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Arquivo para a categoria ‘Imprensa’

‘O Globo’ contra José Dirceu

16 de setembro de 2010

    Com o título Um projeto autoritário em marcha, ‘O Globo’ de hoje publica o seguinte editorial:
“Deputado federal cassado devido à comprovada participação no esquema do mensalão, e qualificado, no processo sobre o escândalo em tramitação no Supremo, como chefe da organização criminosa montada para comprar com dinheiro sujo apoio parlamentar ao governo Lula, José Dirceu não perdeu espaço no PT. Ao contrário, pois certa militância petista demonstra seguir um padrão moral maleável a ponto de ser condescendente com golpes contra o Erário, desde que em nome de bons propósitos. As últimas semanas de fatos ocorridos na política comprovam esta ética peculiar do partido.
A palestra feita segunda por Dirceu a petroleiros da Bahia mostra, por sua vez, como o deputado cassado, réu, pontifica em nome do partido, cujo projeto político, disse, poderá ser executado com a chegada da companheira em armas Dilma Rousseff ao Planalto.
E é parte do projeto controlar a imprensa independente e profissional, meta da legenda desde a chegada ao Planalto, em 2003. Como disse o líder petista aos petroleiros, há no Brasil um abuso no poder de informar(!!).
A frase poderia ser de um daqueles censores da Polícia Federal nos anos 70.
Fracassadas as tentativas de intervenção na produção audiovisual por uma agência (Ancinav) e de oficialização da patrulha sobre os jornalistas por meio de um conselho sindical, o acúmulo de forças, nas palavras do ex-ministro-chefe da Casa Civil, deverá permitir, agora, a realização do antigo sonho.
É um erro achar que o PT de Dirceu espera Lula esvaziar as gavetas no Planalto, despachar a mudança rumo a São Bernardo, para desfechar o ataque ao direito constitucional à liberdade de imprensa e expressão.
Ele já vem sendo preparado, por determinação do próprio Lula, pelo ministro de Comunicação Social, Franklin Martins. Será deixado pronto para Dilma um projeto que, entre outros pontos, pretende regular as chamadas participações cruzadas, com o objetivo de reduzir o tamanho e a diversificação dos grupos de comunicação. A intenção é a mesma que move o casal Kirchner, na Argentina, ao forçar o grupo Clarín a se desfazer de canais de televisão, sempre em nome do combate à concentração. É falso o argumento do incentivo à competição, pois, hoje em dia, com a internet e a proliferação de canais de distribuição de informações, há incontáveis e crescentes opções à disposição de leitores, telespectadores e ouvintes. O real objetivo do projeto, de origem chavista, é acabar com a independência das empresas profissionais de jornalismo e entretenimento, pelo corte do seu faturamento, hoje obtido por múltiplas fontes de receitas. Reduzidos em sua escala, os grupos terão de buscar verbas oficiais para se manter, e com isso acabará na prática a liberdade de imprensa.
É tão inconcebível a Dirceu a livre manifestação de opiniões e de veiculação de fatos que o petista aproveitou a doutrinação de petroleiros para criticar o ministro Carlos Ayres Britto, do STF, pelo seu voto contra a censura eleitoral, redigido com base no entendimento do amplo alcance do direito constitucional à liberdade de imprensa.
Entende-se por que a campanha petista volta-se cada vez mais para tentar obter folgada maioria no Congresso. Se o pior acontecer, com a aprovação de projetos contra a Carta, a última trincheira de defesa da Constituição será o Poder Judiciário”.
                     * * *
O jornal morre de medo de José Dirceu.
Mas não é no enfretamento que ‘O Globo’ o derrotará.

‘New York Times’, o JB do futuro?

10 de setembro de 2010

     Manchete do JBOnline de hoje:
“New York Times” admite fim de sua edição impressa”.
               * * *
No texto, a declaração de Arthur Sulzberger Jr, editor-chefe do jornal:
- É certo que vamos parar de imprimir o ‘New York Times’ em algum momento, em data a ser definida.

