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Arquivo para dezembro, 2010

Dilma é Presidenta

31 de dezembro de 2010

    Agora é oficial.
No convite que Dilma Rousseff enviou aos amigos para a solenidade de transmissão da faixa presidencial e para o coquetel no Itamaraty, ela aparece como Presidenta e não Presidente.

O reveillon em Brasília

31 de dezembro de 2010

   É dura a vida do brasiliense.
Hoje, a meia noite, haverá fogos na Esplanada dos Ministéri e apresentação de artistas locais.
A maior atração da noite será a dupla Fernando e Sorocaba.

Dilma precisa reagir a CBF e ao COB

29 de dezembro de 2010

     Está mais do que claro que Dilma Rousseff não gosta do ministro  Orlando Silva, que tornou-se conhecido,  não por sua atuação na pasta do Esporte, mas sim porque que descobriram que ele havia utilizado o cartão corporativo para comprar uma tapioca, na lanchonete ‘Pamonhão Kalu’, em Brasília.
A tapioca foi a ponta do iceberg.
Silva gastou, na verdade, quase R$ 30 mil em despesas ilegais.
Devolveu tudo aos cofres da União e continuou ministro.
                   * * *
Se ele é capaz de usar o dinheiro publico para comprar uma tapioca, imagina-se o que fará com as enormes verbas que terá a sua disposição para a organização da Copa do Mundo e das Olimpíadas do Rio.
O prefeito Eduardo Paes pressentiu o perigo que corria, e a idéia de fazer de Orlando Silva a Autoridade Olímpica do país não passará na Câmara do Rio, nem por decreto.
     * * *
O ministro da Tapioca, ao que tudo indica, continuou no cargo por pressão do PCdoB, o que é, até certo ponto, admissível.
Mas hoje, no ‘Estadão’, uma reportagem assinada por Silvio Barsetti, informa que Silva continua no cargo, por “pressão das principais entidades esportivas do país”.
Tomara que isso seja apenas uma intriga.
Não é possível que Dilma Rousseff , que enfrentou o PMDB e outros partidos de sua coligação, não tenha força suficiente para enfrentar os  Teixeiras e os Nuzmans da vida.

De Roosevelt@edu para Lula@gov

29 de dezembro de 2010

                                                                             Elio Gaspari*

 

      Caro Lula, Há oito anos, quando o senhor foi eleito presidente do Brasil, eu lhe mandei uma mensagem torcendo pelo seu sucesso e lembrando-lhe a essência do meu êxito.
Governei os Estados Unidos de 1933 a 1945, ganhei a maior guerra de nossa história, mas de Franklin Roosevelt ficou a lembrança de um presidente que mudou a vida do seu povo, criando uma América onde ninguém ficasse de fora.
O mundo aprendeu que ou haveria capitalismo para todos ou não haveria para ninguém. O senhor fez o mesmo no Brasil. Para quem dizia que seu país era uma Belíndia, o senhor tirou da Índia brasileira o equivalente à população de toda uma Bélgica.
Entre 2003 e 2009, o número de pobres passou de 30,4 milhões para 17 milhões. O desemprego caiu a níveis históricos, e pela primeira vez em muitos anos a maioria dos trabalhadores está no mercado formal. O crédito chegou a casas onde a pobreza era um estigma financeiro. Os plutocratas do seu país compreenderam que o acesso dos pobres aos instrumentos do capitalismo é a garantia de sua longevidade.
De tudo o que o senhor conseguiu, o que mais me comove é o resultado desse programa chamado ProUni, que coloca nas universidades jovens de famílias pobres com bom desempenho escolar. Eu fiz coisa parecida, abrindo o ensino superior para os soldados que voltavam da guerra.
Em cinco anos, o seu programa atendeu 540 mil jovens. O meu matriculou 2,2 milhões entre 1944 e 1949. Inicialmente, pensávamos apenas em proteger os veteranos da guerra. Trinta anos depois, verificou-se que a GI Bill foi um dos fatores determinantes para o surgimento de uma nova classe média.
Quando o Juscelino Kubitschek me contou que a oposição foi à Suprema Corte para destruir seu programa, percebi que o Padre Eterno fez pelo senhor o que fez por mim: presenteou-nos com uma oposição que assegura nosso lugar na história.
Antes de lhe escrever jantei com Getúlio Vargas, JK e Ernesto Geisel. Em graus variáveis, os três torciam pelo seu sucesso. Getúlio e JK invejaram sua capacidade de sobreviver ao mandato e eleger a sucessora.
Já o Geisel teme que esse sucesso traga um risco. Com a experiência de quem foi escolhido pelo antecessor (um general introvertido chamado Médici) e escolheu o sucessor (outro general, não sei se Figueiredo é o nome dele ou do cavalo que monta), pede que lhe avise: cuidado com a turma da copa e cozinha. É de lá que saem as intrigas. Um deles brigou por causa de uma irrelevância na Previdência do Rio Grande do Sul.
Parte de seu sucesso o senhor deve ao professor Cardoso. Não faz bem à sua biografia negar-lhe o crédito. Estive com Ruth, mulher dele, mas não posso contar o que ela me disse a respeito da última campanha eleitoral brasileira.
Senhor Silva, repito o que escrevi em 2002. Pouco temos em comum, eu vim de Harvard e de uma família que já havia dado aos Estados Unidos um presidente (que por pouco não morreu na floresta brasileira). O senhor veio de lugar nenhum. Dizem que fui o traidor da minha classe. Felicito-o por não ter traído a sua.
Despeço-me registrando que a admiração de Eleanor, minha mulher, pelo senhor é muito maior do que a minha.
Parabéns,
Franklin Roosevelt
*Elio Gaspari é jornalista e escreve para ‘O Globo’.

