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Oscar Niemeyer por Oscar Niemeyer

6 de dezembro de 2012

Sobre a arquitetura:
“Não existe Arquitetura bonita ou feia. Existe Arquitetura boa e ruim”.
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“Sem ela -a intuição - não se faz nada. O ensino de hoje está roubando a intuição das crianças. Um garoto de 10 anos pode ser capaz de criar um painel fantástico. No entanto, ele é levado a lidar com esquemas prontos, a obedecer aos professores, a cair na rotina. No fundo, ninguém entende de Arquitetura, porque ela é subjetiva, tem mistérios e minúcias que não são dados a revelar”.
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“Estou me lixando para o cliente”.
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“A gente tem que sonhar, senão as coisas não acontecem”.
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“Camus diz em O Estrangeiro que a razão é inimiga da imaginação. Às vezes,você tem de botar a razão de lado e fazer uma coisa bonita”.
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“A vida pode mudar a arquitetura. No dia em que o mundo for mais justo, ela será mais simples”.
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“Projetar um conjunto de prédios é sempre estimulante, apesar de mais complexo, porque as formas de um têm a ver com as de outro, formando a unidade arquitetural. O projeto de Niterói está bem resolvido. É um conjunto que se abre para o mar, com uma vista fantástica e uma praça sem igual no Brasil. É importante fazê-lo”.
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“Não é o ângulo reto que me atrai. Nem a linha reta, dura, inflexível, criada pelo homem. O que me atrai é a curva livre e sensual. A curva que encontro nas montanhas do meu País, no curso sinuoso dos seus rios, nas ondas do mar, nas nuvens do céu, no corpo da mulher preferida. De curvas é feito todo o Universo - o Universo curvo de Einstein”.
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“Quando uma forma cria beleza tem na beleza sua própria justificativa”.
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“Nem os meus amigos, que me ajudaram muito, como o JK, entendiam. As pessoas viam os projetos e diziam: que bonito! Mas não estavam entendendo nada”.
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“Se a reta é o caminho mais curto entre dois pontos, a curva é o que faz o concreto buscar o infinito”.
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“Não posso me queixar. Até que tenho tido trabalho”.

Sobre a vida:
“A vida é mais importante do que a arquitetura”.
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“Solidariedade justifica o curto passeio da vida”.
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“O homem tem de ser modesto; tem de olhar para o céu”.
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“Nunca acreditei na vida eterna. Sempre vi a pessoa humana frágil e desprotegida nesse caminho inevitável para a morte… Às vezes, muito jovem, o espiritismo me atraía, logo dissolvido pelo materialismo dialético, irrecusável. Se via uma pessoa morta, meu pensamento era radical. Desaparecera, como disse Lacan, antes de morrer. Um corpo frio a se decompor, e nada mais”.
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“Cem anos é uma bobagem. Depois dos 70 a gente começa a se despedir dos amigos. O que vale é a vida inteira, cada minuto também, e acho que passei bem por ela”.
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“Como explicar que cruzar os braços é um problema e que a vida dura só um minuto?”
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“A vida é um sopro. Por isso, não há motivo para tanto ódio”.

Sobre a miséria e a solidariedade:
“A Humanidade precisa de sonhos para suportar a miséria; nem que seja por um instante”.
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“A miséria existe. E a burguesia brasileira, que é das mais atrasadas, está sentindo isso na pele pela primeira vez. A chance de mudança está aí, nesta situação-limite. E há o inesperado, com o qual devemos contar. Um dia, lá em Paris, Sartre me disse que gostava de ter dinheiro no bolso para dar esmola. O sujeito chegava, Sartre dava um dinheirinho e quase agradecia por isso. Mudei minha opinião sobre a esmola. Como dizia o padre Teillard Chardin, quando ser for melhor que ter, estará tudo resolvido no mundo”
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“Desejo ver um mundo melhor, mais fraternal, em que as pessoas não queiram descobrir os defeitos das outras, mas, sim, que tenham prazer de ajudar o outro”.
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“O importante não é sair da escola como profissional competente, mas estar consciente dos problemas da vida, desta miséria imensa que precisa ser eliminada”.
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“No dia em que o mundo for mais justo, a vida será mais simples”.
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“Se eu fosse jovem, em vez de fazer Arquitetura, gostaria de estar na rua protestando contra este mundo de merda em que vivemos. Mas, se isso não é possível, limito-me a reclamar o mundo mais justo que desejamos, com os homens iguais, de mãos dadas, vivendo dignamente esta vida curta e sem perspectivas que o destino lhes impõe”.
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“Urbanismo e arquitetura não acrescentam nada. Na rua, protestando, é que a gente transforma o País”.
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“Os caminhões de operários vinham de toda parte do Brasil querendo colaborar, pensando que iam encontrar a terra da promissão, e estão lá nas cidades satélites, tão pobres quanto antes. Não basta fazer uma cidade moderna; é preciso mudar a sociedade. Isso é que é importante”

