Feliz 2010!
31 de dezembro de 2009Como sempre, o ano novo começou na Nova Zelândia e, depois, na Austrália. E isso não tem a menor importância. Como diz o ditado, os últimos serão os primeiros. Feliz Ano Novo!!!
Como sempre, o ano novo começou na Nova Zelândia e, depois, na Austrália. E isso não tem a menor importância. Como diz o ditado, os últimos serão os primeiros. Feliz Ano Novo!!!
O ex-prefeito Cesar Maia aproveita o último dia do ano para fazer um balanço de 2009. Como sempre, Cesar tem uma explicação lógica para cada um dos pontos abordados. Mas no fim, ele joga a toalha.
Senão vejamos:
“LULA E A PERCEPÇÃO INTERNACIONAL!
1. Merece uma avaliação cuidadosa a percepção internacional sobre Lula. Os elogios; os destaques na imprensa, como Le Monde e Financial Times; o artigo de Zapatero, chefe de governo da Espanha; o “cara” declarado por Obama; tudo converge para um ano de consagração. Mas ao mesmo tempo, todas as demandas do Brasil por espaço nos órgãos internacionais foram amplamente derrotadas. Assim foi na Organização Mundial de Comércio (OMC), assim foi na Corte Internacional de Haia, como também deixada na gaveta a pretensão brasileira de mudança no Conselho de Segurança da ONU com um lugar permanente.
2. Colocando a lupa mais próxima aos fatos, o ano de 2009 começa com uma crise financeiro-econômica que projetava o risco de uma desestabilização política, além da econômica, pelos quatro cantos do mundo. A crise de 29 é exemplo disso e a Europa foi seu palco principal, na Alemanha, dando sustentabilidade ao regime italiano, reforçando o falangismo espanhol, o salazarismo, o bloco soviético… É uma memória viva.
3. O primeiro alívio veio com as eleições na Índia, em maio, com a vitória da aliança governista. O segundo veio com a eleição para o parlamento europeu com a vitória do PPE, de centro-direita. Obama apontou na direção da estabilidade política e os que imaginavam que traria mudanças políticas fortes, em pouco tempo entenderam que não era assim. As relações entre EUA, China e Rússia apostaram na estabilidade e deram visibilidade a isso.
4. Os riscos estavam concentrados na América Latina e especialmente no Brasil, por sua dimensão e repercussões na geopolítica regional e na economia. O Brasil precisava ser neutralizado e acomodado. E o sinal veio da primeira reunião oficial do G-20 para tratar da crise mundial. Recebido com pompas e circunstâncias por Obama, a apresentação de Lula por este como “esse é o cara” a outros líderes mundiais mostrou-se muito bem sucedida. Lula teve um comportamento convergente na reunião e ainda saiu reforçando o papel do FMI com aporte de capital.
5. Mas o artificial da projeção de Lula era tão evidente, que ele, em seguida, deveria dar sinais de independência para a esquerda. E assim foi em sua viagem à Venezuela, nas afirmações sobre as bases colombianas e os EUA, na intervenção -desastrada- do Brasil no caso de Honduras, e na visita do presidente do Irã. Tudo foi bem entendido pelos líderes dos EUA, França e Reino Unido, que se mantiveram silenciosos e compreensivos.
2009: A INFLEXÃO POLÍTICA DA AMÉRICA LATINA!
1. Após as diversas eleições na América Latina quando se esperava uma intensificação das tendências à esquerda -e chavistas- em função da crise internacional, a resultante foi muito diferente do esperado pelos bolivarianos. Venezuela, Equador e Bolívia, é verdade, ficaram onde estavam. A vitória da FMLN, em El Salvador, frustrou Chávez, pois Fulnes, o presidente eleito como independente apoiado pela FMLN, assumiu a diplomacia presidencial e não se acercou a Chávez, que por isso sequer foi a sua posse.
