As dificuldades de Sergio Cabral
Caso se confirme a ida de Anthony Garotinho para o PR - e sua candidatura ao governo do Rio - este será um importante revés para Sergio Cabral, candidato que é à reeleição.
Cabral esteve com Garotinho há um mês, tentando convencê-lo a candidatar-se à Câmara dos Deputados, mas ele recusou. E por razões diversas.
1. Garotinho ainda é o presidente do PMDB no Rio e, por isso mesmo, nunca deixou de fazer política, principalmente no interior do Estado, onde continua tendo mais prestígio que Cabral. O governador nunca demonstrou apetite em comandar o partido, ou mesmo conversar com prefeitos do interior. Durante os dois governos Garotinho, ele foi acusado de fazer muito pelo interior, e pouco na Capital. Cabral, nesses dois anos e quatro meses, fez pouco na Capital e praticamente nada no interior. O orçamento do Rio está comprometido com o custeio, com os fornecedores, além dos serviços terceirizados, restando quase nada para novos investimentos. E a situação só tende a se complicar, com a queda do preço do petróleo e a diminuição dos royaltes.
2. Como Garotinho tem o comando do PDMB, ele mantém ainda grande liderança no partido. E é claro que boa parte de seus filiados, mesmo não abandonando a legenda, trabalhará em 2010 para a sua candidatura e não para a de Cabral.
3. Garotinho se candidatará por um partido que faz parte da base de sustentação do Governo, e terá ainda o apoio, indireto, do tucano José Serra, que não terá nele seu candidato preferencial (esse será Cesar Maia, Fernando Gabeira ou Denise Frossard), mas não o atacará, pois Garotinho é peça importante na tentativa de derrotar Sergio Cabral, aliado de Dilma Rousseff.
4. O presidente da Assembléia, deputado Jorge Picciani, concorrerá ao Senado pelo PMDB. Cabral é dependente político de Picciani e qualquer aliança que faça, terá o deputado ao seu lado. Mas não será surpresa se, no meio da campanha, Picciani abandonar Cabral e ficar ao lado de Garotinho. Eles são amigos, e o presidente da Assembléia considera Garotinho mais confiável, pois sabe que Cabral fala muito mal dele, não só nos bastidores, mas principalmente para aqueles que gostam de ouvir críticas ao presidente da Assembléia.
5. Um golpe ainda mais grave na candidatura Cabral, ainda está por vir. Para isso, o prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias, precisa convencer o PT a lançá-lo candidato. Ele tem um perfil parecido com Cabral, e muito mais carismático. O presidente do IBOPE, Carlos Augusto Montenegro, costuma dizer que erram os políticos que se sustentam, apenas, na mídia e nos chamados líderes de opinião - estratégia que Cabral usou até agora, com o domínio pleno e completo do noticiário dos jornais do Rio. O danado, como lembra Montenegro, é que “existe muito mais povo do que líder de opinião”.
Tags: Carlos Augusto Montenegro, Cesar Maia, Denise Frossard, Dilma Rousseff, Fernando Gabeira, Garotinho, Ibope, Jorge Picciani, José Serra, Lindberg Farias, PR, PT, Sergio Cabral
7 de maio de 2009 às 16:42
[...] governador Sergio Cabral poderia estar fora até do 2o turno. O jornalista Dacio Malta em seu blog comenta também sobre as dificuldades que Cabral terá concorrendo contra Garotinho, Lindbergh e claro a chapa [...]
2 de junho de 2009 às 17:27
Cabral está muito tranquilo. num cenário repelto de candidatos ele atingiu 1/4 de votos. O enário real deverá ter apenas 2 ou 3 candidatos.
uem irá concorrer? garotinho? Cesar mai? ou gabeira das passagens?
Além disso, Cabral acabou com aquele populismo que assolava o Rio. Seu governo motra seriedade no combate a violência e responsabilidade com os gastos.