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João Gilberto, três novas canções

16 de março de 2010 por Dacio Malta

Enfim uma boa notícia.
Do repórter Sergio Torres, da ‘Folha’:
“O recluso João Gilberto, 78, começa a gravar ainda neste mês três canções para “O Gerente”, filme de Paulo César Saraceni recém-finalizado. Serão novas interpretações para “Louco” (Wilson Batista/Henrique de Almeida) e “Insensatez” (Tom Jobim/Vinícius de Moraes) e um tema inédito, de autoria do cantor, um compositor bem eventual.
Essa música já começou a ser esboçada pelo artista no apartamento em que vive no Leblon, na zona sul carioca. A canção será instrumental, possivelmente cantarolada. Apenas ele e o violão, como nos registros de algumas de suas poucas músicas autorais.
São ao menos 12 as canções compostas por João Gilberto gravadas ao longo de uma carreira que já dura 61 anos. Ele começou em 1949, na Rádio Sociedade da Bahia. Baiano de Juazeiro, na margem direita do rio São Francisco, veio trabalhar no Rio no ano seguinte.
João e Saraceni, 76, são amigos desde os anos 80, quando o cineasta filmou, em parceria com Leon Hirszman (1937-1987), o documentário “Bahia de Todos os Sambas”.
Realizadas em 1983 em Roma, as filmagens mostram espetáculos ao ar livre em que se apresentaram artistas da Bahia. Estiveram lá João Gilberto, Dorival Caymmi, Caetano Veloso, Tom Zé, Moraes Moreira e Gilberto Gil, entre outros. O material filmado gerou o documentário, lançado em 1996, em VHS e, depois, em DVD. Já foi exibido pelo Canal Brasil na TV paga, mas é artigo raro. No filme, João Gilberto canta quatro músicas: “Estate” (Martino/ Brighetti), “Wave” (Tom Jobim), “Insensatez” e “Louco”.
O reencontro de João e Saraceni aconteceu no ano passado. Mesmo cético, o cineasta telefonou para o cantor e pediu autorização para usar as gravações romanas de “Insensatez” e “Louco” em “O Gerente”. Essas interpretações jamais constaram de CDs.
“Eu queria muito o “Louco” na interpretação do João. Combina bem com o filme”, disse Saraceni à Folha.
Na conversa telefônica, João surpreendeu, ao propor que fossem feitas novas gravações, em estúdio, sem as imperfeições do ao vivo e da orquestra que o acompanhava no concerto das termas de Caracalla.
A surpresa foi ainda maior quando João disse que faria uma música nova para o filme. Saraceni não esperava -e está esperando até hoje, porque o filme ficou pronto, falta apenas a inserção das três canções.
Para que João as grave, Cláudia Faissol, mãe de Luísa, filha caçula de João, monta um estúdio em seu apartamento na zona sul, com alguns equipamentos trazidos dos EUA. Segundo ela, ainda neste mês as gravações serão iniciadas.
“João teve simpatia pela ideia [de gravar para o filme]. E também quer gravar outras coisas para ele. Até junho estará tudo pronto”, previu Cláudia, diretora de um documentário sobre João Gilberto, “Bossa Brasil”, ainda inédito.
A admiração de João Gilberto pelo poeta Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) pode ter contribuído para que ele decidisse participar do projeto de Saraceni. “O Gerente” é baseado em um conto do poeta. Foi o primeiro roteiro de Saraceni, pronto desde 1952 -logo, inédito por 58 anos.
Em “Chega de Saudade, a História e as Histórias da Bossa Nova” (editora Companhia das Letras), o autor Ruy Castro narra o episódio em que João, ainda um desconhecido, ao avistar Drummond no centro do Rio, abordou-o, chamou-o de mestre e pediu um autógrafo, firmado em um envelope pardo, perdido tempos depois.
Para o elenco do longa-metragem Saraceni chamou artistas com quem já trabalhara, como sua mulher, Anna Maria Nascimento e Silva, e Ney Latorroca (em “Anchieta, José do Brasil”, de 1978)”.

Governador, vá para Paris!

15 de março de 2010 por Dacio Malta

Esse ‘blog’ esteve fora do ar, nos últimos quatro dias, deixando de comentar fatos importantes, principalmente os que dizem respeito a derrota do Rio de Janeiro no episódio dos royaltes do petróleo.
Quem acompanha esse espaço sabe que a derrota não foi surpresa, depois que Sergio Cabral esteve em Brasília, e saiu de uma  reunião com líderes na Câmara afirmando que o Rio estava sendo roubado. Cabral decidiu, naquele momento, brigar com todos, inclusive com os líderes de seu próprio partido, o PMDB.  Ele acreditou que, com sua gritaria, ele inibiria quem quer que fosse. Como ele é tolo.
Cabral está próximo de conquistar a unanimidade: todos contra ele. As recentes declarações, de importantes líderes políticos, mostra o pouco caso que eles passaram a ter pelo governador.
Do presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra: “É uma loucura atribuir ao governo e a ministra Dilma a responsabilidade pelo o que ocorreu. Cabral foi quem acirrou esse clima de beligerância ao ser pouco habilidoso”.
Do deputado Cândido Vaccarezza, líder do PT: “O Presidente Lula tem mais voto que Cabral até mesmo no Estado do Rio. E o grande cabo eleitoral de Dilma é o presidente da República, não o Cabral”.
Do deputado Ciro Gomes:”Paciência, Serginho, muda de ramo. Na minha terra ninguém pega galinha gritando “xô”. É preciso construir uma saída, e ela é perfeitamente viável no Senado. Mas se for na base do protesto, da confusão, esculhanbando a Câmara, o Senado e os politicos, o Rio vai perder, porque Lula não vai vetá-la. Ele não vai ficar contra o resto do país, que tem problemas tão ou mais graves do que o Rio. Tem muito político do Rio de conversa fiada e fazendo teatro”.
Do senador Francisco Dornelles (PP-RJ), aliado de Cabral:”Não adianta levar uma mensagem de guerra, precisamos de uma mensagem de paz e discutir a dosagem da mudança”.

