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Arquivo para abril, 2010

Cabral e a Carteira de Trabalho

30 de abril de 2010

    Dos 11 feriados nacionais, não existe data mais simbólica e emblemática, para Lula, do que o 1º de maio - Dia do Trabalho.
O Presidente ocupou ontem uma cadeia de rádio e TV para, no último discurso aos trabalhadores antes de deixar o governo, falar de seu orgulho: apesar do país ter enfrentado a maior crise, desde 1929, ele a superou e, no ano passado, 995 mil empregos foram criados. E a tendencia é aumentar, já que nesse primeiro trimestre surgiram 650 mil novos postos de trabalho, com carteira assinada, o que é um recorde.

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Para Lula, Carteira Profissional, principalmente assinada, é algo sagrado.
Até meados dos anos 60, as blitz policiais dispensavam a identidade, mas exigiam a apresentação da carteira anotada. Quem não a apresentasse era considerado vadio e, por isso, sujeito a prisão  que variava de 15 dias a três meses.

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É pena que um dos principais aliados do Presidente da República - e seu candidato ao governo do Rio - Sergio Cabral, não possua uma.
De família modesta do Engenho Novo, bairro do subúrbio do Rio de Janeiro, filho de jornalista e de professora, o governador nunca teve patrão.
Com 21 anos, seu primeiro emprego foi assessorar um deputado. Para essa função a carteira não foi necessária.
Em 1986, aos 23, disputou uma vaga na Assembléia do Rio, mas com apenas 4 mil votos foi derrotado. Ganhou a diretoria de Operações da TurisRio - Companhia de Turismo do Rio de Janeiro, empresa pública do governo. Ocupando cargo de confiança, de novo a Carteira de Trabalho foi dispensada.
Três anos depois, em 1990, foi eleito deputado estadual. E não parou mais.
Por tudo isso, o governador nunca recebeu salário ou remuneração. Só conheceu verba de gabinete ou de representação, e depois subsídios.

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Não faltará quem diga que Cabral é, na verdade, um patriota, pois dedicou sua vida ao serviço público.
A verdade é que o governador do Rio de Janeiro nunca foi demitido, nem pediu demissão. Não gozou férias, nem recebeu o terço proporcional. Não sabe o que é aviso prévio, muito menos justa causa, auxílio-doença ou seguro-desemprego. Ele nunca se submeteu a um exame médico de admissão (ou de dispensa) de emprego. Nunca brigou por aumento ou participou de dissídios. Não tem anotações de 13º salário e nem de auxílio doença.
Cabral não conta tempo de serviço para aposentadoria, e não tem anotado o nome da mulher e dos cinco filhos.
O governador nunca teve Carteira de Trabalho.

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Há dois anos, o ministro Lupi lançou a nova carteira profissional, e Lula foi o primeiro a recebê-la.
Com código de barras, ela permite que o trabalhador consulte seus abonos salariais e o saldo depositado no Fundo de Garantia por Tempo de Serviço, o FGTS.
É claro que Cabral não se interessa por nada disso.
Um único detalhe talvez animasse o governador a tirar uma Carteira de Trabalho, até mesmo para exibir em ocasiões festivas, mesmo sem anotações: o novo documento tem a aparência de um passaporte.
Cabral certamente não sabe disso.

‘Ser-Ser’ quer reviver o ‘Jan-Jan’