A agonia do ‘JB’

10 de setembro de 2010

                                                   José Sarney*

              O “Jornal do Brasil” nasceu em 1891, fundado por Rodolfo Dantas, filho do Conselheiro Dantas, lendária figura do Império, para combater a República. Eram os viúvos da Monarquia, como dizia Nabuco, que formavam sua equipe de enfrentamento.
Entre eles, além do dono, o próprio Nabuco, José Veríssimo e Rio Branco. Saiu com desejos de inovação: desenho gráfico diferente e distribuição com a grande novidade de usar carroças. Logo foi fechado por Floriano, em 1894, quando seu redator-chefe era Rui Barbosa, republicano histórico. Mudou de proprietário e de rumo.
Jornal naquele tempo era marcado pelas figuras que nele escreviam. Não se destinava a produzir e divulgar notícias, coisa adjetiva, mas a difundir ideias, empunhar uma causa, servir a um partido político ou combater um governo. Muitos deles descambavam para a pasquinagem.
No Maranhão, quando comecei a trabalhar em jornal, eles eram iguais aos do século 19. O velho jornalista maranhense Nascimento de Morais, meu professor no Liceu e, paradoxalmente, meu colega de redação em “O Imparcial”, dizia: “Artigo que se preza para vergastar adversário tem que ter “sevandija’” (verme imundo), palavra em desuso.
Fui correspondente do “JB” no Maranhão durante sete anos. Sua proprietária era a viúva do conde Pereira Carneiro, Maurina Dunshee de Abranches, filha do professor Dunshee de Abranches, maranhense, dono do Colégio Coração de Jesus, que existiu até a década de 40. Ela visitava sempre o Estado, onde eu a acompanhava.
Certa vez, em São Luís, ela quis visitar dona Graça, senhora de renome na cidade, proprietária da Fábrica Têxtil Anil, localizada no bairro onde seu pai mantinha o colégio e onde morara na infância.
Dona Graça, já idosa, ao vê-la, exclamou: “Maurina, filhinha do professor Dunshee, a Neném Abranches, aqui do Anil, é a condessa? Que surpresa.”
Recordo a condessa Pereira Carneiro, mulher inteligente, culta e líder, alma oculta do jornal, que bancou sua modernização com a resistência da velha guarda, tendo à frente Aníbal Freire.
Encarregou a tarefa a Odylo Costa, filho, legendário nome da imprensa brasileira, construtor de equipe, poeta e jornalista consagrado, com imenso prestígio na classe, além de ser um homem bom e de grande caráter, muito ligado a Virgílio de Melo Franco e ao brigadeiro Eduardo Gomes.
Chateaubriand dizia que doença que mata jornal leva dez anos. A do “JB” foi uma agonia lenta e levou décadas. Muitos tentaram salvá-lo. Deixou um vazio e a lembrança de um emblemático órgão que documentou e influiu na história do Brasil.
*José Sarney é presidente do Senado e escreve na ‘Folha’.

JBOnline ataca ‘O Globo’

