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Datafolha: empate de Serra e Dilma

24 de julho de 2010

    Do jornalista Fernando Rodrigues, da ‘Folha’:
“Na terceira semana oficial da campanha, José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) seguem empatados na corrida presidencial. O tucano está com 37% contra 36% de Dilma, mostra o Datafolha. A pesquisa foi realizada entre os dias 20 e 23, com 10.905 entrevistas em todo o país. A margem de erro é de dois pontos, para mais ou para menos.
Na última pesquisa, de 30 de junho e 1º de julho, Serra havia registrado 39%, contra 37% de Dilma. Ambos oscilaram negativamente, mas dentro da margem de erro. Marina Silva (PV) tinha 9% e agora foi a 10%.
Plínio de Arruda Sampaio (PSOL) pontuou pela primeira vez nesta eleição, marcando 1%. Zé Maria (PSTU) também tem 1%. Outros quatro candidatos de partidos pequenos que concorrem a presidente foram incluídos na pesquisa, mas não atingiram 1%.
O Datafolha continua a captar uma estabilidade no número de eleitores indecisos ou que votam em branco ou nulo: 4%, o mesmo percentual do último levantamento. Os indecisos são 10%, contra 9% no levantamento anterior.
Numa simulação de segundo turno, o cenário repete o de maio, com Dilma numericamente à frente de Serra, mas dentro da margem de erro: a petista tem 46% contra 45% do tucano.
Na pesquisa espontânea, quando o entrevistado responde em quem pretende votar sem ver a lista de candidatos, o resultado é favorável a Dilma Rousseff. Ela tem 21% e se manteve estável em relação aos 22% da outra pesquisa. Já Serra tinha 19% e recuou para 16%.
A petista também tem potencialmente a seu favor as respostas dos 4% que declaram querer votar no presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Outros 3% respondem ter intenção de escolher o “candidato do Lula” e 1% quer um “candidato do PT”. Na sondagem sobre intenção de voto espontânea, os indecisos são 46%, contra 42% no início do mês. Marina Silva (PV) tem melhorado sua marca lentamente: 2% em abril, 3% em maio e junho, e, agora, foi a 4%.
Há também um quadro de poucas mudanças na rejeição dos candidatos. Os que não votariam no ex-governador “de jeito nenhum” são 26% (eram 24% da última pesquisa).
Dilma tem 19% (antes o percentual era 20%). Entre os candidatos mais competitivos, Marina é a menos rejeitada apenas 13%). Na divisão do voto por regiões do país, não houve também inversão de posições. O tucano lidera no Sul e no Sudeste. Dilma ganha no Nordeste e no Norte/Centro-Oeste”.