Alckmin enterra o PMDB

29 de dezembro de 2010

O PMDB ficou de fora do primeiro escalão do governador Geraldo Alckmin, em São Paulo.
E olha que ainda não foi nem rezada a missa de 7º dia do parceiro de primeira hora, o falecido presidente do PMDB paulista, Orestes Quércia.

De Lula para Dilma

29 de dezembro de 2010

                                                     Marcos Coimbra*

Nos balanços sobre o governo Lula que nestes dias pululam, o tom, na maior parte das vezes, é uma mistura de elogios e críticas. Há os que unicamente encontram motivos para desmerecê-lo, mas são raros. Salvo um ou outro dinossauro da antiga direita e os cômicos personagens da “nova direita” da mídia, quem tem um mínimo de bom senso sabe que avaliá-lo desse modo é bobagem.
Também existem os que acham que tudo foi uma maravilha, que Lula não pode ser cobrado por nada, pela simples razão de que só acertou. São ainda menos frequentes, mas, vez por outra, ainda aparecem, especialmente entre lulistas da velha guarda.
Quase sempre, os balanços procuram ser equilibrados, ressaltando acertos e erros, sucessos e fracassos. Como, no entanto, a verdadeira imparcialidade não existe, mesmo esses revelam de que lado estão os autores, se são mais ou menos favoráveis ao governo.
Do lado positivo, o grande consenso é a política social, capitaneada pelos programas de transferência de renda e cujo carro-chefe é o Bolsa Família. Só os preconceituosos não veem sua importância e insistem no discurso de que ele perpetua a pobreza e aumenta a dependência dos beneficiários. A evidência de que isso não é verdade é tão ampla que somente a desinformação explica a sobrevivência do estereótipo.
Do lado negativo, até quem simpatiza com Lula costuma arrolar o mensalão e os escândalos de corrupção como as “manchas” de seu governo, seu pecado capital. Quando o assunto chega aí, mesmo o mais ardoroso petista fica intimidado e prefere desconversar.
No meio, entre o Bolsa Família e o mensalão, temos o vasto território de tudo mais que o governo fez: política econômica, relações internacionais, políticas setoriais, relações com os Poderes, ação política. A respeito desse conjunto, prevalece a visão de que Lula acertou mais que errou, quando se põem na balança as iniciativas de seus dois mandatos.
Para quem não gosta de Lula, o saldo é positivo mais pelo que ele deixou de fazer, quando manteve as linhas mestras da herança de Fernando Henrique, a começar pela política econômica e o princípio da responsabilidade fiscal. Quem o admira ressalta o oposto, as mudanças realizadas na gestão da economia e o caráter inovador das medidas que criaram o ambiente de desenvolvimento que levou o país aos resultados a que chegamos.
Enquanto os analistas fazem sua contabilidade, as pesquisas revelam uma opinião pública muito mais favorável a Lula. Se as pessoas comuns pensassem como os entendidos, o presidente não estaria encerrando seu período com 87% de aprovação e Dilma talvez não tivesse sido eleita ao assumir o compromisso de continuar seu trabalho.
Sempre se pode dizer que o povo está errado, que foi e continua a ser enganado por Lula, que, com sua habilidade e seu “poder de comunicação”, manipula os sentimentos dos cidadãos “mais simples” (nunca os da classe média “mais lúcida” e de seus intelectuais, que se mantêm “vigilantes”). Ou seja, que Lula “não merece” a boa avaliação que recebe, e que Dilma ganhou a eleição em consequência da combinação de esperteza e falta de escrúpulos de seu mentor.
Mas podemos olhar a aprovação de Lula e a vitória de Dilma de outra premissa, reconhecendo que o povo é perfeitamente capaz de fazer julgamentos racionais. Em outras palavras, procurando entender o que quer dizer um presidente que termina um governo tão longo com tamanha popularidade.
O Lula de antigamente virou o Lula deste fim de 2010 em função de duas comparações e como resultado de uma aposta bem sucedida. Ele foi melhor como presidente que todos que a população conheceu e superou a expectativa que as pessoas tinham do que seria. E fez com que aqueles que votaram nele achassem que acertaram quando confiaram em alguém como ele, apesar de tudo que tinham ouvido (e continuaram a ouvir) em contrário.
É claro que foi por isso que Dilma ganhou e que vai começar a governar com a torcida quase unânime da população. A esperança de que ela será uma presidente tão boa ou melhor que Lula é mais uma prova da admiração que o povo tem pelo trabalho feito nos últimos anos, no qual ela foi peça fundamental.
Tomara que estejamos (quase) todos certos!
*Marcos Coimbra, sociólogo, presidente o Instituto Vox Populi e escreve para o ‘Correio Braziliense’.

