Henrique Cardoso abriu 42,9 pontos sobre Lula. A menor ocorreu no primeiro turno da eleição de 2006, quando Lula abriu 10,2 pontos sobre Geraldo Alckmin (PSDB).
Mas, no segundo turno, Alckmin viu a diferença subir para 30,4 pontos.
O fato de haver um candidato do Estado concorrendo à Presidência pode influir. Por isso há esforço da pré-candidata Dilma Rousseff (PT) em reafirmar sua “mineiridade”. Essa influência aconteceu em SP, onde Alckmin bateu Lula em 2006 e no Rio, quando Anthony Garotinho venceu Lula em 2002″.

AeroSerra é mais confortável

25 de maio de 2010

Do ‘Estadão’:
“O ex-deputado Ronaldo Cezar Coelho vai contabilizar como doação ao PSDB e, a partir de julho, à campanha de José Serra (foto) o empréstimo do LearJet usado pelo pré-candidato à Presidência. O avião não é o mesmo usado por Mário Covas e Fernando Henrique Cardoso em 1989, 1994 e 1998. Ronaldo trocou o modelo anterior por um mais confortável, com banheiro. “Era um sufoco fazer viagens de mais de duas horas”, conta o banqueiro”.

Dilma e Serra, os dois maqueados

25 de maio de 2010

Da repórter Maria Lima, de ‘O Globo’:
“O PT paga. Essas palavrinhas mágicas têm aberto um mundo de gastos na pré-campanha da petista Dilma Rousseff. Às despesas com jatinhos, casas no Lago Sul, equipe completa de assessores, fonoaudióloga, assessora de imagem e novo guarda-roupa, se somam o salário e gastos para que a maquiadora Rose Paz acompanhe Dilma, retocando sua maquiagem várias vezes ao dia. Para garantir a manutenção do look criado pelo cabeleireiro e maquiador Celso Kamura, “a la Carolina Herrera”, na passagem da petista por Nova York , o PT pagou cerca de R$ 12.800 pela viagem e pela hospedagem de Rose Paz no luxuoso Four Seasons por quatro dias.
Segundo a assessoria de Dilma, Rose é assessora pessoal da candidata e a acompanha em todas as viagens. Em Nova York, ela teve o mesmo status da assessora de imprensa e do assessor particular. Também acompanharam a candidata o deputado Antonio Palocci (PT-SP) e a ex-prefeita Marta Suplicy.
Autor do novo look de Dilma, Celso Kamura disse que foi contratado pelo marqueteiro João Santana para fazer dobradinha com Rose Paz. Ele cuidará da orientação geral e fará tratamento especial quando precisar, como gravações da TV. Nas viagens e em Brasília, caberá a Rose Paz a manutenção. Ele disse estar encabulado com o sucesso da imagem de Dilma e que, em Nova York, Rose fez o trabalho direitinho:
- Menina, que bafo é esse? Quando a gente corta o cabelo de uma atriz, tem repercussão, mas com a Dilma está demais! Não imaginei o sucesso. A gente não inventou nada, não ficou uma coisa extreme makeover. Dilma é uma mulher que visualmente, esteticamente, se encontrou. Criei o look, e a Rose mantém, porque ela (a candidata) é fotografada a toda hora, não pode descuidar.
Em sua página na internet, Rose Paz diz que tem experiência em trabalho com atrizes e manequins, mas que sua especialidade é design de sobrancelhas.
Dilma não é a primeira política famosa a usar seus serviços. A maquiadora também cuidou das olheiras de Fernando Henrique Cardoso em suas duas campanhas para a Presidência e, por longo tempo, do visual de Rita Lee e Ivete Sangalo.
Um dos truques para tornar Dilma mais jovial, quando começar a propaganda eleitoral, será o “Air Brush”, última novidade usada nas novelas para amenizar traços da maturidade em atrizes de mais idade. Consiste em uma maquiagem em “3D perfect para o vídeo”. O “Air Brush” é uma pistola que borrifa no rosto produtos de cobertura como base, blush e sombra que duram até 12 horas.
O secretário de Comunicação do PT, André Vargas, um dos coordenadores da campanha da candidata, disse que é natural que Dilma tenha assessoria especial na área de beleza. Segundo ele, os gastos são autorizados pelo presidente do partido, José Eduardo Dutra, e pelo tesoureiro João Vaccari.
- Até homem tem maquiadora, dependendo do homem, os metrossexuais. Se o Álvaro Dias tem, por que Dilma não pode ter maquiadora? - brincou Vargas
                     * * *
Há 8 anos, quando candidatou-se pela primeira vez à Presidência da República, José Serra também contava com um maquiador 24 horas por dia.
Os repórteres de Brasília sabem perfeitamente que Serra nunca participou de uma entrevista coletiva sem maquiagem.
E nunca chegou a um evento de campanha, principalmente onde estivessem fotógrafos e cinegrafistas - e eles estavam por toda a parte - sem o rosto coberto de pó-de-arroz.