                     * * *
Depois das mais diversas manifestações contra o comportamento de Cabral, o governador poderia fazer um enorme favor ao Rio de Janeiro, à sua tradição, à sua economia e à sua gente.
Vá para Paris, governador.
Fique por lá uns 60, 90 dias.
Volte depois que o Senado decidir o que fazer com a emenda Ibsen Pinheiro.
Deixe que os políticos encontrem uma saída.
Todos eles amam o Rio de Janeiro e, certamente, não insitirão na idéia de prejudicá-lo.
Mas eles não estão dispostos a continuar ouvindo seus desaforos.
Vá para Paris, governador!
Faça uma reserva no George V.  Passeie. Faça compras. Tanto faz se essas despesas sejam pagas pelo governo do Rio, ou por um de seus amigos.
A essa altura, nada disso mais importa.
O Rio promete não fazer cobranças, desde que nesse período o senhor cale a boca.
Não elogie nem critique ninguém.
Não dê opinião sobre absolutamente nada.
Fuja da imprensa. Não atenda telefonemas.
Fique mudo.
Política é coisa para profissional.
Para exercê-la é preciso, antes de mais nada, equilíbrio emocional.
É pena que, nos quatro anos que o senhor esteve em Brasília, como senador, não tenha apreendido nada.
É exatamente por isso que seu mandato foi apagado.
Não existe, nos anais, um único discurso de importância média, e nem mesmo uma entrevista.
Agora entende-se porque Paulo Duque é seu suplente.
Os senhores são iguais: despreparados, trapalhões, arrogantes.
Por favor, não vá a passeata de amanhã.
Sei que o senhor tem um problema no joelho. Utilize a doença para justificar sua ausência.
Não faça discurso na Cinelândia. Pelo amor de Deus.
Como disse Ciro Gomes, esse não é o seu ramo.
Tudo se encaminha para um entendimento.
Não ponha isso a perder.
Cale a boca.
Governador: pelo amor ao Rio de Janeiro, vá para Paris!!!