10 de setembro de 2010

     O JBOnline, a pretexto de responder a artigo de Luiz Garcia sobre o fim da edição impressa do ‘Jornal do Brasil’, aproveitou o tema para atacar durante seu ex-concorrente ‘O Globo’. O texto não está assinado:
“Em artigo intitulado ‘JB’, publicado na edição de 3.9.2010 de O Globo, o jornalista Luiz Garcia incorpora a cômica figura formulada pelo Embaixador Roberto Campos para caracterizar integrantes da pseudo-intelectualidade brasileira – o “arrognante”, personagem que mistura arrogância com ignorância.
A soberba recém-adquirida e a confortável superficialidade de Luiz Garcia são financiadas pelas benesses do oligopólio midiático a que serve.
Nos últimos dias, grandes jornalistas, como Miriam Leitão, analisaram profundamente a trajetória do Jornal do Brasil na TV Globo e no Globo. Outros, em vez de examinar a dinâmica tecnológica que fez o JB tornar-se o primeiro 100% digital do País, optaram por rememorar com nostalgia o JB dos anos 1950, 60 e 70.
Garcia, no entanto, em vez de analisar a evolução de técnicas e costumes, arroga-se ministrar lições de moral. O acidental professor de ética ensina: “o negócio do jornalismo tem uma característica rara e vital: é negócio, mas também é serviço público”. Como se essa característica não estivesse também presente em empresas de alimentação, remédios, hospitais, transportes, águas urbanas ou mesmo a padaria da esquina.
Que deve achar Luiz Garcia do (des)serviço público prestado à reconstrução democrática no país pela empresa a que fisiologicamente se ligou?
Talvez Garcia considere a mão que o alimenta, e a que agora Garcia retribui avassalado, o exemplo mais perfeito de ética jornalística e concorrencial. Ora, alguém com honestidade intelectual e mínimo conhecimento da história recente do País pode achar que a Globo ou O Globo são esses campeões da moral?
Os brasileiros não esquecem episódios desastrosos protagonizados pela empresa que sustenta Luiz Garcia. Nos anos 60 e 70, publicações como o Jornal do Brasil resistiram com altivez aos senhores da noite. Já O Globo cumpriu ordens obedientemente, às vezes com animação. Tornou-se o jornal preferido do governo autoritário.
O jornal de Luiz Garcia estampava em editorial no fatídico 1o. de abril de 1964, primeiro dia da implantação da Ditadura: “Ressurge a Democracia! Vive a Nação dias gloriosos“. Não surpreende se um Editorial como esse tenha sido escrito por Luiz Garcia.
Pretenso professor de moral, Luiz Garcia defende em seu artigo: “O jornal exerce o comércio de vender espaço para anunciantes, mas tem de fazê-lo segundo normas éticas”.
A etiqueta de Garcia o faz olhar para o lado quando seu jornal pratica o dumping e pressões quase criminosas contra anunciantes. Todo o mercado publicitário brasileiro sofre com a prática do monopólio. Por ele, impõem-se veículos “globais” a agências de publicidade e clientes. O Globo, ao exercer política de “exclusividade”, pratica níveis de descontos comerciais em que, caso o cliente anuncie em outro veículo, é ameaçado de retaliação.
As agências – e todos os outros veículos de comunicação no Brasil – são vitima dessa política, assim como dos incentivos dos veículos “globais”. São as bonificações de volume, os conhecidos “BVs”, com prêmios em dinheiro – recompensa por determinados patamares de faturamento que atinjam. Espécie de aliciamento a que, constrangidas, as agências se submetem.
E pensar que Garcia, ao menos no nível do discurso, se arvora homem de supostos princípios de esquerda a que cosmeticamente abraçou em anos não muito distantes.
É um erro achar que Luiz Garcia seja alheio à “ética” concorrencial do jornal que o paga. Garcia, bastante conhecido no meio jornalístico por seu adesismo, é remunerado por uma empresa campeã do capitalismo cartorial.
E aí Garcia tem razão: de fato, o leitor não é bobo”.

‘O Globo’: a má vontade do dia

17 de agosto de 2010

     ‘O Globo’ publica hoje uma reportagem intitulada: “Dilma agora promete remédio de graça”.
Pelo título, isso seria mais uma promessa populista, de uma candidata que, provavelmente, faz um promessa a cada dia.
Mas a má vontade é apenas do editor, já que o repórter foi correto: o governo ja “subsidia 90% desses medicamentos (para hipertesão e diabetes), um gasto anual de R$ 400 milhões. Segundo ela (Dilma), a intenção é complementar os 10% restantes e dar a medicação aos pacientes”.

Imprensa não investigou Cabral

13 de agosto de 2010

                                              Fernando Gabeira*  

    O debate de ontem foi apenas o primeiro das eleições. Alguns jornalistas acham que houve muitos ataques e poucas propostas. Isso se deve em primeiro lugar ao modelo do debate composto de pergunta, resposta, réplica e tréplica.
O fato de haver mais denúncias do que propostas é decorrente da conjuntura do próprio Rio de Janeiro. Nem todas as denúncias foram feitas pela imprensa, que não foi o bastante investigativa no período Cabral. Em função desta lacuna, coube aos candidatos levantar os temas que são importantes para a opinião pública, mas que ficaram um pouco obscurecidos neste período.
Parte dessa ocultação se deve também à grande sedução da propaganda do governo Cabral, que gastou, até agora, R$ 430 milhões em publicidade. Era natural que um investimento dessa ordem criasse na população a sensação, ainda que falsa, de um mundo cor-de-rosa. O primeiro debate serviu para mostrar que, por baixo dessa fachada, existem problemas sérios que precisam ser resolvidos.
É o caso do transporte, da saúde e da segurança pública. Enfatizamos também muito a educação, já que estamos na lanterna na pesquisa do IDEB sobre o ensino médio. O governo apostou muito em computadores e aparelhos de ar-condicionado. Ambos os itens são importantes e necessários. Mas nada substitui a formação do professor, uma boa relação de trabalho na escola e a integração com a família.
Por isso o debate de ontem cumpriu a primeira etapa estratégica nessa campanha que é a de começar a desmontar a imagem de um governo bem sucedido em todos os campos. No próximos debates vamos avançar nas denúncias e aprofundar as propostas.
* Fernando Gabeira publicou essa reflexão em seu blog.

