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Mujica critica intolerância

30 de março de 2010

Em entrevista ao repórter João Paulo Charleaux, do ‘Estadão’, o  presidente uruguaio, José Mujica, depois de reuniur-se com o Presidente Lula, defendeu o Mercosul e criticou Cuba. Eis a entrevista:
“- Como o sr. avalia o resultado de sua visita ao Brasil?
- Voltamos com avanços para os dois países. Conversamos muito sobre o padrão de TV digital e sobre a fluidez do comércio bilateral. O Brasil pediu que não discriminemos sua carne por razões sanitárias. Ouvimos tudo e vamos equilibrar isso com a preocupação de respeitar nosso mercado interno.
- O sr. pede um espaço maior para o Uruguai no Mercosul?
- Sim, é verdade. O Brasil já é nosso principal cliente (o comércio entre os dois países chegou a US$ 2,6 bilhões em 2009, sendo US$ 1,3 bilhão favorável às exportações brasileiras). O Mercosul tem muitos defeitos, mas o maior de todos seria abandoná-lo. O mundo está globalizado e nós não podemos ficar divididos. Não podemos deixar que nada nos divida. A discussão é como melhorar o Mercosul.
- Como o sr., que foi preso político na ditadura uruguaia, vê a situação, hoje, dos prisioneiros políticos em Cuba?
- O mundo não tem a tolerância que deveria ter. É uma pena. Enquanto existir a possibilidade do recurso à força, à brutalidade, à guerra e à intolerância, estaremos sujeitos ao primitivismo. Toda intolerância deve ser evitada.
- O presidente costa-riquenho e prêmio Nobel da Paz, Oscar Árias, disse que pediria ao sr. que extinguisse as Forças Armadas do Uruguai. O que o sr. tem a responder a ele?
- É uma proposta muito bonita. Não lutaremos contra ninguém, é claro. Mas a verdade é que temos muitos problemas de fronteira, de contrabando e de narcotráfico. Esta é nossa realidade hoje”.

Llosa, um gênio tumultuado

20 de março de 2010

  Domingo, dia 7, o ‘Estadão’ publicou um artigo de Mario Vargas Llosa - intitulado “A decepcionante visita de Lula” -  com críticas a viagem do presidente brasileiro a Havana, no dia em que o ‘dissidente’ cubano, Orlando Zapata Tamayo, morria de uma greve de fome que durou 85 dias – recorde no ‘Guinness Book’ - graças a eficiência e a dedicação dos médicos cubanos.
Quando li o artigo, não dei bola. Só que agora ele circula na internet. Então vamos a ele.
O texto é lamentável. Parece ter sido escrito por um daqueles cubanos de Miami, que vive da venda de bugigangas, nutre ódio mortal por Fidel e, agora, por seu irmão Raul, paga uma espécie de dízimo para financiar a propaganda contra-revolucionária, é capaz de planejar um atentado contra a Ilha, e está disposto a cometer, se necessário for, a mais cruel das irregularidades contra o seu próprio país.
E verdade seja dita: Llosa sempre se identificou com essa turma.
Em  2004, ele assinou um manifesto, ao lado da Madeleine Albrigth, ex-secretária de Estado dos EUA, pedindo a libertação de 75 presos cubanos, acusados de cometerem crimes de consciência. Hoje são 53.
Vargas Llosa, 74 anos a serem comemorados no próximo dia 28, teve uma vida tumultuada.

O casamento de seus pais durou apenas cinco meses, e quando nasceu foi morar na Bolívia.  Aos 10 anos voltou para Lima, e só aí conheceu o pai, que o internou numa escola militar.  Aos 19 anos ingressou na Universidade de San Marcos, em Lima, e trabalhou nos cemitérios da capital peruana, como revisor de nomes em túmulos.
Nessa época, casou-se com uma tia.
Quer maluquice maior?
Pois muito bem. Cinco anos depois, ele trocou a tia Julia pela prima Patrícia.

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O artigo que Llosa assinou no ‘Estadão’ é de autoria do Llosa político, e não do Llosa escritor  - consagrado como um dos mais importantes de língua espanhola.
Mas como político, ele sempre foi um derrotado.
Em 1987, presidiu o Movimento Liberdade, cuja bandeira era o combate a nacionalização dos bancos. Três anos depois, concorreu à Presidência do Peru pela Frente Democrática, quando perdeu para  Alberto  Fujimori.  Quer humilhação maior?
Em Londres, onde foi viver, voltou a fazer o que sabe de melhor: escrever livros.
Em 2006, passou um período em Lima, durante a campanha de Lourdes Flores. Foi coadjuvante de nova derrota. Alan Garcia ganhou outra vez.
Tudo somado fez de Llosa um homem problemático, tanto em sua vida privada, quanto na política.
O artigo que escreveu peca, principalmente, pela total falta de informações sobre Lula e sobre Cuba. Ele mais um parece um panfleto ordinário.
Para Llosa, Orlando Zapata Tamayo era um “pedreiro pacifista da oposição, de 42 anos, pertencente ao Grupo dos 75, que os algozes castristas deixaram morrer de inanição - depois de submetê-lo em vida a confinamento, torturas e condená-lo com pretextos a mais de 30 anos de cárcere - depois de 85 dias de greve de fome”.
Pobre Llosa. Merece mais pena do que o próprio Tamayo.
Este não passava de um pobre coitado, com diversas passagens pela polícia -  todas referentes a crimes comuns. Na época da prisão dos 75 dissidentes, Zapata Tamayo nunca constou de nenhuma relação de “dissidentes’. Seu nome não aparece nem na lista da Anistia Internacional e, muito menos, na do Conselho de Direitos Humanos da ONU.
Preso por agressão e tentativa de homicídio, Tamayo tornou-se ‘dissidente’ quando já estava na cadeia. E, ao contrário do que diz Llosa, seus algozes não deixaram o preso morrer de inanição. Ao contrário: fizeram de tudo para que ele sobrevivesse. Se o abandonassem, Tamayo não duraria 85 dias.
Llosa tem razão quando afirma que “os irmãos Castro exercem há 51 anos esta política, e somente os idiotas poderiam esperar deles um comportamento diferente”.
Que ele próprio se considere um idiota, é um direito dele. Mas chamar Tamayo de idiota, trata-se de imensa covardia com um morto.  É óbvio que Cuba não aceitou, não aceita e nem aceitará pressões nem chantagens. Não as aceitaria de um contra-revolucionário, muito menos de um criminoso comum, um pobre diabo manipulado por um grupo de espertalhões que queriam um cadáver para transformá-lo em mártir. Até agora, só conseguiram o primeiro intento.