Lula deixa saudades

27 de dezembro de 2010

   Dos repórteres Johanna Nublat e Simone Iglesias, da ‘Folha’:
Olá, presidente. O senhor mostrou que os políticos não são todos iguais. Estudei pelo ProUni e me formo em 2011. Obrigado por ajudar esse povo tão sofrido e parabéns pela eleição da Dilma. Sei que no dia 1º o senhor não será mais presidente, mas espero que volte. A propósito, venha conhecer nosso projeto social. Um abraço!
O trecho acima reúne frases de diferentes cartas e e-mails recebidos pela Presidência da República desde abril deste ano, com mais intensidade a partir de agosto.
O objetivo é dar um caloroso adeus, ou ao menos “até logo”, ao presidente mais bem avaliado no pós-ditadura, Luiz Inácio Lula da Silva.
Até meados de novembro, o volume da correspondência somava cerca de 1.700 mensagens, enviadas de todos os Estados, por homens, mulheres, crianças e idosos.
Não falta, também, quem queira convidar o petista, depois de deixar a Presidência, para inaugurações, visitas e projetos sociais.
Esses recadinhos, às vezes recolhidos em eventos em que Lula comparece, se somam à média de 250 mensagens diárias que chegam ao Palácio do Planalto desde o início do governo petista.
Na presença da reportagem, as mensagens de despedida foram abertas, de forma aleatória, pelo responsável pela documentação histórica da Presidência, Cláudio Rocha. Todas elas eram elogiosas ao presidente.
Somente uma tecia críticas ao PT, “comprado por outros partidos”, segundo alguém escreveu de Marília (SP).
Mais de 70% das mensagens chegaram por e-mail, 80% foram escritas por adultos com até 60 anos e mais de 50% foram enviadas de São Paulo, do Rio de Janeiro e de Minas Gerais.
Do Estado natal do presidente, Pernambuco, chegaram 18 cartas e 91 e-mails.
O tom é geralmente informal, muitas vezes usando “você” como tratamento e um “olá, presidente”.
Em outros casos, o remetente exagera na tentativa de formalidade e embaralha as letras ao experimentar um “excelentíssimo senhor”.
O “companheiro”, usado com frequência no início do governo do PT, foi abandonado nos últimos anos.
As mensagens recebidas são catalogadas pela Presidência e dificilmente chegam às mãos do destinatário. No máximo, são lidas pelo chefe de gabinete do presidente, Gilberto Carvalho.
Agora, ao fim de seu governo, Lula vai recebê-las e direcioná-las para seu instituto, ainda a ser criado. O mesmo acontecerá com os presentes.
Lula foi o destinatário do e-mail número 1 de um menino de oito anos de Santa Catarina. “Sempre desejei falar com você, estou usando o computador da minha avó. Estou muito nervoso”, disse.
Depois da introdução, o garoto discorreu sobre o sofrimento com a saída do petista e agradeceu pelo “país que temos hoje”.
Ao se despedir, mandou um abraço para a presidente eleita, Dilma Rousseff, e outro para a primeira-dama, Marisa Letícia.
Em outro e-mail elogioso, uma senhora de 73 anos escreveu para dizer que é admiradora de Lula “desde os tempos do sindicato” e aproveitou para fazer um apelo pelo filho, preso fora do país.
Pedidos pessoais como esse são recorrentes. A Folha se deparou até com uma demanda para resolver uma dificuldade com consórcio.
O mais comum nas mensagens lidas pela reportagem é que o remetente diga apenas “olá” e “adeus”. Caso da criança que mandou um e-mail no aniversário de Lula, em 27 de outubro. “Apesar de ser criança, sempre soube que o país ia mudar. O senhor é o melhor presidente que o Brasil já teve (…) Não me canso de agradecer.”