Tucanos buscam um discurso

5 de julho de 2010

O tucanato está mesmo sem discurso.
José Serra decidiu lançar seu programa de governo no Paraná, Estado onde ele sempre liderou as pesquisas, mesmo depois de ter defenestrado o seu primeiro candidato a vice, Álvaro Dias, que não sabe se comparecerá ao ato:
- Só vou se o Serra insistir muito - disse o senador paranaense.
O ponto alto do lançamento será o compromisso de Serra com o  Bolsa Família. Segundo o comando da campanha, ele dirá que manterá o programa e, mais do que isso, irá melhorá-lo.
Mesmo que seja verdade, por que eleger alguém que promete uma coisa, em prejuízo de alguém que já o mesmo?
                  * * *
Nesse final de semana, o presidente de honra do PSDB, Fernando Henrique Cardoso, publicou um artigo de críticas a Dilma Rousseff, onde ele não combate suas idéias - simplesmente duvida delas.
“A encenação para a eleição de outubro já está pronta. Como numa fábula, a candidata do governo, bem penteada e rosada, quase uma princesinha nórdica, dirá tudo o que se espera que diga, especialmente o que o “mercado” e os parceiros internacionais querem ouvir. Mas a própria candidata já alertou: não é um poste. E não é mesmo, espero. Tem uma história, que não bate com o que se quer que ela diga. Cumprirá o que disse?  No México do PRI, cujo domínio durou décadas, o presidente apontava sozinho o candidato a suceder-lhe, num processo vedado ao olhar e às influências da opinião pública. No entanto, quando a escolha era revelada ao público - “el destape del tapado” -, o escolhido via-se obrigado a dizer o que pensava. Aqui, o “dedazo” de Lula apontou a candidata. Só que ela não pode dizer o que pensa para não pôr em risco a eleição. Estamos diante de uma personagem a ser moldada pelos marqueteiros. Antigamente, no linguajar que já foi da candidata, se chamava isso de “alienação”.
               * * *
FHC, o mais exitoso produto de marketing político surgido até hoje, parece desesperado.
Qual o problema de Dilma estar sempre bem penteada e ter a pele rosada? Será que FHC - o mais vaidoso dos políticos brasileiros -  prefiriria vê-la com um aspecto doentio?
Dilma não deveria cuidar da aparencia ao se apresentar ao eleitorado?
Por que José Serra não sai às ruas sem pó de arroz no rosto?
Dilma parece princesa nórdica? Pode ser. Mas ela é o que é.
Serra não aparece em público sem maquiagem, e suas fotos são produtos de fotoshop. Ou alguém acredita que seu sorriso é o que os cartazes estampam?
É normal, é legítimo que as idéias de Dilma sejam criticadas, combatidas… Mas por que duvidar delas?
Só o porta-voz de um partido sem programa, sem discurso,  poderia utilizar tal artifício.

Dias, escolha desastrada

25 de junho de 2010

Vice e nada dá no mesmo. A soma é zero.
Mas apesar de não dar voto, ele pode atrapalhar.
É esse o caso do senador Álvaro Dias, anunciado como vice de José Serra.
O candidato PSDB poderia ter escolhido um vice de outro partido.
Mas não o fêz.
Poderia ter optado pelo critério regional, e ter um nome do nordeste.
Também não quis.
Sendo um homem da cidade, ele poderia sair pelo país com alguém ligado ao campo.
Nada feito.
Serra preferiu escolher um nome puro sangue. E tríplice coroado.
Afinal, Dias não é apenas filiado ao PSDB.
É mais do que isso.
Assim como Serra, o senador também é paulista, embora faça política no Paraná, Estado de forasteiros.
E além de ser tucano e paulista, existe um outro ponto que os une: a paixão por dossiês.
Vocês lembram quem vazou para a revista ‘Veja’, um hipotético dossiê elaborado por Dilma Rousseff, na Casa Civil, contra dona Ruth Cardoso?
Foi exatamente Alvaro Dias, o pavão do Senado, um político que nada tem a perder.
Com mandato até 2015, ele será derrotado em outubro, e continuará senador por mais quatro anos.
E exite alguém que acredite que Serra crescerá nas pesquisas tendo Alvaro Dias como vice?
É óbvio que não.
Assim como não existe nenhum eleitor de Dilma que vote na candidata do PT, por ela ter escolhido Michel Temer.
Sem vice, Serra sofreu enorme desgate. Com Alvaro Dias ao seu lado, o desgate só aumentará.
A escolha não foi um tiro no pé.
Foi um tiro no peito.
E do lado esquerdo, para ser certeiro.

Cada um com a sua crise

5 de junho de 2010

As campanhas dos dois principais candidatos estão em crise:
Dilma Rousseff é culpada pelo sucesso.
Seus assessores brigam pela conquista de mais poderes na campanha e, consequentemente, no próximo governo.
Já José Serra é culpado pelo declínio.
Continua difícil encontrar um vice para o tucano.
O escolha acabará recaindo num parlamentar sem condições de ser reeleito.
                  * * *
Justiça seja feita.
Michel Temer é o grande nome do PMDB e, por isso mesmo, será o vice de Dilma.
Mas se não fosse isso, ele difícilmente se reelegeria para a Câmara dos Deputados.

