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Ciro não apoia PT em Fortaleza

4 de março de 2012

    Deu no iG:
    “Irmão do governador do Ceará, Cid Gomes (PSB), o ex-deputado, ex-ministro e ex-governador Ciro Gomes, também do PSB, diz que, mesmo que Cid decida apoiar o candidato do PT a prefeito de Fortaleza, o partido tende a não segui-lo.
Em entrevista ao Poder Online quando estava a caminho de mais um ato público do PSB contra o PT local, Ciro disse que a prefeita petista Luizianne Lins tem feito “uma péssima administração” e que nenhum dos
nomes até agora citados por ela para a sua sucessão serão aceitos pelo PSB.
Segundo Ciro, por ciúmes, Luizianne impediu a aplicação de R$ 300 milhões em verbas federais e estaduais em Fortaleza, assim como a instalação de um estaleiro com 2 mil empregos diretos na cidade.
No plano nacional, Ciro diz que o manifesto de insatisfação assinado por 45 deputados do PMDB é apenas um “movimento de vendeta” contra a faxina imposta pela presidenta Dilma Rousseff, que “defenestrou corruptos dos ministérios”.
Os partidos fisiológicos, segundo ele, se aproveitam da diminuição do ritmo de crescimento da economia e das proximidade das eleições para se vingar da presidenta.
– O governador Cid Gomes, seu irmão, parece que está para acertar o apoio ao candidato do PT para prefeito de Fortaleza, não é mesmo?
– Não sei, não. Há muitas variáveis ainda. O Cid está disposto a fechar com o PT desde que seja um candidato também da confiança dele e, sobretudo, capaz de promover uma grande mudança na cidade, promover a retomada do desenvolvimento e a melhoria dos serviços públicos que estão sucateados por aqui.
–  Esses nomes que estão sendo colocados pela prefeita Luiziane Lins?
– Esses nomes que a prefeita Luizianne tem falado? Nem pensar! Nenhum deles.
– Mas há hipótese de o PSB não apoiar o candidato do PT se o governador fechar com a Luizianne?
– Claro que há. O próprio Cid já falou que não terá o controle sobre o Diretório do partido, se não for uma conversa muito bem azeitada do PT com o PSB. O partido está na ponta dos cascos. E o Cid, nesse aspecto
da aliança, tem sido uma voz isolada.
– Mas por quê?
- Porque Fortaleza tem sido muito mal administrada. No campo da Educação, basta lembrar que o ano letivo de 2011 começou em setembro último. É um absurdo! Aqui, todos os diretores de escolas são indicados por vereadores, por cabos eleitorais. Uma coisa do século 19. Dos 184 municípios do Ceará, segundo ranking do Ministério da Educação, Fortaleza está no 180º lugar.
– Verdade?
– Pior. Na Saúde, estamos na 5ª pior colocação no país. Há R$ 300 milhões em obras de saneamento básico cuja utilização foi obstaculizada pela prefeita do PT por mero ciúme. Incluindo aí verbas federais.
– Mas como obstaculizadas?
– De várias formas: ela não dá licença para obras, não emite alvarás… Recentemente, Luizianne impediu a instalação aqui do Estaleiro Promar, que geraria cerca de 2 mil empregos diretos na construção de
embarcações. O estaleiro foi para Pernambuco. É o segundo que está sendo instalado por lá. Tínhamos passado três anos brigando pelo estaleiro e a prefeita, por mero ciúme, porque estava viajando quando a decisão foi tomada, resolveu impedir.
– E no nível nacional, como o senhor está vendo as coisas.
– Está ocorrendo o que eu havia previsto: este é o ano da vendeta. Um ano eleitoral com a economia esfriando, agravado pela goela grande do PT, tudo isto cria o caldo de cultura para a vingança desses
grupos fisiológicos contra a presidenta Dilma Rousseff.
Como assim? Vingança por quê?
– Pela faxina. Por ela ter agido corretamente, defenestrando os corruptos dos ministérios. Aí o PMDB faz manifesto, ameaça rebelar-se. O PDT vota contra o Fundo de Previdência Complementar dos Servidores Públicos, o PR ameaça ir para a oposição. Tudo agravado ainda pelo fato de o ex-presidente Lula estar tão interessado numa vitória em São Paulo. Isso abre mais espaço para o achaque, a turma ficar ameaçando lançar candidato, apoiar o José Serra…
– O senhor falou do esfriamento da economia. Acha que a coisa vai desandar?
– Acho que não ocorrerá nenhuma tragédia, porque a presidenta Dilma tem administrado muito bem as medidas anticíclicas, como a expansão do crédito, do investimento público, a taxação do câmbio… Isso tudo garante que teremos aí 2% a 2,5% de crescimento do PIB este ano. É razoável para a situação em que está a economia mundial. Mas essa turma fisiológica tenta se aproveitar de um crescimento menor da economia para jogar no enfraquecimento da presidenta. E é isto que está acontecendo. Querem se aproveitar para promover a vendeta.
Agora tenho que desligar porque cheguei ao ato público do PSB”.

Para Aécio não se esquecer

4 de outubro de 2010

  

    Por onde anda Leticia Weber - a namorada de Aécio Neves?
Depois de um “incidente”, não confirmado, que pode ter sido o motivo da desistência do então governador de Minas de concorrer a Presidência da República, nunca mais se falou sobre ela.
Ciro Gomes, na época, disse que Aécio estava sendo chantageado.
Sabe-se lá por que motivos, tem gente querendo remexer no caso.
Esse é um assunto que ficará marcado, para Aécio, para o todo e sempre.