Cristovam, o xerife e o estadista

15 de março de 2010 por Dacio Malta

O senador Cristovam Buarque, do PDT, deu uma entrevista a repórter Raquel Ulhôa, do ‘Valor Econômico’, a quem admitiu vir a se candidatar ao governo de Brasília, embora preferissse concorrer a reeleição para o Senado: “Eu queria terminar a vida como estadista e o GDF é tarefa para xerife”, comentou.
Eis a entrevista:
- O senhor já decidiu se será candidato a governador?
- Acho que a melhor posição que eu posso exercer na política a serviço do Brasil e do Distrito Federal é no Senado. Tenho mais de cem projetos em andamento, um deles é o mais revolucionário do Brasil: cria a carreira nacional do magistério. Não gostaria vê-los parados. As crises do Senado passaram a idéia de que aqui é casa de mordomia, boa vida. Fica parecendo que estou fugindo da luta por interesse pessoal. Eu continuo olhando para o Senado, mas não posso fazer isso de costas para a população. E, quando a população diz que estou querendo abandonar Brasília, fica difícil.
- O que vai pesar em sua decisão?
- Primeiro, o ex-governador Joaquim Roriz não ser candidato. Se ele não for, não precisam de mim para ganhar eleição. Os candidatos quer representam o passado estão tão enfraquecidos, salvo o Roriz, que qualquer um que a gente apresentar vence. E a renovação virá, que é o que o povo quer. O segundo fato que, se acontecer, me libera para disputar o Senado, é as esquerdas se unirem. Se a gente fizer uma frente com oito, nove partidos, incluindo o PT, vamos ter força suficiente até para bater o Roriz. Acho que ele não vai ser candidato, mas só deve decidir isso lá para junho.
- Essa aliança depende do PT?
- No dia 21, o PT vai escolher um candidato (entre Agnelo Queiroz e Geraldo Magela, que disputarão prévias). Espero que saia unido e no outro dia venha conversar conosco, com sete partidos que estão trabalhando juntos (PDT, PSB, PCdoB, PPS, PV, PRB e PMDB).
- Esses sete apoiariam o candidato do PT?
- Nós vamos discutir isso, mas o PT é o mais forte. Eu, pessoalmente, defendo que seja do PT e unifique as forças de esquerda. Qual é o meu medo? Que o PT escolha o candidato e, para se unificar, se feche contra os outros partidos. Ou seja, forme uma chapa só deles: o que perder as prévias vai indicar o vice ou o candidato ao Senado. Isso nos dividirá. Por que, para ficarmos unidos, nós, desses sete partidos, queremos que os outros três cargos majoritários (vice e dois de senador) sejam dessegrupo. O PT seria apenas cabeça de chapa.
- Por que o senhor acha que Roriz vai acabar não se candidatando?
- Primeiro, porque vai se expor a um bombardeio da Justiça e da mídia. Além disso, seria governador pela quinta vez, em condições muito negativas. Ele é um homem fortíssimo. Erra quem menospreza o Roriz. Mas ele está num partido sem tempo de televisão, sem militância na rua.Terá dificuldade de comprar cabo eleitoral. A Justiça vai estar de olho. O que ele poderia é ter voto de gratidão, de quem recebeu lote no primeiro governo dele, que terminou em 94. Mas acho que essa gratidão não vai pesar tanto, porque os que receberam já estão velhos e os filhos não têm a mesma gratidão.
- Então seu destino em outubro está nas mãos do PT e do ex-governador Roriz?
- Se a esquerda se dividir e Roriz estiver na disputa, eu vou ter que ser candidato, porque pelo menos não vai ficar a marca de que o Roriz ganhou sem eu brigar com ele. Ele pode até ganhar, mas ninguém vai poder me acusar de virar as costas. Essa é minha tragédia hoje. Olhar para o Senado de costas para o povo.
- O PMDB era aliado de Arruda. Com ele nesse grupo dos sete, dá para falar em união das esquerdas?
- A palavra esquerda é realmente muito forte. Na verdade, é a união das forças que desejam a mudança. Você pode dizer que o PMDB era o partido do Roriz até pouco tempo. Mas o PMDB conseguiu tirar o Roriz dele. E essa crise do Arruda, eu trabalho como sendo crise de pessoas, não de partidos. Até o Democratas está se recuperando bem, na medida que tirou Arruda, Paulo Octávio (ex-vice-governador) e deputados envolvidos.
- Esse escândalo que levou Arruda para a cadeia atingiu também a Câmara Legislativa. A política aqui está contaminada?
- Você já comparou nossa Câmara, com toda sua fragilidade - não estou desculpando -, a todas as 5.563 Câmaras de Vereadores do Brasil para saber se a nossa é pior?
- O senhor está tratando-a como Câmara de Vereadores mesmo?
- Assim como trato o governador como prefeito. Governador aqui é um prefeito. Quando fui governador, cheguei a discutir a possibilidade de a polícia ser comandada do Palácio do Planalto. Sabe por que? Por uma questão de estadismo. Um dia, pode haver um governador, comandando a PM, com mais tropa que o exército em Brasília, que queira invadir o palácio. Essas mudanças têm que ser discutidas. Realmente, são duas coisas diferentes: a capital e a cidade. Brasília hoje é muito maior que a capital. Brasília tem uma peculiaridade. Todo mundo que faz política aqui entrou na política recentemente. Eu não conseguiria ser eleito governador na primeira eleição que disputasse em nenhum outro Estado. Brasília ainda é um faroeste. Um lugar a ser desbravado. Em algumas áreas evoluiu, como em medicina e na ciência e tecnologia. Na política, a gente chegou atrasada. Aqui não tinha líderes, até porque os governantes eram nomeados. Eram interventores. Ficamos mais tempo da história sem direito a voto do que com voto. Temos existência pequena.Tivemos apenas quatro governadores e quatro Câmaras Legislativas até aqui. A primeira não foi ruim. Mas o fisiologismo chegou lá também. A política virou questão de marketing, compra.
- O fato de ser a capital estimula a corrupção, o fisiologismo?
- Não. É por ser nova, não ter tradição nem lideranças consolidadas. Aqui não teve um Miguel Arraes, um Leonel Brizola, um Antonio Carlos Magalhães, que levaram décadas para criar suas carreiras. Eu saí de uma reitoria para ser governador. Eu me filiei só em 90. Isso é fruto do fato de a cidade ainda estar sendo desbravada em todas as áreas,inclusive na política.
- O senhor acha que o escândalo atual vai forçar uma mudança, uma ruptura em relação à prática política de Brasília?
- Essa é minha esperança: que Brasília, daqui a quatro anos, seja a cidade com o melhor sistema governamental do ponto de vista ético. Não acredito que seja possível o eleitor repetir erros e que os governantes cometam os erros que Arruda cometeu, mesmo que tenham vocação para cometer esses erros. Por uma questão de sobrevivência. Brasília vai poder construir uma novidade na forma de administrar. Aliás, acho até que na campanha. Espero não ser candidato a governador, mas, se for,penso em algumas inovações. Exemplo: divulgar todas as contribuições imediatamente na internet e não receber contribuição para a campanha acima de R$ 10 mil ou R$ 20 mil. Ao estabelecer um teto por doador você não fica com débito. Quando vier um empresário disputar uma licitação de R$ 500 milhões, não vai poder cobrar nada. Se doou R$ 200 mil já começa a querer cobrar. Coisas como essa podem inovar Brasília.
- Uma intervenção federal não poderia ser uma solução para o momento em que nenhuma instituição é confiável?
- A possibilidade de intervenção está na Constituição. Esse negócio de dizer que é a falência da democracia não é verdade. A intervenção se dá dentro da democracia. Seria falência se fosse o comandante da PM que indicasse o governador ou um empresário rico. Mas não, é a justiça. Mas minha opção é que o governador para esse final de mandato seja eleito pela Câmara Legislativa. Mas, para ter legitimidade, o eleito tem queter cara, cabeça, coração e mão de interventor. Isso é uma das coisas que também me fazem temer ser candidato. Eu queria chegar nessa idade como estadista. O próximo governador vai ser um xerife. A principal prioridade não vai ser a educação. Vai ser a ética. A grande tarefa é construir uma máquina exemplar de governo, em que mesmo ladrão não consiga roubar e nem os desonestos possam ser corruptos. Essa vai ser a obrigação. Por isso não sou entusiasmado em ser candidato a governador.Não é o que eu gostaria de deixar como marca: construir um governo ético. Queria deixar como marca a mudança na sociedade e não na máquina do governo. Repito: não gostaria de terminar a vida como xerife, queria terminar como estadista.
- Sua proposta significa uma intervenção legalizada pela Câmara.
- É isso. E por que essa sutileza? Por que a intervenção não é um abalo na democracia, mas é um abalo na classe política. É o fracasso da política. E o fracasso da política é ruim pedagogicamente. A ideia que  vai passar é que foi preciso a Justiça intervir, porque os líderes daqui não foram capazes de encontrar uma saída. Falo da autonomia de 2 milhões de habitantes. É uma população do porte de outros Estados. A gente vai cortar a autonomia do Acre, de Rondônia? Por que cortar autonomia da população do DF?
- Mas essa Câmara, que tem entre seus deputados pessoas envolvidas no escândalo, tem condições de eleger uma pessoa com o perfil que o senhor defende?
- Essa é uma pergunta que não dá para responder ainda. Ninguém dizia, há duas ou três semanas atrás, que eles iriam aceitar o processo de impeachment do Arruda. E votaram por 17 a 0. E eu acho que vão cassar o Arruda.
- Há quem diga que ele pode apoiar um candidato em outubro. Acredita que ele ainda tenha alguma influência política no GDF?
- Tem. A gente fala muito dos lotes. Mas esquece que, como Brasília é Estado e prefeitura, o número de cargos comissionados é muito grande.Acho que são 35 mil num total de 150 mil servidores, mais ou menos.Aqui o governador se fortalece dando aumento salarial e distribuindo lotes. Um candidato apoiado por ele não teria chance de ganhar, mas teria muitos votos”.