Quem não atende Lula?

27 de dezembro de 2010

    De Renata Lo Prete, no Painel da ‘Folha’:
“Ao ouvir Lula ensaiar sua enésima despedida do poder, na cerimônia de balanço dos oito anos de governo, um ministro olhou para o colega ao lado e disse, com um suspiro:
-Ele está indo embora mesmo…
O outro retrucou:
-É, mas se ele ligar pra você depois de 1º de janeiro, eu aposto que você vai atender, não vai?”

O discreto homem forte de Dilma

27 de dezembro de 2010

     Dos repórteres Denise Rothenburg e Ivan Iunes, do ‘Correio Braziliense’:
“Quero você na Vice-Presidência do Banco do Brasil”, disse o presidente Lula ao deputado federal Geraldo Magela (PT-DF), que saiu do encontro todo contente, disposto a aceitar o cargo. Dias depois, Magela receberia um telefonema do então coordenador-geral da transição, Antônio Palocci, convidando-o para uma conversa. “Sei que o presidente convidou você para vice do Banco do Brasil, mas falei com ele e precisamos de alguém talentoso para fazer acontecer o Banco do Povo. Seu nome é o ideal (…).” Foi assim que Palocci, numa única conversa, deslocou Magela de uma das vice-presidências do BB, onde queria ver pessoas mais afeitas ao mercado, para o chamado Banco do Povo.
O episódio, durante a formação do segundo escalão do governo Lula, é apontado por vários integrantes do PT como revelador da forma de atuar do futuro ministro da Casa Civil. Palocci não bate de frente nem briga por pequenas coisas. Libriano de 4 de outubro — completou 50 anos este ano — é tido por seus companheiros de partido como detentor de um estilo conciliador, capaz de levar o interlocutor a fazer o que ele deseja sem deixar transparecer que saiu ganhando no episódio. Quem melhor o definiu essa semana foi o deputado Devanir Ribeiro (PT-SP), que, numa conversa com amigos, declarou: “Palocci é política pura”.
Devanir resumiu numa frase a área em que Palocci se sente melhor atuando. Tanto é que, inicialmente, queria ficar na secretaria-geral da Presidência, deixando todas as atribuições administrativas palacianas a cargo da Casa Civil. Assim, estaria dedicado à macropolítica estratégica do governo, como gostaria. Ocorre que Dilma não abriu mão de tê-lo na Casa Civil. Durante a composição do ministério, a presidente eleita não dispensou a presença de Palocci no cargo que ela própria ocupou. Mesmo na campanha, era sempre ele o convidado a acompanhá-la no carro. Na primeira imagem depois de ser eleita, quando saiu de casa para discursar em um hotel, lá estava Palocci a acompanhá-la no veículo. Para muitos, um gesto marcante da importância que ela dá às avaliações do ex-ministro da Fazenda de Lula.
Palocci é considerado um político de poucas palavras e de ação direta. Talvez por isso, tenha sido o único colaborador de Dilma presente em todas as conversas com os partidos aliados e tendências petistas. Era ele quem, geralmente, introduzia os assuntos: “Bem, a presidenta os chamou aqui porque deseja saber se o senador Alfredo Nascimento é o nome que o PR escolheu para ocupar o Ministério dos Transportes”, perguntou ele à cúpula partidária, líderes, deputados e senadores chamados a chancelar a nomeação. Diante da concordância geral, passava a palavra para Dilma.
No caso do PCdoB, foi ele quem terminou convencendo Dilma a manter Orlando Silva no Ministério do Esporte, como forma de conciliar o interesse do partido, uma vez que a Autoridade Pública Olímpica enfrenta dificuldades para ser aprovada não apenas no Congresso Nacional, mas também pela Câmara Municipal do Rio de Janeiro. Orlando esteve discretamente com Palocci no domingo anterior ao anúncio de sua permanência no cargo. No Congresso e entre futuros e atuais ministros, ninguém duvida que Palocci ficará com a macropolítica enquanto o futuro ministro da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), Luiz Sérgio (PT-RJ), cuidará do dia a dia com os parlamentares, leia-se, emendas ao Orçamento.
Luiz Sérgio é do grupo do deputado José Dirceu, com quem Palocci teve duras divergências quando era ministro da Fazenda. Dirceu e Aloizio Mercadante discordavam da política econômica de metas de inflação, juros altos e superavit primário elevado, uma cartilha seguida também pelos tucanos, que Palocci implantou no governo Lula. Também torceram o nariz quando Palocci chamou o tucano Henrique Meirelles para o Banco Central — o ex-banqueiro do Banco de Boston havia acabado de eleger-se deputado federal pelo PSDB-GO. Ironia do destino, foi de Palocci também o convite à mineira erradicada no Rio Grande Sul, Dilma Rousseff, para que fosse trabalhar na equipe de transição de Lula.
Em suas divergências com Dirceu, Palocci nunca partiu para o confronto direto — ao menos à luz do dia. Por temperamento e pela personalidade forte, porém reservada, raramente deixa o interlocutor saber de cara o que ele está pensando. Sempre quando fala é porque já decidiu. Depois de se envolver no caso da quebra do sigilo do caseiro Francenildo Costa, fechou-se ainda mais em copas, a ponto de raramente falar com a imprensa. “Acredito que o Palocci deixou-se contaminar naquela ocasião pelos planos futuros, alimentados por Lula, e foi afoito. Agora, não alimenta as mesmas ambições de antes e volta ao governo mais maduro”, aposta um deputado petista eleito por São Paulo. Ao longo dos últimos anos, o caráter mais reservado foi vital para Palocci focar em sua defesa no Supremo Tribunal Federal (STF), diante do caso Francenildo. Não fosse o episódio, que ocorreu quando era o homem forte do governo e ministro da Fazenda, possivelmente seria ele e não Dilma o candidato ungido por Lula para sucedê-lo”.