Globo fecha com José Serra

11 de agosto de 2010

   Aconteceu o que se esperava.
O Jornal Nacional aderiu a José Serra.
Ou a Rede Globo não gosta de mulher candidata, ou tem medo de homem candidato.

Fatima e Borner dormem tranquilos?

11 de agosto de 2010

      Depois da entrevista com Marina Silva na bancada do Jornal Nacional, da Rede Globo, será que Fatima Bernardes e William Borner foram dormir tranquilos?
O mesmo vale para a entrevista com Dilma Rousseff  e, para a de José Serra, hoje, se ela for feita no mesmo tom das anteriores.
Outra coisa: será que o casal acredita que suas entrevistas são jornalísticas?

Collor quer “enfiar a mão” em jornalista

29 de julho de 2010

     Do repórter Eduardo Neco, do ‘Portal Imprensa’
“O senador e ex-presidente Fernando Collor de Mello (PTB-AL) ligou para a redação da sucursal de Brasília (DF) da revista IstoÉ, na tarde desta quinta-feira (29), e ameaçou esbofetear o jornalista Hugo Marques por conta de uma nota na edição de 21 de julho sobre o pedido de impugnação da candidatura do político alagoano.
“Quando eu lhe encontrar, vai ser para enfiar a mão na sua cara, seu filho da puta”, vociferou Fernando Collor após explicar ao repórter o motivo de sua ligação.
Em entrevista ao Portal IMPRENSA, Marques declarou que, ao constatar o teor da ligação, desligou o telefone imediatamente. “Eu não queria ouvir insultos e nem responder. Fico preocupado dele tentar arrancar alguma agressividade minha. Se eu criar um conflito com ele, fico impedido de cobrir. Então não falei nada”, contou.
Sobre o fundamento das ameaças do ex-presidente - que concorre ao governo de Alagoas -, Marques pontuou que os dados sobre a candidatura de Collor estão no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). “Ele tem que convencer a Justiça Eleitoral, não a mim”. 
Marques afirmou que não irá se manifestar contra Collor, tampouco acionar entidades de classe, mas pontuou ser “lamentável” a atitude do ex-presidente “em um regime democrático”. “Não tenho nada contra ele, mas é lamentável que um sujeito desses ligue para uma redação e ameace uma pessoa. Ele poderia ter mais cautela, poderia respeitar os direitos humanos”.
De acordo com o repórter, Collor estaria desgostoso com a revista por conta de outras matérias em que o político é citado. Sobretudo a respeito de uma entrevista  com sua ex-mulher, Rosane Malta, em que é indicado como sonegador de impostos.
A respeito de um eventual encontro com o ex-presidente, Marques disse não estar temeroso. “Sou faixa roxa de Karatê (risos)”, afirmou. “Estou há 22 anos denunciando bandidos de peso pesado e essa deve ser a décima ameaça, e isso não me intimida”, finalizou.
A reportagem tentou contato com o diretório nacional e regional do PTB e com a coordenação de campanha de Collor e não obteve retorno. A assessoria de imprensa de seu gabinete no Senado declarou que não tem relação com as atividades do senador fora de seu mandato, e por isso não poderia se pronunciar”.

Portugueses tiram ‘O Dia’ da ANJ

27 de julho de 2010

     Da ‘Folha’:
“A Ejesa (Empresa Jornalística Econômico S.A.), responsável pelas publicações “O Dia”, “Brasil Econômico”, “Campeão” e “Meia Hora”, solicitou ontem sua desfiliação da ANJ (Associação Nacional de Jornais).
Por meio de uma carta enviada à instituição, a Ejesa criticou a posição da ANJ, que em abril entregou representação à Procuradoria-Geral da República na qual apontava indícios de que o controlador da Ejesa é, de fato, o grupo português Ongoing. Isso fere o artigo 222 da Constituição, que prevê que pessoas ou empresas estrangeiras só podem deter até 30% do controle de companhias de mídia no país.
Em sua carta, a Ejesa se disse prejudicada por denúncias inverídicas e afirmou que, para esclarecer sua composição acionária e sua situação legal, bastaria ver os documentos registrados na Junta Comercial. A empresa declarou apoiar de forma incondicional toda ação que vise assegurar a manifestação do pensamento e o livre fluxo informativo.
A Ejesa sustenta que a ANJ negou injustificadamente o ingresso da empresa no seu quadro de associados e se esquivou de defender os direitos do ser humano e os valores da democracia e da livre iniciativa. Alegou ainda que a ANJ prejudicou o desenvolvimento das suas atividades empresariais”.