Ciro: “PT paulista é um desastre”

15 de março de 2010 por Dacio Malta

O deputado federal e ex-ministro Ciro Gomes (PSB), 52, deu uma longa entrevista a repórter Malu Delgado, da ‘Folha’. Ela andou de taxi com o presidenciável, pelo Rio, e pôde constatar a sua popularidade. Mesmo tendo apenas 12% das intenções de voto na pesquisa ‘Datafolha’, Ciro diz que continua candidato, mas que age “em sintonia com Lula e com a direção do PSB”.
Para a repórter, Ciro fez uma profecia:”Dilma cometerá algum erro na campanha, pois é a mais vulnerável e inexperiente entre os candidatos”.
Ao final da entrevista, diz Malu Delgado, “com o gravador já desligado e cercado por correligionários do PSB num hotel no Rio, Ciro confessa que se não for candidato à Presidência e nem disputar o governo de São Paulo, deixará a política”.
Eis os principais trechos da entrevista:
- O sr. afirmou na semana passada que São Paulo não precisa do sr. São Paulo precisa de quem?
- Fulanizar a política é algo ridículo no Brasil. São Paulo precisa de um projeto porque a eficiência medíocre do PSDB deu o que tinha que dar. Os indicadores de violência estão crescendo, o transporte está colapsando, a educação de São Paulo é uma das piores do país. Agora, como o PT é um desastre, lá em São Paulo especialmente, eles têm essa eficiência medíocre posta em relevo.
- Por que o sr. considera o PT um desastre em São Paulo?
- Por tudo o que aconteceu. Eu lamento, mas há uma lista toda, a nominata quase inteira com problema. Estou falando do desastre de confiabilidade, de confiança da população a ponto de o próprio PT, na minha opinião corretamente, pretender lançar um candidato jovem lá, para fazer nome. Os principais quadros do partido [o PT], por essa ou aquela outra, justa ou injustamente, entraram num problema. Não é brincadeira não, rapaz. José Dirceu, Genoino, Mercadante, Marta, João Paulo… Não é brinquedo não. Praticamente isso é a lista inteira.
- O PT pretendia lançar o sr. no Estado.
- Eu fico muito honrado, distinguido com isso, mas veja bem: não é tão artificial essa solução não?
- Então se o sr. for candidato ao governo de São Paulo será uma solução artificial? 
- A minha candidatura naturalmente é artificial. Agora, o que eu posso fazer, eu poderia fazer –e tinha que ser sincero e franco com a população de São Paulo –era dizer: eu não faço rotina aqui, mas acumulei uma experiência de grande sucesso na administração pública, e essa experiência eu me disponho a colocar a serviço de São Paulo. Não é minha pretensão. Todo mundo sabe e eu repito que minha intenção é ser candidato à Presidência.
- Mencionando um ditado dito pelo sr., “quem quer pegar galinha não diz xô!”.
- Eu não estou dizendo xô para ninguém. Eu apenas quero ser sincero, porque não posso parecer indeciso –e eu não estou. Nem posso atrapalhar a responsabilidade dos meus companheiros do PT, do PSB, que têm uma candidatura que pretende ser apresentada lá, que é do Paulo Skaf. É tão remota e exótica essa possibilidade que ninguém tem que esperar por mim. Amanhã, se no limite o meu papel for essencial, se não for eu não dá certo, o mundo se acaba, o projeto brasileiro corre risco, e tal, nesta circustância é evidente que eu iria. Mas não creio.
- O sr. trabalha por alianças do Paulo Skaf com o PT, por exemplo? O sr. vê possibilidade de uma chapa Aloizio Mercadante e Skaf?
- Eu não veto, não atrapalho, não opino contra, mas acho que a melhor opção é o PT ter o seu candidato e nós o nosso.
- Circulam avaliações no meio político e uma delas é que o sr. está numa orquestração com o presidente Lula, agindo conforme interesses do Planalto para impedir que José Serra cresça. Seus movimentos são feitos em consonância com o presidente?
- Todos os movimentos que eu faço são em absoluta consonância com a direção do meu partido, o PSB, e com o presidente Lula.
- Interessa ao presidente que o sr. se coloque neste momento candidato à Presidência?
- Se interessa a ele ou não eu não sei, mas até o presente momento tudo o que eu fiz está em absoluta sintonia com ele e com a direção do meu partido.
- O sr. diz que é o único a ter liberdade para fazer críticas ao governo do presidente Lula, sejam políticas ou econômicas. Esse debate sobre o papel do Estado, com viés anti-privatização, é equivocado?
- Não, a questão não é que esteja equivocado. Embora o Serra tenha sido capaz de quebrar patentes no Ministério da Saúde na questão do coquetel anti-aids (…), ele chega em São Paulo privatiza a conta da prefeitura, hospeda num banco privado. E em seguida bota a Nossa Caixa para vender, um dos últimos ativos que São Paulo tem. Em relação à Dilma eu tenho a vivência que ela não tem.
- Mas qual é a sua posição sobre privatização e o papel do Estado?
- Isso tudo é baboseira ideológica. No mundo inteiro a experiência empírica demonstra, inclusive com a crise recente nos EUA, que o Estado não é máximo, nem mínimo, nem grande, nem pequeno. É o necessário. É o seguinte: a lei do menor esforço. Quem faz melhor, mais rápido e mais barato é quem vai fazer. É o Estado fazendo o que for necessário fazer. Às vezes é Estado regulador, às vezes tem que ser empresário. Não quer dizer que temos que cair no estatismo, na ineficiência, abrir mão de mecanismos modernos de privatização, parcerias público-privada, concessões. Não. A economia moderna é mista, mas a responsabilidade pela dinâmica estratégica de um país é do Estado.
- O sr. sempre menciona eventuais problemas de governabilidade do futuro presidente, seja ele quem for, dado que ninguém terá o capital político e altíssima popularidade de Lula, que de certa forma faz com que ele transite bem no Congresso.
- Mais que transitar. Ele suporta, sem perder legitimidade. O que é um fenômeno absolutamente raro. Só ele. Não conheço nenhum outro. Nem Juscelino [Kubitischek]. Se a coalizão for essa, com o protagonismo desta banda do PMDB que manda no país sem dúvida [haverá crise de governabilidade]. O DEM é muito melhor que o PMDB neste instante. Uma questão é um escândalo, no qual todos nós estamos vulneráveis a ter um companheiro que vai entrar numa dessa. Todos nós. Isso é da política. O problema é que no PMDB, não o coletivo, mas a banda hegemônica, faz desta linguagem o seu instrumento central de luta.
- E como se governa o Brasil com a atual condição de representatividade e o atual sistema político?
- É uma ilusão de ótica que a prostração moral do PT está passando para o país. O problema da situação política da Dilma é que ela fica com a boca travada. Ela não pode falar isso para ninguém. Como o Serra também não pode. Eu posso. Eu posso fazer avançar a bancada do PSB, do PC do B, do PDT, pensando em flancos ideológicos. E posso fortalecer entendimentos com o lado decente e republicano do PMDB e o lado que tem espírito público do PSDB, que é imenso (…) Não tenho problema nenhum em fazer alianças. Imagino governar o Brasil assim: eu encerraria a violenta, paroquial e provinciana radicalização que opõe PSDB e PT. Convocarei um entendimento nacional entre os dois partidos, PT e PSDB, e convocaria todos os outros partidos para influir, me poria como magistrado. Essa é a saída para o país avançar e diminuir a importância de setores clientelistas, fisiológicos, atrasados, corruptos (…) Os brucutus reacionários eles dizem: se for o Serra ou a Dilma tá tudo bem. O que o mercado não quer é o Ciro. O que Wall Street não quer é o Ciro.