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No artigo, Llosa insiste na fantasia de que 50 cubanos pediram uma audiência a Lula, para reclamar da falta de liberdade na Ilha.
Mas qual a prova de que a audiência foi pedida? Para quem eles mandaram o documento? Ele foi enviado pelo correio ou  entregue em mãos?  Quem mandou o pedido?  E quem o recebeu?  Isso ninguém consegue responder.
Boa parte da comitiva de Lula passeou por Havana. Quatro ministros de Estado foram jantar na Bodequita del Médio, o restaurante mais badalado da Ilha. Por que nenhum dos dissidentes apareceu por lá? Eles não queriam conversar? Dezenas de jornalistas brasileiros estiveram em Havana naqueles dois dias? Por que nenhum deles foi procurado? O grevista de plantão, um maluco que atende pelo nome de Fariñas, dá entrevistas por telefone a todo o momento. Por que ele não foi atrás da comitiva brasileira? Uma repórter do Globo Online sabe o número de seu telefone, e ele certamente conhece o dela.
A mãe de Zapata também falou, com jornalistas estrangeiros, após a morte do filho. Para a blogueira dissidente Yoani Sánchez, ela chegou a conceder uma entrevista, com vídeo, na porta do IML local.
Então porque a fantasia de que Lula não aceitou conversar com o quem o procurava?
Na semana passada, um “dissidente” esteve na embaixada brasileira, em Havana, com uma carta para ser enviada ao Presidente. Quem a assinava? Ninguém. Nem mesmo o portador, que ficou de voltar mais tarde “com pelo menos 100 assinaturas”. Até hoje nada.
No ‘Globo’ desse sábado, por exemplo, a correspondente Marília Martins informa que já “circula pela internet o vídeo produzido por um grupo de manifestantes (cubanos que vivem nos Estados Unidos ) que decidiu sentar-se diante da porta do consulado brasileiro em Miami em protesto contra o que definem como “cumplicidade de Lula com a ditadura cubana”.
- Esse grupo de cubanos esteve aqui durante cerca de meia hora gritando palavras de ordem, num protesto barulhento mas pacífico. Nós perguntamos se eles gostariam de entregar alguma carta ou algum documento para darmos ao presidente Lula. Mas recusaram a oferta. Parece que a intenção era simples: o grupo queria filmar a si mesmo fazendo o protesto para que as imagens circulassem pela internet - comenta o cônsul brasileiro em Miami, Luiz Augusto de Araújo Castro.
 
                                  * * *
Como intelectual, Llosa merece todo o respeito. Mas Llosa assinou o artigo como político. E como tal, ele mente. Mente descaradamente.
O político peruano acusa Lula de “abraçar Chávez, Evo Morales e Ortega”, o que ele considera a “escória da América Latina”, embora todos tenham assumido o poder através do voto democrático, o que ele não conseguiu.
No artigo ele levanta uma dúvida: seria Lula um “simples mascarado, capaz de todas as piruetas ideológicas, um político medíocre sem espinha dorsal cívica e moral”?
Quem é esse cidadão para insinuar isso sobre o Presidente do Brasil?
Vargas Llosa? Esse é um político medíocre, desinformado, reacionário, entreguista, frustrado, cheio de ódio, de recalques, e que não merece o mínimo de respeito.
Seu artigo no ‘Estadão’ não passa de uma coletânea de velhos e repetidos chavões contra Cuba e contra seus dirigentes.
Como intelectual consagrado, ele poderia se opor a Lula, a Cuba e aos irmãos Castro de maneira inteligente. Mas, por preguiça ou falta de argumentos, vomita uma verborragia sem conteúdo.

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Fariñas, o maluco de Cuba, disse ter ouvido de autoridades do Ministério do Interior, que ele tem todo o perfil para se tornar um mártir. Por isso, insiste em morrer. Mas, como é incompetente, não alcança o seu intento. Esta é a sua 23ª greve de fome, e ele continua vivo. Quem sabe, qualquer hora ele consiga.
Llosa, o maluco de Lima, tem certamente o perfil que Fariñas sempre sonhou.
Para virar mártir só precisa fazer uma greve de fome.
Vencedor, com uma infinidade de méritos, nos meios literários, Llosa poderia tentar obter uma vitória na política.
É óbvio que os irmãos Castro não aceitariam a sua chantagem.
Mas mesmo perdendo, Llosa sairia vitorioso.