Vox Populi anima Dilma

5 de junho de 2010

De Renata Lo Prete, no Painel da ‘Folha’:
“O diretor do Vox Populi, João Francisco Meira, fez ao núcleo da campanha de Dilma, na última quarta-feira, uma avaliação mais apurada dos dados da recente pesquisa contratada pelo PT ao instituto sobre o cenário nacional.
O dado que mais animou os petistas: quando questionados sobre quem é o candidato de Lula, 72% acertaram a resposta, contra 28% que disseram não saber. Nesse grupo que acertou o nome de Dilma, a petista abre uma vantagem de 19% sobre Serra”.

Ibope: Dilma e Cabral lideram

1 de junho de 2010

 Quem entende de pesquisa eleitoral diz que, para se ficar mais próximo da realidade, precisam ser ouvidas um mínimo de 2 mil pessoas.
O Ibope entrevistou, no Rio de Janeiro, apenas 812 pessoas, mas de qualquer forma suas conclusões não podem ser desprezadas.
O resultado está publicado no Informe JB, assinado por Leandro Mazzini:
“A mais recente pesquisa IBOPE não deixa dúvida de que Dilma Rousseff  entrou em ascensão também no estado do Rio. E com ampla vantagem: nada menos que 17 pontos separam a pré-candidata do PT à Presidência, líder na pesquisa, do tucano José Serra. Na estimulada, Dilma tem 44%, contra 27% de Serra, em segundo, e 10% de Marina Silva (PV), em terceiro.
Os números da espontânea também surpreendem. A petista lidera com 19%, 11 pontos à frente do tucano. Para o governo do Rio, Sérgio Cabral (PMDB) lidera com folga e teria possibilidade de ganhar no primeiro turno se a eleição fosse hoje. Tem 43%, seguido de Anthony Garotinho (PR), com 21%, e Fernando Gabeira (PV), com 12%.
Para o Senado, Crivella (PRB)(E) e Cesar Maia (DEM)  lideram, com 26% e 24% respectivamente, no cenário da estimulada. Lindberg Farias (PT) surge em terceiro, com 8%, e Jorge Picciani (PMDB) em seguida, com 4%
Chama a atenção índice na espontânea para a Presidência no estado: 51% dos entrevistados não sabem em quem votar.
Dilma tem a preferência dos que têm curso superior 45%. Nesse grupo, Serra surge na preferência de 26% no estado.
A grande surpresa é Wagner Montes (PDT). Ele mudaria o cenário. Incluído na lista, na estimulada aparece em segundo (21%), atrás de Cabral (35%) e à frente de Garotinho (16%). Na espontânea, empata com Gabeira em 3º (2%).
Cesar Maia é mais forte na capital, com 30% 48% dos seus votos vêm da cidade e região metropolitana. Crivella lidera na metropolitana e interior, de onde extrai 62% de seus votos.
A pesquisa foi encomendada pelo Sindicato dos Condutores da Marinha Mercante e registrada no TSE (nº 12414/2010.). Foram ouvidas 812 pessoas entre os dias 19 e 21 maio. Margem de erro de 3%”.
                        * * *
Só uma coisa dá margem a dúvida.
Qual o interesse do Sindicato dos Condutores da Marinha Mercante na eleição do Rio?