Ary Barroso e a ministra da Cultura

26 de dezembro de 2010

    

   Existem certas pessoas que mereceriam uma estátua.
Uma delas chama-se Omar Jubran, professor aposentado de Biologia, que adora musica e, sem filhos, resolveu adotar Noel Rosa, Ary Barroso e Lamartine Babo.
Noel foi o primogênito.
Durante 11 anos, ele pesquisou a obra musical de Noel e conseguiu, com seus próprios e parcos recursos, reunir as 227 gravações originais do ‘Filósofo do Samba’.
Foi um trabalho monstruoso. Para concluí-lo, Omar teve de vender até o velho Fusca que o levava para o trabalho na faculdade.
Omar chegou a colar um disco de 78rpm partido em três partes. E o trabalho deu certo.
Apreendeu, por sua conta, a técnica de remasterização, e deu ao país uma caixa com a obra completa de Noel em 14 CDs.
Um detalhe: ele não ganha um único tostão por caixa vendida.
                    * * *
Há seis anos, Omar fez o mesmo trabalho com o filho do meio, Ary Barroso. São mais de 300 gravações originais que ocupam 20 CDs.
Patrocinio para editá-los?
Nenhum. Só promessas.
Sergio Cabral, o bom, já chegou a fazer um apelo publico para o magnata Eike Batista: “Tomara que ele goste do Ary Barroso”, brincou Cabral.
                     * * *
Há quatro semanas, Omar Jubran relatou sua saga para uma platéia amante de Noel, na Casa de Rui Barbosa, no Rio.
Nos debates, ele respondeu a uma única pergunta. Era de uma jovem senhora que já conhecia o seu drama, e colocou ali uma enorme escada para Omar brilhar ainda mais,  e ser aplaudido de pé.
A autora da pergunta foi Ana de Hollanda, hoje a toda poderosa ministra da Cultura do futuro Governo Dilma.
Ana sabe, como ninguém, da importância do trabalho de Omar Jubran.
E, agora, que está no poder, deveria eleger isso como prioridade.
Ana precisa resolver logo essa questão.
Mas precisa fazer com urgência.
Não durante o seu governo, mas nos primeiros 100 dias.
É preciso liberar Omar, para que possa nascer Lamartine Babo - o seu terceiro filho.