youPode

Arquivo para fevereiro, 2010

Funk do Cabral: enjoy, enjoy !!!!!!

28 de fevereiro de 2010

Serra cai e não tem saída

28 de fevereiro de 2010

De Renata Lo Prete, da ‘Folha’:
“O Datafolha que aponta estreitamento da diferença, já na vizinhança da margem de erro, entre José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) fatalmente aumentará a especulação sobre a perspectiva de desistência do governador paulista. Sua porta de saída, porém, tornou-se minúscula. Crescerá também a pressão tucana para que Aécio Neves aceite ser vice de Serra. Longe de microfones, até os petistas reconhecem que essa possibilidade é real, mas, numa direção ou em outra, não é assunto que vá se resolver agora.
Por fim, o resultado irá acelerar a retirada do oxigênio de Ciro Gomes (PSB). Os números desautorizam o discurso de que sua presença seria necessária para garantir a passagem de Dilma ao segundo turno.
Previsão de um cardeal petista: “O mais provável hoje é que Ciro não seja candidato nem a presidente nem a governador”.
Ao mesmo tempo em que caiu a intenção de voto espontânea em Lula e subiu a de Dilma, cresceu o percentual de eleitores indecisos na pergunta não estimulada: eles são hoje 58%, contra 47% no Datafolha anterior.
A maioria dos eleitores que declaram preferência partidária pelo PMDB, que negocia aliança com o PT em torno da candidatura de Dilma, opta por Serra (46%). A petista arrebata 20% nesse segmento.
Apesar do afunilamento da diferença entre Serra e Dilma no populoso Sudeste, é nessa região que a candidata de Lula atinge seu pico de rejeição: 27%. O recorde do tucano se dá no Norte e no Centro-Oeste: 29%.
Observação do círculo próximo da ministra: Dilma se solta mais nos compromissos de campanha quando não acompanhada por Lula. A presença do presidente no palanque, não obstante outros benefícios, ainda a intimida”.

Dilma, candidata sem prévia

28 de fevereiro de 2010

O ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, foi entrevistado pela repórter Andrea Pinheiro, do ‘Correio Braziliense’. Eis o seu texto.
“O médico Alexandre Padilha, 38 anos, ministro das Relações Institucionais, é o responsável pela articulação política do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Tem a missão de conduzir as relações do Palácio do Planalto com o Congresso, estados e municípios. Nos últimos meses, tem sido visto frequentemente ao lado da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, pré-candidata do PT à Presidência da República. Padilha é um dos estrategistas da pré-campanha de Dilma e diz que trabalhará integralmente, “durante o dia e a noite”, para ajudar a eleger os candidatos da base governista.
Mais jovem ministro do governo Lula, Padilha fala sobre a retomada das atividades do Congresso Nacional e do processo eleitoral. Ele aposta que a ministra Dilma conseguirá mobilizar mais militantes em torno de sua eleição do que o próprio presidente Lula e que, na campanha, a liderança e a capacidade de interlocução da pré-candidata petista com os partidos da base e com a sociedade crescerão. Otimista, defende uma eleição polarizada entre a candidato governista e o adversário do PSDB, ainda indefinido.
- Como o senhor acha que a ministra Dilma vai lidar com o próprio PT?
- Eu tenho certeza de que a ministra lidará com isso com a mesma facilidade do presidente Lula. Ela conseguiu algo que nem o presidente Lula conseguiu no PT: ser candidata sem prévia. Em 2002, o presidente teve que enfrentar a prévia contra o senador (Eduardo) Suplicy para ser candidato a presidente. A ministra conseguiu unificar o conjunto do partido em torno do nome dela. O partido compreendeu que a melhor pessoa para a sucessão seria aquela que estaria no centro do governo. Também acho que conseguiu essa unanimidade porque ela nunca operou pessoalmente para ser candidata. A candidatura dela nunca foi um desejo pessoal e nem de uma tendência do PT. Acabou sendo um projeto coletivo. Além disso, nós vamos enfrentar a campanha, e é quando ficará nítida a capacidade de liderança da nossa candidata. Ao longo da campanha, vai crescer ainda mais a capacidade de interlocução dela com os partidos e com a sociedade.
- O PT sempre foi um partido conhecido por sua capacidade de mobilização do eleitorado, mas tinha um líder carismático liderando o partido e concorrendo às eleições. Embora o PT esteja unido em torno de Dilma, ela não é uma “petista de carteirinha”. O senhor acredita que haverá a mesma mobilização em torno dela?
- Acredito que será ainda maior. Os militantes de todos os partidos da base do governo do presidente Lula e sobretudo aquela população que viu o ciclo de crescimento ininterrupto no país no governo Lula — desde os setores mais pobres, os setores que migraram para a classe média, aos empresários — vão querer defender esse governo e vão querer que esse caminho continue.
- Então, vocês apostam mesmo numa eleição plebiscitária?
- Essa eleição, como diz o presidente Lula, é a eleição “do quem sou eu, quem és tu”. Iniciamos um novo caminho para o país. Respeitamos quem é contra esse caminho, quem tem um caminho alternativo. Mas nós queremos debater com quem é contra quais os rumos para este país. O Brasil não pode permitir retrocesso nem aventura, e nós queremos fazer esse debate.
- Como o governo tem se preparado para a saída da ministra Dilma do cargo e dos outros ministros que concorrerão a cargos eletivos?
- O presidente Lula tem dado sinais de que pretende manter a máquina andando, quer a continuidade das políticas, e pretende manter a economia acelerada. A tendência é que os ministros que saem sejam substituídos por alguém da própria área.
- Qual é exatamente o seu papel na pré-campanha da ministra Dilma?
- O que faço no governo é manter a base unida. Acho que posso contribuir para a coordenação da campanha no sentido de fazer esse diálogo com os parlamentares. Temos o coordenador da campanha, que é o presidente do PT, José Eduardo Dutra, e outros membros. O Dutra vai conversar com os demais partidos para compor uma coordenação mais formal de campanha. E o meu papel é ajudar o presidente Lula a terminar o governo, e a ministra Dilma naquilo que ela nos demandar nessa pré-campanha.
- O senhor tem sido visto muito ao lado dela ultimamente…
- Isso é por conta da relação com os governos estaduais e municipais. Eu dirigi a Secretaria de Assuntos Federativos e isso fez com que tivesse papel permanente com os governos estaduais e municipais. E, como há as viagens com os governadores envolvidos e as obras do PAC, isso faz com que a gente seja convidado. - Muito se fala sobre a guinada mais à esquerda do PT a partir do congresso do partido. Como o senhor avalia essa questão?
- O congresso do partido mostrou que a grande maioria do PT compreende que a mudança já começou no governo do presidente Lula, que a inflexão na política econômica nós já fizemos no nosso governo, quando colocamos como objetivos centrais a manutenção do crescimento, a redução do desemprego, da pobreza e da vulnerabilidade externa. Fizemos isso mantendo os instrumentos da política macroeconômica, metas de inflação, superávit primário e câmbio variável, fazendo com que essas metas fossem submetidas a esses ajustes fiscais. E o PT tem a percepção de que o governo da futura presidenta Dilma tem que dar continuidade a esse mesmo caminho”.

