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Arquivo para março, 2009

A bomba ambulante

31 de março de 2009

Os próximos dias na política do Rio prometem ser emocionantes.

Quando o presidente da Assembléia era Sergio Cabral, o 1º secretário chamava-se José Graciosa.

Graciosa virou conselheiro do Tribunal de Contas, com as bençãos de Cabral, que convidou Jorge Picciani para o seu lugar. Depois que Cabral virou senador, Piciciani tornou-se presidente.

Os três, antigamente, eram uma só pessoa.

Agora Picciani decidiu demitir Graciosa do Tribunal de Contas. Criou uma CPI, entregou sua presidência a deputada pedetista Cidinha Campos, e está cobrando um relatório, mesmo que parcial, para apressar a demissão de Graciosa e outros dois conselheiros.

José Graciosa é, na verdade, uma bomba ambulante pronta para explodir.

Mas Picciani, pelo jeito, não está nem um pouco preocupado.

Tudo parece muito estranho.

A força da Delta

30 de março de 2009

‘O Globo’ publicou domingo uma reportagem sobre a empreiteira Delta - “campeã  de obras do PAC, empresa cresceu 908%”. A reportagem, assinada por Maiá Menezes e Flávio Tabak, diz que o patrimônio da construtora “passou  de R$ 50 milhões para R$ 504 milhões em oito anos”.
Na matéria está dito que a “virada da empresa na administração federal se deu no começo do governo Lula”, e a empreiteira criada em 1961,em Pernambuco, se mudou para o Rio em 95. Fez obras de grande porte na administração Anthony Garotinho, como a pavimentação de 645 ruas em 77 bairros de Nova Iguaçu.
Três perguntas a serem respondidas:
1 – Qual o  Estado em que é maior a concentração de obras da Delta?
2 – Em 2006, o sócio majoritário da Delta, Fernando Cavendish Soares, fez uma festa, em seu apartamento, para poucos convidados, para comemorar a vitória de um candidato majoritário. Quem foi ele?
3 – Qual é hoje a empreiteira que mais constrói na cidade do Rio de Janeiro?

Uma frase estranha

30 de março de 2009

Diz o colunista Jorge Bastos Moreno:
“De Lula a dois governadores petistas amigos da coluna, numa conversa pra lá de descontraída:
- Vocês não imaginam a tranqüilidade de eu saber que vou passar o governo para Dilma ou para Serra”.
Ninguém duvida que dois governadores tenham contado esta história para Moreno.
 A dúvida é se o Presidente disse o que foi publicado. Já há tempos, Lula não fala nada de importante para mais de uma pessoa. Por mais próximo que seja o auxiliar, ele só conta parte do enredo.
Se ele fosse, por exemplo, promover uma reforma ministerial, ninguém saberia o que Lula pensa sobre o assunto como um todo. Mas todos saberiam um pedaço do que ele pensa.
A frase de Lula pode ter sido dita para um único governador. E o segundo, para mostrar-se bem informado, disse que também ouviu.
Ou então, Lula estava com dois governadores, quando um deles pronunciou a frase. Como o Presidente não o contestou, os dois ficaram com a impressão de que ele concordara.

A branca de olhos azuis

28 de março de 2009

O Presidente Lula viu-se, esta semana, num fogo cruzado: tiros vieram da esquerda e da direita.
E tudo por causa da declaração de que “a crise foi feita por gente branca, de olhos azuis, que antes da crise sabiam tudo e, agora, não sabem de nada”.
O mínimo que disseram é que Lula havia sido descortês com o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, a quem ele recebia no Palácio da Alvorada.
Teve também quem o acusasse de covardia, pois ao invés de enfrentar os banqueiros internacionais, ele reduzia o problema aos brancos de olhos azuis. E buscaram belas atrizes, com essas características, para provarem que elas nada tinham a ver com a crise global.
O que ninguém se referiu foi a sutileza da crítica do Presidente.
Lula aproveitou a presença de Brown, em Brasília, pois foi na Inglaterra que surgiu o neoliberalismo -  implantado por uma branca de olhos azuis, e que atende pelo nome de Margareth Thatcher.  A ex-Dama de Ferro é a mãe de tudo o que Lula sempre condenou: o neoliberalismo, o estado mínimo, as privatizações, a globalização e tudo o mais.
A política neoliberal surgiu como uma reação contra o Estado intervencionista, e suas propostas eram a retirada do Estado da economia, a abertura econômica, a privatização das estatais e a desregulamentação da economia. Thatcher visava o aumento dos fluxos de capitais, reduzindo assim a capacidade de intervenção e controle do Estado.
Há meses, Lula vem batendo nesta tecla: “O mercado antes sabia tudo, podia tudo, e se regulava. Quando veio a crise, a quem eles foram pedir socorro? Justamente ao Estado que antes era um entrave”
Pelo menos com a branca de olhos azuis Lula acertou suas contas.

