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‘O Globo’ é cumplice do bloqueio

25 de fevereiro de 2010

‘O Globo’ de hoje publica um pequeno editorial acusando o Presidente Lula de ser cumplice  da morte “do dissidente cubano Orlando Zapata Tamayo, após longa greve de fome, deve ser debitada, claro, na conta da ditadura stalinista dos irmãos Castro”.
Cumplice, na verdade, é ‘O Globo’ com o bloqueio econômico comandado pelos Estados Unidos e que já dura mais de 50 anos.

Cabral passou 5 meses no exterior

18 de janeiro de 2010

O repórter Raphael Gomide fez as contas e constatou: Sergio Cabral viajou para o exterior mais do que Fernando Henrique Cardoso, e passou 158 dias de seu mandato fora do país - o que corresponderia a mais de cinco meses. E certamente ele não contou nem os finais de semana, e muito menos as férias constantes de Cabral.
Eis o seu texto hoje na ‘Folha’:
“O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), passou 158 dias de seu mandato no exterior. Isso corresponde a mais de cinco meses e a 15% dos três anos que está à frente do Estado.
Em 2007, ao assumir o cargo, o governador atingiu o seu recorde, 61 dias -mais tempo fora do Brasil que o próprio presidente da República e aliado, Luiz Inácio Lula da Silva.
Nos dois anos seguintes, Cabral reduziu o ritmo e esteve menos presente no estrangeiro, porém sempre passou, na soma, mais de um mês e meio fora do país. Em 2008, foram 48 dias; no ano passado, 49.
A média do governador entre 2007 e 2009 é de 53 dias fora do país por ano, apenas seis dias inferior à de Lula, o presidente na história do Brasil que mais tempo passou no exterior. Lula esteve em viagens internacionais 412 dias de seus sete anos, em dois mandatos.
O governador, porém, supera com folga o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que viajou 347 dias de seus oito anos de gestão -43 dias por ano fora do Brasil. À época, FHC sofreu muitas criticas por esse motivo.
Em evento no Palácio Guanabara na semana passada, Cabral admitiu que viaja bastante, mas reafirmou que suas idas ao exterior são positivas para o Estado e que ele não deixará de fazê-las, em benefício do Rio.
“Viajo muito e vou continuar a viajar. Cada viagem é uma Copa [do Mundo], uma Olimpíada, é um projeto que a gente traz. A gente trabalha muito quando viaja”, argumentou.
Em suas andanças pelo mundo, Cabral conheceu países de ao menos três continentes, embora a predominância seja na Europa. Nas Américas, passou por Colômbia, Argentina e Estados Unidos; na Europa, visitou Inglaterra, França, Dinamarca, Portugal, Itália, Suíça, Alemanha, Grécia, Dinamarca e Turquia; na Ásia, visitou China, Cingapura, Japão e Coreia do Sul.
Nos primeiros nove meses de 2007, o chefe do Executivo fluminense ainda tirou duas férias de uma semana cada, para passeios internacionais particulares -foi a Saint Barth (ilha no Caribe) e a Paris.
Como símbolo da importância que Cabral dá às gestões no exterior, ele elevou o status da Coordenadoria de Assuntos Internacionais, que virou a Subsecretaria de Relações Internacionais, passando a integrar a Casa Civil.
A subsecretaria é dirigida pelo diplomata Ernesto Rubarth, do Itamaraty, que acompanha o governador no exterior.
Só em 2009, a gestão Sérgio Cabral gastou com diárias fora do país quase tanto quanto a antecessora Rosinha Matheus em todo o seu mandato (2003-2006).
As despesas do Estado com o pagamento de subsídios (hospedagem e alimentação) no estrangeiro para governador, secretários, funcionários e assessores somou quase R$ 4,5 milhões nos últimos três anos -R$ 2,3 milhões no ano passado, R$ 1,5 milhão em 2008 e mais R$ 735 mil em 2007 (valor corrigido).
O montante de gastos, no entanto, não inclui despesas com passagens aéreas.
De acordo com a assessoria do Estado, as viagens internacionais do governador e de outros membros do governo resultaram em inúmeros benefícios para o Rio. A principal conquista apontada como fruto dessas missões é ter o Rio como sede da Olimpíada de 2016.
A ida à Colômbia é citada como inspiração para a política de intervenções em favelas, com uso de teleférico, além de intercâmbio na área de segurança.
A assessoria destacou ainda que o Rio voltou a ser cortejado por grandes empresas. Citou o investimento de US$ 800 milhões feito pela Michelin para ampliação de fábrica de pneus, onde 20 mil novos postos de trabalho estão sendo criados.
Para o governo, até a possível vinda do trem-bala está relacionada às viagens de Cabral”.