30 de abril de 2010

Quando a candidatura de Jânio Quadros, à Presidência, foi lançada pelo pequenos partidos PTN e PDC, em 1960, ele foi aos poucos ganhando adesões, até que conseguiu o apoio da UDN, que viu em Jânio a possibilidade de chegar ao poder.
Na época, a eleição era totalmente descasada, e não havia vinculação nem mesmo com o candidato a vice.
Foi aí que surgiu o movimento Jan-Jan, o voto em Jânio pela UDN, e em Jango Goulart pelo PTB.
E eles foram a vitória.
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Em Minas, nas últimas eleições, ocorreu movimento idêntico: o  Lulécio, que era o voto em Lula e em Aécio.
E tudo leva a crer que o fenômeno vai se repetir, lá nas Alterosas, com Dilma, do PT, e Anastasia, governador pelo PSDB.
Ao perguntarem a Dilma sobre a possibilidade da chapa Dilmasia, ela perguntou: “E por que não, Anastadilma?”
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No Rio já existe um cidadão - misto de jornalista e publicitário - contratado, informalmente pelo PMDB, para dar assessoria na formação de pequenos movimentos que irão reviver o Jan-Jan de 1960.
No momento, existe uma discussão sobre o nome.
O mais provável é que seja Ser-Ser, mas há quem defenda o Serbral - o voto em Serra e Cabral.
José Serra, diga-se de passagem, nada tem a ver com isso, mas óbviamente que não irá reclamar.
Já Sergio Cabral, dizem seus companheiros, não moverá uma palha a favor de Dilma Rousseff, a não nos dias em que ela estiver ao seu lado.
Depois de tudo que Lula fez pelo Rio, o normal é que Dilma recebesse uma consagração, até mesmo porque Lula teve, em 2006,  mais votos que Cabral, tanto no primeiro quanto no segundo turno.
O lógico seria Dilma somar mais votos do que Lula.
Quanto a esperteza de Cabral, existem dúvidas se o PT do Rio irá denunciá-lo.
O jogo só ficará claro, de verdade, depois da Copa, na segunda quinzena de julho.

Aécio e a missão impossível

30 de abril de 2010

De Ilimar Franco, no Panorama Político, de ‘O Globo’:
“O comando da campanha de José Serra fez as contas e concluiu que, para ganhar as eleições de outubro, precisa ter 5 milhões de votos a mais que Dilma Rousseff em São Paulo e 3 milhões em Minas Gerais. Em 2006, Geraldo Alckmin ganhou com uma diferença de 3,8 milhões de votos em São Paulo, mas perdeu por 1 milhão em Minas Gerais. Esta é a missão de Aécio Neves. A estratégia tucana pressupõe uma vitória no Sul, que, em 2006, foi por 3 milhões de votos, e que o presidente Lula fracasse em sua tarefa de transferir votos para sua candidata. Sobretudo no Nordeste, onde em 2006 o PSDB perdeu por 10 milhões de votos”.
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Se Serra tiver, em Minas, a metade mais um voto do eleitorado, será motivo mais do que suficiente para uma comemoração dos tucanos.
Agora 3 milhões de votos a mais do que Dilma, é sonho de uma noite de verão.
No caso outono.

Anastasia já aceita Dilma

30 de abril de 2010

Do ‘Valor Econômico’:
“O governador de Minas Gerais, Antonio Anastasia (PSDB), disse ontem que não haverá retaliação aos prefeitos aliados de seu governo que preferirem apoiar a candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, em vez de José Serra (PSDB).
“A política em Minas Gerais é feita sempre com base no entendimento, do convencimento com as ideias”, afirmou Anastasia. “É claro então que é difícil falar em retaliação”, disse o governador, questionado sobre os prefeitos que optarem pelo “Dilmasia”.
A expressão “Dilmasia” - ou “Anastadilma” - foi criada com a união dos nomes de Anastasia com o de Dilma, em uma referência aos que apoiarem, ao mesmo tempo, o tucano para o governo e a petista para a Presidência. Em 2002 e 2006, houve o voto “Lulécio”, com vitória de Lula e do tucano Aécio Neves em Minas.
Anastasia afirmou que quando a campanha começar oficialmente, em julho, haverá um “esforço” em favor de Serra. “As lideranças políticas, bem como a população, vão ter condição de escolher.”
O governador reafirmou seu apoio a Serra na disputa pelo Palácio do Planalto. “O nosso grupo político, liderado pelo governador Aécio Neves, tem, no governador José Serra, o seu nome como candidato à Presidência da República.”