FHC, conciliador, se compara a Lula

25 de maio de 2010

Trecho da entrevista do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso ao jornal argentino ‘La Nacion’, publicado domingo, registrado por Cesar Maia:
- A conciliação é a nova política?
- Não, não.  Creio que é importante que haja capacidade de conciliação, naturalmente dentro dos limites e dentro de certas normas morais. Mas há algo de pessoal nisso. Agora, se ganham José Serra ou Dilma Rousseff, nenhum deles tem o estilo do Lula ou o meu. São estilos pessoais mais conflitivos. Gostam mais da luta direta, que às vezes pode ser uma vantagem. Porque os conciliadores normalmente não abrem o jogo, não dizem realmente o que pensam.

PV lança Gabeira e esconde Marina

24 de maio de 2010

 Do repórter Sergio Torres, da ‘Folha’:
“Sem citar nem sequer uma vez o nome da pré-candidata de seu partido à Presidência, Marina Silva, em discurso de 20 minutos, o deputado federal Fernando Gabeira (PV) lançou-se ontem pré-candidato ao governo do Rio. José Serra, pré-candidato do PSDB, foi citado uma vez.
A campanha de Marina (que não foi ao evento) é coordenada pelo ex-vereador Alfredo Sirkis, presidente do PV no Estado do Rio, com quem Gabeira está rompido.
Nas faixas no salão nobre da sede do América Futebol Clube (Tijuca, zona norte), o nome de Marina aparecia riscado ou coberto por fotos de Gabeira para não melindrar os outros partidos da coligação (DEM, PSDB e PPS).
Sirkis não foi ao evento, assim como a vereadora Aspásia Camargo, lançada ao Senado à revelia de Gabeira.
A citação a Serra, que apoia a candidatura de Gabeira, aconteceu no trecho do discurso alusivo à política de combate à Aids adotada pelo Ministério da Saúde nas gestões do tucano Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), quando Serra era ministro da pasta.
Ao final do evento, Gabeira minimizou a ausência, em sua fala, da pré-candidata verde à sucessão do presidente Lula e a citação ao ex-governador de São Paulo.
“Eu mencionei [Serra] como referência ao meu trabalho com a Aids. Mas Marina está presente em todos os meus discursos. Não é a citação verbal. [Ela] está presente em minha preocupação com o meio ambiente. Todo o meu programa tem um fundo ambiental, e ela é minha candidata”, afirmou Gabeira.
Para o pré-candidato verde ao governo fluminense, “a intenção de criar conflito é muito mais da imprensa”. Ele disse não saber por que o nome de Marina estava suprimido em faixas e cartazes.
“Todo mundo mencionou a Marina. O presidente [nacional] do PV [José Luiz Penna, vereador em São Paulo] falou na Marina. (…) Ela é muito querida”, disse.
Sobre a ausência de Sirkis, Gabeira afirmou não ter sentido falta “porque ele avisou que tinha um trabalho importante para fazer hoje”.
Lembrando a amizade de 40 anos com Sirkis, o pré-candidato minimizou as divergências: “Daqui a alguns anos, vamos rir disso”.
O vice de Gabeira é o ex-deputado Márcio Fortes (PSDB). Os pré-candidatos ao Senado são Cesar Maia (DEM) e o ex-deputado federal Marcelo Cerqueira (PPS).
Inimigo político de Maia, Sirkis lançou por conta própria a pré-candidatura de Aspásia ao Senado. A coligação não aceitou a imposição. Sirkis, então, se afastou da campanha de Gabeira.”

 

A LUTA CONTRA OS VELHACOS DA POLÍTICA E SEM HELICÓPTERO

 
“Em seu discurso, o pré-candidato do PV ao governo estadual, Fernando Gabeira, disse que há no Estado do Rio políticos, os quais definiu como “um punhado de velhacos”, subornados por empresas de ônibus. Ele fez a acusação em discurso e, mais tarde, em entrevistas.
“Infelizmente não posso dar os nomes, mas há uma compra sistemática de vereadores e até de deputados do Estado. Vamos fazer valer o direito do usuário e tentar evitar, e denunciar, qualquer decisão que seja feita na base da compra de deputados e vereadores”, afirmou.
No discurso, ele listou medidas que pretende implantar caso seja eleito. Na área de saúde, disse que vai priorizar não as emergências, mas um sistema massificado de check-up para a população pobre, um trabalho de prevenção para evitar o surgimento de doenças.
Segundo ele, até agora, os governantes do Estado se preocuparam apenas em levar atendimento de emergência à população, relegando a prevenção.
No setor de transportes, Gabeira disse que pretende desenvolver melhorias no metrô e nos trens urbanos.
Gabeira falou também sobre sua estratégia de campanha. “Queremos chegar ao segundo turno com o apoio consolidado da classe média do Rio e de algumas cidades metropolitanas, como Niterói e Petrópolis. E trabalhar muito na Baixada Fluminense [região na periferia do Rio], para ter condições de vitória final”, disse.
Ele acrescentou que pretende ir a todos os municípios do Estado, embora considere complicado pelas distâncias e por não ter um helicóptero para se deslocar. (ST)”