- Fazendo uma revisão história de 2002, o mercado ainda teme sua candidatura?
- Teme, mas é injusto. Eu não sou uma invenção. Eu já fui ministro da Fazenda. Eu fui muito bom para a economia brasileira pelos resultados. O país cresceu 5,3%, tivemos superávit primário de 5% do PIB, inflação zero. Agora, tive algumas questões. Fiz a intervenção do Banespa e do Banerj. Fiz a abertura comercial que dissolveu vários cartéis. Tudo bem, a vida é dura. Eu não vou vender a minha alma para ser presidente do Brasil.
- O preço que o sr. paga pode ser inclusive ter dificuldades de financiamento da sua campanha, um fantasma que circunda todas as campanhas. Como o sr. financiará a sua?
- Nós precisamos resolver essa equação do dinheiro com a política. Na democracia representativa, dinheiro é uma essencialidade. E a nossa moral vigente, a ética católica dominante, meio que abomina isso. E aí como a realidade se impõe, você vai na clandestinidade, e mistura ladrão e safado com empresários que não aceitam doar para a sua campanha, mas aceitam doar anonimamente para o partido. Eu advogo o financiamento público de campanha. Advogo mais: a estatização das campanhas, que é uma ideia que jamais vai passar. O TSE conseguiria padronizar as campanhas, equalizaria as linguagens. Vou fazer uma caricatura, porque é mais complexo, mas teria um estúdio e tudo mundo só gravaria lá.
- E como o sr. viabilizará sua campanha?
- Vou lá pedir dinheiro. É o momento mais desagradável de todos. Nas minhas campanhas eu sempre me protegi. Eu não tenho uma só pessoa. Eu normalmente faço a lista dos contribuintes prováveis e possíveis, e monto uma equipe. E nunca vai um só, normalmente vão dois, fazer em meu nome. Quem financiou 100% minha campanha de deputado federal foi a indústria siderúrgica brasileira.
- Há forte especulação no meio político em São Paulo em torno da filiação do Paulo Skaf no PSB, de que ele teria entrado no partido para financiar campanhas.
- Isso é uma completa ilusão. Nenhum indivíduo, nenhum, nem o Eike Batista aguenta financiar campanha individualmente. O Skaf está muito longe de ser um Eike Batista. Ele é um pequeno empresário, a rigor.
- O PT teria que tomar um cuidado especial com essa questão do financiamento nesta campanha, pelos escândalos recentes?
- Tem. Todos nós temos, mas o PT mais que ninguém. Um vetor essencial da história do PT é o moralismo. Aí o pecado do pecador a gente perdoa, mas o pecado do pregador é imperdoável.
- Neste contexto não é um equívoco político escolher um tesoureiro, o João Vaccari Netto, que esteja supostamente ligado ao caso Bancoop, ainda que não tenha nenhuma prova ou sentença?
- Eu não estou suficientemente informado do assunto e acho odiento que alguém pague por uma culpa não demonstrada.
- O sr. já sofreu uma oscilação fortíssima nas pesquisas em 2002. Todos os políticos não estão sujeitos a isso?
- Sim, isso eu acho. Acho que a Dilma cometerá um erro, porque nenhum de nós escapou. O Lula cometeu, eu cometi, o Serra, o Alckmin cometeu. Ela cometerá. Tomara que não. E vai oscilar. Ela é um pouco mais vulnerável, claro. Porque na medida em que você erra, você aprende. O Lula aprendeu para caramba, não é verdade? Eu aprendi muito. O Serra erra menos porque é protegido pela grande mídia.
- A sua liberdade para criticar o presidente Lula não pode lhe trazer problemas? Ou traz votos?
- Criticar o Lula tira voto. E eu não critico o Lula, mas não é porque tira votos. Todo mundo sabe que eu tenho imensa afinidade com ele. Agora, eu tenho mais amor, mais paixão, mais compromisso com o Brasil.
- O sr. foi irônico ao chamá-lo de santo, por exemplo.
- Eu não fiz isso. Eu disse que para mim ele não é um santo. Ele é um grande líder político, extraordinário. Sou amigo dele desde 1989. E no governo tivemos uma relação extraordinária. É uma pessoa pela qual tenho imenso carinho, admiração, respeito. E daí?
- Se criticá-lo tira votos, então podemos esperar uma campanha em que todos vão poupar Lula?
- O Serra que é o capitão da oposição, especialista em câmbio, adora bajular exportador, não fala nada. As contas externas do Brasil se acabando e quem fala sou eu. O Banco Central guiado pela estupidez do tal PIB potencial e quem fala é o Delfim Neto. Então agora estão nesta disputa ridícula de inauguração, se pode inaugurar maquete, anunciar edital. Pelo amor de Deus! Ou eu estou ficando muito cego, ou está na hora de sair da política.
- O país está imerso numa cegueira afetado pela alta popularidade de Lula?
- Está numa brutal cegueira, mas não pela popularidade, que é um legítimo prêmio a um governante que tem feito muito bem ao país. O problema é da vulgaridade dos políticos e dos seus dispositivos de mídia.
- A política externa do Brasil está no rumo correto? Pergunto-lhe em função das últimas polêmicas sobre o relacionamento do governo brasileiro com Cuba e Irã.
- Estrategicamente o governo brasileiro está muito correto. Somos contra a intervenção em assuntos domésticos, seja de quem for, somos pela solução pacífica dos conflitos, e advogamos uma ordem mundial multipolar. Tudo o que o Lula faz guarda coerência com esses princípios. Nós consideramos que o embargo norte-americano a Cuba –e não é o governo Lula, eu estou falando –é a causa de todos os abusos que hoje ainda temos que assistir em Cuba. O embargo, essa coisa anacrônica, prepotente, e injusta dos americanos, que inacreditavelmente continua com o governo Obama, justifica a atitude defensiva de Cuba. O país está acossado por um inimigo externo iminente, a maior potência do planeta. Eu acho odiento o crime político. Mas, o embargo dá ao governo de Cuba a faculdade de dizer que aquilo não é crime de opinião, mas sabotagem, espionagem, serviço ao inimigo externo. Essa é a questão que tem que ser posta em perspectiva. De qualquer forma, não é o Brasil que vai resolver isso. O Brasil deu asilo ao [Alfredo] Stroessner, no que acho que fez muito bem. Isso tira da moral dessa gente, da direita truculenta, esse papo. Quando foi que a direita brasileira teve qualquer apego aos direitos humanos? Que dia? Em que circunstância internacional ou internacional? Esse papo furado é só para quem não tem memória. E o Irã: deixa os americanos fazerem uma aventura militar no Irã para você ver o que vai acontecer com o planeta. O Irã não é o Iraque. O Brasil não é a favor que o Irã desenvolva artefato nuclear. O Brasil tem uma posição contra armamento nuclear no mundo. Ele não é ingênuo. Queremos que o mundo se desarme”.