Sobre o comunismo:
“Enquanto existir miséria e opressão, ser comunista é a solução”.
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“A luta por uma sociedade mais justa não pode se perder no tempo”.
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“Ser comunista é ser realista. A própria história da vida nasce e morre, são os minutos que ela dá. Mas é uma razão para a gente andar de mãos dadas, trabalhar”.
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“Ser comunista, hoje, é ser um indivíduo simples, justo e solidário. O mundo que está aí me preocupa. Quando as torres gêmeas desabaram em Nova York, no 11 de setembro, eu tomava café em um bar do Rio. Vendo as imagens na TV, pensei em como somos pequenos no Universo. O homem precisa tomar consciência disso e parar de produzir injustiça”.
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“É tolice dizer que as coisas são imutáveis. Tudo pode ser mudado. Só aquilo no qual acredito e certas convicções permanecem as mesmas”.
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“Quando a vida se degrada e a esperança sai do coração dos homens, só a revolução”.
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“Lógico que ainda acredito no Comunismo. Não sou cretino. É uma idéia que está no coração de todo mundo”.

Sobre Brasília:
“O ruim de Brasília é que quando a gente chega lá percebe que a cidade está inacabada”.
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“Lembro, com prazer, que desenhei as colunas do Palácio da Alvorada, e com prazer maior ainda as vi depois repetidas por toda parte. Era a surpresa arquitetural contrastando com a monotonia existente”.
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“Quando alguém vai à Brasília, eu pergunto se viu o Congresso Nacional, e pergunto, depois, se gostou; se achou que o projeto era bom. Certo de que poderia ter gostado ou não, mas que nunca poderia dizer que tinha visto antes coisa parecida”.

Sobre a glória:
“Não acredito em momento de glória: somos insignificantes demais para pensar nessas coisas”.

Sobre a direita:
“A direita quer manter este clima de poder, de injustiça social e de subserviência ao império norte-americano”.
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“O Bush, no fundo, é um idiota que tem as armas na mão, e delas se serve para levar o terror às áreas mais desprotegidas. Representa o Capitalismo, que, decadente, tudo faz para subsistir”.
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“Às vezes, é preciso a noite para surgir o dia. O inesperado comanda a história, o mundo. Para pior ou para melhor. Lembro que estava em um restaurante conversando com amigos na véspera de as torres de Nova York - WTC - serem derrubadas. Eu falava sobre o inesperado, e no dia seguinte ele aconteceu, mudando tudo. Não houve o Hitler? Agora não há o Bush? Um abutre. É péssimo. Tenho a impressão de que a guerra é inevitável”.

Sobre ele mesmo:
“Não leio nada do que escrevem sobre mim, embora existam 30 ou 40 livros. Prefiro ler um livro de Georges Simenon”.
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“Quando olho para trás vejo que não fiz concessões e que segui o bom caminho. Isso é que dá uma certa tranqüilidade”.
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“Eu diria que sou um ser humano como outro qualquer, que vim. Deixo a minha pequena história que vai desaparecer como todas as outras”.
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“Sou pessimista. Não como Schopenhauer. Eu me identifico com a linha do Nietzsche, do Sartre. A vida não tem perspectiva. O importante é a gente estar dentro da realidade, saber que tudo é um minuto e não vale a pena estar brigando. Sempre digo que todos têm um lado bom. Isso ajuda a viver. A minha preocupação é ajudar as pessoas, ser útil, reconhecer que a vida é um espaço curto e que estamos no mesmo barco”.
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“Há o pessimismo que bate quando estou sozinho e penso no mundo. Mas se é para ir a uma festa em que há mulheres bonitas, o pessimismo desaparece. A vida está correndo. Tenho momentos de tristeza, de prazer, de saudade… Faz parte”.