TV não mudará resultado

17 de agosto de 2010

    É dura a vida do candidato José Serra.
Veja o que diz a reportagem da ‘Folha’, assinada por Ranier Bragon e Fernanda Odilla:
“A campanha na TV tem histórico de relevantes movimentações na intenção de voto dos candidatos à Presidência, mas até hoje não teve impacto suficiente para tirar a vitória daquele que iniciou o período na dianteira.
Nas cinco eleições presidenciais após a redemocratização -de 1989 a 2006-, saiu vitorioso o candidato que liderava as pesquisas imediatamente antes da entrada da campanha na TV.
A análise das planilhas do Datafolha mostra que se encontravam nessa situação Fernando Collor (PRN) em 1989, Fernando Henrique Cardoso (PSDB) em 1994 e 1998, e Lula (PT) em 2002 e 2006 -em 94, FHC dividia a ponta com Lula, em empate técnico, mas em ascensão.
Apesar disso, a propaganda televisiva coincidiu com períodos de movimentações que em dois casos levaram um cenário de vitória em primeiro turno para o segundo.
Em 1989, Collor abriu o período da propaganda com sete pontos de vantagem sobre todos os principais oponentes somados. No final, havia caído de 40% para 26% na pesquisa. Embolado na terceira posição, Lula praticamente dobrou seu índice e, por margem estreitíssima, derrotou Leonel Brizola (PDT) e foi ao segundo turno.
Nas vitórias de 1994 e 1998, ambas no primeiro turno, FHC tinha mais minutos na programação eleitoral e assistiu no período televisivo a uma ampliação da vantagem em relação a Lula. Já em 2002, Lula iniciou a TV com Ciro Gomes (PPS) como seu principal oponente. Entretanto, Ciro derreteu de 27% para 11% das intenções de voto, desempenho em parte atribuído à exploração na TV de frases polêmicas e da discussão com um eleitor.
José Serra (PSDB), dono da maior fatia eletrônica, acabou indo ao segundo turno.
“O horário eleitoral sepultou as chances de Ciro por conta das bobagens que ele falou”, disse o cientista político Marcus Figueiredo, professor da UERJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro), Autor de estudos sobre o tema, ele diz que a propaganda na TV constrói a imagem dos candidatos e pauta debates, mas que está longe de ser a única variável para que o eleitor defina seu voto.
Na disputa de Lula pela reeleição, em 2006, o petista vencia o conjunto dos principais oponentes por dez pontos no início da propaganda.
Em meio à repercussão do episódio em que petistas foram presos tentando comprar um dossiê antitucano e após faltar ao último debate, na TV Globo, teve que disputar o segundo turno com Geraldo Alckmin (PSDB).
As planilhas do Datafolha mostram não haver padrão sobre o momento da campanha na TV em que as intenções de voto se estabilizam. Houve mudanças, no entanto, no resultado final de outras eleições. Um dos exemplos mais claros é o da eleição de Gilberto Kassab (DEM) à Prefeitura de São Paulo, em 2008. Em 22 de agosto, na semana de início da propaganda na TV, ele tinha 14%, contra 41% de Marta Suplicy (PT) e 24% de Geraldo Alckmin (PSDB)”.

Ciro já lambeu suas feridas

28 de junho de 2010

 Do deputado Ciro Gomes durante a convenção que homologou o irmão Cid para a reeleição ao governo do Ceará:
- Passei três dias lambendo as feridas, pensando que a vida era ingrata. Mas aqueles que decidiram, pensaram no melhor para o País.