Soros: “a crise não acabou”

3 de janeiro de 2010

George Soros é um dos maiores especuladores do planeta. Presidente do conselho da Soros Fund Management, ele escreveu esse artigo para o Project Syndicate, e a ‘Folha’ o reproduziu, em tradução feita por  Paulo Migliacci.
“Vivemos um momento no qual a gama de incertezas que a economia mundial enfrenta é incomumente ampla. Acabamos de passar pela pior crise financeira desde a Segunda Guerra Mundial. As únicas comparações relevantes são a bolha imobiliária do Japão, que estourou em 1991 (e da qual o país asiático não se recuperou), e a Grande Depressão, dos anos 1930 -exceto que a atual crise foi quantitativamente muito maior e diferente em termos qualitativos.
Ao contrário da experiência japonesa, a atual crise envolveu o mundo inteiro, em lugar de ficar confinada a um único país. E, ao contrário da Grande Depressão, desta vez o sistema financeiro teve sua vida preservada por meios artificiais, em lugar de o seu colapso ter sido permitido.
De fato, a magnitude do problema atual é ainda maior que a da Grande Depressão. Em 1929, o crédito total em circulação nos EUA equivalia a 160% do PIB (Produto Interno Bruto) e subiu para 250%, em 1932. Em 2008, começamos em 365% -e esse cálculo deixa de fora o uso generalizado de derivativos, que não existiam nos anos 1930.
A despeito disso, os esforços artificiais de resgate funcionaram. Mal passado um ano da quebra do Lehman Brothers, os mercados financeiros se estabilizam, os mercados de ações se recuperaram e a economia demonstra sinais de retomada. As pessoas desejam retornar ao ritmo usual dos negócios e acreditar que o crash de 2008 tenha sido apenas um pesadelo. Infelizmente, a recuperação deve perder o pique e pode até ser seguida por uma segunda desaceleração econômica, embora eu não esteja seguro se esta ocorrerá neste ano ou em 2011. Minhas opiniões estão longe de únicas, mas contrariam o clima dominante.
Quanto mais durar a recuperação, mais gente acreditará que ela se perpetuará. No entanto, em meu juízo, isso é característico de situações muito distantes do equilíbrio, nas quais as percepções tendem a se distanciar da realidade.
Para complicar as coisas, essa disparidade de percepções funciona nos dois sentidos. A maioria das pessoas ainda não percebeu que a crise atual difere das anteriores e que chegamos ao final de uma era. Outros observadores, entre os quais me incluo, fracassaram em antecipar a dimensão da recuperação.
Em termos gerais, as autoridades financeiras internacionais conduziram a crise da mesma maneira que conduziram episódios anteriores: resgataram as instituições em risco de quebra e aplicaram medidas de estímulo monetário e fiscal. Mas essa crise foi muito maior, e as técnicas usuais não funcionaram. O fracasso do resgate ao Lehman Brothers [primeiro banco a quebrar] foi um evento histórico: os mercados financeiros efetivamente deixaram de funcionar. Isso significa que os governos tinham de efetivamente garantir que nenhuma outra instituição, cujo colapso pudesse colocar o sistema em risco, enfrentasse risco de quebra. Foi então que a crise se espalhou à periferia da economia mundial, porque os países da periferia não eram capazes de oferecer garantias igualmente confiáveis. A Europa Oriental foi a principal vítima. Os países em posição central usaram os fortes balanços de seus bancos centrais para injetar dinheiro no sistema e garantir os passivos dos bancos comerciais, enquanto os governos se envolveram em gastos sustentados por deficit para estimular a economia, em escala sem precedentes.
Mas a crescente crença de que o sistema financeiro conseguiu escapar ao colapso e que estamos retornando lentamente aos costumes usuais dos negócios é um sério erro de interpretação, no que tange à situação atual. Depois de quebrado, Humpty Dumpty [o personagem em forma de ovo da obra de Lewis Carroll, autor de "Alice no País das Maravilhas"] não pode ser remontado.
A globalização dos mercados financeiros, que ocorreu desde os anos 80, permitiu que o capital financeiro se movesse livremente pelo mundo, tornando difícil sua tributação ou regulamentação. Isso colocou o capital financeiro em posição privilegiada: os governos precisavam prestar mais atenção aos requisitos do capital internacional do que às aspirações de seus povos. Os países encontraram dificuldades para resistir isoladamente a essa tendência. Mas o sistema financeiro mundial que emergiu do processo era fundamentalmente instável, porque construído sobre a falsa premissa de que é possível permitir que os mercados financeiros patrulhem a si mesmos. Foi essa a causa do colapso, e é por isso que não poderemos remontá-lo na forma que tinha.
Mercados mundiais precisam de regulamentação mundial, mas a regulamentação em vigor tem por raiz o princípio da soberania nacional. Existem alguns acordos internacionais, como os Acordos de Basileia sobre capitalização de bancos, e a cooperação entre as autoridades regulatórias dos mercados é boa. Mas a fonte de autoridade é sempre o Estado soberano. Isso significa que não basta reiniciar um mecanismo que deixou de funcionar. Teremos de criar um mecanismo regulatório que nunca existiu. Na situação atual, o sistema financeiro de cada país está sendo sustentado e apoiado pelo governo desse país. Mas os governos têm suas próprias economias como preocupação primária. Isso resulta no chamado protecionismo financeiro, que ameaça perturbar e talvez destruir os mercados financeiros mundiais. As autoridades regulatórias britânicas jamais voltarão a confiar nas islandesas, e os países da Europa Oriental relutarão em continuar dependentes de bancos sob controle estrangeiro.
Assim, a regulamentação precisa ganhar escopo internacional. De outra forma, os mercados financeiros serão destruídos pela arbitragem entre diferentes sistemas regulatórios. Empresas irão se transferir a países nos quais o clima regulatório é mais ameno, expondo outras nações a riscos que estas não podem correr.
A globalização teve sucesso porque forçou os países a remover regulamentações, mas o processo não funciona em sentido reverso. Será difícil conseguir que os países concordem quanto a uma regulamentação uniforme. Países diferentes têm interesses diferentes, o que os propele a soluções diferentes. Isso pode ser visto na Europa, onde os membros da União Europeia não conseguem chegar a um acordo mútuo sobre um conjunto uniforme de regras financeiras. Como poderia o resto do mundo, então?
Nos anos 30, o protecionismo comercial tornou uma situação que já era ruim ainda pior. Na economia globalizada atual, a ascensão do protecionismo financeiro constitui perigo ainda maior”.