O assassino cubano

17 de março de 2010

Guillermo Fariñas, maluco cubano em greve de fome há 19 dias, deu uma entrevista a rádio Jovem Pan.
Disse que a greve era um “protesto contra a morte de Orlando Zapata Tamayo, preso político que morreu após passar 85 dias em greve de fome”.
Como o governo cubano não poderá ressucitar Tamayo, não há o que negociar.
O maluco considera o Presidente Lula “um assassino. Ele poderia ter cancelado a visita a Cuba, mas não fez isso”.
Que fique claro o seguinte: o único assassino dessa história, até o momento - e assassino confesso -  é o próprio Fariñas, que insiste em atentar contra a própria vida.
E mais: ele é um assassino frustrado, pois essa é a sua 23ª greve de fome, e ele não consegue atingir o seu objetivo.

Lula deveria tratar cubanos, da forma como foi tratado

9 de março de 2010

Leio aqui no youPode que um grupo de dissidentes cubanos enviou uma carta ao Presidente Lula, apelando para que ele interceda junto a Fidel, e liberte os 20 presos acusados de crimes de consciência.
É lamentavel que Cuba tenha prisioneiros cujo único crime tenha sido discordar do regime.
Mas Lula não deveria mover uma palha.
Primeiro, isso é assunto interno de Cuba.
Segundo, esses mesmos dissidentes espalharam para o mundo que Lula negou-se a recebê-los, embora eles não tivesse mandado, na época, carta alguma.
Um bando de bandidos, que se declaram dissidentes, cubanos, invadiram o consulado brasileiro em Miami, com fotos de Lula e Fidel e, com palavras de ordem, sentaram-se no chão e xingaram de tudo o presidente do Brasil.
Evitar a morte de Fariñas não é tarefa fácil.
Essa é a sua 23ª greve de fome e ele resiste a todas.
Segundo ele, a primeira demorou sete meses.
Fariñas é maluco, é mentiroso, é farsante.
O melhor seria os dissidentes irem reclamar com o Papa.

Nova bossa na nossa bossa

5 de março de 2010

De João Donato, no ‘Globo’:
“Em 1962, voltei ao Brasil para gravar um disco, depois de dois anos morando nos Estados Unidos. Era uma tarde quente e um produtor entrou no estúdio falando em voz alta: “Mas isso não é Bossa Nova”. Retruquei: “Eu não disse que é, só estou gravando um disco.” Era o meu primeiro 12 polegadas: João Donato e seu Trio Muito à Vontade, com os saudosos Milton Banana (bateria) e Tião Neto (baixo).
Um ano depois retornava à América, em seguida o disco foi lançado pela Pacific Jazz com o nome de “Sambou Sambou” e se tornou o responsável pelo meu ingresso definitivo no mercado fonográfico americano. No auge da Bossa Nova, eu, que desembarcara na terra de Frank Sinatra antes da chegada dos meus amigos João Gilberto e Tom Jobim, assistia à euforia dos músicos de jazz com a novidade.
O jornal “São Francisco Chronicle” chegou a anunciar que o novo gênero musical brasileiro era a melhor coisa que tinha acontecido na música americana.
Cansados de tocar a música exageradamente popular da época, os músicos passaram a usufruir do prazer de viajar pelos ricos acordes do samba-jazz e da sua versão mais suave, a Bossa Nova.
O improviso andava solto e por caminhos nunca antes percorridos. A carreira de Stan Getz, estacionada, ganhou fôlego com a chegada da Bossa Nova. Bud Shank e Chet Baker, meus parceiros de estrada, queriam tocar, gravar e se aprofundar nos ritmos deste país da América Latina que contribuía com algo diferente do mambo, da salsa e da rumba dos imigrantes da América Central.
Mais de meio século depois do marco da exportação da Bossa Nova para o mundo, após fazer música com parceiros de tantas gerações e estilos musicais variados, e de ver minhas canções interpretadas por brasileiros do samba, do bolero e do hip hop, pela Orquestra Sinfônica da Rússia, por um grupo vocal de cubanas, de tocar na Líbia e de ser tratado como um artista popular no Japão, tais lembranças me fazem refletir sobre como talvez eu tenha dado ouvidos àquele produtor e passado a vida resistindo à minha participação e influência no ritmo que veio a se chamar Bossa Nova.
Hoje, tenho consciência de que negar minha participação na história da Bossa Nova seria deletar um trecho da história da música popular brasileira e de minha história pessoal. Em 2002, quando a Dubas relançou “Muito à Vontade” em CD, o escritor Ruy Castro lembrou que o disco me abriu novos horizontes e, nas palavras dele, “devolveu a Donato, sem ele saber, um movimento que ajudara a construir”.
Em 2008, nas comemorações dos 50 anos da Bossa Nova, convidado pelo meu parceiro musical Nelson Motta a receber uma homenagem da nova geração de intérpretes da música, já cansado do peso das viagens — rodei 11 países em quatro continentes, fui duas vezes a Cuba no mesmo ano — acabei desabafando em uma entrevista: “Não aguento mais falar em Bossa Nova.” Eu sou mesmo assim.
Para lembrar um grande músico brasileiro, Eloir de Morais, “envaideçome” ao ser convencido de integrar uma história tão bonita pelo desenrolar da própria história. Mas devo confessar que, como acreano-pianista-compositorintuitivo, o que me encanta são as infinitas possibilidades que a música me oferece de experimentar novos sons, novos rumos, novas combinações, novos acordes, novas vozes, numa constante renovação.
Algo que foi percebido há muito tempo por gente como Stan Kenton, Miles Davis, mais recentemente por Diana Krall e — por que não? — Black Eyed Peas. Algo que o mundo inteiro reconhece e modernamente aprecia. Percebo que na atualidade há um improviso do improviso.
Uma nova bossa dentro da Bossa e é um patrimônio que, quanto mais se transforma, mais herdeiros faz ao longo do caminho e de uma estrada rumo à imortalidade.
Faltava o Rio, berço da Bossa, valorizar e dar o suporte para que novos compositores, músicos e intérpretes possam fazê-la ecoar e ser recriada a partir da sua maternidade. Um bom começo é o Circuito da Bossa Nova que a prefeitura lançou na segunda-feira, na festa dos 445 anos do Rio, no Espaço Tom Jobim do Jardim Botânico.
Agora, Leny Andrade, Joyce, João e Bebel Gilberto, Pery Ribeiro, Carlos Lyra, Milton Nascimento, Os Cariocas, Emílio Santiago, Roberto Menescal, Cris Dellano, Zé Renato, Mariana Aydar, Wanda Sá, Thaís Fraga, Mário Adnet, Augusto Martins, Miúcha, Sérgio Mendes, Sandra de Sá, Fernanda Takai, Johnny Alf, Adriana Calcanhoto, Marcos Valle, Francis e Olivia Hime, Jaques e Paula Morelenbaum, Roberta Sá — nosso catálogo é infinito — poderão mostrar com ternura, amor e sem temer contradições que a boa música é celestial, é de todos, é nossa e se re-NOVA”.