2. O caso de Honduras, depois de muita espuma, foi uma derrota contundente para Chávez, que com o lastro internacional, esperava reintegrar seu parceiro Zelaya. Brasil se incumbiu da tarefa suja. Mas o resultado foi a exclusão de Zelaya numa prisão domiciliar na embaixada do Brasil, eleições com participação ampliada e vitória do partido nacional, o mais à direita, em todos os níveis.
3. As eleições parlamentares intermediárias na Argentina derrotaram os Kirchner tanto na câmara como no senado, onde perdeu a maioria que detinha. No Uruguai houve continuidade de um governo que, entrando pela esquerda, se mostrou a grande surpresa do continente, com um posicionamento de centro, moderado em todas as instâncias. A expectativa de Lugo “chavizar” o Paraguai se esvaiu, seja pela tática correta adotada pela oposição de se concentrar em nível parlamentar, seja pela desmoralização pessoal do Bispo com seus filhos declarados e reconhecidos.
4. Finalmente, a grande surpresa veio do Chile com a vitória de Piñera -do partido renovação nacional, de centro-direita- com ampla vantagem no primeiro turno, apontando para uma vitória no próximo mês de janeiro.
5. Portanto, o vetor político resultante de 2009 em relação a 2008 mostra uma inflexão política na América Latina, descolando-se do risco chavista, reforçando a tendência democrática e que tende a ser reforçado em 2010.
2009: A ECONOMIA BRASILEIRA!
1. O fato da crise econômica, no Brasil e em tantos países mais, não ter tido a profundidade projetada no final de 2008, e Lula ter usado como pôde a propaganda para criar uma sensação ainda melhor, não tira dela as consequências delicadas para o Brasil. A crise na indústria brasileira pode ser medida pela radical inversão de sua balança comercial, que aponta em 2010 para um déficit superior aos 10 bilhões de dólares. As exportações brasileiras mergulharam e as induútriais caíram 20%.
2. O Brasil inverteu a tendência de tantos anos, de se tornar um país exportador de produtos industriais manufaturados. A balança comercial com a China é exemplo disso, onde das exportações do Brasil, 80% são de produtos primários. O PIB brasileiro em 2009 terá uma queda de quase 1%, o que tem importante impacto social pela queda do PIB per capita de cerca de 3%.
3. A recuperação do emprego no Brasil se deu nos setores tradicionais e informais, apontando para uma perda de competitividade internacional pós-crise. O agro-negócio sentiu um forte golpe e o exemplo maior é o do setor de carnes/frigoríficos.
4. Finalmente, as Contas Públicas, usadas como elemento contra-cíclico, desmontaram. O Brasil é o único país do mundo em que ainda se usa, depois da hiperinflação, o déficit primário como medida fiscal. Em todos os outros o déficit público é o nominal, incluindo os juros. O déficit nominal brasileiro se tornou uma preocupação geral. Saindo de 1,5% do PIB antes da crise, termina 2009 com 4,5% do PIB. O anúncio de alguma melhora em novembro, mas não muda nada em relação ao acumulado.
5. Além da propaganda governamental e da natural torcida de todos, a começar pela imprensa cujas empresas sofreram muito também, o Brasil pós-crise é um país que entra num quadro internacional muito mais competitivo, com sua competitividade abalada. Os ministros chutam números aos ares para 2010. Afinal, só serão ou não comprovados após as eleições, e são essas que interessam ao governo.
2009: AS ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS DE 2010!
1. Aqui sim Lula termina 2009 com um quadro muito mais favorável que o que iniciou 2009. Uma escolha açodada de candidata sem currículo e sem charme eleitoral terminou chegando ao ponto que Lula queria: acima dos 20%. E com cruzamentos em pesquisa que indicam que crescerá ainda mais nos meses iniciais de 2010.
2. A oposição se mostrou incapaz de entrar em campo com seu time escalado. A tática de ganhar tempo não só abriu caminho a Dilma, como afetou a situação em vários Estados importantes e ainda produziu feridas, que são certamente sanáveis, mas que sempre deixam uma casquinha ou outra.
