É dura (e frustante) a vida do eleitor do PT no Rio de Janeiro.
Aqui, o grupo que ficou conhecido como ’Partido da Boquinha’ quer aderir de imediato a candidatura do governador Sergio Cabral à reeleição.
Para o Senado, no próximo ano, duas cadeiras estarão em disputa: a do próprio Sergio Cabral, atualmente ocupada por Paulo Duque, e a do senador Marcelo Crivella.
Uma das vagas ao Senado, pelo PMDB, será do presidente da Assembléia , deputado Jorge Picciani, que, politicamente, é quem manda de fato no governo. A negociação de Cabral para apoiar Dilma Rousseff, ou quem quer que seja o candidato do PT, inclui o apoio a Picciani.
Quem seria então o outro senador que o PT apoiaria?
O lógico seria a secretária Benedita da Silva, que abriu mão de sua candidatura a Prefeitura do Rio para tentar, no próximo ano, a volta ao Senado.
Mas Lula deixaria o senador Marcelo Crivella na mão? Não há hipótese.
O Presidente já deu provas do carinho que tem, pelo senador, em todas as eleições majoritárias que ele disputou. Vladimir Palmeira, candidato ao governo, e Alessandro Molon, candidato a prefeito, são testemunhas (e vítimas) disso.
Crivella é do partido do vice José Alencar, e é o mais fiel lulista no Rio de Janeiro, incluindo nessa relação petistas com cargo de comando. Ao contrário de muitos neo-lulistas, entre eles o próprio Sergio Cabral, não se tem notícias de críticas de Crivella a Lula, e muito menos imitações debochadas do Presidente.
Ao PT poderia caber, então, a vice-governadoria. Mas Cabral vai abrir mão do vice Pezão?
Se fizer isso, será o primeiro caso de um governador que, disputando a reeleição, não consiga chegar nem mesmo ao segundo turno.
O PT da Boquinha, influenciado, é verdade, pelos sábios aloprados de Brasília, pode chegar a 2010 sem ganhar nenhum dos cargos majoritários no Rio.
E pior: apostando errado, em janeiro de 2011, data da posse do futuro governador, ele perderá todas as boquinhas.