Foto de ‘Che’ faz 50 anos

5 de março de 2010

A fotografia mais reproduzida em todo o mundo, a do revolucionário ‘Che’ Guevara, comemora hoje 50 anos.
Ela foi feita pelo fotógrafo cubano Alberto Diaz Gutiérrez, conhecido com Alberto Korda, que iniciou sua carreira fotografando festas, casamentos e batizados.
Mais tarde, montou um estúdio, em Havana, para fotos publicitárias e moda, e “conhecer mulheres bonitas”. Acabou casando com uma modelo.
A foto do ‘Guerrilheiro Heróico’ foi quase acidental. Ele trabalhava no jornal ‘Revolución’ e, no dia dia 5 de março de 1960, foi fazer a cobertura de uma homenagem as vítimas da explosão de um barco que matou 136 pessoas. A tribuna estava repleta de autoridades, e Korda teve 45 segundos para fotografá-la.
De ‘Che’ fez apenas duas fotos: uma vertical e outra horizontal, que acabou se transformando na imagem do maior ícone dos movimentos de esquerda em todo o mundo.
Quando ‘Che’ foi assassinado, na selva boliviana, o artista plástico Giangiancomo Feltrinelli, um editor italiano ativista de esquerda e amigo de Fidel, esteve em Cuba procurando imagens do guerrilheiro. Escolheu uma foto de Korda, recortou as laterais da foto horizontal, imprimiu milhares de postais e espalhou a imagem pelo mundo. Korda nunca recebeu um único tostão pela foto, e também nunca cobrou.
Certa vez, numa entrevista perguntaram a ele:
-Se tivesse ganho dez centavos de dólar por cada foto reproduzida, você compraria um desses palácios?
E Korda respondeu:
- A vista que tenho do meu apartamento, do por-do-sol, do jeito como as mulheres cubanas caminham pelo Malecón, do peixe fresco ou de um porco grelhado com meu rum Anejo, e meus cigarros populares… eu não trocaria isso por nada neste mundo.
Alberto Korda estava em Paris, em maio de 2001, quando morreu vítima de um ataque cardíaco, aos 73 anos.
Ele está enterrado no Cemitério de Colon, em Havana.

Fidel: “O último encontro com Lula”