Três rapidinhas

30 de junho de 2009

1 – Mangabeira Unger deixa o governo e volta para os EUA.
Já vai tarde!
2 – Itamar Franco se filia ao PPS para concorrer em 2010.
Merecia legenda melhor!
3 – Eduardo Paes quer derrubar liminar para que IED fique na Urca.
Faz muito bem!

Reportagem fora de hora

15 de junho de 2009

 ‘O Globo’ de hoje publica uma pesquisa, muito interessante, que mede a facilidade de  deslocamento nas cidades, levando-se em conta apenas o traçado das ruas, sem considerar a malha de transportes e frota.
No trabalho, realizado pelo pesquisador Valério Medeiros, doutor em arquitetura e urbanismo pela Universidade de Brasília, foram pesquisadas 164 cidades do mundo, sendo que 44 brasileiras.
Dentre as 10 melhores cidades do planeta, seis são nos Estados Unidos, que detém os três primeiros lugares: Nova York, Denver e Los Angeles. O México está na quarta colocação, e as três seguintes também são norte-americanas: Las Vegas, Miami e Chicago.
Já entre as piores do mundo, o Rio de Janeiro só perde para Ouro Preto, Gutemburgo, Helsinque, Florianópolis e Ilha Phuket.
O curioso é a publicação dessa reportagem às vésperas da última reunião técnica do COI.
Não que se deva esconder o que exista de ruim na cidade.
Só que o trabalho extraordinário de Medeiros, de 519 páginas, é de novembro de 2006.
E desde essa época ele está a disposição de todos na internet.
Por que só agora, depois de quase tres anos, o jornal publica a reportagem, inclusive com chamada na primeira página?
Por que dizer que Chicago é a sétima melhor cidade do mundo, e o Rio é a sexta pior?
Se o Rio perder as Olimpiadas, Deus será culpado pela geografia da Cidade Maravilhosa.
O que isentará nossos governantes - esse pessoal que aproveita o sonho olimpico dos trouxas, para passear pelo exterior.
Eles  parecem desconhecer o ditado: “esperteza demais vira bicho e come o homem”.