3. Cabe a candidatura presidencial da oposição usar bem o primeiro trimestre de 2010 para curar as feridas, reerguer nomes em vários Estados e voltar ao quadro de favoritismo que apontava no início de 2009. Ainda há tempo. Mas nem tanto assim”.
Patricia Apy , advogada do americano David Goldman, pai de Sean, revelou que os US$ 500 mil que seu cliente gastou no processo para ver o filho de volta aos EUA, serão cobrados, em juízo, da família brasileira.
Sergio Tostes, advogado de Silvana Bianchi, avó de Sean, disse que o anuncio “revela o caráter” de Goldman.
A declaração é estapafúrdia. Não está em discussão, e aliás nunca esteve, o caráter do pai de Sean: ele queria ter o filho de volta, pois é seu pai biológico, e agora pede o ressarcimento das despesas que teve durante todos esses anos.
Segundo a secretária de Estado norte-americano, Hillary Clinton, os americanos comemoram o “fim do seqüestro”.
Teria a avó Silvana seqüestrado o menino? Isso “revelaria o caráter” dela?
Na verdade, todos podem pedir o que bem entender: David quer de volta o seu meio milhão de dólares, assim como a avó de Sean quer visitá-lo nos EUA e ainda quer recebe-lo, no Brasil, durante suas férias escolares.
O bom dos processos – e isso os advogados adoram - é que cada um pode pedir o que bem entender.
E faça-se Justiça.
Segundo os jornais de hoje, os três comandantes militares e mais o intermediário deles, o ministro Nelson Jobim, entregaram uma carta de demissão a Lula, irritados com o sexto capítulo do Plano de Direitos Humanos, anunciado pelo Presidente dia 21, e publicado no Diario Oficial.
As jornalistas Eliane Catenhede e Simone Iglesias, da ‘Folha’, informam que “duas propostas deixaram a área militar particularmente irritada: identificar e tornar públicas as “estruturas” utilizadas para violações de direitos humanos durante a ditadura e criar uma legislação nacional proibindo que ruas, praças, monumentos e estádios tenham nomes de pessoas que praticaram crimes na ditadura.
Na leitura dos militares, isso significa que o governo do PT, formado por muitos personagens que atuaram “do outro lado” no regime militar, está querendo jogar a opinião pública contra as Forças Armadas.
Imaginam que o resultado dessas propostas seja a depredação ou até a invasão de instalações militares que supostamente tenham abrigado atos de tortura e não admitem o constrangimento da retirada de nomes de altos oficiais de avenidas pelo país afora.
Em Brasília, por exemplo, há a ponte Costa e Silva e o Ginásio Presidente Médici -ambos presidentes no regime militar”.
Se for verdade o que está dito, isso é de um absurdo inominável.
Em primeiro lugar, não é possível que Lula não tenha no Alto Comando das Forças Armadas, Oficiais-Generais mais arejados dos que os três comandantes militares. Depois de quase 50 anos do golpe, não é possível que nossos comandantes ainda tenham melindres em ver todos os casos de violação dos direitos humanos desvendados.
“Identificar e tornar públicas as “estruturas” utilizadas para violações de direitos humanos durante a ditadura”, que eles tanto temem, é dever do Estado.
A tortura e a violação dos direitos humanos é crime. E por isso devem ser punidos.
É inadimissível que os governos - todos sem distinção - continuem mentindo para a nação.
Imaginar que os petitas governistas irão jogar a população contra as Forças Armadas “depredando ou invadindo instalações militares”, é de um ridículo sem fim.
Já a retirada “de nomes de altos oficiais de avenidas pelo país afora”, não seria de todo o mal.
Em Portugal, uma das primeiras providências da Revolução dos Cravos foi trocar o nome da Ponte Salazar para Ponte 25 de Abril.
Que queiram preservar a Ponte Costa e Silva e o Ginásio Presidente Médici, tudo bem, embora ambos sejam exemplos do que de pior a ditadura produziu.