3 de março de 2010

Do comandante Fidel Castro, no ‘Granma’:
“Conheci Lula em Manágua, em julho de 1980, há trinta anos, durante a comemoração do primeiro aniversário da Revolução Sandinista, graças aos meus contatos com os parceiros da Teologia da Libertação, iniciados no Chile, no ano 1971, quando visitei o presidente Allende.
Graças a Frei Betto sabia quem era Lula, um líder operário no qual os cristãos de esquerda tinham depositado bem cedo suas esperanças.
Tratava-se, é, de um humilde operário da indústria metalúrgica, que destacava pela sua inteligência e prestígio entre os sindicatos, na grande nação que emergia das trevas da ditadura militar, imposta pelo império ianque, na década de 60.
As relações do Brasil com Cuba tinham sido excelentes até que o poder dominante no hemisfério fê-las sucumbir. Desde então transcorreram décadas até que lentamente voltaram a ser o que são hoje.
Cada país viveu a sua história. A nossa Pátria suportou inusitadas pressões nas etapas incríveis vividas a partir de 1959, na sua luta perante as agressões do mais poderoso império que tenha existido na história.
Por isso, para nós tem uma enorme transcendência a reunião que se acaba de efetuar em Cancún e a decisão de criar uma Comunidade dos Estados da América Latina e do Caribe. Nenhum outro fato institucional do nosso hemisfério, durante o último século, encerra semelhante transcendência.
O acordo atinge-se em meio à mais grave crise econômica que tenha havido no mundo globalizado, coincidindo com o maior perigo de catástrofe ecológica da nossa espécie e, ao mesmo tempo, com o terremoto que destruiu Porto Príncipe, capital do Haiti, o desastre humano mais doloroso na história do nosso hemisfério, no país mais pobre do continente e o primeiro onde foi erradicada a escravidão.
Quando estava escrevendo esta Reflexão, apenas seis semanas depois da morte de mais de duzentas mil pessoas, de acordo a estatísticas oficiais naquele país, chegaram notícias dramáticas dos danos causados por outro terremoto no Chile, que matou um número de pessoas que já se aproxima das mil, segundo estimativas das autoridades, além de enormes danos materiais. Comoviam especialmente, as imagens dos sofrimentos de milhões de chilenos, afetados material ou emocionalmente por esse golpe cruel da natureza. Felizmente, o Chile é um país com mais experiência perante este tipo de fenômeno, muito mais desenvolvido economicamente e com mais recursos. Caso não ter contado com infraestruturas e edificações mais sólidas, talvez dezenas ou, inclusive, centenas de milhar de chilenos teriam perecido. Fala-se em dois milhões de danificados e perdas que flutuam entre 15 e 30 bilhões de dólares. Nesta tragédia, o Chile conta com a solidariedade e com as simpatias dos povos, entre eles o nosso, embora, devido ao tipo de cooperação de que precisa, Cuba pode fazer bem pouco, mas o nosso governo foi dos primeiros a expressar ao do Chile os seus sentimentos de solidariedade, quando as comunicações ainda estavam colapsadas.
O Haiti é o país que, sem dúvida, hoje põe à prova a capacidade do mundo para enfrentar a mudança climática e garantir a sobrevivência de espécie humana, pois constitui um símbolo da pobreza que padecem hoje bilhões de pessoas no mundo, incluida uma parte importante dos povos do nosso continente.
O acontecido no Chile com o terremoto, que teve uma incrível intensidade de 8,8 na escala de Richter, embora, por fortuna, a maior profundeza do que destruiu Porto Príncipe, obriga-me a pôr ênfase na importância e no dever de estimular os passos de unidade conseguidos em Cancún, embora não abrigo ilusões quanto à difícil e complexa que será a nossa luta de ideias perante o esforço do império e dos seus aliados, dentro e fora dos nossos países, com o objetivo de frustrarem a tarefa unitária e independentista dos nossos povos.
Desejo deixar constância escrita acerca da importância e do simbolismo que teve para mim a visita e o último encontro com Lula, do ponto de vista pessoal e revolucionário. Ele expressou que, prestes a finalizar o seu mandato, desejava visitar seu amigo Fidel; qualificativo honroso que recebi da sua parte. Acho que o conheço bem. Não poucas vezes conversamos fraternalmente dentro e fora de Cuba.
Numa ocasião, teve a honra de visitá-lo no seu lar, situado num modesto bairro de São Paulo, onde morava com a família. Para mim foi um encontro emotivo com ele, com a sua esposa e com os seus filhos. Nunca esquecerei a atmosfera familiar e sadia daquele lar e o sincero afeto com que o tratavam os moradores vizinhos, numa época em que Lula já era um prestigiado líder operário e político. Então ninguém sabia se chegaria ou não à presidência do Brasil, pois os interesses e forças que se opunham a ele eram enormes, mas para mim era grato falar com ele. Lula tampouco se importava muito com o cargo; satisfazia-lhe, sobretudo, o prazer de lutar e o fazia com incontestável modéstia; o qual demostrou folgadamente quando, tendo sido vencido em três ocasiões por seus poderosos adversários, somente acedeu a se candidatar numa quarta ocasião, como representante do Partido dos Trabalhadores, devido à forte pressão dos seus amigos mais sinceros.
Não tentarei fazer um reconto das vezes que falamos, antes que fosse eleito presidente; uma delas, entre as primeiras, foi em meados da década de 80, quando lutávamos em Havana contra a dívida externa da América Latina, que na época chegava a 300 bilhões de dólares e tinha sido paga mais de uma vez. Era um lutador inato.
Em três ocasiões, como já disse, os seus adversários, apoiados em enormes recursos econômicos e midiáticos, o derrotaram nas urnas. Contudo, os seus mais próximos colaboradores e amigos sabíamos que tinha chegado a hora de que aquele humilde operário fosse o candidato do Partido dos Trabalhadores e das forças da esquerda.
Com certeza, os seus contrários subestimaram-no, pensaram que não poderia contar com maioria alguma no órgão legislativo. A URSS já não mais existia. O que poderia significar Lula na liderança do Brasil, uma nação de grandes riquezas, mas de escasso desenvolvimento nas mãos de uma burguesia rica e influente?
Mas o neoliberalismo entrava em crise, a Revolução Bolivariana tinha triunfado na Venezuela, Menem tinha caído a pique, Pinochet tinha saído do palco e Cuba resistia. Mas Lula foi eleito quando Bush triunfava de forma fraudulenta nos Estados Unidos, despojando da vitória seu rival Al Gore.
Principiava uma etapa difícil. Os primeiros passos do novo presidente dos Estados Unidos foram impulsar a corrida aos armamentos e com ela o papel do Complexo Militar Industrial, e reduzir os impostos aos setores ricos.
Sob o pretexto da luta contra o terrorismo, Bush reiniciou as guerras de conquista e institucionalizou o assassinato e as torturas como instrumento de domínio imperialista. São impossíveis de publicar os fatos relativos aos cárceres secretos, que delatavam a cumplicidade dois aliados dos Estados Unidos com essa política. Dessa forma, acelerou-se a pior crise económica, as mesmas crises que em forma cíclica e crescente acompanham o capitalismo desenvolvido, mas desta vez com os privilégios de Bretton Woods e sem nenhum dos seus compromissos.
