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A entrevista de Dilma em Cuba

31 de janeiro de 2012

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Yoani: blogueira ou mercenária?

31 de janeiro de 2012

 

                                                Altamiro Borges* 

          Nas vésperas da visita da presidenta Dilma Rousseff a Cuba, a mídia colonizada tem feito grande alarde em torno do nome da blogueira cubana Yoani Sánchez. Ela é apresentada como uma “jornalista independente”, que mantém um blog com milhões de acessos e que enfrenta, com muitas dificuldades materiais, a “tirania comunista”, que a persegue e censura.
Na busca pelo holofote midiático, líderes demotucanos e, lamentavelmente, o senador petista Eduardo Suplicy têm posado de defensores da blogueira. Eles se juntaram para pressionar o governo a conceder visto para que Yoani venha ao Brasil assistir a pré-estréia do filme “Conexões Cuba-Honduras”, do documentarista Dado Galvão – que, por mera coincidência, é membro-convidado e articulista do Instituto Millenium, o antro da direita que reúne os barões da mídia nativa.
Mas, afinal, quem é Yoani Sánchez? Em primeiro lugar, ela não tem nada de “jornalista independente”. Seus vínculos com o governo dos EUA, que mantém um “escritório de interesses” em Havana (Sina), são amplamente conhecidos. O Wikileaks já vazou 11 documentos da diplomacia ianque que registram as reuniões da “dissidente” com os “agentes” da Sina desde 2008.
Num deles, datado de 9 de abril de 2009, o chefe da Sina, Jonathan Farrar, escreveu ao Departamento de Estado: “Pensamos que a jovem geração de dissidentes não tradicionais, como Yoani Sánchez, pode desempenhar papel a longo prazo em Cuba pós-Castro”. Ele ainda aconselha o governo dos EUA a aumentar os subsídios financeiros à blogueira “independente”.
Anualmente, o Departamento de Estado destina cerca de 20 milhões de dólares para incentivar a subversão contra o governo cubano. Nos últimos anos, boa parte deste “subsídio” é usada para apoiar “líderes” nas redes sociais. A própria blogueira já confessou que recebe ajuda. “Os Estados Unidos desejam uma mudança em Cuba, é o que eu desejo também”, tentou justificar numa entrevista ao jornalista francês Salim Lamrani.
Neste sentido, não dá para afirmar que Yoani Sánchez padece de enormes dificuldades na ilha – outra mentira difundida pela mídia colonizada. Pelo contrário, ela é uma privilegiada num país com tantas dificuldades econômicas. Além do subsídio do império, a blogueira também recebe fortunas de prêmios internacionais que lhe são concedidos por entidades internacionais declaradamente anticubanas. Nos últimos três anos, ela foi agraciada com US$ 200 mil dólares de instituições do exterior.
Na maioria, os prêmios são concedidos com a justificativa de que Yoani é uma das blogueiras mais famosas do planeta, com milhões de acesso, e uma “intelectual” de prestígio. Outra bravata divulgada pela mídia colonizada. Uma rápida pesquisa no Alexa, que ranqueia a internet no mundo, confirma que seu blog não é tão influente assim, apesar da sua farta publicidade na mídia e dos enormes recursos técnicos de que dispõe – inclusive com a estranha tradução “voluntária” para 21 idiomas.
Quanto ao título de “intelectual” e principal dissidente de Cuba, a própria Sina realizou pesquisa que desmonta a tese usada para projetar a blogueira. Ela constatou que o opositor mais conhecido na ilha é o sanguinário terrorista Pousada Carriles. Yoani só é citada por 2% dos entrevistados – ela é uma desconhecida, uma falsa líder, abanada com propósitos sinistros.
A “ilustre” blogueira, inclusive, é motivo de chacota pelas besteiras que publica e declara em entrevistas à mídia estrangeira. Vale citar algumas que já compõem o “ciberbestiário” de Yoani Sánchez:
- [Sobre a Lei de Ajuste Cubano, imposta pelos EUA para desestabilizar a economia cubana, ela afirmou que não prejudica o povo] porque nossas relações são fortes. Se joga o beisebol em Cuba como nos Estados Unidos;
- Privatizar, não gosto do termo porque tem uma conotação pejorativa, mas colocar em mãos privadas, sim.
- Não diria que [os chefões da máfia anticubana de Miami, sic] são inimigos da pátria;
- Estas pessoas que são favoráveis às sanções econômicas [dos EUA contra Cuba] não são anticubanas. Penso que defendem Cuba segundo seus próprios critérios;
- [A luta pela libertação dos cinco presos nos Estados Unidos] não é um tema que interessa à população. É propaganda política;
- [A ação terrorista de Posada Carriles contra Cuba] é um tema político que as pessoas não estão interessadas. É uma cortina de fumaça;
- [Mas os EUA já invadiram Cuba, pergunta o jornalista] Quando?;
- O regime [de Fulgencio Batista, que assassinou 20 mil cubanos] era uma ditadura, mas havia liberdade de imprensa plural e aberta;
- Cuba é uma ilha sui generis. Podemos criar um capitalismo sui generis.
Por último, vale rechaçar a mentira midiática de que Yoani Sánchez é censurada e perseguida em Cuba. Participei no final de novembro de um seminário internacional sobre “mídias alternativas e as redes sociais” em Havana e acessei facilmente o seu blog. Segundo o governo cubano, nunca houve qualquer tipo de bloqueio à página da “jornalista independente”.
Quanto às perseguições sofridas, Yoani Sánchez tem se mostrado uma mentirosa compulsiva e cínica. Em 6 de novembro de 2009, ela afirmou à imprensa internacional que havia sido presa e espancada pela polícia em Havana, “numa tarde de golpes, gritos e insultos”. Em 8 de novembro, ela recebeu jornalistas em sua casa para mostrar as marcas das agressões. “Mas ela não tinha hematomas, marcas ou cicatrizes”, afirmou, surpreso, o correspondente da BBC em Havana, Fernando Ravsberg.
O diário La República, da Espanha, publicou um vídeo com testemunhos dos médicos que atenderam Yoani um dia após a suposta agressão. Os três especialistas disseram que ela não tinha nenhuma marca de violência. Diante dos questionamentos, ela prometeu apresentar fotos e vídeos sobre os ataques. Mas até hoje não apresentou qualquer prova
*Altamiro Borges é jornalista, presidente do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé e autor do livro “A ditadura da mídia”. Ele mantém o ‘Blog do Miro’.