O auto-engano de Marina Silva

28 de fevereiro de 2010

Do jornalista Elio Gaspari:
“A candidatura da senadora Marina Silva à Presidência da República ganhou a colaboração do professor de economia Eduardo Gianetti da Fonseca, autor do memorável livro “Auto-Engano”, uma reflexão sobre a capacidade dos seres humanos de se enganarem. (Para evitar esse risco, Charles Darwin tinha o hábito de anotar tudo o que pudesse contrariar suas teorias, pois não queria esquecer o que não convinha lembrar.)
Em 2006, quando morreu o general chileno Augusto Pinochet, o professor disse o seguinte: “Pinochet foi um déspota esclarecido”. Gianetti ressalvou que o qualificativo se referia à gestão econômica durante a ditadura do general, de 1973 a 1990. Nada a ver com a banda política (200 mil exilados, 3.200 mortos).
Gianetti não está sozinho nesse julgamento do general. Mesmo assim, no aspecto da clarividência econômica de Pinochet, o encontro do professor com a senadora indica que um dos dois está cultivando um autoengano. Ou autoenganaram-se aqueles que acompanharam as duas biografias”.

Vila Olímpica vai virar formigueiro

28 de fevereiro de 2010

Do repórter Italo Nogueira, da ‘Folha’:
“Bairros no entorno da principal área da Olimpíada do Rio, em 2016, podem atingir níveis de adensamento semelhantes aos de Copacabana e Catete, os mais povoados da cidade. A região, que tinha em 2000 cerca de 60 mil habitantes, pode chegar a 1,4 milhão.
A projeção foi feita em estudo do Núcleo Interdisciplinar de Meio Ambiente da PUC-Rio entregue ao Ministério Público estadual. Ela apresenta os riscos de adensar uma área de brejos considerada ambientalmente sensível pela prefeitura.
O estudo avalia o impacto da alteração do PEU das Vargens (Projeto de Estruturação Urbana de Vargem Grande e Pequena, Camorim e parte do Recreio dos Bandeirantes e da Barra da Tijuca), na zona oeste. A área inclui o parque olímpico onde ficarão 45% dos Jogos de 2016 e a vila olímpica dos atletas.
A região sofre há três décadas com ocupações irregulares. Após o crescimento e o esgotamento da Barra, a área das Vargens é a principal de interesse de imobiliárias. A infraestrutura, no entanto, não acompanhou o crescimento. Boa parte do esgoto não tem tratamento e polui a lagoa de Jacarepaguá.
A lei aumentou o gabarito e diminuiu a permeabilidade dos novos prédios residenciais da área. Ela possibilita ainda pagar por mais potencial construtivo, por meio de outorga onerosa.
A arrecadação por esse instrumento vai financiar obras na região prometidas ao Comitê Olímpico Internacional, como a construção da Transcarioca (via de ligação Barra-zona norte) e de infraestrutura.
O PEU das Vargens dividiu a área de cerca de 5.300 hectares. Segundo análise do urbanista Leo Name, algumas subdivisões superam a densidade de Catete (422,3 hab/ha) e Copacabana (389,5 hab/ha). Numa subdivisão, chegaria a 535,5 habitantes por hectare.
Name aponta que, se todo o potencial construtivo for aproveitado, a população do local chegará a 1,4 milhão de pessoas. Caso seja usado apenas o gabarito autorizado sem outorga onerosa, 752 mil habitantes.
O adensamento da região afeta, segundo o estudo, a bacia de Jacarepaguá, composta por áreas alagadiças que interligam rios e lagunas. O crescimento pode provocar alagamentos em caso de chuvas, pela queda da permeabilidade do solo.
Segundo o IBGE, os bairros da região tinham em 2000 densidades abaixo de 20 habitantes por hectare. No cálculo de Name, podem chegar a 264,3 habitantes se o todo potencial construtivo for utilizado.
As novas regras para área vão formalizar a ocupação da região, afirmou a Secretaria Municipal de Urbanismo. O órgão disse que as obras de infraestrutura reduzirão o impacto da ocupação nos bairros.
“O importante é entender os vetores de desenvolvimento da cidade e prepará-la para isso, dotando de infraestrutura de abastecimento, saneamento, acessibilidade e transporte.”