Sobre as suas memórias:

“Fiz o que quis. Juscelino Kubitschek nunca me disse para projetar cúpulas no Congresso, rampa no Planalto, parlatório - Até que ficou direitinho. Se não houvesse parlatório, os presidentes ficariam acenando para o povo de uma janela, como se fossem papas. Seria ridículo”.
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“Enfim, pude conviver com verdadeiros patriotas. Brizola, preocupado com a formação das crianças, levou adiante o projeto de Darcy de construir os CIEPs. Do ponto de vista da Arquitetura, os CIEPs não tinham importância. Do ponto de vista social, tinham. Hoje estão por aí, abandonados”.
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“Lembro-me da noite em que Fidel esteve em meu escritório. Convidei amigos e, à meia-noite, quando ele ia embora, o elevador enguiçou. Para pegar o outro, ele teve de passar pelo apartamento de um vizinho, que até hoje conta essa ocorrência com certo orgulho. Dá para imaginar o susto do casal ao abrir a porta e dar de cara com o Fidel? O único comunista que mora nesse prédio sou eu. Mas, quando Fidel saiu, o edifício todo estava iluminado e o pessoal batendo palmas. Dizem que é preciso a noite para surgir o dia, e foi isso que aconteceu com Cuba”.
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“Meu avô, que foi ministro do Supremo Tribunal, morreu sem um tostão. Inclusive a casa em que a gente morava estava hipotecada. Sempre tive a idéia de que o dinheiro não vale nada. Achei bonito ele morrer assim. Já disse que teria vergonha de ser um homem rico. Considero o dinheiro uma coisa sórdida”.
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“Nunca me calei. Nunca escondi minha posição de comunista. Os mais compreensíveis que me convocam como arquiteto sabem da minha posição ideológica. Pensam que sou um equivocado e eu penso a mesma coisa deles. Não permito que ideologia nenhuma interfira em minhas amizades”.
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“Quando Juscelino Kubitschek me procurou, na minha Casa das Canoas, pedindo que eu ajudasse a ele na construção da nova capital, eu fiquei entusiasmado, era uma obra que me interessava e ia ajudar a um amigo que acompanhava há muito tempo. Eu já não tinha preocupação em dar explicação a ninguém, já me sentia a vontade para fazer o que bem entendia”.
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“Sempre que viajava de carro para Brasília, minha distração era olhar para as nuvens do céu. Quantas coisas inesperadas elas sugerem! Às vezes são catedrais enormes e misteriosas - as catedrais de Exupéry com certeza. Outras, guerreiros terríveis, carros romanos a cavalgarem pelos ares. Outras, ainda, monstros desconhecidos a correrem pelos ventos em louca disparada e, mais freqüentemente, lindas e vaporosas mulheres recostadas nas nuvens, a sorrirem para mim dos espaços infinitos”.
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“Tantos anos passados… E minha mulher, que levanta sempre muito cedo, volta para a cama do lado esperando dar 8:30 para me acordar. Muitas vezes finjo que estou dormindo só para ela ter o prazer de me acordar dizendo:
- Oscarzinho, são oito e meia!”