Dilma visita Fidel antes de Obama

30 de janeiro de 2012

   

   A imprensa não tocou nesse assunto.
Mas já já vai tratar dele.
Dilma Rousseff completou um ano de Governo e ainda não foi a Washington.
                                 * * *
Visitará Fidel primeiro que Obama.
É verdade que ela já esteve com o Presidente norte-americano em Nova York, onde ambos foram participar da Assembléia-Geral das Nações Unidas.
Mas nada de visita oficial aos EUA.
                              * * *
No ano passado, Dilma visitou 15 países, sendo que a Argentina e o Uruguai - nossos vizinhos - ela foi duas vezes.
Esteve ainda na Europa, na Africa e na Ásia.
                              * * *
Agora, depois de Cuba, Dilma viajará para o Haiti. É a opção preferencial pelos pobres.
Ela não foi a Washington, mas também não esteve no Circuito Elizabeth Arden - Roma, Paris e Londres.
Em Paris, para dizer a verdade, ela passou um dia, depois de uma reunião dos Brics em Cannes.
Mas não esteve com Sarkosy.
Foi ver a diretora-geral da Unesco, Irina Bokova.

Dilma dá show de popularidade

30 de janeiro de 2012

       Será que algum dos  jornalões publicará esse foto de Dilma Rousseff, feita hoje pela manhã, na bacia do Rio Camaçari, na Bahia, onde ela esteve antes de embarcar para Cuba?
Provávelmente não.
Seria popularizá-la demais.
Veremos amanhã…