Para onde apontam os números

27 de junho de 2010

                                                      Marcos Coimbra*

  Saiu uma nova pesquisa nacional do Ibope, que confirma as que foram feitas recentemente pela Vox Populi e pela Sensus. Os dois institutos já antecipavam o que agora indica o Ibope, talvez por utilizarem amostras mais sensíveis.
Nessa pesquisa, a vantagem de Dilma sobre Serra — ela com 40% das intenções de voto, ele com 35% — é ainda pequena, perto da margem de erro de 2 pontos percentuais, se raciocinarmos com o pior cenário para a candidata do PT (no qual ela teria 38%) e o melhor para o do PSDB (em que ele ficaria com 37%). Como essa conjugação é pouco provável, o mais certo é afirmar que ela assume a dianteira, mas sem se distanciar do adversário.
Se fosse só isso, caberia apenas dizer que a pesquisa é boa para Dilma. Na verdade, porém, ela é melhor do que parece à primeira vista, o que permite dizer que é muito favorável à petista.
De um lado, ela mostra que Dilma continua a crescer tirando votos de Serra, em um processo análogo ao que a matemática chama “jogo de soma-zero”.
Nele, o ganho de um é idêntico ao prejuízo do outro, o que produz um saldo sempre nulo: mais cinco menos cinco é igual a zero.
Na política, isso acontece quando só existem dois candidatos de direito (por exemplo, no segundo turno) ou de fato (como está ocorrendo agora, quando perto de 80% dos eleitores ficam entre Dilma e Serra).
Somente 20% ainda não sabem o que farão ou pensam fazer diferente: votar em outros nomes, anular ou deixar em branco.
Como quase não há alterações nos nulos e brancos e Marina não se mexe, permanecendo estacionada nas pesquisas de todos os institutos há algum tempo, as únicas mudanças se dão entre as pessoas que saem de Serra e vão para Dilma (ou vice-versa, mas em proporção muito menor). Quanto à pequena indecisão residual no voto estimulado, ela decorre da dificuldade que as campanhas têm de atingir algumas faixas do eleitorado refratárias à comunicação política, formadas por eleitores que podem, em muitos casos, continuar tão indecisos até o final que sequer comparecerão para votar.
Para Dilma, o bom, nesse processo, é que, a cada deslocamento de eleitores de Serra para ela, os números dobram. Por exemplo: se Serra perder outros três pontos e ela os receber, a distância entre os dois subirá seis pontos.
Se, então, estiver em curso (como parece) essa tendência, a perspectiva de vitória da candidata do PT no primeiro turno se torna concreta, mesmo imaginando que Marina não mingue e até cresça um pouco. Quanto aos nanicos, alguns respeitáveis, tudo indica que a possibilidade de crescimento é remota.
A segunda razão da nova pesquisa do Ibope ser tão favorável a Dilma é o período de realização. Seu campo foi iniciado no dia seguinte à veiculação do programa do PSDB em rede nacional e prosseguiu enquanto estavam no ar suas inserções, logo após a propaganda do DEM e do PPS, igualmente dedicadas a Serra. O fato de toda essa mídia não ter conseguido, ao que parece, provocar o aumento de suas intenções de voto, era previsível, mas veio como ducha de água fria naqueles que torciam para que melhorassem.
Não havia, no entanto, maiores motivos para imaginar que Serra iria crescer. Como acontecera no fim de 2009 em situação semelhante (quando ele coestrelou com Aécio a propaganda tucana, sem subir), voltamos a ver que seu nível de conhecimento é tão elevado que ele não ganha quando seu tempo de televisão aumenta. Em linguagem publicitária: sua imagem parece ter atingido o ponto de saturação, a partir do qual novos investimentos em propaganda apresentam retorno decrescente ou, quem sabe, negativo (quando há risco de perda de imagem com mais exposição).
Na interpretação amiga de quem deseja que ele vença, houve quem dissesse que foi a Copa do Mundo que o prejudicou, como se o interesse por ela fizesse com que a opinião pública ficasse indiferente à comunicação política enquanto a bola rola. A tese seria admissível se não fosse contrariada por tudo o que conhecemos de eleições passadas, como a de 2002, quando Ciro Gomes cresceu mais de 15 pontos em plena Copa, impulsionado pela propaganda partidária que, desta feita, não ajudou Serra.
Com a perspectiva de encerramento da fase de pré-campanha com Dilma em clara dianteira, a eleição pode se encaminhar para uma definição antecipada: talvez comecemos a etapa final, da propaganda na televisão e no rádio, com a eleição resolvida na cabeça da maioria dos eleitores. Para que isso se confirme, falta pouco.

* Marcos Coimbra, sociólogo, é presidente do Instituto Voz Populi e escreve para o ‘Correio Brasiliense’

Vice de Serra, razões de Aécio

12 de junho de 2010

    O candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, realiza hoje a sua convenção, em Salvador, sem que tenha encontrado, até o momento, o seu companheiro de chapa para a vice-presidência.
Mas pelo menos uma coisa está sendo sacramentada: Aécio Neves não será o vice de José Serra.