Certamente deve existir, mas eu não me recordo: qual a grande obra publica que tem o nome de presidentes que, embora ditadores, se comportaram de maneira mais cordata, como foi o caso de Castello Branco e João Figueiredo? Ou mesmo de Ernesto Geisel, em cujo governo muitos esquerdistas foram assassinados, ao mesmo tempo em que ele promovia a abertura e acabava com o AI-5.
Por que diabos todos os comandantes do antigo II Exército, com sede em São Paulo, viraram nomes de viadutos na capital paulista?
Exageros foram cometidos e não faria mal algum eles serem corrigidos.
De Elio Gaspari para a ‘Folha’ e ‘O Globo’:
“De obama@gov para dilma.e.serra@org
ASSUNTO : plano de saúde para o Brasil
Estimados Dilma Rousseff e José Serra,
Como vocês viram, aprovei o projeto que universaliza o acesso dos americanos aos planos de saúde. Tínhamos entre 45 milhões e 60 milhões de pessoas ao sol e ao sereno. Vocês achavam que não ia dar. Deu, porque recuei quando foi necessário e enfrentei a direita paleolítica à maneira do Lula, de microfone na mão, em cima de um tablado.
Sugiro que vocês aproveitem a campanha eleitoral para oferecer aos brasileiros um novo capítulo da história de vossos serviços médicos.
Quero lhes confessar que entrei na disputa pela Presidência sem ideia formada a respeito da questão dos planos de saúde. Se vocês ouviram as platitudes que eu disse num debate em março de 2007, tiveram pena de mim.
Nosso sistema amparava os velhos e os pobres, mas deixava na chuva um pedaço da classe média. O de vocês oferece o serviço dos planos privados para quem tem saúde para trabalhar. Fora daí, há o SUS. Em tese, é um sistema fenomenal, verdadeira cobertura universal. Na vida real, o Brasil privatiza recursos públicos e a iniciativa privada estatiza uma parte do custo social da saúde. Como? Privatiza o público quando o cliente de um plano privado vai a um hospital público.
Estatiza o custo social quando um trabalhador desempregado ou aposentado é expelido do plano da operadora. Esse é hoje o maior buraco da agenda social brasileira.
Vocês podem virar esse jogo. Yes, you can. Concebam mecanismos por meio dos quais os planos privados e o SUS trabalhem com objetivos convergentes. Dá algum trabalho, mas não muito. Será preciso que o Estado mostre a sua mão pesada e os dentes da opinião pública.
Comecemos pelo óbvio: o ressarcimento, pelas operadoras privadas, das despesas que os hospitais públicos têm com seus clientes. Um caso recente: quem salvou a vida do cineasta Fábio Barreto foi a equipe de neurocirurgia do plantão da madrugada no hospital Miguel Couto. Pela tabela dos hospitais cinco estrelas da rede privada (onde não há plantão de neurocirurgia) as primeiras 12 horas de atendimento de Barreto teriam custado em torno de R$ 100 mil. Procurem saber se a operadora dele pensa em ressarcir a Viúva. (Não deixem de ver o filme do Fábio. A CIA me trouxe uma cópia pirata, adorei. A Michelle chorou, mas a Malia ficou meio desconfiada.)
A lei que determina o ressarcimento tem mais de dez anos e foi sedada pelos gatos gordos do mercado, associados aos gatos magros da burocracia. O que foi feito do cartão do SUS? Com ele, cada brasileiro teria um plástico com seu histórico médico. Já se passaram 11 anos, gastaram-se quase R$ 400 milhões e o projeto está atolado. Os gatos gordos e os gatos magros esterilizaram a iniciativa porque ela racionaliza o serviço da saúde pública. Para eles, governo ideal é aquele que tem ministros caçando holofotes, dando serviço aos empreiteiros que constroem hospitais e aos mercadores de equipamentos.
Quando os hospitais decaem e as máquinas apodrecem, começa-se tudo de novo.