Polícia do RS procura assassino

28 de fevereiro de 2010

Do tablóide gaúcho ‘Zero Hora’:
“É com base em relatos de testemunhas que a Polícia Civil dá os primeiros passos na busca dos criminosos que assassinaram com dois tiros o ex-vice-prefeito e atual secretário da Saúde de Porto Alegre, Eliseu Felippe dos Santos, 63 anos, na noite de sexta-feira, no bairro Floresta, em Porto Alegre.
O crime ocorreu por volta das 21h20min, na Rua Hoffmann, quando Eliseu entraria em seu Corolla, após deixar um culto da Igreja Assembleia de Deus, acompanhado da mulher Denise Goularte Silva e da filha caçula Mariana, sete anos.
Armado com uma pistola calibre .380, Eliseu trocou tiros com os bandidos e feriu um deles. Horas depois, um homem de 36 anos chegou a ser interrogado como suspeito ao procurar atendimento médico no Hospital de Viamão. Uma pessoa o teria reconhecido por foto, mas ele negou participação no caso, alegando ter sido ferido em um assalto. Apesar disso, o sangue do homem foi coletado para confrontar com amostras de sangue encontradas no local do crime.
Eliseu foi assassinado no momento em que dezenas de pessoas deixavam o templo da Assembleia de Deus, clientes saíam do supermercado Zaffari localizado em frente e moradores estavam nas janelas e calçadas, facilitando a identificação de testemunhas.
Pelo menos sete pessoas prestaram depoimento durante a madrugada deste sábado na Delegacia de Homicídios e Desaparecidos (DHD), revelando detalhes importantes para a investigação. De acordo com algumas versões, três homens morenos estavam em um Vectra (branco ou prata) que estacionou na Rua Hoffmann a poucos metros do carro do secretário.
Denise e a garota já estavam dentro do Corolla quando dois dos bandidos desceram do Vectra e foram em direção a Eliseu. Enquanto um segurava uma arma na cintura e olhava para os lados, outro apontou um revólver para o rosto do secretário, que reagiu. Com sua pistola, Eliseu disparou nove vezes, assustando o condutor do Vectra, que desceu a Rua Hoffmann e ficou esperando os comparsas na Avenida Cristóvão Colombo, na pista em direção ao Centro. A atitude de Eliseu leva a polícia a crer que ele se antecipou aos bandidos ao pressentir o perigo.
– Uma pessoa atingida no coração só fica em pé por segundos, e ele disparou nove vezes, isso leva a crer que ele tenha disparado primeiro – disse o delegado Bolívar Llantada, da DHD, responsável pela investigação.
Nos últimos meses, Eliseu vinha sofrendo ameaças, conforme confidenciou a amigos. Por causa disso, havia redobrado os cuidados com sua segurança, andava sempre armado e atento nas ruas. Conforme o delegado, a direção dos disparos da arma do criminoso indica que ele foi pego de surpresa:
– Um dos tiros acertou o peito e o outro a canela direita do secretário, o que demonstra um ato imprevisto, e não previamente calculado.
Atingido por Eliseu, possivelmente na região do saco escrotal, o bandido desceu a Rua Hoffmann mancando e deixando marcas de sangue no asfalto por quase 200 metros até entrar com o comparsa no Vectra e fugir. Vestígios de sangue foram encontrados até próximo ao cruzamento da Rua Ramiro Barcelos.
Ferido, Eliseu tombou sem vida junto à porta do carro e diante dos olhos atônitos da mulher e da filha. Embora chocada pela perda brutal do marido, Denise deverá ser ouvida, mesmo que de modo informal, ainda durante o final de semana, pois é considerada uma das testemunhas-chave do crime.
A polícia também espera identificar os criminosos com a ajuda de imagens de 25 câmeras de monitoramento instaladas na região.
Durante a madrugada de sábado, dezenas de amigos, colegas e autoridades políticas estiveram no Palácio da Polícia Civil e no Departamento Médico Legal. O corpo do secretário foi liberado no final da madrugada. O velório foi marcado para a Assembleia Legislativa e o sepultamento domingo, em princípio às 16h, no Cemitério Jardim da Paz, na Capital”.

AS HIPÓTESES PARA O CRIME

“Com um estilo marcante e combativo nas áreas em que atuou o secretário da Saúde de Porto Alegre, Eliseu Santos era um médico e político que comprava brigas e ganhava inimigos. Embora nos primeiros momentos ninguém se arriscasse a dizer se era uma execução ou uma tentativa de roubo frustrada, mas no sábado pela manhã ganhou força entre os investigadores a hipótese de latrocínio (roubo seguido de morte).
Por várias vezes, Eliseu relatou a colegas e a pessoas próximas ter sofrido ameaças de morte. Ao prefeito José Fogaça contou, tempos atrás, que recebia telefonemas anônimos (veja reportagem na página 6). Ele chegou a sugerir que contratasse segurança, e em determinados momentos, Eliseu seguiu o conselho. Em outros não. Costumava dizer que tinha uma arma e estava preparado para se defender.
Oficialmente, nos últimos 10 anos, teria chegado ao conhecimento da Polícia Civil apenas um caso de ameaça contra Eliseu, em maio do ano passado, na Avenida Nilo Peçanha, na Capital. O secretário foi interpelado no trânsito por dois homens em uma moto. O piloto pediu para Eliseu abrir o vidro do carro e disse: “Tu nos perseguiu, e nós vamos te matar” e arrancou em alta velocidade. Eliseu imaginava se tratar de uma intimidação por causa de cancelamento de contratos de serviços de vigilância em postos de saúde da Capital. Mas nada teria sido comprovado.
Eliseu falou sobre tema na Câmara Municipal. Na ocasião, o secretário declarou ter recebido ameaças após o rompimento com a empresa de segurança Reação, encarregada pela segurança de postos de saúde em Porto Alegre. A empresa acusava representantes da prefeitura de ter pedido propina em troca de honrar seus contratos. A denúncia da Reação gerou uma sindicância e o afastamento de Marco Antônio de Souza Bernandes, então coordenador da assessoria jurídica da Secretaria de Saúde.
Segundo informações obtidas pelo jornalista Cláudio Britto, da Rádio Gaúcha, recentemente Eliseu teria feito uma queixa ao Ministério Público Estadual, reclamando ter sido ameaçado após investigar o motivo de demissões na secretaria da qual era titular.
Na última quinta-feira, Eliseu depôs na Polícia Federal sobre a Operação Pathos, que investigava irregularidades e um suposto desvio de R$ 9 milhões dos cofres municipais entre 2007 e 2009 por meio de um contrato com o Instituo Sollus, com sede em Sorocaba (SP). Segundo o secretário, à época, foi ele mesmo quem teria dado início às investigações sobre o instituto.
O delegado Alexandre Vieira, da 1ª Delegacia de Pronto Atendimento, um dos primeiros a chegar ao local do crime e analisar com cautela o cenário, descarta a possibilidade de um assassinato por encomenda, pois o atirador não seria um especialista em tiro e estava com um revólver – quando o comum em casos de crimes de mando é usar uma arma mais potente.
– Pode ter sido alguém com uma desavença com o secretário, e, no ímpeto, decidiu resolver as diferenças por conta própria ou uma tentativa de assalto – pondera Vieira.
Na perícia realizada na manhã de sábado, foi encontrado um projetil que atingiu uma árvore, na esquina da Hoffmann com a General Neto. A polícia acredita que tenha sido o primeiro tiro disparado por Eliseu.
O delegado Bolívar Llantada, da Delegacia de Homicídios e Desaparecidos assegura que nenhuma linha de investigação será descartada, mas ressalta argumentos que ligam o assassinato a um roubo.
– É um quebra-cabeças. Não vamos fechar nenhuma ponta antes de esgotar todas as possibilidades. Mas estou inclinado para o latrocínio (roubo com morte) – afirmou.
Segundo Bolívar, se fosse uma execução, o matador pesquisaria a vida da vítima, saberia que Eliseu usava arma e se prepararia para uma abordagem menos arriscada.
– Possivelmente, (o matador) montaria uma tocaia, salvo muito amadorismo – acrescentou.
Os policiais suspeitam que Eliseu possa ter sido vítima de ladrões de carros, interessados em levar o Corolla do secretário. O bairro Floresta e arredores é uma das regiões mais castigadas por esse tipo de crime.
O secretário foi assassinado a quatro quadras de outro crime rumoroso no mesmo bairro. Na Rua Ramiro Barcelos, outro médico, o vice-presidente do Cremers Marco Antônio Becker foi morto em dezembro de 2008″.