Volta ao mundo

28 de março de 2009

O jornalista Jorge Bastos Moreno publica hoje, em ‘O Globo’, uma pequena entrevista com o governador Sergio Cabral, que estava em Denver, nos Estados Unidos.
Eis um trecho:
Moreno - Achei uma injustiça ele (Pezão) não ter recebido o Faz Diferença: é o único vice que de fato é o titular. Quando voltas?
Cabral - Ao exterior? Na próxima quarta. Chego aí no sábado (hoje) e em seguida vou para Londres para me encontrar com o Lula.
Moreno - Definitivamente, assim não dá.
Cabral - Concordo, tanto que estou pensando até em criar um escritório de representação no Rio, para quando eu estiver em trânsito pelo Brasil.

Daslu tem pena exagerada

27 de março de 2009

Sem entrar no mérito dos crimes atribuídos a dona da Daslu, Eliana Tranchesi, sua condenação a 94 anos e meio de prisão é mais do que exagerada.
Eliana é acusada de contrabando e falsidade ideológica, e daí a formação de quadrilha.
Para que possamos estabelecer um parâmetro, eis um exemplo.
Elias Pereira da Silva, o “Elias Maluco’ foi considerado o maior traficante de drogas e armas do Rio de Janeiro, e um dos maiores do país.
Seu crime mais conhecido foi o assassinato do jornalista Tim Lopes.
Por isso foi condenado a 28 anos e meio. 66 anos a menos que Tranchesi.

Os louros de olhos azuis

27 de março de 2009

Louros de olhos azuis, e com prestígio na política, existem três. E nenhum deles é banqueiro.
O primeiro é Eduardo Campos, do PSB, governador de Pernambuco, ex-ministro de Ciência e Tecnologia, e aliado de Lula. O Presidente esteve esta semana no Recife e declarou: “Aqui eu tenho lado. E eu estou com Eduardo”. Portanto, nada a reclamar.
O segundo é o senador Tasso Jereissati, do PSDB, conhecido na intimidade como ‘Galego’ ou ‘Galeguinho dos Olhos Azuis’ . É de oposição, mas não atua no setor de bancos. O máximo que tem são bons amigos. Seus negócios estão na área das comunicações (emissoras de televisões), distribuidora de gás, shopping-center, além ser o dono da Coca-Cola no Nordeste.
O terceiro é o ex-presidente do PFL, Jorge Bornhausen, o mais louro e com os olhos mais azuis, conhecido com ‘Alemão’. Embora seja ele o maior adversário de Lula, é o único que não pode reclamar.
Se a fala do Presidente teve um tom racista ou preconceituoso, as declarações de Bornhausen não ficam atrás.
Certa vez, sonhando com a derrota dos adversários do PT, ele disse em alto e bom som:
- A gente vai se ver livre desta raça por, pelo menos, 30 anos.

Serra adia planos de Ellen

26 de março de 2009

O governador José Serra trabalha, nesse momento, para que a ministra Ellen Gracie, do Supremo Tribunal Federal, desista da idéia de ir representar o  Brasil no Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, em Nova York. O emprego é fantástico e são apenas quatro reuniões por ano.
Antes, Ellen havia solicitado uma indicação para a Corte de Haia, mas perdeu a vaga para o jurista Antonio Augusto Cançado Trindade — com mais credenciais e apoios dentro e fora do Brasil. Cançado acabou vetado pelos Estados Unidos, e a vaga foi ocupada por um colombiano.
O Supremo tem 11 ministros, e seis deles foram nomeados por Lula. Se Ellen for para ONU, ele nomeará o sétimo, provavelmente José Antonio Toffoli.
Mas Serra, que sonha com a Presidência da República, adoraria nomear o sucessor de Ellen no STF. Para isso teria de adiar os planos da ministra até 2011.
E isso é tarefa quase impossível.

Uma defesa desimportante

26 de março de 2009

Os senadores que participaram da audiência pública, proposta pelo Senador Francisco Dornelles, para defender, e não  discutir, a permanência do menino Sean Goldman, no Brasil, com a família de sua mãe, estão entre os mais desimportantes da Casa.

Cesar está certo

26 de março de 2009

Do ex-prefeito Cesar Maia em seu blog:                   
“Como uma cidade que quer sediar os Jogos Olímpicos-2016 não mostra capacidade para completar com 100 milhões de reais a Cidade da Musica?
Esse será o equipamento chave para os eventos culturais dos Jogos.
Como os avaliadores julgarão as propostas de bilhões de reais, se algo real e concreto não se completa?
A reforma do Maracanã para o PAN custou 100 milhões de reais.
O projeto para 2014 está orçado em 400 milhões de reais. Um total de 500 milhões de reais apenas para reformas.
Os avaliadores do COI não entendem nada de partidos políticos e disputas eleitorais no Brasil”.
Cesar está certíssimo. Picuinhas nesse momento não fazem o menor sentido.
Não tem porque não concluir a obra, sem prejuízo da auditoria que está em andamento.
Ou será que no dia 27 de abril, quando chegarem aqui os 16 membros do Comitê Olímpico Internacional para inspecionarem as condições da cidade, os organizadores da cidade-candidata vão esconder a Cidade da Música?