Apelo de Yoani é uma farsa

30 de janeiro de 2012

      Yoani Sánchez, a “dissidente” cubana,  é a fantoche que a imprensa brasileira vem utilizando, há meses, para tentar desmoralizar a Presidente Dilma Roussef e sua política de direitos humanos.
A imprensa brasileira tem publicado,  repetidas vezes,  apelos e entrevistas, anuncia vídeos  e o diabo a quatro - o que seria  um “teste” para a Presidente Dilma, que estaria de “saia justa” diante da blogueira.
                                   * * *
Yoani, como se sabe, mantém o blog ‘Generacion Y’ e, apesar de não ser a mais feroz crítica do regime cubano, é a mais conhecida. A revista ‘Time’, em 2008, a considerou uma das 100 pessoas mais influentes do mundo.
Se fosse verdade, passados três anos de mais publicidade, ela seria  hoje uma das 10 mais.
                                   * * *
A “dissidente” cubana briga para poder sair de Cuba, pelo menos por um período. Segundo ela, o seu desejo é assistir ao lançamento de um documentário cinematográfico, realizado por um cineasta baiano, sobre blogueiros cubanos, onde ela é uma das personagens.
O filme está pronto há pelo menos dois anos, mas aguarda a presença de Yoani para ser lançado.
                                   * * *
Sua arma mais eficaz, é óbvio, é o seu próprio site.
É através dele que ela critica, reclama, esperneia, denuncia tudo o que se refere a seu país e a sua vida.
Imagina-se, então,  que todos os apelos que tem feito ao Brasil e a Presidenta Dilma estejam lá postados.
Lêdo engano.
                                    * * *
O panfleto eletrônico de Yoani Sánchez não tem uma única linha sobre o que a imprensa brasileira vem noticiando diariamente.
Não que ela não queira vir ao Brasil.
Certamente ela o deseja. E muito.
Mas Yoani faz isso, única e exclusivamente, através dos jornais, rádios e emissoras de TV - que a procuram com o claro objetivo de criar embaraços para a política externa do Brasil.
O nome de Dilma Rousseff nunca foi escrito por ela. Nem uma única vez.
Se alguem acessar o seu site, e for ao setor de busca, basta digitar: Dilma, ou Dilma Rousseff, ou Presidente Dilma, ou Presidente do Brasil. Nada encontrará. Não existe referencia.
Se digitar Brasil, verá uma postagem do dia 15 de Junho de 2010, onde ela diz que enviou uma carta para o Presidente Luis Inácio Lula da Silva sobre o assunto.
E só.
                                    * * *
Será que Yaoni quer mesmo sair de Cuba?
Ela morou na Suiça por um ano. Por que voltou a Cuba?
Seu site é o que existe de mais importante para a sua batalha. Hoje ele é um verdadeiro ”canhão”. Por que ela nunca o utilizou para apelar ao Governo do Brasil?
A farsa é maior que se imagina…

Rio patrocina Foreign Affairs

30 de janeiro de 2012

     O último número da revista ‘Foreign Affairs’ tem como destaques a Al Queda no Iran, além de artigos e reportagens sobre Obama, Kabul, Venezuela, Paquistão, Egito, Russia, Corte Suprema dos EUA, os êrros de Busch e a democracia na Malásia, entre outros.
Sabem que é o patrocinador?
O Governo do Rio de Janeiro.
Quem duvidar basta clicar aqui.

Conselho a Cabral

30 de janeiro de 2012

 