Para marcar o fato, teremos hoje um post especial.
1. No dia 17 de dezembro de 2009, o então governador Aécio Neves anunciou que estava abrindo mão da disputa pela Presidência da República. No mesmo dia, esse blog publicou uma nota cujo título era: ‘Aécio não será vice de Serra’.  E, desde essa data até hoje, os principais jornais do país - além de blogs importantes - não fizeram outra coisa a não ser dizer que Aécio seria o vice.
2. Durante 175 dias,  os leitores e eleitores do país foram bombardeados, e iludidos, pelo noticiário dos jornais. Esse blog, no entanto, não publicou - depois do dia 17 de dezembro - uma única linha dizendo que Aécio pensava, ao menos, em mudar de idéia, embora todos tivessem  essa certeza.  Assim,  os que acompanham essas mal traçadas linhas não foram enganados e, melhor do que isso, não perderam o seu tempo.
3.  Com esse assunto sacramentado e, não dando a menor bola sobre quem será o vice de Serra (se ele não dá importância ao vice, por que diabos esse blog deveria dar?) entro em recesso por 13 dias. Eu descanso, e vocês descansam de mim. Volto no dia seguinte ao foguetório de São João.
4.  Aproveito para republicar as três notas do dia 17 de dezembro de 2009, e outra do dia 4 de novembro - onde um fato, certamente, contribuiu para que Aécio não só desistisse da candidatura e, por consequência, não aceitasse ser  vice de alguém que poderia estar por trás do que foi noticiado. 
                      * * *
Dia 17/12/2009 - 19h31m
Aécio não será vice de Serra
E as razões são simples.
1 – José Serra ainda não é candidato à Presidência. E insiste em dizer que só vai se declarar em março. Portanto, Aécio não pode ser vice de si próprio.
2 – Aécio Neves estava disposto a correr o risco de disputar a Presidência. Ele aceitava o jogo do perde ou ganha. Mas perder a Presidência é uma coisa. Ser derrotado para vice são outros quinhentos.
3 - Na imaginação coletiva, existe quase a certeza de que uma chapa Serra-Aécio seria imbatível. Mas e se ela perdesse? Quem seria o principal derrotado? Uma coisa é derrotar Serra, outra é derrotar a dupla.
4 – O melhor que pode acontecer para Aécio é que todos continuem pensando que ele é o melhor nome para vice. Se aceitar o desafio, ele terá de provar. Se continuar em Minas, o imaginário popular dirá que “com Aécio seria diferente”.
5 – Depois da desistência de Aécio, o melhor que poderia acontecer para Serra seria ter o governador mineiro como vice. Mas para Aécio, esse seria o seu maior abacaxi.
6 – Para finalizar: entra na cabeça de alguém que Aécio Neves pode se candidatar a vice-presidência para ajudar a eleger José Serra? O que Ciro Gomes diria dele?
                     * * *
17/12/2009 - 18h55m
Ciro acusa chantagem
Do deputado Ciro Gomes, presidenciável do PSB:
“Aécio Neves deve estar sofrendo todo tipo de constrangimento, especialmente oriundos de clandestinidades e manipulações de setores de mídia, mas o povo mineiro deve anotar tudo isto e reanimar seu jovem governador a voltar à luta”.
O que Ciro diz é gravíssimo.
O que ele diz, na verdade, é que Aécio Neves foi vítima de alguma chantagem. (Veja a nota do dia 04/11/2009)
                   * * *
17/12/2009
Pergunta que não quer calar
Quem foi o primeiro a receber um telefonema de Aécio Neves informando que não ele seria mais candidato à Presidência?
José Serra ou Ciro Gomes?
                   * * *
04/11/2008 - 15h28m
Aécio: “Sou vítima de calúnia”
Deu na ‘Folha’:
“O governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), disse ontem que está sendo vítima de calúnia, referindo-se a comentários que circulam em blogs e no twitter sobre um suposto desentendimento público entre ele e a namorada no dia 25.
Em seu blog no UOL, o colunista da Folha Juca Kfouri divulgou no dia 1º que Aécio deu um empurrão e um tapa na namorada, a modelo Letícia Weber. O desentendimento, disse ele, aconteceu numa festa da Calvin Klein no hotel Fasano, no Rio.
Em entrevista ontem no Palácio da Liberdade, Aécio foi questionado sobre o episódio. “Isso é uma aleivosia [injúria, calúnia] tão grande. Eu me sinto, claro, pessoalmente ofendido por isso, mas prefiro até nem comentar para não validar algo tão distante da minha prática cotidiana”, afirmou.
“Sempre fiz política e vou continuar fazendo no patamar muito superior a esse. E o que eu posso dizer é que é uma calúnia vergonhosa”, disse Aécio.
À Folha Letícia afirmou serem “falsas essas versões”. “Lamento que com essas inverdades estejam tentando atingir um homem que aprendi a admirar e respeitar em dois anos de convívio
                   * * *
E para finalizar.
No dia 31 de outubro, portanto antes desse desabafo público - e no dia seguinte a notícia de Juca Kfouri -  Aécio Neves foi a praia de Jurerê, em Florianópolis, com a namorada Letícia Weber. Lá eles se deixaram fotografar.
No dia 2 de novembro, alguns jornais publicaram a foto, para desfazer a chantagem que estava em andamento .

