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A ministra, o aborto e a saúde pública

    Da repórter Johanna Nublat:
    “Favorável à descriminalização do aborto, a nova ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres afirmou que sua posição hoje “é de governo” e que o assunto está com o Legislativo.
“A minha posição pessoal, a partir de hoje, não diz respeito, não interessa. Minha posição pessoal está em todos os jornais, nas entrevistas que dei, não seria eu se não reafirmasse o que falei anteriormente. Mas sou governo, minha posição, hoje, é de governo”, declarou ontem Eleonora Menicucci.
Anteontem, questionada pela Folha sobre como iria se portar no governo em relação à defesa que faz do direito ao aborto, disse: “Toda essa minha luta pelos direitos reprodutivos e sexuais das mulheres, e para que as mulheres não morram mais por aborto inseguro, me fortalece”.
Por outro lado, o posicionamento de governo, assumido pela então candidata Dilma Rousseff para não melindrar o eleitorado evangélico e católico na eleição de de 2010, é não liderar alterações pró-aborto na legislação.
Bombardeada com questões sobre interrupção voluntária da gravidez, Menicucci defendeu ontem uma abordagem de saúde pública.
“O aborto é uma questão de saúde pública, não ideológica. Como o crack, as drogas, a dengue, como o HIV, as doença infectocontagiosas.”
E disse que o governo fez sua parte ao elaborar, em 2005, uma minuta de projeto de lei que liberava o aborto até 12 semanas. Criticado, o texto foi entregue informalmente a uma comissão do Congresso e nunca virou lei.
“O governo tem um projeto no Congresso, ele só andará se assim os parlamentares quiserem e entenderem a importância dele. Neste momento, nós do Executivo não temos muito o que fazer”, disse Menicucci, que apontou a importância da pressão social para uma mudança.
A ministra, que toma posse sexta-feira, é professora titular em saúde coletiva da Unifesp, tem trajetória no combate à violência contra as mulheres e em causas feministas. Listou como prioridade à frente da pasta o combate à violência.
Entidades feministas elogiaram a escolha da ministra, mas lembraram da importância do debate sobre o aborto”.

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