                                                                      Ricardo Noblat*
     Por pouco uma tragédia não surpreende o governador Sérgio Cabral fora do Estado ou do país.
Cabral voou a Paris no dia 19, retornando no dia 24, véspera da queda de três prédios no centro do Rio.
A pergunta que não quer calar: por que Cabral viaja tanto ao exterior? E por que a maioria de suas viagens quase sempre é cercada de mistério?
Não, Cabral não tem o dom de abortar tragédias com a sua simples presença. Dele não se cobraria tamanho prodígio.
De resto, manual algum recomenda que o bom governante esteja sempre por perto quando ocorrer uma tragédia. Ou que visite de imediato o local onde ainda há mortos e feridos.
Lula fazia questão de manter distância de desastres de qualquer porte. Não pôs os pés, por exemplo, em São Paulo quando ali se espatifou no dia 17 de julho de 2007 o Airbus A-320 da TAM, matando as 187 pessoas que transportava e mais 12 em solo. Na ocasião, o Comandante da Aeronáutica foi a São Paulo representando Lula.
Eis a questão de fato mais relevante neste momento: em uma democracia, o cidadão tem o direito de saber o que fazem com o seu dinheiro recolhido por meio de impostos.
É uma fatia desse dinheiro que paga os frequentes deslocamentos de Cabral e de sua comitiva. Logo, tudo que tenha a ver com o assunto nos interessa. Ou deveria interessar.
Se Cabral viaja ou viajou de graça à custa de empresários amigos, isso também importa – e como!
É direito de o cidadão conhecer todos os aspectos do comportamento dos seus governantes para poder avaliá-los e fazer suas escolhas. O homem público não tem vida privada, sinto muito. Se quiser ter que abdique da condição de homem público.
A deputada Clarissa Garotinho (PR) pediu à Assembleia Legislativa do Rio que levantasse todas as informações pertinentes às viagens de Cabral. Queria saber quantas vezes ele viajou desde que se elegeu governador; na companhia de quem; se em voo comercial ou particular; e os custos de cada viagem.
O pedido da deputada foi recusado por Paulo Melo (PMDB), presidente da Assembléia e aliado de Cabral, sob o pretexto de que o assunto é da órbita federal.
Então o deputado Garotinho fez pedido idêntico à Câmara dos Deputados. Rose de Freitas (PMDB-ES), vice-presidente, recusou o pedido. Decretou que o assunto é da órbita estadual.
Não é.
Na verdade, quem pode dispor das informações requisitadas por Garotinho filha e pai é a Polícia Federal e a Secretaria de Aviação Civil da presidência da República. À Secretaria se vinculam a Agência Nacional de Aviação Civil e a Infraero, que administra os 66 aeroportos brasileiros.
Garotinho recorreu da decisão de Rose à direção da Câmara, mas perdeu. Apelou à Justiça.
Seu apelo, hoje, repousa empoeirado à sombra de alguma toga.
Uma sugestão: por que Cabral não abre espontaneamente a caixa preta de suas viagens para mostrar que nada de podre se esconde ali?
Somente em uma democracia de fachada - ou uma democracia capenga - um governante pode esconder dos governados informações sobre suas viagens ao exterior e a outros Estados
*Ricardo Noblat é jornalista e mantém um blog no site de ‘O Globo’.