Nesse mesmo dia,  Fernando de Barros e Siva escreveu na ‘Folha’ um artigo intitulado “As razões de Aécio”, no qual ele explicava porque o governador de Minas insistia em ser o candidato tucano à Presidência. Mas dizia em certo trecho que “o excesso de aventuras na vida pessoal talvez seja seu ponto fraco numa disputa tão dura”.
                    * * *
A chantagem contra Aécio foi tamanha que ele ficou sem condições para a disputa. Por isso a desistência.
Por tudo isso, Ciro Gomes disse, no dia 17 de dezembro, que Aécio sofria “todo tipo de constrangimento, especialmente oriundos de clandestinidades e manipulações de setores de mídia”. Ele não tinha mesmo porque emprestar o seu nome ao beneficiário da chantagem.

Marina: “Somos todos pós-Lula”

6 de junho de 2010

Marina Silva, candidata do PV à Presidência, é a capa da ‘Isto É’. Em longa entrevista aos editores Octávio Costa e Sérgio Pardellas, a senadora disse que não está “nem a direita nem à esquerda, mas à frente” e que levará o Brasil à condição de potência ambiental.
“Junto com o candidato a vice, o empresário Guilherme Leal, Marina explicitou seus planos para o Brasil”. Três das respostas foram dadas por Leal. A seguir, os principais trechos da entrevista:
“- A candidata Dilma Rousseff se apresenta ao eleitor como a extensão do governo Lula. Serra como uma espécie de pós-Lula. E a sra., como se define?
- Eu acho que pós-Lula todos somos. O Brasil está fechando um ciclo de 16 anos em que conseguimos estabilidade econômica e quebramos o paradigma de que primeiro tinha que crescer para depois dividir o bolo. Neste período, se distribuiu e cresceu ao mesmo tempo. Mas o que a gente faz com isso? Considera o fim da história ou, em cima desse acúmulo positivo, se transita para o futuro? Temos dito que não estaremos nem à esquerda nem à direita, estaremos à frente. Porque é disso que o Brasil e o mundo precisam: integrar as conquistas do século XX para transitar para o que chamamos de economia do século XXI.
- A sra. acha que temos condições de fazer isto?
- O Brasil é o país que reúne as melhores condições. Já somos um país industrializado, com uma base de conhecimento e um avanço tecnológico razoáveis, e temos a imensa vantagem de nossos recursos naturais. O Brasil pode ser neste século XXI aquilo que foram os EUA no século passado. Mas para isso precisamos, além de ter essa visão generosa de um país capaz de integrar desenvolvimento e preservação dos recursos naturais, criar o processo e as estruturas adequadas para encaminhar esta visão.
- A sra. se considera a candidata ideal para implementar este futuro?
- Seria muito pretensioso eu dizer que sou a candidata que antecipa o futuro. Mas participo deste movimento que acha que é preciso antecipar o futuro. É o futuro das energias limpas.
- Ao final de quatro anos a sra. acredita que poderá se orgulhar de ter feito o quê?
- Já estou orgulhosa por termos feito o Brasil se posicionar de acordo com as exigências deste século, que já sabe que os recursos naturais são finitos. E já sabe que o nosso grande diferencial é contarmos com 11% da água doce do planeta e 22% das espécies vivas. Temos a maior área terrestre isolada do planeta e uma grande parte agricultável. Eu me sentirei orgulhosa se o Brasil for capaz de se colocar no lugar de potência ambiental.
- E como se caminha para isto? - Precisamos criar uma nova narrativa para os nossos produtos. Basta fazer o dever de casa, passando no teste e não mudando o teste como tentaram fazer aqui. Quando as pessoas falavam que o governador Blairo Maggi tinha se convertido ao ambientalismo, eu passava por cética. É que eu sabia o que estava acontecendo em Mato Grosso. Saí do governo porque o governador de Mato Grosso queria contrapor os dados do Inpe, que acompanha desmatamento com altíssima tecnologia, reconhecida no mundo inteiro, aos de uma Secretaria de Meio Ambiente que tinha acabado de ser criada. O secretário, por sinal, foi agora preso numa operação. Eles estavam fazendo apenas fraude política com a questão ambiental e prejudicando o agronegócio do Brasil. Mas saí vitoriosa e quem fez a opção pelo que dizia o Mangabeira, pelo que dizia o Blairo e pelo que dizia o ministro da Agricultura, se não está politicamente derrotado, eticamente está.
- A sra. ficou chocada com o que enfrentou no governo?
- Não consigo me vitimizar nessa relação. Não quero fazer isso. Nunca vou fazer isso. Eu tinha grandes aliados: os ministros Ciro Gomes, Luiz Dulci, Tarso Genro, Márcio Thomaz Bastos. O ministro da Defesa sempre foi meu aliado também. Seria impossível prender 725 pessoas, fazer 25 operações da Polícia Federal, acabar com 1.500 empresas criminosas, inibir 35 mil propriedades de grilagem na Amazônia se não contasse com uma base de apoio.
- Seu maior enfrentamento não foi com a ministra Dilma, então?
- Não posso reduzir a questão à Dilma. Eu discutia as questões de mérito com os ministros dos Transportes, de Minas e Energia, da Agricultura, do Desenvolvimento Agrário e da Ciência e Tecnologia.
- Nestes momentos a sra. já pensava em sair candidata à Presidência da República?
- Não. Para mim isso se colocou como uma equação a ser resolvida quando o PV me fez oficialmente o convite.
- A sra. guarda alguma mágoa do presidente Lula?
- De jeito nenhum. Aliás, de ninguém, graças a Deus. Tenho carinho, respeito e gratidão por ele. Eu tenho um investimento de 30 anos no presidente Lula, defendendo-o das piores injustiças. Hoje, quando eu vejo minha fé ser atacada como se eu fosse uma pessoa fundamentalista, enxergo a época em que atacavam o Lula.
- Muitos empresários entendem ser incompatível manter a taxa atual de crescimento com essas suas propostas de investir mais em energias limpas, abrindo mão de investimentos como Belo Monte. Como a sra. vê isso?
- É perfeitamente possível. Quem disse que as energias limpas são incompatíveis com a geração de energia?
- Na quantidade necessária?