FAB entrega papéis da ditadura

28 de fevereiro de 2010

Dos repórteres Felipe Recondo e Marcelo de Moraes, do ‘Estadão’:
“Após quatro anos de pressão do governo, a Aeronáutica entregou ao Arquivo Nacional, no início do mês, pelo menos parte dos documentos secretos que produziu durante a ditadura militar. A própria Aeronáutica informara anteriormente que esses itens haviam sido destruídos, o que reaviva a suspeita de que as Forças Armadas mantêm escondidos papéis sigilosos da ditadura.
O arquivo inédito faz parte do acervo do Centro de Segurança e Informação da Aeronáutica (Cisa). São 189 caixas, com aproximadamente 50 mil documentos acumulados nos governos militares, entre 1964 e 1985. O lote inclui informações sobre Ernesto Che Guevara, Fidel Castro e Carlos Lamarca. Mas há indícios de que registros importantes tenham sido retirados antes de efetivada a entrega, no último dia 3.
No acervo estão fichas pessoais, relatórios de monitoramento, segredos diplomáticos, instruções a militares e papéis referentes à Guerrilha do Araguaia, tudo o que a Aeronáutica negou existir em 2006.
Foi preciso a intervenção da Casa Civil, chefiada pela pré-candidata à Presidência Dilma Rousseff, exigindo a entrega dos arquivos para que ocorresse a liberação. A Aeronáutica acatou a ordem, mas não aceitou a entrega por civis. Oficiais de alta patente comandaram a transferência dos documentos, sob a proteção de soldados.
A Aeronáutica chegou a comunicar à Casa Civil, em 2006, a existência de um acervo com “documentação genérica” e conteúdo “de fortuito componente histórico”. Além disso, negou existir qualquer papel que tratasse de monitoramento, infiltração de agentes, perseguição política e estratégias de ação. Mesmo assim, a documentação não foi entregue à época.
O conteúdo só apareceu depois que o Ministério Público Militar cobrou das três Forças informações sobre a destruição de papéis secretos. Mas a disponibilização, autorizada pelo próprio comandante da Aeronáutica, Juniti Saito, ficou inicialmente restrita ao Ministério Público Militar.
A informação de que esses documentos não foram queimados e estão agora no Arquivo Nacional intrigou o Planalto e levou a Casa Civil a pedir oficialmente ao ministro da Defesa, Nelson Jobim, a apuração dos fatos. Em 2006, o então comandante da Aeronáutica, tenente-brigadeiro Luiz Carlos da Silva Bueno, enviou ofício ao então ministro da Defesa, o vice-presidente José Alencar, negando a existência dos papéis - não foram entregues nem mesmo os documentos “inofensivos” que estão no Arquivo Nacional e que não envolvem ações de repressão interna contra brasileiros.
Segundo Bueno, parte do acervo foi deliberadamente destruída, como permitia a legislação da época. Os termos dessa destruição, porém, também teriam sido inutilizados. Outra parte dos arquivos foi eliminada em incêndio no Aeroporto Santos Dumont, onde funcionava o Ministério da Aeronáutica.
Quando assumiu o ministério, mais de um ano depois de os militares terem negado a existência dos papéis, Jobim perguntou às três Forças se, de fato, não havia documentos escondidos. A resposta do Exército, Marinha e Aeronáutica foi a mesma: todo o material foi destruído. A informação foi repassada pelo ministro à Casa Civil.
Depois disso, a pedido do Palácio do Planalto, o ministro da Defesa criou uma comissão para apurar as condições em que isso ocorrera. A lei permitia que certos papéis fossem destruídos, mas impunha condições, como a presença de testemunhas e a produção de um termo de destruição. Agora, a comissão criada na Defesa terá de avaliar se houve insubordinação dos militares e desrespeito à ordem dada por Dilma e amparada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de recolher todos os arquivos da ditadura.
A análise de alguns dos informes do Cisa indica que documentos importantes podem ter sido retirados antes da entrega ao Ministério Público Militar. Um desses sinais está presente no arquivo cujo título é “Top Secret”. A folha, com marca de um grampo retirado, faz referência a documento que seguia em anexo. Esse anexo, porém, não seguiu para o Arquivo Nacional.
O acervo, em fase de catalogação, não está disponível para consulta. O Estado, porém, teve acesso aos papéis, que revelam, por exemplo, a busca da ditadura pelo paradeiro de Guevara no Brasil. Incluem cartas inéditas escritas por Carlos Lamarca para colegas de guerrilha”.