Garotinho quer voltar ao Governo

30 de janeiro de 2012

     O deputado Anthony Garotinho concedeu uma entrevista ao ‘Dia’ nesse final de semana, quando revelou sua intenção de concorrer ao governo do Rio em 2014. Para ele, a eleição municipal desse ano, será uma prévia para ele atingir sua meta.
Eis a entrevista concedida a repórter Rozane Monteiro.
- O que levou o senhor a se aproximar do ex-prefeito Cesar Maia (DEM) e anunciar no ano passado a intenção de lançar seus filhos (Clarissa Garotinho e Rodrigo Maia) como uma opção para montar uma chapa adversária ao prefeito Eduardo Paes (PMDB) nas eleições deste ano?
– Nós organizamos o PR para disputar eleição de uma forma competitiva no Estado. Fora o partido do governador (PMDB), nenhum outro partido tem a competitividade que o nosso tem. Eu digo ‘partido do governador’ porque ele não tem partido. Ele tem partido porque está no governo, senão ele não conseguiria montar candidaturas. Restaram duas estruturas fortes no estado — a do governo, que só é o que é porque é governo — e a nossa. Então, nós procuramos não disputar esta eleição isolados.
- Por que não teriam força?
- Porque, do outro lado, existe um grupo enorme de partidos que foram cooptados por empregos, por favores, por negócios… dinheiro, né? Então, nós não podíamos disputar uma eleição dessas sem tempo de televisão, que é fundamental para nossos candidatos.
- Mas os senhores já foram adversários ferrenhos. A política é assim?
- Eu e Cesar Maia temos diferenças, temos sim. Nós não escondemos isso, não. Continuamos tendo. Veja bem, na política, a gente tem que superar as diferenças que existem com os nossos adversários em função dos momentos históricos que nós vivemos. Por exemplo, veja a grandeza de (Luiz Carlos) Prestes, num momento da História, depois de ter tido um problema seriíssimo com o (presidente Getúlio) Vargas, que foi a questão da mulher (Olga Benario Prestes). Em nome do interesse maior do povo brasileiro, ficaram juntos. [Depois de ver sua mulher, judia, ser entregue por Vargas ao governo alemão na década de 1930, Prestes apoia sua campanha a eleição para presidente em 1950 ].
- O senhor acha bonito o Prestes ter ficado do lado do Vargas depois de o presidente ter entregado a mulher dele aos alemães?
- Não. Mas o Prestes entendeu que, naquele momento, era importante para o Brasil a união dele com Vargas. Então, eu continuo entendendo que o Cesar Maia tem uma posição mais liberal que a minha. Eu não sou um liberal.
- Falamos de economia?
- Não. Liberal, como uma posição política. Eu não sou. Sou um trabalhista, um nacionalista. Ele não é. Ele é um liberal. Mas isso não é algo que seja maior do que a necessidade de banir do Rio de Janeiro essa coisa oca, sem conteúdo que é um conjunto de gente interesseira, negociante, que vem tratando a coisa pública do estado e no município como se fosse uma coisa sua, pessoal.
- Quando o senhor fala “negociantes”, o senhor está se referindo a quê?
- A tudo. Por exemplo: os carros da polícia terceirizados com preços superfaturados; o aluguel de ar-condicionado para as escolas estaduais, absurdo; o aluguel de UPAs (Unidades de Pronto Atendimento)… Eu poderia citar aqui pelo menos 10, 15 exemplos de grandes negociatas feitas no governo do estado por esse grupo que está aí…
- Como provar?
- Está mais do que provado. Está tudo provado.
- O povo tem a percepção disso?
- Não. Com raríssimas exceções, Cabral comprou a mídia do Rio de Janeiro.
- Não me inclua, por favor. Mas, voltando aos “jornalistas comprados”, eu — que não sou “comprada” —, pergunto ao senhor : como provar esta afirmação?
- Imagine que qualquer outro político tenha dito que as mulheres que moram na Rocinha são fábricas de marginais, que os médicos são vagabundos; que tivesse mandado prender 439 bombeiros de uma vez só, o que nem a ditadura fez… O que teria acontecido com esse político? Estaria execrado.
- Voltando ao DEM… O senhor falou que seria interessante ter tempo na TV. Com a aliança, em quanto aumenta esse tempo?
- Dobra. Passa de dois e pouco para quase cinco minutos.
- Como foi essa aproximação com o DEM?
- Um tempo atrás, o Rodrigo (Maia) me procurou em Brasília, almoçamos, e ele disse: “Olha, a visão do papai é a seguinte: que a gente, sem estar unido, vai ser muito difícil derrubar essa máquina que envolve dinheiro, poder, mídia, e que ele achava muito importante e necessário que nós sentássemos para conversar.” Falei: “Marca dia e hora.” Então, Cesar Maia marcou um encontro na casa dele e perguntou se eu iria lá. Eu disse: “Não sou uma pessoa intransigente de não sentar para conversar com ele.” Sentei na casa dele. Aí, o Cesar fez uma análise e falou: “O nosso partido está muito fragmentado no interior, ao contrário do seu grupo político. Então, a nossa proposta é a seguinte: a gente indica a cabeça de chapa na capital e mais um ou outro município, mas muito pouco. E vocês ficam com o resto do estado todo.” Eu achei que, para os nossos candidatos — várias cidades têm televisão como Volta Redonda, Campos, Macaé e outras regiões importantes do estado —, ter um partido onde a gente poderia montar uma boa nominata de vereadores e ainda ter tempo de televisão era uma boa. Mas eu fiz questão de perguntar: “E o projeto para frente?” Ele perguntou: “Para frente como?” Eu respondi: “Depois dessa eleição. Eu posso ser candidato a governador, né? Não estou dizendo que vou ser, é uma hipótese bem provável.” “Bom, se você for candidato a governador, nós estaremos com você”. “Está bom. Está fechado?” “Está fechado.” Passamos um primeiro momento, as coisas foram evoluindo, tivemos várias reuniões. Mas eu ainda acho que, melhor que a candidatura do Rodrigo, é a candidatura do Cesar Maia.
- A vereador?