Cesar: “Chega de provocações”

15 de março de 2010 por Dacio Malta

O ex-prefeito Cesar Maia dá hoje, em seu blog, uma verdadeira aula de como se deve fazer política utilizando, como exemplo, a questão dos royaltes do petróleo. Ele recorda episódios de 25 anos até os dias de hoje, e as trapalhadas promovidas pelo governador do Estado.
Seu texto é dividido em capítulos:

CAP. I - ROYALTIES DO PETRÓLEO. “AS LEIS POLÊMICAS DEVEM SER LEIS DISCRETAS”!
1. Em 1984, o senador Nelson Carneiro, acompanhado do secretário de Fazenda do Estado do Rio, iniciava o processo de convencimento com vistas a se aprovar a Lei dos Royalties do Petróleo. Em uma reunião com os prefeitos da região confrontante com a Bacia de Campos, realizada em Casimiro de Abreu, as razões e termos desta lei foram apresentados aos prefeitos.
2. Um dos prefeitos vazou a reunião que o Senador queria, ainda sem publicidade nesta fase. Após a reunião, a imprensa procurou o secretário Cesar Maia, que deu todas as informações e detalhes. Após a entrevista, o senador colocou seu braço direito no ombro do secretário, o elogiou pela entrevista e disse: “Mas não está na hora, secretário. As leis que podem ser polêmicas, devem ser leis discretas. Devem surpreender só na fase de votação aos adversários ou interessados”. Assim foi e em 1985 foi aprovada a Lei n. 7.453, a Lei dos Royalties.
3. Na Assembleia Constituinte se estabeleceu, também de forma discreta, a aprovação do que seria o parágrafo primeiro do artigo 20, dando caráter constitucional à cobrança dos royalties do petróleo. Nem na lei de 1985, nem neste dispositivo constitucional, nem nas leis posteriores de regulamentação do artigo 20, ocorreram quaisquer conflitos. Todas as tramitações deslizaram de forma “discreta”.
4. Só em 2003, o deputado do PT-SC, Mauro Passos, iniciou o processo de questionamento da distribuição, com a autoria do projeto de lei 1.618. Não tramitou. Prevaleceu a ação discreta dos que não queriam alterar o direcionamento dos recursos relativos à lei.
5. Como disse o senador Francisco Dornelles no ‘Globo’ de ontem (14): “Não adianta levar uma mensagem de guerra, precisamos de uma mensagem de paz e discutir a dosagem da mudança.”