Um último palpite: sugiro que procurem a professora Ligia Bahia, na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Eu li umas coisas dela e garanto: entende do que fala, diz o que pensa e sabe se expressar.
Atenciosamente,
Barack Obama”
O ‘Estadão’ de hoje, em reportagem assinada por Wilson Tosta, revela que o prefeito do Rio, Eduardo Paes, gastará em publicidade, em 2010, cem vezes mais do que gastava o seu antecessor Cesar Maia. Talvez isso explique porque a imprensa do Rio tinha, e ainda tem, tanta má vontade com o ex-prefeito.
Veja a reportagem:
“A poucos dias de encerrar seu primeiro ano à frente da Prefeitura do Rio, Eduardo Paes (PMDB) se prepara para multiplicar por quase 100 o gasto anual do município com publicidade, passando-o de pouco mais de R$ 600 mil em 2009 para R$ 60 milhões. Uma licitação para contratar três agências do setor e uma empresa de eventos por 24 meses, ao preço de R$ 120 milhões, já está em curso, devendo quebrar um padrão anterior da administração municipal - o de gastar pouco na área.
“Aqui não tinha agência, o Cesar Maia não fez”, diz Paes, admitindo que seu antecessor gastou pouco com divulgação na gestão passada. Ele afirma, entretanto, não ter pressa para fechar o contrato e, apesar da presença forte que tem na mídia, nega tê-la como prioridade. “É uma publicidade institucional. Minha ideia é gastar institucionalmente, fazer campanhas, divulgar as ações da prefeitura, mas não tenho ainda foco definido”, diz Paes. “Não estou com muita pressa, estou há um ano lançando o edital. Não é o que está me angustiando.”
Na proposta orçamentária, com votação prevista para hoje, a publicidade tem pouco mais de R$ 20 milhões reservados - será necessário fazer uma suplementação, depois da licitação. Não será difícil, se o prefeito conseguir aprovar o índice de 30% de remanejamento de verbas sem consulta ao Legislativo. É o que propõe no projeto de lei. Em 2005, a despesa empenhada pela prefeitura para publicidade foi R$ 1.947.461; em 2006, 166.866; em 2007, R$ 818.029,11; em 2008, R$ 448.286,20; em 2009, R$ 649.492.
Paes reconhece que apertou muito as despesas em 2009. Também obteve algumas receitas extras, como o aumento de arrecadação do IPVA, devido à Operação Lei Seca, do governo estadual, para reprimir a mistura de bebida e direção - nas blitze, checa-se também se os tributos do veículo estão em dia. Levantamento do Fórum Popular do Orçamento mostra o tamanho do garrote. Até o fim de novembro, a prefeitura investira apenas R$ 453 milhões, cerca de R$ 200 milhões abaixo dos R$ 673 milhões investidos em 2005, primeiro ano da última gestão de Maia. Os números já estão corrigidos pelo IPCA.
“O caixa veio muito apertado”, diz Paes. “Apertei no custeio, nos cargos.” Mesmo não investindo, Paes garantiu noticiário positivo com o “choque de ordem” - operações contra ambulantes, sujeira e desordem urbana - e atividades de rua.
O prefeito segue intensa agenda pública diária, com iniciativas de impacto, que vão de descer de bicicleta da residência oficial, na Gávea Pequena, ao Palácio da Cidade, em Botafogo, no Dia Mundial sem Carro, a tocar em bateria e “brincar” de paciente de dentista, como no Pavão-Pavãozinho, no dia 18.
Para a vereadora Andréa Gouvêa Vieira (PSDB), da minoria oposicionista na Câmara Municipal, o prefeito foi para a rua por motivo político. Ela lembra que Paes venceu um segundo turno muito apertado, derrotando Fernando Gabeira (PV) por pouco mais de 50 mil votos, e assumiu uma cidade dividida. “Quando ele tomou posse, tinha gente na rua pedindo anulação da eleição.”