- A prefeito. Eu defendo que ele (Cesar) seja candidato a prefeito. Ele ainda está resistente, mas acho que, no final, a disputa no Rio vai ser entre quatro candidatos: Eduardo Paes, Fernando Gabeira (PV), Cesar Maia e Marcelo Freixo (PSOL). Esses quatro candidatos vão fazer uma eleição disputadíssima na cidade do Rio de Janeiro. Aquilo que hoje o PMDB tenta passar como uma barbada vai ser uma eleição muito difícil. Quando você faz uma pesquisa e coloca Eduardo Paes com o cenário do Rodrigo Maia, (o deputado federal do PSDB) Otávio Leite e (o senador do PRB, Marcello) Crivella, ele dá 36%. Quando você faz uma pesquisa e coloca Eduardo Paes, Cesar Maia, Gabeira e Marcelo Freixo, ele dá 25%, Gabeira, 20%; Cesar Maia, 15%; Marcelo Freixo, 12%.
- Com o DEM, no cenário de agora, há uma chance de minar Eduardo Paes?
- Eu tenho absoluta certeza de que neste quadro de candidaturas — Eduardo Paes, Cesar Maia, Fernando Gabeira e Marcelo Freixo —, o Eduardo Paes vai para o segundo turno com um dos três e perde.
- Então, essa história de Rodrigo com Clarissa contra o Paes é balão de ensaio?
- Isso é o que está posto hoje. Mas a eleição não é hoje. A definição de candidatura também não é hoje. Eu vou continuar trabalhando dentro daquilo que eu acredito ser o melhor para a nossa visão política.
- Isso é uma preparação para a candidatura de Cesar Maia?
- O que eu estou te dizendo é que eu vou sensibilizá-lo e tenho certeza de que o próprio Gabeira, ao não sair do PV, acompanhando a Marina (Silva, ex-ministra do Meio Ambiente e ex-candidata à Presidência da República pelo PV), deixou uma porta aberta para ser candidato. Se o Cesar Maia e o Gabeira forem candidatos, o PMDB perde a eleição no Rio.
- Qual o Calcanhar de Aquiles do Paes?
- Saúde. A saúde do governo dele está na CTI.
- O povo percebe isso?
- Percebe. Porque este fato é, assim, muito visível. É muita gente nesse embate diário, batendo na porta de pronto-socorro que não tem remédio, médico, atendimento… Eu acho assim: nós nos preparamos para fazer com nosso grupo 30 prefeituras no estado. Achamos que o PMDB vai começar a diminuir e voltar para o seu tamanho normal, que é, nesse primeiro momento, em torno de 30, para depois encolher e voltar para o seu leito natural. Eu acho que o PMDB vai encolhendo, vai perdendo espaço. Eles vão voltar a ser um partido pequeno no estado. Sabe por quê? Porque tudo que não tem consistência desmancha no ar. A farsa vai ser revelada a partir desta eleição municipal.
- Há algum município do Estado do Rio em que o PR esteja liberado para fazer aliança com o PMDB?
- Nós não vamos apoiar o PMDB em cidade nenhuma.
- Esse quadro não muda de jeito nenhum?
- Não muda.
- A campanha de 2012 é para preparar o PR para a disputa pela sucessão do governador Sérgio Cabral?
- A campanha de 2012, na verdade, vai consolidar o processo de reestruturação do PR no Rio de Janeiro. Este ano vai servir para pavimentar essa consolidação do partido em um âmbito estadual. Vamos poder aparecer na TV, falando de projetos já realizados pelo partido e por mim, como governador e como deputado federal, também saindo em defesa dos candidatos que a gente entende como sendo os melhores para a população. Então, a campanha de 2012 pavimenta, consolida a reestruturação do PR como uma legenda importante no estado. É uma campanha muito importante, sobretudo em função das eleições de 2014.
- Depois do tempo que o senhor passou no comando deste estado, o que ficou no imaginário do cidadão fluminense com relação ao senhor?
- Olha, eu saí do governo do estado para ser candidato a presidente. Tive quase 16 milhões de votos. Ganhei no Rio de Janeiro, tive mais voto do que o Lula. Rosinha (Garotinho, mulher do deputado) foi eleita (governadora, em 2002) no primeiro turno. Bom, como é que eu posso ter sido mau governador se o povo votou maciçamente em mim para presidente e elegeu a minha candidata — minha esposa — no primeiro turno? Claro, depois, foi feito todo um processo de massacre, de lavagem cerebral na cabeça da população para jogar parte da população contra mim. Por quê? Porque eu não sou um político que faça o jogo das elites políticas. Eu não sou um político, assim, confiável ao controle das elites. Se, numa eleição para deputado federal, eu faço 700 mil votos — a maior votação que um deputado federal já teve na História do Rio de janeiro —, as pessoas dizendo que não adiantava votar em mim, que o voto não ia valer, me acusando de tudo o que se pudesse imaginar, tem uma parte expressiva da população que não engoliu isso.
- O senhor seria candidato a presidente da República de novo?
- Sou professor de escola bíblica. A Bíblia manda a gente viver um dia de cada vez. Então, vamos viver o dia de hoje.
- Isso é sim ou não?
- Nem sim, nem não.
- Quem seria o vice no caso de o senhor ser candidato a governador?
- É muito prematuro isso. Agora é hora de organizar o partido e ganhar as eleições municipais. Consolidadas as eleições municipais, vamos partir para a eleição estadual. Mas primeiro temos que viver este momento.
- No início do ano, em entrevista a O DIA, ao comentar sua aliança com o Cesar Maia, o prefeito Eduardo Paes respondeu: “Eu não perco um minuto da minha vida com nenhum dos dois.” O que o senhor tem a dizer sobre isso?
- É uma frase de efeito e nada mais. Eu, se fosse ele, perdia um pouco de tempo comigo porque eu fui o deputado federal mais votado na cidade do Rio de Janeiro. Eu tive 177 mil votos na cidade, o dobro do candidato que ele apoiou que foi o secretário (Casa Civil) dele, o Pedro Paulo. Se você não quer perder um minuto com o deputado federal mais votado da cidade que você governa, no mínimo, você é mau político.
- Sobre o que é o livro que o senhor está acabando?
- É um livro de mensagens. Eu pego um versículo bíblico e desenvolvo, faço uma mensagem para a pessoa. O livro é isso. Em cima de cada mensagem, eu conto uma história. Por exemplo, tem o versículo “conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.” Aí, eu falo o que é a verdade. No fim, ilustro com uma história.
- Falando nisso, o senhor teria um versículo para o prefeito nesta eleição?
- Um versículo bíblico?
- Sim.
- Para o Eduardo Paes?
- Claro.
- “A soberba precede a ruína.”