FORÇAS ARMADAS PODEM TER MAIS ARQUIVOS

“A entrega dos documentos que a Aeronáutica dizia não existir é o mais novo capítulo do embate entre civis e militares no governo e indica que as Forças Armadas podem ter mais arquivos secretos. A evidência de que a FAB descumpriu ordem dada pela Casa Civil e de que documentos foram omitidos do ministro da Defesa, Nelson Jobim, e do vice-presidente José Alencar, que chefiou a pasta, deve gerar novos embates entre ministros. Desta vez, no entanto, até a ala do governo que mais critica os militares se surpreendeu.
O episódio surge depois da crise em torno do lançamento do Plano Nacional de Direitos Humanos e da demissão, no início do mês, do chefe do Departamento Geral de Pessoal do Exército, Maynard Marques da Santa Rosa. Ele criticou a criação da Comissão da Verdade - cuja meta inicial era identificar e punir torturadores do período do regime militar.
A busca pelos arquivos secretos da ditadura começou de forma silenciosa, em 2005, assim que a ministra Dilma Rousseff assumiu o comando da Casa Civil. Em novembro daquele ano, ela determinou o recolhimento de todos os arquivos produzidos pelos extintos Conselho de Segurança Nacional (CNS), Comissão Geral de Investigações (CGI) e Serviço Nacional de Informações (SNI).
Em 30 dias, todos os 230 mil microfilmes, 13 arquivos de aço e 1.000 caixas com documentos foram levados pela Polícia Federal ao Arquivo Nacional.
No ano seguinte, a Casa Civil pediu a todos os órgãos do governo, inclusive às Forças Armadas, que encaminhassem seus arquivos ou, se fosse o caso, os termos de destruição da papelada. Exército, Marinha e Aeronáutica comunicaram, oficialmente, ao então ministro da Defesa, o vice-presidente José Alencar, não haver documentos secretos ou os termos de destruição a repassar.
Depois disso, uma comissão foi criada para investigar a legalidade desse processo de destruição, mas ainda não chegou a nenhuma conclusão.
No ano passado, outra negociação com os militares levou o governo a mandar para o Congresso um novo projeto de Lei de Acesso à Informação. A legislação reduz o prazo para que documentos sejam mantidos sob sigilo.
Inicialmente, o governo aventava a possibilidade de acabar com o sigilo eterno da papelada. Os militares reagiram de imediato e o Planalto teve de chegar a uma proposta de consenso.
A crise piorou com a iniciativa, apoiada pelo Ministério da Justiça, de questionar no Supremo Tribunal Federal (STF) o alcance da Lei de Anistia, de 1979. E chegou ao ápice no final do ano passado, com o decreto assinado por Lula que criou o Plano de Direitos Humanos.
Os ministros da Defesa, Nelson Jobim, e da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, ameaçaram pedir demissão durante a discussão do programa”.

FAB INFORMA QUE ‘PARTE’ DOS PAPÉIS FOI QUEIMADA

“A descoberta do lote de documentos da Aeronáutica levou o comando da Força a rever os argumentos usados em 2006. Se naquele ano a Aeronáutica afirmou que todos os documentos já haviam sido destruídos, agora informou que, na verdade, “grande parte da documentação” foi queimada.
A Aeronáutica alega, ainda, que o acervo de aproximadamente 200 mil documentos “compõe-se de documentação genérica, entendida como de fortuito componente histórico, retratando a ambiência nacional então vigente”.
O Ministério da Defesa informou que a justificativa da Aeronáutica, em 2006, de que teria destruído todo o acervo, “referia-se a outros documentos, além desses que foram entregues ao Arquivo Nacional”. E repetiu que a existência desse lote agora revelado “foi informada às autoridades naquele mesmo momento”.
Os documentos tidos por “genéricos” pela Aeronáutica foram produzidos pelo órgão responsável pela atividade de inteligência da Força Aérea Brasileira, o Centro de Segurança e Informação da Aeronáutica (Cisa) e à época classificados como secretos e confidenciais.
Mesmo que a Força considerasse esses documentos como de pouca relevância histórica, a ordem dada pelo governo era para que toda a documentação produzida à época fosse repassada ao Arquivo Nacional.
O Ministério da Casa Civil informou ao Estado que na quinta-feira passada pediu ao Ministério da Defesa a apuração dos fatos”.

BRASIL FEZ CAÇADA A CHE ENTRE 1966 e 1967

“Arquivos secretos da Aeronáutica revelam que o governo brasileiro fez uma caçada silenciosa por todo o território nacional, de 1966 a 1967, para achar Ernesto Che Guevara, um dos principais líderes da revolução cubana. Em pelo menos um dos informes enviados ao Arquivo Nacional, o serviço de inteligência da Aeronáutica colheu relatos de que Che teria estado em Mato Grosso disfarçado de “comprador de couros”.
Na expectativa de que entrasse no Brasil por algum ponto da fronteira com Paraguai ou Uruguai, o governo chegou a determinar ordem para sua prisão, caso fosse identificado e encontrado, como revela o Informe 386, emitido e classificado como “secreto” pelo Quartel General da Quarta Zona Aérea da Aeronáutica, em 21 de julho de 1966. “Se realmente identificado, solicita-se a prisão imediata”, diz a ordem, que nunca foi revogada e inclui cópia de quatro fotos de Che, com e sem barba, de terno e com trajes militares.
Em pelo menos uma ocasião, o governo teve a certeza de sua entrada no Brasil. Segundo a Informação 038, classificada como confidencial e emitida em 30 de junho de 1967, ele teria sido visto no mês de março em Pirizeiro (MT), conforme relato do Comando da 9ª Região Militar. Um oficial foi enviado para a região num avião Regente e ouviu pessoas. Mostrando a foto do guerrilheiro, o militar brasileiro teve a confirmação de que Che estivera no Estado.
“O referido oficial interrogou diversos moradores e trabalhadores locais, todos unânimes na afirmação de que um elemento branco, alto, barbado, trajando marrom com platinas e portando arma (não se conseguiu apurar o tipo da mesma), tendo uma cavalo como montada, esteve naquela região em fins de março, dizendo-se comprador de couros”, relata o informe.
“O elemento considerado era alto, cabelos aloirados, permaneceu dois dias no local, dizendo que seguia para San Matias e Roboré - Bolívia; falava português bastante arrastado. Ao ser mostrada a fotografia de Che Guevara aos depoentes, mesmo sendo a priori esclarecido que só afirmassem com plena convicção, todos foram unânimes em apontá-lo como o verdadeiro elemento que lá estivera”, acrescenta o relatório do governo.
Nascido na Argentina em 1928, Che se juntou a Fidel Castro em Cuba nos anos 50, até a vitória da revolução socialista que derrubou o presidente Fulgencio Batista, em 1959. Che se tornou um dos principais líderes do novo governo cubano, ocupando cargos estratégicos como o de ministro da Indústria e presidente do Banco Nacional.
Em 1961, esteve no Brasil em visita oficial, quando recebeu do presidente Jânio Quadros a Grã-Cruz da Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul. O governo cubano se tornou cada vez mais próximo da União Soviética e, com a chegada dos militares ao poder no Brasil, a ruptura de relações com os cubanos foi imediata. Qualquer assunto referente a Che ou Fidel passou a ser considerado subversivo pelo governo brasileiro.
A partir de 1965, com apoio de Fidel, Che decidiu que correria o mundo para espalhar os ideais da revolução cubana e ajudar na montagem de guerrilhas em outros países, ao lado de voluntários.
Fracassou na primeira operação, realizada no Congo, na África, e decidiu fazer nova investida na Bolívia, onde acabou sendo morto em 9 de outubro de 1967. Sua figura se tornou mitológica entre os integrantes dos grupos de esquerda de todo o mundo, incluindo o Brasil. Um dos grupos, o MR-8 foi batizado dessa maneira em referência ao dia 8 de outubro, quando Che foi preso na Bolívia.
Por causa disso, a simples possibilidade de sua passagem pelo território nacional já provocava mobilização na área de inteligência do governo militar. A partir de 1966, suas “viagens” pelo Brasil passaram a assombrar o governo, que recebeu vários informes desse gênero. Ouviu histórias sobre um suposto encontro entre Che e Carlos Marighella em São Paulo. Recolheu histórias sobre uma possível passagem pelo Rio. Mas nunca esteve perto de encontrar ou capturar o guerrilheiro”.