Lula chama Dornelles para conversa

30 de abril de 2010

De Renata Lo Prete, no Painel, da ‘Folha’:
“Diante dos sinais de aproximação entre PSDB e PP, Lula decidiu chamar para uma conversa o presidente do partido, Francisco Dornelles. É com ele, e não com a bancada, que será discutido o eventual apoio à candidatura de Dilma Rousseff (PT) - decisão que Executiva da sigla decidiu anteontem adiar para junho.
No entender do Planalto, deputados do PP alimentam a especulação de que Dornelles pode ser vice de José Serra (PSDB) para aumentar o poder de barganha na liberação de verbas. Em entrevista à rádio Gaúcha, o senador manteve o suspense: “Não há política sem histórias. E, quando elas ganham força própria, não adianta confirmar nem desmentir”.
A chance de o PSDB convidar e de Dornelles aceitar, acrescentando cerca de um minuto e meio ao tempo de TV de Serra, é hoje maior do que a campanha de Dilma gostaria de admitir.
Ainda Dornelles à rádio Gaúcha: “O PP do Rio Grande do Sul é a seção mais forte e prestigiada do partido. A Executiva Nacional não tomará nenhuma decisão com a qual não concorde o PP do Rio Grande do Sul”. Que está alinhado com os tucanos”.

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De Ilimar Franco, no Panorama Político, de ‘O Globo’:
“O PSDB e o DEM do Rio não querem nem ouvir falar na possibilidade de o presidente do PP, senador Francisco Dornelles (RJ), ser o vice de José Serra. A objeção já foi levada ao presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE). Disseram que não aceitam o PP na vice, pois Dornelles apoia o governador Sérgio Cabral (RJ), que é aliado da petista Dilma Rousseff. Um líder da oposição foi taxativo ontem, dizendo que tem quem queira, mas que Dornelles não será o vice”.

Collor quer ser governador em AL

30 de abril de 2010

O ex-presidente e senador Fernando Collor (PTB) anunciou que disputará o governo de Alagoas, e desarmou o palaque de Dilma Rousseff no Estado, que apoiará o ex-governador Ronaldo Lessa, do PDT.
Lessa não gostou nem um pouco, mas admite que “é um direito dele. Com três candidatos, haverá mais emoção”.
Em Alagoas, o governador Teotônio Vilela, do PSDB, disputa a reeleição.

Carecas e sexo

30 de abril de 2010

Do senador José Sarney, para a ‘Folha’:
“Os estadistas de hoje têm uma função a mais: tratar de dar conselhos de saúde, avaliação de antioxidantes celulares, cuidar de hormônios em bois e frangos, higiene corporal e frequência sexual.
A primeira vez em que me surpreendi com o fato foi quando vi o presidente Chávez, da Venezuela, misturar traição à pátria com banho. Os venezuelanos tinham que tomar banho em três minutos: o primeiro para água e sabão, o segundo para esfregamento e enxaguamento, o terceiro para tirar a água e enxugar-se. Mais do que isso era trair a pátria e o socialismo bolivariano, pois consumia energia elétrica. Se a água era fria, mesmo procedimento, para não roubar o tempo ao trabalho nacional.
Depois, seguindo o seu exemplo, o nosso Evo Morales, presidente da Bolívia, por quem tenho simpatia pessoal pelo que representa de sua etnia, promoveu a 1ª Conferência Mundial dos Povos sobre as Mudanças Climáticas e a Mãe Terra, em Tiquipaya, perto de Cochabamba, evento em que fixaria a posição socialista nas questões ambientais.
Lá, o presidente da Bolívia começou a dissertar sobre como o capitalismo está destruindo o homem. Como exemplo, recomendou que ninguém coma carne de frango, porque o frango que comemos está carregado de hormônio e isso faz com que “os homens tenham desvios de serem homens”. Por isso tantos homossexuais.
Falou, também, dos carecas, esquecendo a modinha brasileira que é deles “que elas gostam mais”.
Disse mais: que a Europa tem muitos carecas porque “comem coisas comercializadas pelo mundo capitalista”. A homossexualidade e os sem cabelos são culpa dos transgênicos, vasilhames de plásticos e batatas holandesas, que entraram na história como Pilatos no Credo. Muitos dos presentes, alguns deles vindos de outras partes do mundo e querendo prestigiar o evento, começaram a rir e sair.
Conjugando todas suas teorias, terminou sua fala com o refrão: “Planeta ou morte, Mãe Terra ou capitalismo”. O frei Boff, um dos conferencistas presentes, ouviu as excêntricas interpretações.
Nos juntamos a essa nova estrada do socialismo bolivariano, sem ser parte dele, com o nosso simpático ministro Temporão, bom profissional, excelente formação médica, nos dando a dica de como combater a hipertensão, preveni-la e afastá-la. Basta dançar, praticar exercícios físicos e fazer o que entusiasmou o auditório: sexo cinco vezes por dia, ou por semana, sem tratar, por ser assunto sensível, da sedução e tudo o mais que exige o amor. Mas também sintetizou: “Prevenir a hipertensão só depende de você”.
E eu, que sou hipertenso, com 80 anos, vou procurá-lo para que o Ministério da Saúde distribua o remédio”.