          * * *

CAP. II - ROYALTIES DO PETRÓLEO! VERBORRAGIA E OS CONFLITOS!
1. Com a decisão do governo federal de antecipar e pedir urgência para as leis relativas ao Pré-Sal, a questão da distribuição dos royalties voltou a ser debatida. A precipitação e o histrionismo do governador do Estado do Rio culminaram com a realização de reunião com o presidente Lula debaixo dos holofotes da imprensa. Frases de efeito e finalmente uma agressividade eleitoreira do governador, criaram constrangimento ao presidente e produziram uma réplica de ministro presente, dando ao projeto de lei cores e luzes de um debate eleitoral.
2. O relator, deputado H. Alves, manteve para todas as bacias existentes, e nelas a de Campos, os mesmos critérios. E em relação ao Pré-Sal, abriu à participação de estados e municípios não confrontantes. A reação do governador do Estado do Rio foi juvenil. Pensando que a Câmara de Deputados é a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, reclamou com Lula e pediu que este interviesse. Mas isso só fez agravar a situação.
3. Finalmente, o Governador do Rio partiu para a agressão e a galhofa, atacando os deputados federais. Isso deu origem a um movimento chamado de “sossega leão”, numa referência ao golpe de jiu jitsu. Foi feita uma emenda (emenda Ibsen) definindo uma distribuição através dos Fundos de Participação (FPE e FPM) e afetando até a situação atual, o que criou uma hipótese de caos pela supressão de recursos aos municípios e ao ERJ.
4. É a lei “Sossega Leão”.

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CAP. III - ROYALTIES DO PETRÓLEO. “ESSA LEI NÃO É PARA VALER”!
1. Com a aprovação da lei na Câmara de Deputados, com 369 votos ou 72% dos deputados, alterando até a distribuição atual, o governador voltou a produzir cenas explícitas de histrionismo e desequilíbrio. Chorou sem lágrimas, numa aula inaugural, voltou a agredir os deputados e agora convoca uma passeata na quarta-feira, como se isso afetasse minimamente esse processo, além de criar mais fatos e agressões.
2. Se tivesse se acalmado, parasse de usar a chantagem como argumento (Não vamos ter Olimpíadas! Não vamos pagar os aposentados! Etc.) e procurasse quem de direito, ou seja, os senadores seniores, saberia que a lei da Câmara não é para valer, que o Senado vai fazer um substitutivo nos termos da proposta do relator na Câmara.
3. Com isso, não se tira um centavo da distribuição atual e se flexibiliza a distribuição da longa Bacia do Pré-sal, que vem de Santa Catarina ao Espírito Santo, garantindo ao ERJ e seus municípios uma fatia mais que proporcional. A lei funcionou como a história do “bode”. Quando se souber que o Senado vai alterar, haverá um alivio.
4. No entanto, o que acontecerá é o retorno aos termos do relator na Câmara, aquilo contra o que o governador ERJ vociferou tanto. Se o governador tivesse mantido a calma (com Lexotan, Valium, Somalium ou Sossega Leão), poderia ter ido um pouco além da proposta do relator. Agora, ficará com ela como substitutivo no Senado e dará Graças a Deus.
5. Se seguisse a experiência do senador Nelson Carneiro, mergulharia na humildade, partiria para uma tramitação discreta, contataria os senadores seniores, sem imprensa. Além de saber o que passou e que a lei não é para valer, ainda poderia conseguir algum ganho adicional. Prefere, na quarta-feira, antecipar o processo eleitoral com uma turma gritando o seu nome e outra o do ex-governador. E, mais uma vez, provocando o Congresso.

Mariana Baltar é imperdível!!!

15 de março de 2010 por Dacio Malta

      Amanhã é dia de Mariana Baltar, no Teatro Rival, às 19h30m, no lançamento do seu segundo CD.
Bailarina da Cia. Aérea de Dança, Mariana já acompanhou Jorge Ben Jor e Zeca Pagodinho, nos Estados Unidos e na Europa, mas seu primeiro trabalho profissional, como cantora, foi com Paulo Moura e Cliff Korman, no projeto Gafieira Dance Brasil. 
Uma das idealizadoras do Centro Cultural Carioca, uma referência de boa música no Rio,  ela lançou o seu primeiro CD - ‘Uma dama também quer se divertir’, em 2006.
E foi uma das indicadas ao Prêmio TIM 2007 (Revelação), além de ter participado do programa Som Brasil - Milton Nascimento, lançado em DVD.
‘Cais’, de Milton e Ronaldo Bastos - uma das canções que interpretou no programa - fez parte de um tributo a Milton, produzido por Guto Graça Mello, para a EMI, e lançado em 2009. Uma das faixas de seu primeiro trabalho - “Samba da zona”, de Joyce - esteve na trilha sonora da novela ‘Negócio da China’, da Rede Globo.
Amanhã, Mariana -  uma das mais belas vozes da MPB - estará lançando o segundo CD, pela Biscoito Fino.
Esse vídeo, de um programa do GNT, foi gravado há dois anos, no lançamento do primeiro CD.
Imagina como ela está hoje…

Garotinho e Gabeira juntos, batem Cabral

11 de março de 2010 por Dacio Malta

Do blog do ex-prefeito Cesar Maia:
“1. Continua dando segundo turno. Ou seja, a soma de Garotinho e Gabeira é maior que Cabral, que está na frente.          
2. A intenção de voto espontânea para governador dá a Cabral menos da metade do que tem na induzida. É um resultado muito ruim. Em outros estados, os governadores na espontânea têm pelo menos 70% dos votos que têm na induzida. Garotinho e Gabeira vêm empatados na espontânea.             
3. Na pesquisa de intenção de voto induzida, Cabral lidera na faixa dos 35%, Garotinho tem 25%, e Gabeira está próximo a 20%.
4. A avaliação de Cabral está na faixa de 40% de ótimo e bom. Mas um dado importante: são 55% os que querem mudar o governo e 40% os que querem continuidade.               
5. Dilma se aproximou de Serra e estão em empate técnico. Serra abre no Interior e empata na capital e municípios metropolitanos. Num segundo turno Serra vence na margem.        
6. Para Senador tanto no primeiro como nos dois votos, Crivella e Cesar Maia lideram com vantagem para Crivella dentro da margem de erro. Na alternativa com Benedita ela tem performance melhor que na alternativa com Lindberg: praticamente o dobro.          
7. Lula atingiu seu melhor momento na avaliação ótimo+bom no Estado do Rio: cerca de 75%”.