BOLÍVIA REPASSOU INFORMAÇÕES ANTIGUERRILHA

“A experiência de combate aos guerrilheiros de Che Guevara foi repassada pelo Estado-Maior do Exército da Bolívia para o governo brasileiro no fim de 1967. Com detalhes das operações, o modelo bem-sucedido desse enfrentamento foi um dos primeiros documentos a chegar às mãos dos militares como forma de se preparar para situações semelhantes que poderiam acontecer no Brasil - como de fato ocorreu, por exemplo, no Araguaia.
O envio do “Resumen informativo nº 11/67 do Estado Mayor del Ejercito Departamento II /Seccion II/B-Bolívia” deixa evidente a cooperação entre os dois países na estratégia de reação aos grupos de esquerda que combatiam os dois governos.
Em dezembro, o documento já estava com a Aeronáutica, foi traduzido e resumido. Logo no início, anuncia como sua finalidade “fornecer subsídios”, baseados na experiência do Exército da Bolívia, “para o estudo de guerrilhas”.
A primeira lição ensinada pelos militares bolivianos aos brasileiros é a de infiltrar informantes entre os guerrilheiros, estratégia que acabou sendo adotada. “Com referência aos últimos episódios que se desenrolaram na Bolívia em sua luta com as guerrilhas comunistas, assinala-se que tornava-se bastante difícil aos órgãos de informação conhecer com precisão a situação do inimigo”, informa o texto. “Foi dada ênfase especial, dinamizando ao máximo as informações, a importância dos informantes civis. Atuaram positivamente sobre os elementos simpatizantes dos guerrilheiros, elementos participantes (recrutadores de novos guerrilheiros, contatos, sabotadores, agitadores, etc) em todo o país.”
No documento, são descritos os tipos de operações executadas pelos grupos rebeldes, com detalhamento da modalidade de ação, número de pessoas envolvidas e outras táticas adotadas na Bolívia.
O material, classificado como secreto, lista uma série de vulnerabilidades apresentadas pelos rebeldes bolivianos em suas ações desenvolvidas no interior do país. Segundo a análise, os locais escolhidos para desencadear as operações contra o governo, sempre no campo, não eram favoráveis para esse tipo de ação.
Ainda de acordo com texto, outra vulnerabilidade era o “desgaste excessivo pelo tempo de permanência na região e das condições atmosféricas adversas”.
Mais um ponto frágil registrado foi o “baixo moral, ante a não obtenção de apoio da população rural, bem como da classe média”. Também foi destacada a “destruição dos pontos de apoio”, como correios, contatos e elementos recrutadores”.

FIDEL TERIA COBRADO AÇÕES EM SP E NO RIO

“Em encontro no Chile com representantes de grupos clandestinos brasileiros, o líder cubano Fidel Castro teria cobrado a realização de operações de sabotagens no Rio de Janeiro e em São Paulo como forma de desestabilização do governo militar (1964-1985). Em novembro de 1971, Fidel esteve no Chile, presidido na época por Salvador Allende, e acabou se encontrando com exilados brasileiros para discutir a situação do governo brasileiro e a estratégia de resistência.
Com um governo de esquerda, o país tinha se tornado o principal refúgio para os exilados brasileiros, enquanto Allende se manteve no poder - seria deposto no fim de 1973. Por conta disso, os serviços de inteligência brasileiro mantinham monitoramento constante sobre os passos dos exilados. Não demoraram a descobrir que Fidel se encontraria com um grupo deles quando estivesse no Chile.
Segundo o Informe 0027 feito pelo Exército, em 29 de fevereiro de 1972 (era um ano bissexto), Fidel “teria perguntado por que no Brasil as organizações ainda não desfecharam ataques no setor econômico, que seria considerado fundamental do governo brasileiro, através de sabotagens, trabalho que, com gente especializada e poucos quadros, poderia ser feito com eficiência e sem risco de combatentes”.
O informe relata que, segundo Fidel teria dito, “uma sabotagem em grande escala na faixa industrial São Paulo-Rio de Janeiro, sustentação econômica do governo, abalaria seus alicerces”. O documento mostra que a proposta não foi bem recebida pelos brasileiros presentes ao encontro. Foi explicado ao líder cubano que seria necessária a realização de um trabalho prévio a esse tipo de ação para preparar a população e evitar que a imagem dos combatentes do governo ficasse desgastada por causa dessas sabotagens.
Na conversa, quis saber como estava o desenvolvimento das ações desses grupos e teria “reafirmado ser partidário da luta no campo”. Ouviu dos brasileiros que ainda não existiam condições disponíveis para uma operação desse tipo.
Na prática, os integrantes dos grupos de esquerda estavam sob forte cerco e pressão nas cidades e não conseguiam sequer se deslocar para o interior. Carlos Lamarca tentou um movimento desse tipo e acabou sendo preso e morto pelos militares em setembro de 1971, no interior da Bahia.
O arquivo secreto não informa que Lamarca já estava morto, mas dá a entender que Fidel sabia disso porque cita perguntas feitas pelo cubano sobre o ex-capitão. Segundo o documento, Fidel quis saber por que Lamarca deixara a Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) - ele passou a fazer parte do MR-8. Perguntou também por que o ex-capitão não foi para Cuba, em vez de permanecer no Brasil, uma vez que tinha sido “chamado com insistência”.