Bastos quer mudar lei eleitoral

31 de maio de 2010

O ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos, que irá defender o Presidente Lula junto ao TSE e já foi contratado pela campanha da petista Dilma Rousseff, defende alterações na lei que proíbe a propaganda eleitoral antes de julho. Ele concedeu a seguinte entrevista ao repórter Flavio Ferreira, da ‘Folha’:
“- Como sr. vê o atual momento da pré-campanha à Presidência, com várias representações propostas pelos partidos no Tribunal Superior Eleitoral?
- O presidente do TSE, Ricardo Lewandowski, disse em seu discurso de posse que o tribunal não vai ser o protagonista das eleições. Os protagonistas são os partidos, os candidatos. O TSE é um juiz desse jogo democrático. Esse deve ser o seu papel. Ele não pode ir para o centro da cena, não pode ir para a ribalta. Acredito que, pela alta qualificação de seus integrantes e pelo nível dos advogados que atuam no tribunal, esse ideal será alcançado.
- O TSE já aplicou quatro multas ao presidente e duas multas a Dilma por propaganda eleitoral antecipada. Como o sr. avalia essas punições?
- A decisão do TSE tem que ser respeitada, mas pode ser discutida. Algumas delas nós estamos embargando, porque entendemos que houve uma mudança na jurisprudência. Os programas [veiculados na TV e no rádio] que avaliei -não sou especialista em direito eleitoral, estou estudando isso agora- me deram a consciência de que aquilo era permitido na outra composição do TSE. Isso porque são programas de propaganda política, não são de outra natureza. São para dizer o que o partido fez e comparar com o que o seu opositor fez, de modo que, na minha opinião, as multas não foram justas. Pela jurisprudência que o tribunal vinha tendo e pelo texto da lei, são programas de propaganda, não são programas de educação moral e cívica.
- Porém o entendimento do TSE foi de que a propaganda foi feita com muita ênfase na imagem de Dilma Rousseff.
- Acho que a ênfase que houve, inegavelmente, na figura de Dilma é porque ela foi uma parte importante do governo. Ela trabalhou neste governo por sete anos e meio, dos quais cinco anos e meio como chefe da Casa Civil, e centralizava toda a coordenação de programas.
- Como o sr. avalia as punições quanto à participação de Lula e Dilma em eventos nos quais o presidente apontou direta ou indiretamente a ligação dele com a pré-candidata?
- Mas essa ligação é extremamente conhecida. Essa ligação existe desde que a Dilma era ministra dele. Então, realmente, eu acho que, com esse direito que ele tem, pode ter havido um desvio, um deslize, alguma coisa assim, isso pode ter havido. É uma questão de interpretação. A interpretação dos nossos advogados é que não houve, mas a interpretação do TSE é que tem que prevalecer, tanto que o presidente pagará as multas. Mas, não acredito que haja, digamos assim, uma intenção deliberada de uso da máquina. Não há. Lula é um homem absolutamente consciente do papel dele como chefe de Estado e como presidente.
- O presidente chegou a ser acusado de debochar das multas. Isso ocorreu?
- Eu acho que é brincadeira. Você pode até duvidar do gosto da brincadeira, mas o fato essencial é que ele é um respeitador profundo do Poder Judiciário.
- Não houve uso da máquina pública no 1º de Maio da Força Sindical, já que a festa contou com patrocínio de estatais e serviu de palanque para manifestações pró-Dilma?
- Não acredito que tenha havido o uso da máquina. Acho até que a lei exige que seja do conhecimento geral e ali não era do conhecimento geral. Era uma festa de 1º de Maio e houve referências. Trabalhei nesse caso e defendemos o cuidado que se precisa ter de coibir manifestações de trabalhadores. É claro que não se pode fazer propaganda explícita. A lei mostra os caminhos para a coibição. Não acredito que seja isso [uso da máquina pública], porque o objetivo não foi esse. Não houve uma divulgação erga omnes [de forma generalizada]. Pode ter havido um deslize aqui, um deslize ali, que se tiver algum erro será corrigido com a multa. Mas vamos tentar evitar daqui para a frente.
- Como é que sr. avalia a atual lei que prevê o início da propaganda eleitoral só em julho? O sr. tem uma opinião sobre quando essa propaganda deveria ser permitida?
- Não sou especialista, tenho estudado a questão na medida dos casos correntes. Mas o que eles estão fazendo é campanha eleitoral, tanto Dilma como Serra e Marina. Eles discutem as coisas, fazem promessas, fazem censuras, fazem críticas, “aqui está errado, aqui está certo”, “nós vamos fazer mais, nós temos que fazer diferente”. Acho que a campanha, depois do lançamento das candidaturas devia ser permitida. A lei deixou de abarcar a realidade. É preciso fazer com que ela se torne capaz de conter a realidade, e não de proibir o que não precisa ser proibido. Os atores dessa peça eleitoral vão testando os limites, até onde podem ir, dão um recuo tático, dão dois passos para a frente, um para trás. É isso o que acontece e continuará acontecendo.
- No Ministério da Justiça o sr. participou da indicação de magistrados do STF e do STJ. O sr. acha que algum desses indicados terá que se declarar impedido nos casos em que o sr. advogar?
- De maneira nenhuma. O presidente Lula indicou sete ministros para o Supremo e dezenas de ministros para o STJ. Eu participei de algumas indicações, mas eu acredito que ninguém se dê por impedido. Eu acho que não se deve dar ensejo a isso porque a indicação vai até o momento da investidura. Depois disso, ele [o indicado] presta um juramento que muda a sua condição.
- Quando o escândalo do mensalão veio à tona, surgiu uma versão de que o sr. participou da definição da tese da defesa de que no caso ocorreram só crimes eleitorais. As provas técnicas do processo no STF não derrubam essa tese?
- Quero fazer uma retificação. Se falou tanto que eu exerci o papel de advogado, enquanto era ministro da Justiça, que isso acabou ficando como que uma verdade. Mas não participei, de maneira nenhuma, da construção de teses defensivas no período em que fui ministro, até porque todos os acusados têm excelentes advogados. Não conheço o processo e as perícias, mas não acredito que haja muito mais ali do que esse tipo de coisa de crime eleitoral. Não me parece verossímil a história de que havia uma mesada paga a congressistas. Não acredito nisso até porque muitos dos acusados eram da base do governo. Eram deputados do PT, de partidos aliados.