PF quer indiciar filho de Sarney

11 de março de 2010 por Dacio Malta

Do repórter Jailton de Carvalho, de ‘O Globo’:
“A Polícia Federal decidiu intimar para depor e depois indiciar o empresário Fernando Sarney, filho do presidente do Senado,José Sarney (PMDB-AP), por evasão de divisas.
Em um dos cinco inquéritos da ‘Operação Boi Barrica’, ou ‘Faktor’, o empresário é acusado de enviar US$ 1 milhão para uma empresa na China em 2008 sem declarar a remessa à Receita Federal.
Autoridades chinesas confirmaram a movimentação do empresário numa agência do HSBC, em Qingdao, na China.
Em outros dois inquéritos da mesma operação, o empresário já foi indiciado por lavagem de dinheiro e formação de quadrilha, entre outros crimes.
A polícia trabalha com a expectativa de interrogar Fernando Sarney e concluir as investigações em um mês. Para isso, depende da devolução dos autos que estão na 1ª Vara da Justiça Federal do Maranhão. Os autos foram para a Justiça em julho de 2009 e, oito meses depois, ainda não retornaram. As investigações começaram a partir de documentos e interceptações telefônicas da Operação Faktor. Entre os papéis apreendidos, a PF descobriu indícios de uma autorização de remessa ao exterior supostamente assinada por Fernando Sarney.
A partir daí, a PF abriu inquérito sobre a transação e pediu a checagem dosdados às autoridades chinesas. O pedido foi encaminhado pelo Departamento de Recuperação de Ativos do Ministério da Justiça com base num acordo de cooperação entre Brasil e China. As autoridades confirmaram as suspeitas: Fernando Sarney teria remetido US$ 1 milhãopara uma conta do Prestige Cycle Parts, numa agência do HSBC, na China,em 2008.
Os investigadores estão tendo dificuldades para identificar os motivos da transação.
Fernando Sarney é investigado ainda por envolvimento em supostas irregularidades na construção da ferrovia Norte-Sul. Procuradores e policiais da Operação Faktor suspeitam que ele seja um dos donos da Lupama, empresa envolvida num nebuloso contrato para a construção de um dos trechos da ferrovia.
A Lupama foi contratada pela Constran, vencedora da licitação, para ajudar na execução das obras orçadas em mais de R$ 40 milhões. Para os investigadores, o contrato não faz sentido, já que a Lupama não teria condições de fazer o serviço.
Procurados pelo GLOBO, Fernando Sarney e seu advogado Eduardo Ferrão não retornaram as ligações”.

Cabral tenta humilhar Rosinha

11 de março de 2010 por Dacio Malta

Do repórter Gustavo Paul, de ‘O Globo’:
“Adversários políticos, a prefeita de Campos, Rosinha Garotinho, também presidente da Organização dos Municípios Produtores de Petróleo (Ompetro), e o governador Sergio Cabral cumpriram ontem agenda lado a lado no Supremo Tribunal Federal (STF) em defesa da manutenção da receita de petróleo do Rio. Mas, apesar do objetivo comum, o encontro foi marcado pelo constrangimento.
Os dois não se falaram e o governador ainda submeteu sua antecessora a um chá de cadeira de quase uma hora.
Rosinha foi a primeira a chegar à ante-sala do presidente do Supremo, ministro Gilmar Mendes, com antecedência de 20 minutos, para a audiência marcada para as 12h30. A ex-governadora e outros sete prefeitos ficaram aguardando em pé a chegada de Cabral. Alegando atrasos em compromissos no Rio, Cabral chegou ao STF com 45 minutos de atraso.
Às 13h15, sem cumprimentar Rosinha e os demais prefeitos, Cabral entrou apressadamente no gabinete de Gilmar Mendes.
Durante quase 10 minutos, Rosinha ficou em pé aguardando ser chamada para a audiência.
Visivelmente constrangida, a prefeita reclamou com assessores o fato de Cabral ter chegado atrasado e ainda ser atendido primeiro. Assessores lembraram que a audiência foi pedida pela Ompetro e que Cabral era um convidado.
Questionada por jornalistas se achava estranho estar esperando em pé, enquanto o governador falava primeiro com Mendes, ela simplesmente respondeu: “Essa é uma constatação sua” -  afirmou Rosinha, visivelmente sem graça.
Mas a deferência a Cabral tinha uma justificativa. Pelo protocolo do Supremo, em audiências públicas, o presidente da Casa recebe inicialmente a maior autoridade presente, no caso o governador. Os prefeitos só são chamados posteriormente.
De acordo com dados da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), Campos, governada por Rosinha, é a cidade mais afetada, em valores, pela emenda Ibsen, que perderia R$ 1,188 bilhão do R$ 1,193 bilhão que hoje recebe em participações governamentais sobre a exploração de petróleo. Macaé (perdas de R$ 515 milhões), Rio das Ostras (R$ 342 milhões) e Cabo Frio (R$ 201 milhões) são os municípios que vêm a seguir.
O encontro com Gilmar Mendes ontem teve como motivação pedir ao presidente do Supremo a votação da Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) proposta pelo deputado fluminense Geralda Pudim (PMDB) requesitando que a apreciação da emenda Ibsen na Câmara fosse proibida ontem em plenário.
Isso não ocorreu. O pedido de liminar já havia sido negado pela ministra Ellen Gracie”.

Ciro Gomes e a greve de fome

10 de março de 2010 por Dacio Malta

Quando Ciro Gomes era ministro da Integração Nacional e tocava o projeto de transposição das águas do rio São Francisco, o  bispo de Barra, na Bahia, dom Luiz Flávio Cappio, decidiu fazer uma greve de fome em protesto contra a transposição.
O então ministro Ciro matou a charada:
- Por que devo atendê-lo? Só porque ele está em jejum? E se outro bispo iniciar amanhã uma greve a favor da transposição? A quem eu devo atender? Quem eu deixo morrer?  O que é contra o projeto?  Ou o que é a favor?