Fidel está agonizando

23 de outubro de 2012

Fidel Castro

Bastou ma mensagem aos graduados do primeiro curso do Instituto das Ciências Médicas “Victoria de Girón”, para que o galinheiro de propaganda imperialista se alvoroçasse e as agências informativas se lançassem
vorazes à procura da mentira. Não só isso, mas em seus despachos cabográficos adicionaram ao paciente as mais insólitas estupidezas.
O jornal ABC da Espanha publicou que um médico venezuelano, que mora nem se sabe onde, revelou que Castro havia sofrido uma embolia em massa na artéria cerebral direita, “posso dizer que não vamos voltar a vê-lo publicamente”.
O pretenso médico, que sendo assim abandonaria primeiro a seus próprios compatriotas, qualificou o estado de saúde de Castro de “muito próximo do estado vegetativo neurológico”.
Embora muitas pessoas no mundo sejam enganadas pelos órgãos de informação, quase todos eles nas mãos dos privilegiados e ricos, que publicam estas estupidezas, os povos acreditam cada vez menos nelas. Ninguém gosta de ser enganado, até o mentiroso mais incorrigível gosta que lhe digam a verdade. Todo mundo acreditou, em abril de 1961, as notícias publicadas pelas agências de notícias acerca de que os invasores mercenários de
Girón ou Baía dos Porcos, como a queiram chamar, estavam chegando a Havana, quando na realidade alguns deles tentavam infrutiferamente de chegar em barcos aos navios de guerra ianques que os escoltavam.
Os povos aprendem e a resistência cresce frente às crises do capitalismo que se repetem cada vez com maior frequência; nenhuma mentira, repressão ou novas armas, poderão impedir o derrubamento de um sistema de produção crescentemente desigual e injusto.
Há poucos dias, muito próximo do 50º aniversário da “Crise de Outubro”, as agências assinalaram três culpados: Kennedy, recém chegado à chefia do império, Jruschov e Castro. Cuba nada teve a ver com a arma nuclear, nem com a chacina desnecessária de Hiroshima e Nagasaki, perpetrada pelo presidente dos Estados Unidos, Harry S. Truman, estabelecendo a tirania das armas nucleares. Cuba defendia seu direito à independência e à justiça social.
Quando aceitamos a ajuda soviética em armas, petróleo, alimentos e outros recursos foi para defendermo-nos dos planos ianques de invadir nossa Pátria, submetida a uma suja e sangrenta guerra que esse país capitalista nos impôs desde os primeiros meses, e que custou milhares de vidas e mutilados cubanos.
Quando Jruschov nos propôs instalar projéteis de alcance édio, similares aos que Estados Unidos tinha na Turquia — ainda mais perto da URSS, que Cuba dos Estados Unidos— como uma necessidade solidária, Cuba não vacilou em aceder tal risco. Nossa conduta foi eticamente imaculada.
Nunca pediremos desculpas a ninguém por aquilo que fizemos. O certo é que decorreu meio século e ainda estamos cá, de cabeça erguida.
Eu gosto de escrever e escrevo; gosto de estudar e estudo. Há muitas tarefas na área dos conhecimentos.
Nunca as ciências, por exemplo, avançaram a uma velocidade tão espantosa.
Deixei de publicar Reflexões porque, certamente, meu papel não é o de ocupar as páginas de nossa imprensa, consagrada a outras tarefas que requer o país.
Aves de mau agouro! Não recordo, sequer, o que é uma dor de cabeça. Como constância de quão mentirosos são, lhes deixo de presente as fotos que acompanham este artigo.

Dirceu: “Não fiz parte nem chefiei quadrilha”

22 de outubro de 2012

Nota do ministro José Dirceu sobre sua condenação pelo Supremo:
“Mais uma vez, a decisão da maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal em me condenar, agora por formação de quadrilha, mostra total desconsideração às provas contidas nos autos e que atestam minha inocência. Nunca fiz parte nem chefiei quadrilha.
Assim como ocorreu há duas semanas, repete-se a condenação com base em indícios, uma vez que apenas o corréu Roberto Jefferson sustenta a acusação contra mim em juízo. Todas as suspeitas lançadas à época da CPI dos Correios foram rebatidas de maneira robusta pela defesa, que fez registrar no processo centenas de depoimentos que desmentem as ilações de Jefferson.
Como mostra minha defesa, as reuniões na Casa Civil com representantes de bancos e empresários são compatíveis com a função de ministro e em momento algum, como atestam os testemunhos, foram o fórum para discutir empréstimos. Todos os depoimentos confirmam a legalidade dos encontros e também são uníssonos em comprovar que, até fevereiro de 2004, eu acumulava a função de ministro da articulação política. Portanto, por dever do ofício, me reunia com as lideranças parlamentares e partidárias para discutir exclusivamente temas de importância do governo tanto na Câmara quanto no Senado, além da relação com os estados e municípios.
Sem provas, o que o Ministério Público fez e a maioria do Supremo acatou foi recorrer às atribuições do cargo para me acusar e me condenar como mentor do esquema financeiro. Fui condenado por ser ministro.
Fica provado ainda que nunca tive qualquer relação com o senhor Marcos Valério. As quebras de meus sigilos fiscal, bancário e telefônico apontam que não há qualquer relação com o publicitário.
Teorias e decisões que se curvam à sede por condenações, sem garantir a presunção da inocência ou a análise mais rigorosa das provas produzidas pela defesa, violam o Estado Democrático de Direito.
O que está em jogo são as liberdades e garantias individuais. Temo que as premissas usadas neste julgamento, criando uma nova jurisprudência na Suprema Corte brasileira, sirvam de norte para a condenação de outros réus inocentes país afora. A minha geração, que lutou pela democracia e foi vítima dos tribunais de exceção, especialmente após o Ato Institucional número 5, sabe o valor da luta travada para se erguer os pilares da nossa atual democracia. Condenar sem provas não cabe em uma democracia soberana.
Vou continuar minha luta para provar minha inocência, mas sobretudo para assegurar que garantias tão valiosas ao Estado Democrático de Direito não se percam em nosso país. Os autos falam por si mesmo. Qualquer consulta às suas milhares de páginas, hoje ou amanhã, irá comprovar a inocência que me foi negada neste julgamento.