- Sim, a nossa maior fonte de geração, 64%, é hidroeletricidade.
- E por que não Belo Monte?
- A pergunta é: foram resolvidos os problemas de Belo Monte? Há 20 anos que a índia Tuíra botou o facão no pescoço do diretor da Eletrobras e os mesmos problemas seguem ali presentes. Não ouviram as comunidades indígenas, não resolveram os problemas de impacto ambiental em relação ao rio Xingu. Vai um contingente de 100 mil pessoas só para fazer a obra. E agora ainda apareceu a questão da viabilidade econômica do empreendimento. Ele é praticamente subsidiado pelo governo. Não adianta a gente fazer vista grossa para os problemas reais que Belo Monte tem.
- Há alguma hidrelétrica que a sra. aceita como modelo?
- Todas têm impacto ambiental. O problema é a capacidade de suporte dos ecossistemas em relação a esses impactos. Há um empreendimento pequeno, São Salvador, para 400 megawatts, que levou seis meses para a gente licenciar. Os estudos de impacto ambiental eram exemplares, foram benfeitos.
- Mas há algum exemplo de maior porte?
- Vários empreendimentos que foram viabilizados na minha gestão. O mais complexo foi a usina do Madeira. Quando cheguei tinha 45 obras na Justiça e resolvemos todos. Depois da minha saída, o presidente do Ibama estava com 17 processos.
Guilherme Leal - Eu queria qualificar essa questão do crescimento. Acho que não se advoga crescimento igual ao da China. O Brasil não está preparado para crescer a taxas de 7% a 10%. Nós não temos poupança de investimento para sustentar crescimento a esses níveis. Quem disser que é capaz de virar esta equação é populista.
- O Partido Verde tem quadros suficientes para dar resposta a esses desafios?
- A sociedade brasileira tem e isso é uma das coisas que estamos inovando. Se formos pensar só no nosso partido, obviamente não temos. Mesmo o PT, que possui 1,6 milhão de filiados, precisou buscar quadros como Meirelles, Furlan, Roberto Rodrigues…
- A sra. quer PT e PSDB no seu governo?
- Eu diria que há excelentes quadros em ambos e que ninguém poderia abrir mão deles.
- A sra. teve uma infância duríssima e um histórico de doenças, com cinco malárias, três hepatites, uma leishmaniose e ainda contaminação por mercúrio. Como está sua saúde hoje?
- Graças a Deus está muito bem. Tenho saúde para ser presidente da República. De fato, enfrentei vários problemas na minha vida. Hoje estou bem, graças a Deus e a tantos médicos e à ciência que me ajudou. Eu inclusive tenho uma gratidão enorme pelo Estado de São Paulo. Todas as vezes que os médicos diziam que não tinha jeito para mim, na minha inocência, mas também por intuição, eu pensava: São Paulo tem médico bom que vai me ajudar. Quando, aos 19 anos, um médico previu minha morte, eu, uma menina ainda muito tímida, falei que queria sair do hospital. Assinei os documentos e vim para São Paulo, para o Hospital São Camilo.
- Como o presidente Lula a sra. teve uma origem humilde, mas, diferentemente dele, sempre estudou, buscou se aprimorar. Como a sra. compara estas situações?
- São trajetórias diferentes, com oportunidades diferentes e que não podem ser comparadas. É assim mesmo: os seres humanos são diferentes e únicos no mundo. A vantagem do presidente Lula é que ele é uma pessoa fenomenal ou não estaria onde está. Como lideranças, a gente tem que manejar o tempo todo essa coisa do exemplo que está passando para as pessoas…
- Em alguns discursos, o presidente parece elogiar a falta de estudo…
- Quando ele faz isso obviamente não é educativo. Mas também se eu disser: Olha, é possível, se você estudar, se você se esforçar, virar ministro, virar Pelé igualmente não seria educativo. Sou uma exceção e a educação tem que ser a regra de oportunidade para todas as pessoas. Vim de um seringal que tinha cerca de 300 famílias e apenas uma pessoa, entre todas, conseguiu fazer faculdade, começando pelo Mobral aos 16 anos. Logo, eu não posso usar isso como uma regra. Foi uma pequena fresta que caiu para uma pessoa em um palheiro, o que só prova uma coisa: se as crianças tiverem educação de qualidade, da educação infantil à universidade, todos têm as mesmas potencialidades. Muitas pessoas às vezes tentam até me usar: Eles são preguiçosos, veja você como conseguiu, venceu. Eu não posso me prestar a esse tipo de coisa.
- E em relação ao presidente Lula?
- Às vezes, na tentativa de comunicar, ele simplifica demais as questões e desfavorece essa coisa educativa. Mas não quero ser injusta com Lula. Estamos falando aqui de análise de discurso. Para que não pairem dúvidas sobre o que eu penso: foi no governo Lula que saímos de 600 mil vagas nas universidades para mais de um milhão. O governo dele criou muitas oportunidades para muita gente.
- Um dos papéis do vice na campanha é alinhavar um pouco de apoio empresarial à candidatura. Como isso está acontecendo, qual a receptividade?
Guilherme Leal - Não estou na função de arrecadador para a campanha. Mas obviamente uma campanha não se faz sem recursos. Eu acho que a sociedade brasileira, incluindo o empresariado, percebe na candidatura Marina Silva a relevância de um projeto novo para o País. Acredito que esse empresariado está disposto sim a aportar recursos para fazer com que essa campanha possa prosperar. Claro, não nos consideramos os primos ricos dessa família de competidores. Sabemos que corremos por fora, que temos 12% das pesquisas e isso tem um rebatimento nos recursos de campanha.
- Quanto o sr. vai doar para a campanha?
Guilherme Leal - Esta é uma pergunta que não tem resposta, até porque a doação não está absolutamente definida.
- A sra. vai aceitar doação de bancos e de empreiteiras? Há algum limite estabelecido?
- Temos feito essa discussão. Queremos que tudo seja transparente e, em hipótese alguma, a função do Guilherme nesse processo pode ser reduzida a isso. Ele é uma liderança, um dos melhores filhos do setor empresarial brasileiro.
- E um canal privilegiado para o setor empresarial?