O Brasil, por seu lado, nos últimos oito anos, sob a direção de Lula, superava obstáculos, incrementava o seu desenvolvimento tecnológico e potencializava o peso da economia brasileira. A parte mais difícil foi no seu primeiro período, mas teve sucesso e ganhou experiência. Com o seu incansável trabalho, serenidade, sangue frio e crescente consagração à tarefa, em condições internacionais tão difíceis, Brasil atingiu um PIB que se aproxima dos dois trilhões de dólares. Os fatos flutuam segundo as fontes, mas todas elas colocam o Brasil entre as dez maiores economias do mundo. Apesar disso, com uma superfície de 8.524,000 km2, perante os Estados Unidos, que apenas possui um pouco mais de território, Brasil só atinge aproximadamente 12% do Produto Interno Bruto desse país imperialista que saqueia o mundo e marca presença com suas forças armadas em mais de mil bases militares de todo o planeta.
Tive o privilégio de assistir à sua tomada de posse, nos fins de 2002. Também esteve Hugo Chávez, que acabava de enfrentar o golpe traidor de 11 de abril desse ano e mais tarde o golpe petroleiro, organizado por Washington. Já Bush era presidente. As relações entre o Brasil, a República Bolivariana e Cuba sempre foram boas e de mútuo respeito.
Eu sofri um acidente sério, em outubro de 2004, que limitou seriamente as minhas atividades durante vários meses; e adoeci gravemente em julho de 2006, perante o qual não duvidei e deleguei as minhas funções na frente do Partido e do Estado, na Proclama de 31 de julho desse ano, com caráter provisório, e pouco depois lhe dei caráter definitivo, quando compreendi que não estaria em condições de assumi-las novamente.
Quando a gravidade da minha saúde me permitiu estudar e meditar, consagrei-me a isso e a rever materiais da nossa Revolução e a publicar, de vez em quando, algumas Reflexões.
Depois que adoeci tive o privilégio de ser visitado por Lula, todas as vezes em que viajou à nossa Pátria e de conversar amplamente com ele. Não direi que sempre coincidi com a sua política. Sou, por princípio, oposto à fabricação de biocombustível a partir de produtos que possam ser utilizados como alimentos, ciente de que a fome é e poderá ser, cada vez mais, uma grande tragédia para a humanidade.
Contudo — e o expresso com toda a fanqueza — este não é um problema criado pelo Brasil e muito menos por Lula. Faz parte inseparável da economia mundial imposta pelo imperialismo e por seus aliados ricos os que, subsidiando as suas produções agrícolas, protegem seus mercados internos e concorrem no mercado mundial com as exportações de alimentos dos países do Terceiro Mundo, obrigados a importarem, em troca, os artigos industriais produzidos com as matérias-primas e com os recursos energéticos deles mesmos, que herdaram a pobreza de séculos de colonialismo. Compreendo perfeitamente que o Brasil não teve outra alternativa a não ser incrementar a produção de etanol, perante a concorrência desleal e os subsídios dos Estados Unidos e da Europa.
A taxa de mortalidade infantil no Brasil ainda é de 23,3 em cada mil nascidos vivos e a materna é de 100 em cada 100 mil partos, enquanto nos países industrializados e ricos é de menos de 5 e de 15, respectivamente. Poderíamos citar muitos outros dados semelhantes.
O açúcar de beterraba, subsidiada pela Europa, despojou o nosso país do mercado açucareiro, derivado da cana-de-açúcar, trabalho agrícola e industrial precário e eventual que mantinha no desemprego os trabalhadores açucareiros, boa parte do tempo.
De sua parte, os Estados Unidos se apoderaram também das nossas melhores terras  e suas empresas eram proprietárias da indústria. Um dia, de forma abrupta, nos despojaram da cota açucareira e bloquearam nosso país para esmagar a Revolução e a independência de Cuba.
Hoje, o Brasil desenvolveu a cultura da cana-de-açúcar, da soja e do milho com maquinarias de alto rendimento, as que podem ser empregadas nessas culturas com altíssima produtividade. Quando um dia observei as filmagens de um plantio de 40 mil hectares de terra na província de Ciego de Ávila, dedicado à cultura da soja, alternando com milho, onde se tentará trabalhar o ano todo, expressei: é o ideal de uma empresa agrícola socialista, altamente mecanizada, com elevada produtividade por homem e por hectare.
O problema da agricultura e das suas instalações no Caribe são os furacões, os que em número crescente, arrasam o território.
Também o nosso país elaborou e assinou com o Brasil o financiamento e construção de um ultramoderno porto no Mariel, que será de enorme importância para a nossa economia.
Na Venezuela está a ser utilizada a tecnologia agrícola e industrial brasileira para produzir açúcar e empregar o bagaço como fonte de energia termoelétrica. São equipamentos avançados instalados numa empresa também socialista. Na República Bolivariana empregam o etanol para melhorar o efeito nocivo da gasolina no meio ambiente.
O capitalismo desenvolveu as sociedades de consumo e também fomentou o esbanjamento de combustível, o qual gerou o risco de uma dramática mudança climática. A natureza demorou 400 milhões de anos a criar o que a nossa espécie está consumindo em apenas dois séculos. A ciência ainda não resolveu o problema da energia que substituirá a que hoje gera o petróleo; ninguém sabe quanto tempo precisará e quanto custará resolvê-lo em questão de tempo. Por acaso disporá dele? Isso foi o que se discutiu em Copenhague e a Cúpula resultou um fracasso total.
Lula contou-me que quando o etanol custa 70% do valor da gasolina, já não é negócio produzi-lo. Expressou que apesar de o Brasil dispor da maior floresta do planeta, reduzirá progressivamente o corte de madeira em 80%.
Hoje, possui a maior tecnologia do mundo para perfurar no mar e pode extrair combustível a uma profundidade de sete mil metros no fundo marinho. Há 30 anos, isso teria parecido uma história de ficção científica.
Explicou os programas educacionais de alto nível que o Brasil se propõe implementar. Valoriza altamente o papel da China no âmbito mundial. Declarou com orgulho que o intercâmbio comercial com esse país já é da ordem dos 40 bilhões de dólares.
Uma coisa é indiscutível: o operário metalúrgico se converteu atualmente num homem de Estado destacado e de grande prestígio, cuja voz é escutada com respeito em todas as reuniões internacionais.
Orgulha-se por ter ganho a honra de celebrar dos Jogos Olímpicos no Brasil em 2016, em consequência do excelente programa apresentado na Dinamarca. O Brasil será também a sede do Mundial de Futebol em 2014. Isso tudo foi o fruto dos projetos apresentados pelo Brasil, que superaram os dos seus concorrentes.
Uma prova precisa do seu altruísmo foi a decisão de não se candidatar para a reeleição e confia em que o Partido dos Trabalhadores continuará governando o Brasil.
Alguns que invejam o seu prestígio e a sua glória e pior ainda, os que estão a serviço do império, criticaram-no por visitar Cuba. Para isso, utilizaram as vis calúnias que há mais de meio século empregam contra Cuba.
Lula conhece há muitos anos que no nosso país ninguém foi torturado jamais, que jamais se produziu o assassinato de um adversário, jamais se mentiu ao povo. Tem a certeza de que a verdade é parceira inseparável dos seus amigos cubanos.
De Cuba partiu rumo ao nosso vizinho Haiti. Informamo-lhe das nossa ideias acerca daquilo que propomos quanto à implementação de um programa sustentável, eficiente, nomeadamente importante e muito econômico para o Haiti. Conhece que mais de cem mil haitianos foram atendidos pelos nossos médicos e pelos formados na Escola Latino-Americana de Medicina, depois do terramoto. Falámos coisas sérias, conheço os seus ferventes desejos de ajudar esse nobre e sofrido povo.
Guardarei uma inesquecível recordação do meu último encontro com o Presidente do Brasil e não hesito ao dizê-lo”.