São Paulo, 22 de outubro de 2012

José Dirceu”

Fidel está vivo e lúcido

22 de outubro de 2012

A semana passada começou com a notícia de que Fidel Castro havia sofrido morte cerebral e “sua morte será anunciada nas próximas 72 horas”.
Já mais para o final da semana, nova versão: Fidel tinha sido vítima de uma derrame e estava agonizando.
Nenhuma coisa, nem outra.
Fidel neste sábado recebeu a visita do ex-vice-presidente vezuelano Elias Jaua, que disse ter encontrado o comandante “muito bem de saúde e muito lúcido”.
Tanto que conversaram por cinco horas sobre agricultura, história, política, turismo e cultural.
E Fidel ainda teve a gentileza de levá-lo pessoalmente até o Hotel Nacional de Cuba, onde estava hospedado.
* * *
Fidel esta com 86 anos e desde as vésperas de seus 80 anos o comandante tem problemas de saúde.
A imprensa mundial, não só a brasileira, tem matado Fidel a cada 15 dias.
Que fique claro o seguinte: Fidel - e isso é óbvio - vai morrer um dia. E isso não mudará nada - nem na vida, nem no regime cubano. A sucessão está feita e a abertura continua avançando.
Sua saúde pode ser ainda um segredo de estado, mas sua morte, quando ela ocorrer, não o será.
O que vai demorar não será o anuncio da morte, mas sim a data do sepultamento.
O velório será longo o suficiente para que possa reunir o maior numero possível de chefes de Estado que irão a Havana não só para homenagear o comandante, mas principalmente demonstrar sua solidariedade a Cuba - que há 50 anos sofre com o bloqueio odioso e covarde imposto pelo governo dos Estados Unidos.

Cabral e suas assessorias

29 de agosto de 2012

Está certo Élio Gaspari quando diz que o que João Paulo Cunha fez, na presidencia da Câmara,  é ilegal.
Assim estão decidindo também a maioria dos ministros do Supremo, que condenarão o ex-presidente
da Câmarae, entre outros pontos, por ter tercerizado a assessoria de comunicação social de um órgão público.
Que isso vem sendo feito há anos… é sabido.
No governo FHC, todos os ministérios civis, ou quase todos, faziam o mesmo.
Mas a prática continua, como é o caso do Governo do Rio, que tercerizou não só os serviços de comunicação social do próprio governador, como de algumas secretarias que lhe são mais próximas. como Saúde e Segurança.
Se fosse julgado hoje pelo STF, Cabral também seria condenado.

Cunha deve renunciar a candidatura

29 de agosto de 2012

O deputado João Paulo Cunha deve renunciar a sua candidatura a prefeitura de Osasco, agora que foi condenado pelo Supremo.
É o melhor que ele faz, com vistas a preservar seu mandato de deputado.