- Exatamente. É alguém que foi capaz de antecipar o futuro, há 30 anos, com uma pequena empresa. Mostrou que era possível juntar valores a um empreendimento próspero. Queremos muitos contribuindo com pouco e alguns, na medida do possível, contribuindo com um pouquinho mais. Toda vez que eu pego carona no avião do Guilherme ele doa a hora-voo para o Partido Verde para não ficar essa história de que Marina está pegando carona no avião do Guilherme.
- Qualquer doador é bem-vindo?
- Se o Blairo Maggi, por exemplo, quisesse doar para mim, eu não ia aceitar.
- Tem que ter ficha limpa para a doação?
- Você também não pode presumir nenhum tipo de condenação. Mas indústrias de armamentos decidimos que não. É uma questão simbólica, porque defendemos uma cultura de paz. A indústria de tabaco também não.
- De uma empresa como a Vale do Rio Doce, a sra. aceitaria contribuições?
- Acho que sim. Aceitei a contribuição da Vale para fazer a conferência do meio ambiente. Não é uma empresa marginal. É uma mineradora que faz coisas de forma correta, sustentável, que não invade terra de índios, não vejo problema.
Guilherme Leal - Quem contribuir para a campanha da Marina não receberá medalha de bom cidadão, nem certificação, nem direito a qualquer retorno. Este é o critério.
- Qual é seu plano para a educação?
- O Brasil está à beira de um apagão de recursos humanos. Faltam engenheiros, geólogos, químicos. Falta gente inclusive para os investimentos do pré-sal. Hoje as empresas já estão cheias de pessoas que vêm da China, da Índia. Um país começa a se desqualificar para o futuro quando não é capaz de suprir os empregos qualificados com seus próprios filhos. Nosso país ainda tem 15 milhões de jovens analfabetos. Aqui o professor não é valorizado, não temos um processo de formação continuada. Se você fizer um concurso para juiz, pode ser no cafundó do Judas, que a pessoa vai lá e toma posse. Agora, um professor não consegue ser deslocado nem para o bairro periférico mais próximo do centro de São Paulo. Na classe média, quando um sonhador diz que quer ser professor, os amigos tentam dissuadi-lo.
- O que é necessário para mudar isto?
- O professor necessita de tripla valorização: uma valorização simbólica do papel do professor, a remuneração e a qualificação. E as escolas precisam ser premiadas pela melhora que conseguem em relação a si mesmas. Com isto se evitaria um ciclo vicioso: só vai dinheiro para qualificação das escolas que já têm melhor desempenho. As de desempenho pior são castigadas. E sem apoio vão ficar ainda piores. Devemos dar uma cesta de oportunidades para todas e se a escola, em relação a si mesma, melhorar, se aumentam os recursos para ela.
- E os recursos para isto?
- Estamos falando em aumentar, de cara, o investimento em educação que hoje é de 4% do PIB para 5%. E até 2014 chegarmos a algo em torno de 10%. Temos um dreno de 3% do PIB só com a corrupção.
- Que métodos a sra. utilizaria para acabar com a corrupção?
- O combate à corrupção depende de duas coisas: de pessoas virtuosas para criar instituições virtuosas e de instituições virtuosas para corrigir as pessoas quando elas falham em suas virtudes, porque todos falhamos. Então é necessário um Tribunal de Contas independente, um Ministério Público atento e um Congresso com autonomia para fazer essa fiscalização.
- A sra. já falou que Dilma, Serra e Lula extrapolam a lei na campanha eleitoral. Essa constante transgressão que se vê está ligada à cultura da impunidade que costuma permear o meio político?
- É isso que eu falo: a virtude das pessoas é a virtude das instituições. Mas temos um problema: o hiato entre a pré-campanha e a campanha. Não há uma lei que regulamente como deve ser o comportamento até a oficialização do nome na convenção. E, na falta do regramento, as pessoas vão pela linha cinzenta de extrapolar, o que não poderia acontecer, principalmente quando se trata do presidente da República.
- Como a sra. vê a política pública de combate às drogas no Brasil?
- No caso do crack, o governo acabou de lançar um programa que é muito baseado nas contribuições que foram apresentadas em setembro do ano passado ao ministro Tarso Genro pelo Luiz Eduardo, que é um dos meus coordenadores na parte de segurança. Eu defendo, inclusive, uma reforma na segurança pública no Brasil. Sem isto vamos ficar fazendo puxadinho em cima de puxadinho, enquanto a base está deteriorada.
- E em relação à maconha?
- Existem pessoas sérias que defendem a liberalização da maconha. Eu defendo que se faça um plebiscito para que a população possa debater esse assunto. Eu não faço um discurso moralista para cima dos que defendem, como se fossem pessoas degradadas que estão propondo destruir os nossos jovens. Não, são pessoas sérias, como o ex-presidente Fernando Henrique, o Gabeira e tantos outros. Mas eu acho que a maconha também é uma porta de entrada para outras drogas.
- Sobre a questão do aborto e da união entre pessoas do mesmo sexo a sra. também fará um plebiscito?
- Essa questão não tem como ser apenas prática. É por isso que entra o plebiscito. O que está colocado aí é a questão da vida da mulher que faz isso e também da vida que a sociedade protege como um princípio. Temos todos esses aspectos filosóficos, morais, éticos, científicos.
- A sra. tem arrebatado muito apoio, mas nas pesquisas seus índices não têm se alterado muito. A sra. acredita numa virada?
- No livro Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, o personagem diz sobre uma moça: Bonita, porém coxa. Mas por que coxa se bonita? Mas por que não bonita se coxa? Parece isso quando falam que eu arrebato, mas não tenho voto. Por que arrebata se não vota? Por que não vota se arrebata? Nós estamos apenas no começo e 12% nesse começo é muita coisa. O presidente Lula está há três anos falando da Dilma. O governador Serra era candidato desde que perdeu e o Ciro Gomes estava até um dia desses empatado comigo. É um bom começo”.