Dilma defende Estado palestino

30 de janeiro de 2012

    Do repórter Biaggio Talento, de ‘O Globo’:
   “Em discurso na solenidade do Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, realizada ontem pela comunidade israelita, em Salvador, a presidente Dilma Rousseff destacou que o massacre do povo judeu, classificado como “nódoa da história”, deve ser lembrado sempre e defendeu a criação de um estado Palestino:
— O Holocausto, que alguns negam, servirá sempre de paradigma contra a intolerância e contra essa violência bestial. Não podemos apagar da nossa memória atos repulsivos, nem podemos achar que eles são privilégio de algum povo. Infelizmente, nós vemos que, na humanidade, há várias manifestações nesse sentido. Mas, as sociedades democráticas têm o poder de deixar se colocar à nu essas tentativas (de negar o Holocausto). Por isso fazemos essa cerimônia para lembrar sempre.
Dilma fez questão de manifestar a posição do governo brasileiro de considerar “imprescindível”, para a paz no Oriente Médio, “a criação também do estado Palestino Democrático e não segregador”. E defendeu a solução diplomática ao invés dos conflitos armados:
— Acreditamos que a melhor solução é a construção de um ambiente de negociação e discussão.
Recentemente, o porta-voz pessoal do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, Ali Akbar Javanfekr, fez duras críticas à nova diplomacia brasileira em relação ao Irã. Chegou a declarar que “a presidente golpeou tudo o que (o ex-presidente) Lula havia feito. Destruiu anos de bom relacionamento”.
Pouco antes de Dilma falar, na mesma cerimônia, o presidente da Confederação Israelita do Brasil (Conib), Claudio Lottenberg, havia se referido à postura do Irã de negar o Holocausto e pregar a destruição do Estado de Israel
- Lamento a posição de que líderes que pregam a extinção de Israel. A paz e a harmonia não estão ao lado do horizonte do presidente iraniano.
A presidente acendeu uma das seis velas na cerimônia. Cada uma simboliza um milhão de judeus mortos”.