Bush pai pula de 3 mil metros

13 de junho de 2009

Bush pai comemorou seus 85 anos saltando de paraquedas no Estado de Maine.
Ele foi assistido por um oficial da equipe de paraquedistas do Exército dos EUA.
Foi um salto livre, de uma altura de 3 mil metros, o que deixou orgulhosos seus filhos Jebb, ex-governador da Florida, e George W. Bush, ex-presidente que se limitou a comentar que o salto foi “fantástico”.
E foi mesmo.
Quem saltou na verdade, foi o oficial do Exército, e Bush pegou uma carona.
Mas é como se FHC fizesse um vôo de Asa Delta e decesse na praia de São Conrado.
Ou Sarney, mas cuidadoso, desse uma coletiva para explicar as maracutais do Senado vestido de Papai Noel.
Ou Itamar Franco, mas espalhafatoso, se apresentasse numa festa beneficiente no interior de Minas vestido de baiana.
Em qualquer das hipotéticas situações tudo seria uma coisa de louco.
Assim como o salto de Bush.

Sessão da tarde

9 de junho de 2009

A audiência amanhã da TV Justiça, a partir das 14 horas, promete  bombar.
Na pauta do Supremo, três julgamentos polêmicos:
1. Mensalão
2. Caso Sean
3. Diploma de Jornalista
No caso Sean, que o STF chama de caso Goldman, pai biológico do menino, a Advocacia Geral da União (AGU) pediu para intervir como terceiro interessado.
O juiz da 16ª Vara Federal da Seção Judiciária do Rio de Janeiro havia determinado que Sean fosse entregue ao Consulado dos EUA, às 14h de quarta feira passada, mas a sentença teve efeito suspensivo a pedido do Partido Progressista e por decisão do ministro Marco Aurélio Mello.
Só nos Estados Unidos, existem cerca de 40 crianças brasileiras, seqüestradas pelo pai ou pela mãe, e que aguardam sentença para o retorno ao Brasil.

A triste novela de Sean - 1

3 de junho de 2009

O ministro Marco Aurélio Mello decidiu suspender a decisão do juiz federal que determinou a volta do menino Sean aos Estados Unidos, para que ele possa viver com seu pai biológico, e não mais com o padrasto brasileiro.
O interessante é que o ministro não atendeu a solicitação nem da família, nem de seus advogados, mas sim o pedido de um partido político, o PP.
Mas o que um partido político tem a ver com isso?
Segundo o presidente do PP, senador Francisco Dornelles, “a decisão protege a família brasileira”.
Não é verdade. A decisão protege as famílias Bianchi e Lins e Silva, e só a elas.
E mais do que isso.
A decisão do polêmico Marco Aurélio atende a elite do Rio de Janeiro e  aos amigos da família – todos eleitores do senador Francisco Dornelles, que vive no Rio a um quarteirão dos avós de Sean.

E a justiça foi feita

1 de junho de 2009

A Justiça do Brasil decidiu que o menino Sean deve voltar aos Estados Unidos, dentro de 48 horas, para viver com seu pai biológico.
O tio do menino, Luca Bianchi, acusou a decisão do juiz de “desonesta”.
O padrasto de Sean, integrante de uma das mais conceituadas famílias de advogados do país, certamente não deve pensar o mesmo.

Uma Corte sem mordomias

31 de maio de 2009

Do jornalista Elio Gaspari em artigo hoje na ‘Folha’ e no ‘Globo’:
 ”Diante da gastança com mordomias do Judiciário, duas vinhetas de uma Corte inexpressiva, de um país miserável:
O juiz David Souter, que decidiu deixar a Suprema Corte dos Estados Unidos, dirige seu próprio Passat. Quando Souter chegou a Washington foi procurar apartamento para morar (à sua custa). Ao preencher a papelada, não sabia quanto ganhava no último emprego, nem no novo (US$ 10 mil por mês). Outro juiz da Corte, Henry Blackmun, chegava para o serviço dirigindo um fusca”.
Em Brasília, os ministros do STF andam em carros importados, com motoristas - que são proibidos de ultrapassar carros que conduzam ministros mais antigos.