OAB condena decisão do STF

30 de abril de 2010

Do presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil, Ophir Cavalcante, depois que o Supremo Tribunal Federal decidiu rejeitar revisão da Lei da Anistia:
- O Supremo perdeu o bonde da História e será julgado pela sociedade. Lamentavelmente, o STF entendeu que a Lei de Anistia anistiou os torturadores. A nosso ver, é um retrocesso em relação aos preceitos fundamentais da Constituição e às convenções internacionais, que indicam, de forma muito clara, que tortura não é crime político, mas crime comum e de lesa-humanidade, sendo, portanto imprescritível.

Gabeira garante que topa tudo

29 de abril de 2010

Fernando Gabeira explicando como conseguiu aceitar a coligação com o PSDB, DEM e PPS:
“Morei um ano e meio com o Paulo Cesar Pereio… Depois disso estou preparado para fazer qualquer coligação”.

O lucro da CBF

29 de abril de 2010

 De Lauro Jardim, em seu blog:
“A CBF fechou o balanço financeiro referente ao ano de 2009 e o publicou num minúsculo jornal que circula no Rio de Janeiro, o Monitor Mercantil. Nele, se encontram informações relevantes para os torcedores brasileiros. Estão lá desde o lucro (de 72,3 milhões de reais) até o preço que a CBF pagou pelo seu jatinho (47,5 milhões de reais). Eis algumas informações que aparecem no balanço:
*O lucro da CBF entre 2008 e 2009 mais do que dobrou: passou de 32 milhões de reais para 72,3 milhões de reais.
*O Citation Sovereign que a CBF comprou no ano passado custou 47,5 milhões de reais.
*O volume de patrocínios que a CBF recebeu em 2009 foi de 164,9 milhões de reais. No ano anterior havia sido 104,7 milhões - um aumento de 60%. Nada como ano de Copa…
*Da Nike a CBF recebeu 59 milhões de reais. O Itaú pagou 33 milhões de reais à entridade. A Vivo, 30,9 milhões de reais. A AmBev investiu 19 milhões de reais na seleção e a TAM 7,2 milhões de reais.Pão de Açúcar, Procter&Gamble e Volkswagen gastaram menos: 3,2 milhões, 3,7 milhões e 2,7 milhões de reais, respectivamente. A Traffic, de J. Hávila, segundo o balanço da CBF, pagou 3,9 milhões de reais.
*A CBF arrecadou 29,5 milhões de reais como pagamento pelos amistosos que a seleção jogou.
*A Globo pagou 11,3 milhões pelos direitos de exclusividade dos jogos da seleção.
*As despesas da CBF subiram bastante entre 2008 e 2009: passaram de 66 milhões de reais para 84,8 milhões de reais”.