Paes nega. “Saio no fim de semana direto, sem vocês, sem imprensa. Sábado e domingo saio andando de bicicleta pelo subúrbio.”
PERFIL ENVERGONHA ATÉ O PREFEITO
No mesmo ‘Estadão” de hoje:
“Uma torrente de elogios ao prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), ocupa a página da prefeitura carioca na internet. Segundo o site oficial do município, Paes é um “grande talento de sua geração”, teve “reconhecimento por seu trabalho tão grande que se elegeu vereador aos 27 anos” e, em 2000, assumiu a Secretaria Municipal do Meio Ambiente, onde “imprimiu sua marca de realizador”. Diz ainda que, seguindo uma rotina de “15 horas” diárias de trabalho, o prefeito não se queixa. O mesmo site tem um diretório de notícias, nas quais, em sua maioria, a estrela é o prefeito.
Confrontado com o perfil elogioso, Paes reconhece que o texto “é meio autocentrado”. “Não fui eu que fiz não”, diz, atribuindo o trabalho à assessoria de imprensa. “Deixe-me ler o meu perfil. Nossa, está marqueteiro demais”, admite, prometendo “reavaliar”. Até o fim da semana passada, continuava no ar”.
Para os jornalistas perguntarem a avó de Sean na próxima entrevista coletiva:
- A senhora saberia dizer a quanto tempo o seu cunhado, irmão de seu marido, que vive nos Estados Unidos e tem uma filha que mora no Rio, não dá um único telefonema para ela? Não estamos falando em visitá-la, pagar seus estudos, ou pelo menos seu plano de saúde. Apenas a quanto tempo ele não fala alô? O que ele faz nos Estados Unidos? Nos ultimos 15 anos, quantas vezes ele viu a filha, sua sobrinha?
Eduardo Paes esta cada dia mais a cara de Cabral.
Na pesquisa da Datafolha sobre os prefeitos das capitais, Paes teve a mesma avaliação de seu guru Sergio Cabral. Como o chefe, ele ficou com a oitava colacação: ficou em oitavo lugar.
Eis o ranking dos prefeitos:
1. Beto Richa, Curitiba
2. Marcelo Lacerda, Belo Horizonte
3. José Fogaça, Porto Alegre
4. João da Costa, Recife
5. Gilberto Kassab, São Paulo
6. Dario Berger, Florianópolis
7. Luizianne Lins, Fortaleza
8. Eduardo Paes, Rio de Janeiro
9. João Henrique Carneiro, Salvador
“Cabral continua devendo o Bilhete Único” é o título da coluna de Élio Gaspari hoje na ‘Folha’ e no ‘Globo’:
“O Doutor Julio Lopes, secretário de Transportes do governador Sérgio Cabral, insiste: não se pode comparar o Bilhete Único de São Paulo com o do Rio de Janeiro. Tem toda razão, e o motivo é simples: aquilo que está sendo chamado de Bilhete Único pela sua máquina de propaganda é apenas uma tarifa de integração dos ônibus dos municípios vizinhos com a rede de transportes públicos da cidade do Rio de Janeiro. Cobrirá algo como 1,5 milhão de viagens/dia. O Bilhete Único paulista atende 12 milhões.
Nos próximos dias a cidade de São Paulo terá duas novas tarifas. Uma, de R$ 2,70, permite que o cidadão faça quatro viagens de ônibus num período de três horas. Outra, de R$ 4, integra os passageiros da rede de ônibus com a malha do metrô. No Rio, as viagens serão só duas, por duas horas, ao preço de R$ 4,40, com acesso ao metrô, aos trens e às barcas.
As viagens iniciadas e terminadas dentro do município do Rio não terão cobertura do Bilhete Único. Para um morador de Bangu que vai para Copacabana e faz uma perna da viagem de ônibus e a seguinte de metrô, a mordida continuará igual: pagará R$ 5.