Yoani Sánchez não ajuda Cuba

29 de janeiro de 2012

                                                             Julia Sweig*

       Uma confissão: a viagem da presidente Dilma a Cuba me faz sentir “inveja de política externa”. Como historiadora e analista política que vem viajando à ilha e escrevendo sobre ela há 25 anos, já teci fantasias sobre ter a oportunidade de assistir a meu próprio presidente fazer uma viagem dessas.
Mas, nos EUA, a ideia de que eleitores e financiadores de campanhas cubano-americanos puniriam um presidente que fosse longe demais nos leva a ignorar as transformações monumentais, embora lentamente implementadas, advindas sob Raúl. Perda nossa, ganho do Brasil.
Quando primeiro decidi escrever uma coluna sobre a viagem de Dilma a Cuba, imaginei que eu falaria sobre o teor das reformas econômicas, sociais e políticas -empresas privadas, acúmulo de capital e produtividade agora são coisas patrióticas, e não contrarrevolucionárias- abrangidas no eufemismo governamental sobre “atualização do socialismo cubano”.
Mas, quando uma jornalista de uma séria agência de notícias internacional me telefonou para falar sobre a visita, ela me surpreendeu ao apresentá-la, como a imprensa brasileira vem fazendo, como um teste da política de direitos humanos de Dilma.
Após um ano na Presidência, Dilma vem lentamente, e com alguns desvios incômodos, assinalando a intenção de fazer dos direitos humanos uma parte de sua agenda nacional e internacional.
Em Cuba, porém, não são o blog de Yoani Sánchez nem a comparação autoelogiosa e historicamente falsa que ela traçou com Dilma na juventude que merecem atenção ou são medidas de avanço dos direitos humanos.
Os tuítes dela não se comparam às críticas aguçadas e profundamente focadas ao governo que podem ser encontradas, por exemplo, em nada menos que o site da Arquidiocese de Havana, www.espaciolaical.org.
Ali, uma gama inusitada e ideologicamente diversificada de vozes critica o governo, a burocracia e o Partido Comunista por sua opressão desumanizadora dos cidadãos cubanos. As críticas não medem palavras, mas sua intenção é serem construtivas, e não histriônicas -escritas no espírito de uma oposição leal, nacionalista.
A Igreja Católica não é a única outra voz ativa no país, mas sua voz, e a de numerosos outros acadêmicos, figuras culturais e jornalistas, torna obrigatório perguntar “o que significa a dissidência na Cuba de Raúl? E qual seria a melhor maneira de potências externas apoiarem o movimento em Cuba em direção a uma sociedade e economia abertas?”.
O “diálogo político” que o ministro Patriota e a presidente Dilma pretendem realizar com Cuba, além da geração de empregos (o porto de Mariel) e os primeiros passos em direção ao aumento do comércio e dos investimentos, tem muito mais chances de reforçar transformações positivas do que se poderia conseguir brincando de favorito com este ou aquele “dissidente”.
Nos EUA já tivemos mais de um século de experiência tentando e não conseguindo identificar vencedores na política interna cubana.
Se não posso ter meu presidente em Havana, permita-me a liberdade de oferecer uma sugestão não solicitada a Dilma: falar com Raúl sobre opções para a imprensa brasileira abrir sucursais em Havana em tempo para a viagem do papa Bento 16, em março.
A cobertura das transformações na ilha e das vozes que fazem parte dela só poderá ajudar a vocês e seu público, no momento em que o Brasil se abre para Cuba e Cuba se abre para o Brasil. E talvez também ajudar Washington a ver Cuba além de sua política doméstica.
*Julia Sweig é diretora do programa de América Latina e do Programa Brasil do Council on Foreign Relations, autora de “Inside the Cuban Revolution” e “Cuba: What Everyone Needs to Know”, e escreveu para a ‘Folha’.