Faça você o julgamento

27 de maio de 2010

 Assista aos programas eleitorais do PT, que foi ao ar dia 13, e o do DEM, exibido hoje à noite, e veja qual deles utilizou o espaço gratuito do TSE para fazer propaganda antecipada.
José Serra, desde o início da campanha, tem dito que o debate deveria ser em torno da  “comparação de currículos”.
Foi o que o programa do PT fez.
Exibiu o currículo de Dilma Rousseff,  e não disse, nem ao menos, que ela era candidata à Presidência.
Dilma teve o elogio de Lula e de alguns ministros. E só.
Nenhuma promessa foi ao ar.
Depois veja o de Serra, do PSDB no programa do DEM.
Aí está sua primeira ilegalidade, já que o parágrafo 1º do artigo 45 da legislação eleitoral, veda “a participação de pessoa filiada a partido que não o responsável pelo programa”.
Depois, 75% do que foi exibido foram promessas de campanha.
A mais curiosa delas trata da “Justiça: impunidade nunca mais”.
“Quero que meu netos cresçam num país onde as leis sejam aplicadas (…) todos tem essa obrigação (…) nenhum brasileiro estará acima da lei, por mais poderoso que seja”, disse Serra.
Se a proposta fosse pra valer, a primeira vítima seria o próprio candidato que, pelo programa apresentado, merecia não uma multa ou a suspensão do programa do DEM no próximo ano.
Mas sim a cassação de sua candidatura - o que obviamente não ocorrerá.
Para isso, a Justiça Eleitoral conta com o apoio dos jornalões, como é o caso de ‘O Globo’, que hoje exibe a seguinte manchete em sua edição online:
“DEM copia PT no programa de TV”.
É muito descaramento do jornal.

 

Serra: o operário, a classe média e a silvícola

26 de maio de 2010

“Eu nasci num bairro operário, numa vila de operários. Aprendi na escola da vida e na escola pública. A Marina veio, praticamente, da selva. A Dilma é de uma família de classe média. São histórias diferentes, gerações diferentes”. De José Serra, pré-candidato do PSDB à Presidência da República, explicando o que diferencia os candidatos, em entrevista a Rádio Globo.