Pelas promessas de Sérgio Cabral, um sistema semelhante ao de São Paulo já deveria estar em vigor no Rio há precisamente um ano. Ainda assim, seu bilhete intermunicipal beneficiará centenas de milhares de trabalhadores. Quem paga até R$ 9,50 por uma viagem de Nova Iguaçu à zona sul desembolsará apenas R$ 4,40. O desconto alivia o orçamento de famílias para quem R$ 10 por dia significam real economia. Faz-se mais justiça barateando a viagem de quem sai de São João de Meriti para o Leblon do que refrescando a tarifa num percurso Jardim Botânico-Metrô Ipanema-Botafogo.
Cabral fez bastante. Já o prefeito Eduardo Paes, que prometeu o Bilhete Único durante a campanha eleitoral, está tomando um baile da privataria, logo dela. O Metrô do Rio e a SuperVia criaram modelos próprios de integração tarifária. Quem viaja de metrô e depois sobe num trem paga R$ 3,80. Na tarifa cheia pagaria R$ 5. O metrô também tem algumas linhas integradas a ônibus, com bilhetes de R$ 3,60. (Em São Paulo a tarifa para quem viaja de ônibus e metrô irá para R$ 4.)
O bilhete integrado produzido pela iniciativa privada cobre 150 mil viagens/dia, dá lucro e não custa um ceitil à Viúva. Ele só existe porque está fora do alcance dos intere$$e$ das frotas de ônibus da cidade do Rio.
Cabral, Julio Lopes e Eduardo Paes continuam devendo a tarifa única à cidade de são Sebastião”.
* * *
Em outra nota intitulada “Transporte sem subísídio é coisa de pobre”, diz Gaspari.
“Num dos seus aspectos mais radicais, a demofobia urbana não pode ouvir falar em Bilhete Único e logo grita “subsídio!”, como se subsidiar transportes públicos fosse um problema. É solução. Problema é não financiá-los. Todas as grandes capitais do mundo subsidiam.
O demófobo cosmopolita diz que as coisas em Pindorama são uma porcaria, enquanto “lá fora”, ou no “Primeiro Mundo”, a vida é outra.
Em matéria de transporte público, acontece o seguinte em Nova York: a tarifa cheia do ônibus e do metrô custa US$ 2,50 (R$ 4,50). Ela permite que se passe de um sistema ao outro. O nova-iorquino também pode comprar por US$ 89,90 um cartão que lhe dá acesso ilimitado ao metrô e aos ônibus durante 30 dias. Dessa maneira, se o trabalhador toma duas conduções na ida e outras duas na volta, a tarifa unitária sai por US$ 0,75, ou R$ 1,35.
Há mais. Quem compra o cartão habilita-se a um rebate no imposto de renda equivalente a algo como US$ 380 anuais. Assim, a tarifa do trabalhador das duas conduções cai para US$ 0,50 (R$ 0,90) por embarque.
É muito mais barato ir para o trabalho no regime de capitalismo populista de Nova York do que sob o canibalismo social do Rio de Janeiro”.
* * *
O que Gaspari não sabe é que o Globo de hoje, na página 20, informa que Cabral já autorizou o aumento de 7,05% nas passagens de ônibus a partir do dia 2 de janeiro.
A explicação para o aumento é extraordinária: “é para a instalação de câmeras de vídeo e de GPS nos veículos”. Com certeza não vão instalar nem uma coisa nem outra.
As câmeras não serão instaladas para que as empresas não tenham problemas com a bandidagem, e o GPS por ser absolutamente desnecessário. Os motoristas de ônibus sabem os caminhos que devem percorrer, e em quais pontos devem parar. Eles não procuram caminhos alternativos ou mais rápidos do que os habituais.
A política de transportes do Rio de Janeiro é incompetente e repleta de maracutaia - comandada pelo Doutor Julio Lopes e por seu patrão, o governador Sergio Cabral.
O ex-presidente do PSDB, Tasso Jereissati promete hoje, em entrevista ao ‘Globo’, que a pressão sobre Aécio Neves será muito grande para que ele seja vice de José Serra.