Walter Alfaiate (1930-2010)

27 de fevereiro de 2010

Essa é para lembrar Walter Alfaiate, 79 anos, grande sambista e botafoguense, que morreu hoje após um longo período de internação

 

 E esses são os versos que Nei Lopes escreveu para ele - ‘Samba na Medida’ - para lembrar sua profissão. :

Mano Walter Alfaiate, parceiro e amigo fraterno
Escreve aí no seu caderno
Quero fazer um terno, caprichado no arremate
Com um corte bem moderno, num pano verde abacate
Com botões cor de tomate, meio outuno, meio inverno.

É que o Wilson Alicate, este coração materno
Que vira o céu no inferno, caso alguém lhe desecate
Me deu hoje um xeque-mate, dizendo: “meu subalterno
Pra enfrentar os seus combates, mais bacana e mais moderno
Tu tens que fazer um terno lá no Walter Alfaiate”
(um terno de alto quilate, pro casório, pra boate
e até pra operação resgate).

A mortandade dos peixes

27 de fevereiro de 2010

 No final do ano passado, a taróloga Annie Bravo, em entrevista ao JB, previu que um chicote cósmico iria se abater sobre Sergio Cabral durante todo o ano de 2010.
E não tem dado outra.
O chicote vem castigando o governador desde o primeiro dia do ano, quando houve a tragédia em Angra, e ele ficou dormindo em Mangaratiba, sem atender, nem ao menos, um telefonema do Presidente da República.
De lá pra cá, existem inúmeros exemplos onde o chicote cósmico funcionou: na política, na administração e até mesmo no Carnaval.
Mas a mortandade de peixes na Lagoa Rodrigo de Freitas, que a população imaginava ser um assunto já morto - sem trocadilhos - voltou a chicotear agora, não só o governador, mas todos que o cercam.
1 – Eduardo Paes – Combate com rigor o cheiro de urina nas ruas na cidade, e não consegue esconder a fedentina da Lagoa, com toneladas e toneladas de peixes mortos. Chama o carioca de porcalhão, e vê emporcalhada uma das paisagens mais bonitas do Rio.  Gasta uma fortuna com a Comlurb na retirada dos peixes, e vai ter de pagar essa conta sózinho. Instituiu o Choque de Ordem que prende, bate, multa e esfola, mas não consegue mandar nos peixes da Lagoa, que insistem em morrer.
2 – Marilene Ramos – A bonita, elegante, simpática e risonha secretária estadual de Meio Ambiente, minimizou a mortandade de peixes, e disse que seriam no máximo 500 quilos. Ontem, a Comlurb retirou 12,5 toneladas, e hoje deve mais do que dobrar. Em 2005, morreram 4 toneladas de peixes. Dessa vez a quantidade será, no mínimo, dez vezes superior. A bela Marilene não é mesmo boa de previsão, vide o que ocorreu em Angra. Ela foi consultora da prefeitura.
3 – Wagner Victer – O marqueteiro da Cedae, mudou o nome do órgão para Nova Cedae, para dizer que não tinha nada a ver com o passado da empresa. Mas para quem precisa de seus serviços, a Cedae só fez piorar desde que Victer assumiu a presidência. E não é por falta de dinheiro. O Governo Federal já deu o diabo para ele melhore o sistema de águas e esgostos do Estado. Mas de novo, só o escritório da Barra, decorado com fotos de mulatas. Como gosta de holofotes, iluminou a Estação Alegria – que iria despoluir o entorno da Ilha do Governador, onde ele reside. Nesses três anos a frente da Cedae, Victer passa pelo local duas vezes por dia. Pela manhã vê a obra parada. A noite se deslumbra com ela iluminada.
4 – Fatima Freitas – Essa, tadinha, está tendo os seus 15 minutos de fama. Ela gerencia o departamento que cuida da qualidade da água na Secretaria de Marilene. E declarou ao ‘Globo’ que as savelhas morreram pois são sensíveis à mudanças de temperatura. Como se peixe não gostasse de água fria. Ou pior: se água, seja
qual for a sua temperatura, tenha o poder de fazer com que os peixes morram afogados. Era só o que faltava.
5 – Eike Batista – Esse é uma grande vítima, e é quem Sergio Cabral mais teme, principalmente âs vésperas de uma eleição. Afinal Bati$ta pagou R$ 28 milhões para que episódios como esse não mais se repetissem. E vê agora o seu dinheiro ir parar nas caçambas de lixo da Comlurb. Ele, que continua na guerra para
juntar 100 bilhões de dólares, não deu um único tostão para o Haiti e recusou-se a acudir a ABL. Mas cuidava do seu entorno, não só porque é lá que ele tem o seu restaurante, mas também porque queria explorar os quiosques da Lagoa. 
6 – Sergio Cabral – O governador deveria ser poupado nesse episódio. Afinal o que ele fez?
Nada.
O mesmo que os peixes queriam estar fazendo: nada.
Mas eles continuam morrendo, graças ao trabalho das autoridades do governo: arrogantes, desleixadas e despreparadas. Iguaizinhas ao chefe.

