Chávez “planando como um condor”
1 de março de 2012    Do Globo Online:
    “O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, rompeu seu silêncio na quarta-feira após retirar em Cuba uma nova lesão supostamente maligna na mesma região onde foi detectado um câncer em junho passado. Via Twitter, Chávez disse estar se recuperando bem e planando como um o condor.
“Envio a vocês todo o meu amor supremo. Nós viveremos e nos recuperaremos”, escreveu entusiasmado o lÃder socialista de 57 anos na rede social, “Aqui vou eu, planando como o condor”.
Apesar de uma avaliação otimista oficial do procedimento realizado na última segunda-feira em Cuba, algumas fontes, incluindo o jornalista e blogueiro venezuelano Nelson Bocaranda, sugerem que o estado de saúde de Chávez é pior do que o anunciado por Caracas.
Exames realizados no hospital Cimeq, o mais renomado de Havana, mostraram que os esteroides usados pelo presidente da Venezuela para melhorar sua aparência durante o tratamento de câncer e voltar a fazer aparições públicas pioraram seu quadro de saúde, revelou na quarta-feira Bocaranda, em sua página na internet.
Segundo Bocaranda, na avaliação de um médico brasileiro que faz parte da equipe responsável pelo acompanhamento do caso do presidente, o uso deste recurso foi contraproducente. De acordo com o blogueiro, essa é também a análise de outros oncologistas do Hospital SÃrio-Libanês, em São Paulo, que atribuem ao abuso desse elemento o rápido avanço do tumor encontrado. E, com base nessa interpretação, o presidente não poderá, ao menos por enquanto, fazer uso de esteroides para melhorar o semblante em eventos públicos.
Bocaranda relata que Chávez teria sido submetido a duas cirurgias, a primeira seria uma intervenção cirúrgica para aprimorar o diagnóstico, e a segunda, de extração da lesão, realizada na manhã de terça-feira. Ele afirma ainda que foram feitas várias biópsias de diferentes órgãos. O jornalista conta que, com o resultado dos exames, a equipe médica verificará se será necessário retomar as sessões de quimioterapia a partir de abril. Essa opção representaria uma real preocupação para o comando de campanha do candidato à reeleição, pois os efeitos do coquetel quÃmico ficariam bastante evidentes.
Especialistas afirmam que enfrentar o câncer pela segunda vez pode, de um lado, despertar uma onda de solidariedade em relação ao presidente, mas, de outro lado, caso pareça enfraquecido pelo tratamento, pode torná-lo vulnerável a dúvidas sobre sua capacidade de governar em um novo mandato de seis anos”.