Uma sugestão para o ‘El País’

26 de fevereiro de 2010
Esse é o 'Paradisus Río de Oro' e fica em Holguin, estado onde foi enterrado o dissidente Orlando Zapata. Aqui a diária varia entre 260 e 1.250 euros.

Esse é o 'Paradisus Río de Oro' e fica em Holguin, estado onde foi enterrado o dissidente Orlando Zapata. A diária aqui varia entre 260 e 1.275 euros.

O jornal ‘El País’, o mais influente jornal espanhol, tem uma maneira bastante eficiente, caso seja esse o seu desejo, de defender os direitos Humanos em Cuba, ao invés de criticar o Presidente Lula, que tinha “nas mãos o papel de porta-voz da condenação à repressão política, tanto por seu lugar de potência emergente, como pela coincidência de sua visita a ilha”.
Se o jornal estiver sinceramente preocupado com a violação dos direitos humanos, o ‘El País’ poderia fazer, nesse final de semana, um editorial cobrando uma posição enérgica da cadeia de hotéis Meliá sobre Cuba.
Eles estão instalados em 10 países europeus, em 11 da América Latina, em quatro da Ásia, e em um da Africa. A maior concentração, óbviamente, é na Espanha, onde fica a sua sede. São 185 hotéis em 57 cidades.
A segunda maior está em Cuba, com 24 hotéis. A saber:
Havana
1. Meliá Cohiba
2. Meliá Habana
3. Tryp Habana Libre
Varadero
4. Meliá Varadero
5. Sol Palmeras
6. Tryp Peninsula Varadero
7. Sol Sirenas Coral
8. Paradisus Princesa del Mar
9. Meliá Las Antillas
10. Meliá Las Américas
11. Paradisus Varadero
Cayo Santa Maria
12. Meliá Las Dunas
13. Meliá Cayo Santa Maria
14. Sol Cayo Santa Maria
Cayo Coco
15. Meliá Cayo Coco
16. Tryp Cayo Coco
17. Sol Cayo Coco
Holguin
18. Paradisus Rio de Oro
19. Sol Rio De Luna y Mares
Cayo Guillermo
20. Meliá Cayo Guillermo
21. Sol Cayo Guillermo
Cayo Largo
22. Sol Pelicano
23. Sol Cayo Largo
Santiago de Cuba
24. Meliá Santiago de Cuba