Caso Zapata: a versão de Cuba

27 de fevereiro de 2010

A quem interessar possa. Esse artigo - “Para quem é útil a morte”‘ - foi publicado no CubaDebate, um site “contra o terrorrismo midiático”, e dias depois no ‘Granma’, assinado por Enrique Ubieta González:
“A contra-revolução cubana possui uma carência de mártires proporcional à sua falta de escrúpulos. É difícil morrer em Cuba, não porque tenhamos uma expectativa de vida semelhante à do Primeiro Mundo -ninguém morre de fome, apesar da carência de recursos, nem de doenças curáveis -  mas porque aqui impera a lei e a honra. Os mercenários cubanos podem ser presos e julgados, segundo as leis vigentes - aliás, em nenhum país as leis podem ser violadas. Por exemplo: nos Estados Unidos, receber o dinheiro e trabalhar para uma embaixada de país considerado inimigo, pode acarretar severas sanções de privação da liberdade - mas eles sabem mesmo que, em Cuba, ninguem desaparece, ou é assassinado pela polícia. Não há “recantos escuros” para interrogatórios “não convencionais”, para presos-desaparecidos, como os de Guantánamo ou os de  Abu Ghraib. E ainda, a gente entrega sua vida por um ideal que dá prioridade à felicidade dos demais, mas por um ideal que dá prioridade à própria vida.
Nas últimas horas, entretanto, algumas agências de notícias e  governos se apressaram em condenar Cuba pela morte, sob custódia, em 23 de fevereiro, de Orlando Zapata Tamayo. Toda morte é dolorosa e lamentável. Mas a cobertura da mídia, neste momento, mostra um entusiasmo,  como se quizesse dizer, finalmente surgiu um “herói”.
Assim, merece uma breve explicação, sem qualificativos desnecessários, quem foi  Zapata Tamayo. Apesar de toda a maquiagem, trata-se de um prisioneiro comum, que iniciou a sua atividade criminosa, em 1988. Acusado de crimes de “violação de domicílio” (1993), “lesões menos graves” (2000), “fraude” (2000), “lesões e posse de uma faca” (em 2000 provocou feridas e fratura linear no crânio do cidadão Leonardo Simón, empregando um facão) , “alterações da ordem” e “desordem pública” (2002), entre outras causas, sem nada  relacionado à política. Em 9 de março de 2003 doi libertado após pagar fiança, e no dia 20 desse próprio mês cometeu outro delito. Tendo em conta seus antecedentes e condição penal, desta vez foi condenado a 3 anos de prisão, mas nos anos seguintes a sentença inicial foi ampliada, de forma significativa, por causa de seu comportamento agressivo na prisão.
Na lista dos chamados presos políticos, elaborada em 2003 pela manipulada e já desaparecida  Comissão de Direitos Humanos da ONU, para condenar Cuba, o nome de Tamayo não aparece - tal como afirma a agencia espanhola EFE,  sem ter verificado os fatos e as fontes - apesar de que sua última detenção ocorreu na mesma época dos mercenários. Caso tivesse existido uma intencionalidade política prévia, Tamayo não teria sido  libertado 11 dias antes.
Ansioso para mobilizar o maior número possível de elementos suspostos ou reais nas fileiras da contra-revolução por um lado, e por outro,  convencidos das vantagens materiais que representava uma  “militância”  atiçada pelas embaixadas estrangeiras, Zapata Tamayo adotou um “perfil político”, numa época em que seu cadastro penal já era extenso.
Atuando  no novo papel , foi estimulado, uma e outra vez, pelos seus mentores políticos, a iniciar greves de fome, as quais foram minando seu corpo. A medicina cubana o acompanhou. Nos diferentes hospitais onde
foi tratado, existem especialistas altamente qualificados, os quais não pouparam recursos para o seu tratamento. Ele recebeu alimentação intravenosa. A família foi informada de cada passo. Sua vida foi prolongada por muitos dias mediante respiração artificial. Para tudo isso existe provas documentais.
Mas existem perguntas sem resposta que não são médicas. Quem e por que  estimularam Zapata a manter uma atitude que era obviamente suicida? A quem serve a sua morte? O resultado fatal alegra os hipócritas. Zapata era o candidato perfeito: um homem “dispensável” para os inimigos da Revolução, e facilmente persuadido a persistir em um esforço absurdo e em exigências impossíveis (televisão, cozinha e telefone celular pessoal na cela) de que nenhum dos verdadeiros líderes teve a coragem de manter. Cada um dos instigadores da greve anterior anunciavam uma provável morte, mas os que atacam sempre desistem antes que ocorram incidentes de saúde irreversíveis. Instigado e encorajado a prosseguir até a morte, estes mercenários esfregavam as mãos com essa expectativa, apesar dos esforços dos médicos. Seu nome agora é exibido, com cinismo, como um troféu coletivo.
Como abutres ficaram a espreita - os mercenários do quintal e a direita internacional -perambulando  em torno do moribundo.  A sua morte virou uma festa. O espetáculo é nojento. Porque os que estavam escrevendo não ficaram comovidos perante a morte de um ser humano, num país sem mortes extrajudiciais - mas fazem tremular essa morte quase com alegria e a utilizam com fins políticos premeditados. Zapata Tamayo foi manipulado e, de certa forma, conduzido à auto-destruição de forma premeditada, para satisfazer necessidades políticas dos outros. Por acaso esta não é uma acusação contra aqueles que se apropriam agora de sua ‘causa’? Esse caso é consequencia direta política assassina contra  Cuba, que encoraja a emigração ilegal, o desprezo e a violação da lei e da ordem estabelecida? Eis aí a única causa desta morte não desejada.
Mas,  por que existem governos que aderem à campanha de difamação, se eles sabem - porque sabem mesmo - que em Cuba não se executa, nem se tortura ou nem se usa métodos extrajudiciais?  Em qualquer país europeu podem ser encontrados casos de violação flagrante, por vezes, de princípios éticos, não tão bem atendidos como no nosso. Alguns, como aqueles irlandeses que lutavam pela sua independência, nos anos 80,  na década de 80, morreram em meio a total indiferença dos políticos. Por que governantes não condenam e denunciam explicitamente o confinamento injusto sofrido por cinco cubanos nos Estados Unidos por combater o terrorismo, e são rápidos para condenar Cuba, se a pressão da mídia ameaça sua imagem de político? Cuba já disse uma vez: podemos enviar-lhes  todos os mercenários e suas famílias, mas devolvam os nossos cinco heróis. A chantagem política jamais poderá ser usada contra a Revolução Cubana.
Esperamos que os adversários imperiais saibam que nossa Pátria jamais poderá ser intimidada, nunca se curvará, e nem se afastará do seu heróico e digno caminho utilizando as agressões, a mentira ou a infâmia.”