Dirceu está tranquilo quanto ao futuro

29 de agosto de 2012

Da repórter Tatiana Farah, do ‘Globo’:
“Um dos principais réus do mensalão, o ex-ministro José Dirceu tem se reunido semanalmente com o
ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os encontros ocorrem na casa do ex-presidente, em São Bernardo do Campo, ou no instituto Lula, em São Paulo. Em pauta, o julgamento do escândalo no Supremo Tribunal Federal (STF), no qual Dirceu é acusado de formação de quadrilha e corrupção.
Lula e seu ex-ministro também discutem a situação eleitoral deste ano, principalmente nas cidades escolhidas como prioritárias pelo PT: São Paulo, Recife e Belo Horizonte.
Desde o início do julgamento, Dirceu tem passado a maior parte do tempo em sua casa em Vinhedo, no interior do estado, mas retorna semanalmente à capital. Embora se mantenha recolhido, tem conversado e se encontrado com gente famosa. No restrito círculo íntimo de Dirceu, o ex-presidente da Vale Roger Agnelli, o escritor Fernando Morais e o líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terrra (MST) João Pedro Stédile.
- Quando o visitei, há umas três semanas, ele estava esticado em uma poltrona assistindo ao filme do Tintin. Não é exatamente a imagem de quem esteja preocupado - contou Fernando Morais.
Dirceu também conversa por telefone com o cineasta Luiz Carlos Barreto e com o escritor Paulo Coelho. Seu amigo “desde antes do mensalão”, Barreto passou dois dias na casa de Dirceu, há pouco mais de uma semana e não identificou sinais de abatimento.
- Eu o achei muito bem. Está preocupado como qualquer pessoa estaria em seu lugar. Eu só faço uma pergunta: se valeu a pena ter participado das lutas que participou. Ele não mostra nenhum arrependimento desse passado e tem tanta certeza dos atos que não cometeu que sequer renunciou ao mandato na Câmara - defende Barreto.
Outra visita recebida em Vinhedo foi a do embaixador venezuelano no Brasil, Maximilien Arveláiz.
Ele, Stédile e Morais foram recebidos juntos em um almoço:
- Nem tocamos no assunto do julgamento - disse Morais, que, diante do escândalo do mensalão, em 2005, abortou o projeto de escrever a biografia de Dirceu.
Publicamente, aliados de Dirceu no PT afirmam que o ex-ministro de Lula evita conversar sobre o julgamento do mensalão.
- Não converso sobre isso com ele e me parece que ele não está interessado em conversar sobre o julgamento - disse Francisco Rocha, o Rochinha, coordenador da tendência Construindo um Novo Brasil (CNB), da qual Dirceu faz parte.
O petista defende que o ex-ministro aguarde o final do julgamento para traçar qualquer plano na política. Para ele, Dirceu não deve disputar a presidência do partido no ano que vem, apoiando a candidatura do atual presidente, Rui Falcão, da tendência Novo Rumo.
O ex-ministro se afastou da consultoria a empresas para acompanhar o processo no STF. A ideia era interromper o serviço até o fim do julgamento. Mas, como o caso tem se estendido, pode reavaliar o retorno. Ele prevê que o veredicto sai até meados de outubro”.

Inovação de Fux incomoda STF

29 de agosto de 2012

Da colunista Monica Bergamo, da ‘Folha’:
“Uma das premissas colocadas por (Luiz) Fux em seu voto (no Supremo, no processo do chamado mensalão), o de que a defesa de um acusado precisa provar a sua versão, incomodou ministros mais antigos da corte. “Haverá vida institucional no STF depois do mensalão”, pondera um deles, afirmando que cabe sempre à acusação provar o que diz”.

Cabral reclama de Dilma

29 de agosto de 2012

Também do colunista Ilimar Franco:
“Nem todos os governadores alinhados com o Planalto estão satisfeitos com o governo Dilma. Muitos reclamam que projetos estruturantes de infraestrutura demoram a sair do papel. Um deles reclama que é muita conversa e pouca ação”.
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Só falou citar o nome do mais importante reclamante: governador do Rio de Janeiro, Sergio Cabral.

Lula quer distancia de Campos

29 de agosto de 2012

Do colunista Ilimar Franco, do ‘Globo’:
“O ministro José Múcio Monteiro (TCU) tentou interceder na briga entre o ex-presidente Lula e o governador Eduardo Campos. Mas sentiu na pele que o clima é o pior possível. Semana passada, ao chegar à casa de Lula, este o avisou de que, se estivesse lá para dar recado de Eduardo Campos, não devia nem estrar, pois não seria recebido”.