Se pressão valesse alguma coisa dentro do PSDB, Tasso não teria apoiado Ciro Gomes contra José Serra em 2002, e mais: aceitaria ser candidato ao governo do Ceará contra o irmão de ciro.
Mas eis a entrevista assinada por Isabela Martin:
“- Como o senhor recebeu a notícia da desistência do governador Aécio Neves?
- Havia uma expectativa que a gente entrasse o ano novo com uma solução. O Aécio fez um gesto espetacular, ao mesmo tempo que foi bastante pragmático. As suas possibilidades concretas estavam numa prévia. E as prévias não se realizando, para o partido o melhor era ele tomar essa decisão. Agora em janeiro somos obrigados a tomar uma decisão junto com nosso candidato, que fatalmente será o Serra.
- Serra já decidiu se será mesmo candidato? Ele está reticente ou é estratégia?
- Serra é uma pessoa que gosta de tomar decisões de última hora. Faz parte da sua personalidade. Mas o partido está exigindo agora em janeiro uma decisão. Em outras circunstancias não seria tão necessário. Mas Lula precipitou a campanha em mais de um ano. É difícil você ver uma foto do Lula hoje em que a Dilma não esteja como papagaio de pirata do lado. ‘Nem jeitão de candidata ela (Dilma) tem’
- O senhor conversou com Serra depois da decisão de Aécio? - Não. Mas para o Serra não ficou alternativa, é definir ou definir. Janeiro chegou, e chegou este momento.
- Além do DEM, quais os outros partidos que podem compor uma aliança?
- Acho que pode vir ainda o PMDB.
- Rachado?
- Rachado ele vai ficar. A definição da candidatura Ciro vai definir um quadro de maneira decisiva. Acho que o próprio PDT, diante de uma candidatura do Ciro ou não, ainda não tem uma definição muito clara. E essas definições vão também levar a que outros partidos, como o PMDB, revejam sua posição.
- A chapa puro-sangue não torna mais difícil ampliar o arco de alianças?
- Fica. Mas, no caso do puro sangue sendo com Aécio, a perspectiva de ganhar fica maior ainda. Aécio é agregador. Fora isso, uma chapa que venha com perspectiva de vitória, nos dois estados mais populosos do Brasil, é uma candidatura que nasce muito forte.
- Aécio considera isso?
- Ele colocou que vai ajudar no que puder. Mas a prioridade dele é eleger o governador de Minas. Diante do quadro, ele que se prepare porque vai sofrer uma pressão muito grande do partido e até de outros partidos para aceitar. Por isso que digo que muita água vai rolar. O partido todo sonha com isso.
- Quais as chances de derrotar uma candidata que tem Lula como padrinho?
- A Dilma não é o Lula. O Lula é único porque as pessoas se identificam nele. Não é só por causa do Bolsa Família. Na época do mensalão, ouvi as pessoas do interior dizer: “ele pode até fazer, mas é um de nós”. A Dilma não é. Pelo contrário, nem jeitão de candidata ela tem. Ela não é simpática, não é simples, é arrogante, não tem boa comunicação, é prepotente, e não tem uma afinidade popular.
- E o Serra tem?
- O Serra é governador de São Paulo, já foi prefeito, senador e candidato a presidente com excelente votação. Não confunda não ter afinidade popular com não ser sorridente, gaiato. É uma herança da história dele. A Dilma vai chegar só com o padrinho. O PAC é um fracasso. O discurso da Dilma só pode ser: “o Lula é o meu padrinho”.E daí?
- O presidente Lula parece muito confiante de que fará seu sucessor.
- Lula descolou do chão. Tenho uma admiração por ele, pelo que representou. Mas ele descolou. O Papa é coisinha na frente dele. Ele está dando aula para o (Barack) Obama e explicando até porque a terra não é redonda e dizendo que foi Freud que disse isso. Como diz a juventude, ele está se achando. Não é surpresa ele achar que onde tocar o dedo vai se iluminar”.