Escadas e chicletes

26 de maio de 2010

Do sociólogo Marcos Coimbra, do Vox Populi, para o ‘Correio Brasiliense’:
“Conta-se que o ex-presidente Gerald Ford tropeçou um dia ao descer do Air Force One, o avião que transporta os presidentes americanos. Para explicar o vexame, se justificou: Também, estava mascando chicletes e descendo a escada. Nada mais natural que caísse.
É fato que muitas pessoas não conseguem fazer duas coisas complicadas ao mesmo tempo e que podem se esborrachar tentando. Mas a maioria consegue.
Como os eleitores brasileiros e a Copa do Mundo. Por obra do acaso, que veio quando o mandato presidencial foi abreviado para quatro anos, quando da aprovação da emenda da reeleição (que reduziu os cinco que a Constituição de 1988 estabelecia), temos eleições presidenciais exatamente nos anos de Copa do Mundo. Em 1994 foi coincidência, pois Collor havia sido eleito para cinco anos e seu mandato terminava em um ano de Copa. No novo figurino, começamos em 1998 e, desde então, toda vez é igual. Já fizemos três e vamos fazer a quarta eleição presidencial com ela no meio. Tomara que tenhamos muitas pela frente.
Deve ser um acaso construído pelos deuses, sabe-se lá se da bola ou da nacionalidade. Se formos mesmo o país do futebol, onde as pessoas mais o amam e mais se envolvem com ele, é uma coincidência feliz que as duas coisas aconteçam tão perto uma da outra. São meses de paixão para quem gosta de ambas, começando agora, passando por jogos cada vez mais emocionantes, atravessando a decisão e prosseguindo, pois a eleição emenda com a Copa e só termina com a apuração no início de outubro (ao que parece) ou no fim do mês.
Em 1994, a Copa, como este ano, foi de meados de junho a meados de julho. Houve quem se perguntasse se o sucesso ou o fracasso da Seleção Brasileira redundaria em vantagens para Fernando Henrique, àquela altura já candidato, ou Lula. O raciocínio banal era que o ex-ministro da Fazenda lucraria se vencêssemos e que Lula seria beneficiado se todos ficassem tristes com a derrota, se enfurecessem com o status quo e resolvessem votar nele só de birra.
Não houve como testar o aforismo povo que ganha Copa vota no governo, povo que perde Copa vota na oposição. Veio o Plano Real e aniquilou a candidatura Lula. No fim do mês de julho, FHC ultrapassou os 40 pontos nas pesquisas e foi (quase) tranquilo para uma vitória no primeiro turno. Em outubro, ninguém nem se lembrava mais das especulações sobre a Copa e as eleições. O fato de o Brasil ter vencido não entrou nas explicações do que havia acontecido.
Em 1998, o Brasil perdeu a Copa e o governo venceu a eleição. Em 2002, venceram o Brasil e a oposição. Em 2006, perdemos e ganhou o governo. Ou seja, não parece haver qualquer razão para sustentar que as vitórias no futebol são boas para quem está no governo e más para a oposição. A rigor, a tomar pela nossa experiência, Dilma e Serra estão livres para torcer sem preocupações. Ganhando ou perdendo nossa Seleção, suas chances não mudam. Nenhum dos dois teria mais vantagens com a derrota. Podem vestir a camisa verde-amarela e soltar a voz.
Este ano, a discussão sobre as relações entre Copa do Mundo e futebol tem um ingrediente diferente. Continua-se a especular sobre quem ganha ou perde em função de seus resultados, mas a ênfase da conversa está sendo, especialmente nos últimos dias, outra.
É a ideia de que tudo começa depois da Copa. Ela tem tanta sustentação quanto outras mitologias sobre o processo de decisão do eleitorado. Tudo começa depois da parada (de 7 de setembro), tudo começa depois do andor e outras parecidas. Em todas, a suposição sem sentido de que os eleitores só vão pensar na eleição depois que alguma coisa importante (ou não) tiver acontecido.
Existem centenas de estudos internacionais que mostram que não é assim que as coisas acontecem. A tomada de contato do eleitorado com a eleição é um processo contínuo, ainda que comece cedo para alguns e mais tarde para outros. Mas acontece diariamente, sem intervalos ou interrupções. Os eleitores conseguem prestar atenção na eleição e na Copa, sem cair da escada.
Quem defende o argumento do só depois da Copa são as mesmas pessoas que achavam que tudo começaria depois da desincompatibilização ou depois de quando Serra assumisse sua candidatura. Estavam enganadas. Na verdade, tudo começou há muito tempo”.