No dia 11 de março, ‘O Globo’ publicou reportagem, de uma página, sobre o Grupo Facility, conglomerado comandado por Arthur Soares, conhecido como o Rei Arthur, amigo íntimo do governador Sergio Cabral, e que tem R$ 1,2 bilhão em 64 contratos vigentes com o Estado.
Foi só um dia, e nunca mais se falou sobre o assunto.
No domingo passado, ‘O Globo” voltou a carga ao descobrir que do total de R$ 1,2 bilhão, “pelo menos R$ 640 milhões (quase 52%), foram adicionados dos valores contratados originalmente. Uma parte desses aditivos foi feita fora do limite de tempo e também acima dos valores de reajuste previstos nos contratos”.
Diz ainda a reportagem, assinada por Dimmi Amora e Ruben Berta, que “a Lei de Licitações prevê que um contrato de prestação de serviço pode ser renovado por um período de 60 meses (cinco anos)”, mas foram identificados “quatro contratos além desse limite. Eles somam R$ 206 milhões, sendo R$ 170 milhões em termos aditivos”.
O principal responsável pela ilegalidade, o governador do Estado, nunca foi ouvido pelo jornal.
Hoje, ‘O Globo’ publica a defesa do governo.
Uma matéria dos dois repórteres informa que os deputados que ajudaram o jornal a apurar a falcatrua do grupo Facility, pedirão uma inspeção do TCE nos contratos de terceirização. O pedido de CPI, anunciado domingo, sumiu do noticiário.
O curioso é que o jornal publica uma “carta do Governo negando a ilegalidade dos atos” - a carta é maior que a reportagem - mas o leitor fica sem saber que assina o documento. Seria ela apócrifa?
O tempo todo é dito que “o governo do Estado”…blá, blá, blá.
Quem é o governo do Estado? Seria o próprio Cabral? Claro que não. Ele só assina convênios.
Na carta, é dito que “o Governo ainda não conseguiu checar se o valor de 52% do total dos contratos foi conseguido através de aditivos.
Ou o governo é incompetente. Ou não tem controle sobre seus contratos. Ou não sabe fazer contas.
Ou talvez seja tudo isso.
Mas reconhece que três dos quatro contratos estão acima do limite de 60 meses.
Sobre o contrato do Detran, o Governo diz que “ foi prorrogado por apenas 90 dias, para permitir a realização de licitação, que já foi ultimada…”
Quem dizer então que o estado foi pego de surpresa? Há cinco anos sabia-se a data que ele iria acabar, mas o governo do Rio não estava preparado para o seu término.
Segundo o Estado (quem será o Estado?) “houve troca de comando no Detran, o que ocasionou dificuldades de licitação em tempo hábil, antes do seu prazo de encerramento”. Sem comentários.
Sobre o contrato na área de educação, o governo informa que “ele foi renovado pelo mesmo preço, em razão de essa secretaria ter entendido ser mais vantajoso”.
Vantajoso por que ? Só se saberia se ele é vantajoso, se fossem conhecidos os preços dos concorrentes. E se o primeiro contrato foi feito com preço superfaturado?
Já sobre a procuradoria- geral do Estado, é dito que a empresa Vigo perdeu a licitação.
Mas qual foi a empresa que venceu? Rei Arthur não é proprietário apenas da Vigo. Ele tem uma infinidade de empresas. E, as vezes, ele concorre contra ele mesmo.
Finalmente, Rei Arthur não tem apenas 23,2%, quase um quarto, de tudo o que o Estado terceiriza.
Uma curiosidade, por exemplo: com qual empresa o governo Sergio Cabral terceirizou a frota de carros da polícia? Quem são os seus proprietários?
Quem procura acha.