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Caetano e Betânia com Marina

23 de maio de 2010

Do repórter Bernardo Mello Franco, da ‘Folha’:
“Porta-voz de temas da moda, como o ambientalismo e o consumo consciente, a senadora Marina Silva (PV-AC) virou a queridinha dos artistas na corrida presidencial.
Ela tem atraído a adesão de estrelas desiludidas com o PT, que não se animam a votar na candidata do presidente Lula, Dilma Rousseff, e rejeitam o PSDB de José Serra.
O movimento, espontâneo, é encabeçado pelos doces bárbaros Caetano Veloso, Gilberto Gil e Maria Bethânia. Em 2002, todos apoiaram Lula contra Serra. Oito anos depois, decidiram “marinar”.
“Marina é novidade com beleza. É disso que artistas gostam”, diz Caetano. “Não dá para ver uma mulher tão elegante, coerente, sincera e honesta e não querer dar-lhe o cargo mais alto”.
Depois de definir a senadora como uma mistura de Lula e Barack Obama, o cantor diz que ela representa a “continuação do amadurecimento político brasileiro”, um passo além de Lula e Fernando Henrique Cardoso.
“Votar em Dilma por lulismo é regressão. Votar em Serra pode representar apreço pela alternância do poder, mas é não querer sair do elenco já dado”, justifica.
Ministro da Cultura de Lula por cinco anos e meio, Gil foi a estrela da festa de lançamento da pré-campanha de Marina, domingo passado.
Cantou, chamou a senadora de “cabocla decidida e dedicada” e afirmou que ela encarna a “dimensão espiritual profunda do nosso povo”. “Meu coração pediu assim”, resumiu ele, filiado ao PV.
Avessa aos palanques, Bethânia quebrou uma tradição para declarar a escolha. “Não escondo de ninguém que meu voto é dela. De Marina e da floresta amazônica”, disse, via assessoria.
Ela já havia indicado a preferência em outubro passado, em entrevista à revista “Bravo”. “Marina me arrebata. É nobre, firme, sóbria e passou pelo governo federal sem se manchar”, disse.
“Jurei que não votaria mais em candidato nenhum, nem do Executivo nem do Legislativo, mas a Marina talvez me anime a voltar atrás.”
A quarta integrante dos Doces Bárbaros, Gal Costa, não respondeu. Em 1989, ela cantou o jingle “Lula-lá” na TV. Hoje, diz uma assessora, prefere não falar de política.
A “onda verde” contagia outros expoentes da MPB, como a cantora Adriana Calcanhoto, que cantou e discursou na festa da pré-campanha em Nova Iguaçu (RJ).
A presença dos artistas indica que Marina deve explorá-los fartamente no horário eleitoral gratuito. Em 2008, o PV usou e abusou de Caetano na campanha de Fernando Gabeira à Prefeitura do Rio. Na reta final, o cantor parecia ocupar mais tempo dos programas que o candidato.
A ausência de Lula, que concorreu nas últimas cinco eleições presidenciais, favorece a migração dos artistas. Mesmo os mais fiéis ao presidente, como Chico Buarque, admitem não sentir grande entusiasmo pela candidata que ele escolheu.
“Vou votar na Dilma porque é a candidata do Lula e eu gosto do Lula. Mas, a Dilma ou o Serra, não haveria muita diferença. Não vai fugir muito do que está sendo traçado aí”, disse, à revista francesa “Brazuca”.
No fim de abril, o maestro Wagner Tiso convidou artistas para um café com Dilma no Rio. O evento foi pouco concorrido. Assinaram a lista de presenças a atriz Cristina Pereira e o sambista Marquinhos de Oswaldo Cruz.
Apesar do crescimento nas pesquisas, a petista enfrenta resistência semelhante no meio acadêmico. Intelectuais que votavam em Lula, como Leandro Konder, Chico de Oliveira e Aziz Ab”Saber, anunciaram apoio a Plínio de Arruda Sampaio (PSOL).

 

Lucélia Santos fica fora da campanha
“Na contramão dos Doces Bárbaros, a estrela que foi símbolo da fundação do PV, em 1986, quer passar longe da campanha de Marina.
Precursora do ambientalismo no país, a atriz Lucélia Santos diz ter se desiludido com a política partidária.
“Não pretendo participar de campanhas. Não acredito nesse sistema político e não milito no PV ou em partido algum”, afirmou, por e-mail.
No lançamento de Marina, um telão exibia imagens da artista ao lado de Alfredo Sirkis e Fernando Gabeira. Ela foi citada pelo locutor, mas não compareceu.
A atriz diz aprovar em parte o governo Lula, mas avalia que sua gestão é “muito diferente” das “ambições transformadoras” que levaram artistas a apoiá-lo.
Apesar de rejeitar uma participação na campanha, ela disse admirar Marina. “É uma querida da minha vida. Nos conhecemos no Acre, com o Chico Mendes”, contou. “É sem dúvida a candidata mais próxima a mim”.

NYT: “Marina abala cenário”

31 de agosto de 2009

Deu no ‘New York Times’, segundo matéria de hoje do ‘Estadão’:
“A entrada de Marina Silva na corrida sucessória de 2010 como possível candidata à Presidência pelo PV foi destaque no jornal americano The New York Times deste fim de semana. Em uma reportagem intitulada “Uma criança da Amazônia que mexeu com a política de um país”, o diário traça o perfil da parlamentar do Acre e diz que a sua pré-candidatura “abala” o atual cenário eleitoral brasileiro.
Publicado no sábado, o texto conta a história “de uma mulher humilde que superou a pobreza extrema e a doença para se tornar uma das maiores forças da política brasileira”. Sustenta que a sua mudança de partido e a eventual candidatura representam “uma inspiração para o povo brasileiro” em sua busca por um presidente para substituir Luiz Inácio Lula da Silva.
O jornal chega a fazer uma comparação entre as origens humildes de ambos e lembra que sua vitória nas urnas representaria uma nova conquista histórica para o País. O texto aborda a sua infância sofrida, a perda da mãe, a hepatite, as doenças da floresta, a chegada à faculdade em Rio Branco e as lutas ao lado de Chico Mendes e suas conquistas como ministra do Meio Ambiente e senadora. “Um ícone do movimento ambientalista”, destaca.
O New York Times aponta a candidatura de Marina como de oposição ao nome escolhido por Lula para a sucessão, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff”.