O jornal poderá sugerir por exemplo um dia de protesto em todos os Meliás de Cuba.
Ou a suspensão de seus serviços durante uma semana.
Ou ainda a exibição de uma foto de Orlando Zapata no hall de recepção de cada um dos prédios.
Sugestões para outras empresas espanholas é o que não falta. O país, por razões óbvias, mantém relações especialíssimas com o regime de Fidel.
Caso não queiram tocar nesse assunto,  o melhor que os editores do ‘El País’ tem a fazer e ir pentear macacos.

Nelson Jobim, o charuteiro

26 de fevereiro de 2010

Diz o colunista Ancelmo Gois: 
“Há quem veja razões políticas na decisão dos cubanos de hospedar o ministro Nelson Jobim no Meliá Habana e não na Casa de Protocolo, no Laguito, onde Lula e outros ficaram. Será?”
Claro que não.
Com certeza, apesar do regime cubano ser comandado por um militar, Nelson Jobim não fazia parte da comitiva brasileira na visita a Havana.
Ele acompanhou o Presidente por um único motivo: a etapa seguinte da viagem seria o Haiti, e o  ministro da Defesa, obviamente, teria de estar ao lado de Lula no momento da visita as tropas do Exército Brasileiro à serviço da ONU.
É verdade que Jobim poderia ter esperado Lula no Haiti.
Mas o ministro é um charuteiro de primeira, e não perderia, por nada nesse mundo, a possibilidade de ganhar caixas e caixas de puros.

Marina quer governar com PSDB e PT

26 de fevereiro de 2010

Da repórter Ana Flor, da ‘Folha’:
“A pré-candidata do PV à Presidência, senadora Marina Silva (AC), afirmou ontem que pretende fazer um “realinhamento histórico”, no qual quer governar “com os melhores do PSDB e os melhores do PT”.
Marina participou da gravação do programa da Rede TV! “É Notícia”, do repórter da Folha Kennedy Alencar. A entrevista vai ao ar à 0h15 da próxima segunda-feira.
“Enquanto o PT e o PSDB não conversarem, vai ficar muito difícil uma governabilidade [...] Devíamos ser capazes de estabelecer uma governabilidade básica, onde o PT e o PSDB digam: “Naquilo que é essencial para o Brasil, nós não vamos colocar em risco a governabilidade’”, disse.
A senadora criticou as alianças dos dois partidos com forças políticas mais à direita. “O presidente Fernando Henrique ganhou sozinho e, para governar, teve que ficar refém do Democratas; o presidente Lula [ficou refém], dos setores mais retrógrados do PMDB. Isso não é bom para o Brasil”, afirmou.
Marina disse ainda que sua candidatura representa um “leque de alianças sui generis”, que não é de partidos, mas tem base na sociedade.
No núcleo da campanha de Marina, há defensores da ideia de que o PT e o PSDB são muito mais próximos, em termos ideológicos, do que as alianças que deram sustentação aos governos FHC (1995-2002) -PSDB e DEM- e Lula (desde 2003)- PT e PMDB.
Ao falar do papel do Estado, a senadora defendeu um “Estado necessário”, que seja “eficiente, inteligente e transparente”. Fez, entretanto, críticas ao modelo estatizante, e pregou um Estado “que saia cada vez mais da visão de querer ser dono de tudo e ainda do resto”.
Marina fez críticas, às vezes veladas, em outros momentos escancaradas, à pré-candidata petista ao Planalto, a ministra Dilma Rousseff. Segundo ela, o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), menina dos olhos de Dilma, “é uma colagem de vários empreendimentos”, nos quais Estados e municípios também têm méritos.
As maiores críticas foram sobre a atuação de Dilma na cúpula do clima, em Copenhague, e em sua visão desenvolvimentista, que deixaria o meio ambiente em segundo plano. Nesse ponto, sobraram críticas também a Lula.
Marina afirmou não saber se o gesto de reforçar políticas ambientais -como a adoção de metas para redução de emissão de gases-estufa-, foi “fruto de aprendizagem” ou de medidas “conjunturais, por causa da disputa eleitoral de 2010″.
Mesmo assim, elogiou Lula e seu governo diversas vezes durante a entrevista. Afirmou que o presidente foi “uma pessoa fundamental” na sua vida.
Marina fugiu de respostas objetivas mais de uma vez. Ao ser questionada se apoiava ou não a redução da jornada de trabalho para 40 horas, lembrou seu passado sindical, mas não confirmou. Também fugiu da palavra “ditadura”, quando a questão foi sobre o governo cubano, apesar de afirmar que não se pode “relevar” princípios como a democracia e liberdade de expressão.
A política internacional pareceu ser uma área de grande divergência de Marina com o atual governo. Além de criticar Cuba, Marina se disse preocupada com o apoio brasileiro ao governo do Irã”.