Aécio e Tasso contra Serra

2 de junho de 2010

 Aécio Neves nada fará pela campanha de José Serra à Presidencia,  e ainda está de molecagem com o candidato.
Ontem, em São Paulo, ele disse que, dentro do PSDB, o senador Tasso Jereissati é a melhor opção para a vice.
Ele sabe muito bem que Tasso - até mais do que ele -  quer distância do tucano.
Ambos pelas mesmas razões.
Ciro Gomes é super amigo dos dois, e seria traição trabalhar pela eleição do inimigo nº 1.

As normas escritas e as outras

23 de maio de 2010

Do sociólogo Marcos Coimbra, presidente do Vox Populi, para o ‘Correio Brasiliense’:
“Nossa legislação eleitoral é confusa, efêmera, artificial. Em alguns aspectos, é tão detalhista que parece obcecada com pulgas; em outros, é tão omissa que deixa escapar elefantes
Quando nossas elites resolverem fazer a prometida reforma política, bem que poderiam começar pela revisão da legislação eleitoral. Há muita coisa que repensar nas normas que regem o funcionamento do sistema político como um todo, mas talvez não haja capítulo onde a necessidade de amplas mudanças seja tão evidente quanto no que ordena as eleições.
Nossa legislação eleitoral é confusa, efêmera, artificial. Em alguns aspectos, é tão detalhista que parece obcecada com pulgas; em outros, é tão omissa que deixa escapar elefantes. Se os políticos trocam (ou trocavam) de partido como trocam de camisa, os legisladores trocam as leis eleitorais (ou os tribunais ao aplicá-las) como os estilistas trocam (ou trocavam) a altura das saias a cada temporada.
Quando o vento sopra a favor do liberalismo, temos regras brandas. Quando o clima é propício ao endurecimento, ficam severas. Uma hora, pode-se tudo; outra, nada.
Afinal, o que é permitido e o que é proibido fazer nos horários que a legislação concede aos partidos políticos na televisão e no rádio a cada semestre? Destinados à divulgação das ideias e das propostas de cada um, até onde são livres para estabelecer o que vão dizer?
Há um paradoxo na pergunta. Se um partido político representa o pensamento de uma corrente de opinião suficientemente expressiva para ultrapassar as barreiras que existem para impedir que qualquer um possa fazer o mesmo, quem teria o direito de proibi-lo de falar o que quiser? Respeitados os princípios constitucionais básicos, ele poderia tudo.
Se o PT quer usar seu tempo de televisão para falar bem de Dilma, como fez, por qual razão não poderia? Se o PSDB quiser usar o seu para elogiar José Serra, como fez, estaria proibido?
A resposta que não podem, porque as leis não deixam, nos leva a pensar na legislação vigente. No caso, nas leis que definiram esse absurdo lógico em que nos metemos, de desejar o fortalecimento dos partidos e pouco fazer para alcançá-lo.
Sua primeira formulação aconteceu, talvez não por acaso, alguns meses antes do Ato Institucional nº 2, de 1965, que violentou o sistema partidário brasileiro, extinguindo os partidos existentes e inventando um bipartidarismo que nunca funcionou. Em julho daquele ano, foi promulgada a Lei nº 4.737, que, pela primeira vez, reservava horários na televisão para a “propaganda permanente do programa dos partidos”. Nela, também foi fixado que os candidatos só poderiam fazer propaganda após “a respectiva escolha em convenção”.
Foi, assim, há 45 anos, em plena ditadura militar, que criamos os fundamentos das regras esdrúxulas que temos. Delas, exalava uma óbvia resistência aos partidos e à atividade política, coerente com os tempos que o país vivia. Incoerente é sua sobrevivência na democracia.
As regras são tão sem sentido que, faz muito tempo, ninguém as leva a sério. Desde a redemocratização, os tribunais decidiram deixar que os partidos usassem seu tempo de televisão com liberdade, assim como fizeram vista grossa ao descumprimento da ficção de que as campanhas só começam depois das convenções.
Por isso, todas as eleições que fizemos de 1989 para cá foram marcadas pelo uso eleitoral dos horários partidários na televisão, como é natural que acontecesse. Collor se elegeu os utilizando com competência, como Fernando Henrique e Lula. Todas as campanhas presidenciais, bem como as de governador e de prefeito, foram antecedidas pelo seu aproveitamento na apresentação ou consolidação de candidaturas.
Essas foram as normas reais que prevaleceram nos últimos 20 anos, mesmo que as velhas normas escritas não tivessem sido formalmente revogadas. Todos os partidos, sem exceção, seguiram o figurino. Como nestas eleições. Ciro, Marina, Serra (na época com Aécio) e Dilma foram as estrelas dos horários e inserções de seus partidos. Alguém adivinha por quê?
Agora, há quem se diga indignado com o recente programa do PT, veiculado há duas semanas. Talvez quem suponha que foi por causa dele que Dilma subiu nas pesquisas e parece próxima de ultrapassar Serra. Ou seja, quem não entende por que ela cresce.
Nele, no entanto, nada houve além da observância das normas aceitas, ainda que não escritas, de nosso sistema político. E, quem sabe, das que poremos escrever um dia, quando resolvermos reduzir o nível de hipocrisia que existe hoje”.

Serra elogia Ciro, acredite se quiser

19 de maio de 2010

Da repórter Catia Seabra, da ‘Folha’:
“Interessado em herdar os eleitores órfãos de Ciro Gomes (PSB), o pré-candidato do PSDB à Presidência, José Serra, elogiou ontem, no Ceará, seu antigo desafeto.
Em entrevistas a rádios do Estado, Serra não só chamou Ciro de “homem honesto, batalhador” como acenou com a possibilidade de “parceria” com o governador do Estado e irmão do deputado, Cid Gomes.
Embora as divergências pessoais com Ciro sejam conhecidas, Serra disse que se restringiam ao campo político.
“Eu pessoalmente não tenho nada contra a pessoa do Ciro. Considero-o um homem honesto, batalhador. Tem muito espírito de luta. Nem sempre a gente está de acordo sobre o que fazer”, afirmou ele.
Em visita de dois dias pelo Estado - onde o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) costura um acordo tácito com Cid -, Serra disse que avaliza a negociação do partido.
“O pessoal toca e me diz o que é necessário fazer e eu faço. O que o PSDB e o DEM estabelecerem que é a trajetória eu vou topar”, disse ele, afirmando, depois, que se sentiria constrangido em pedir votos para Cid.
O tucano prometeu que, se eleito, dará continuidade às obras reivindicadas por Cid.
Num momento em que a rival Dilma Rousseff esboça reação nas pesquisas, Serra admitiu: “Essa será uma campanha difícil. Estou otimista, mas será uma parada. Quando me lanço, me jogo de corpo e alma”.