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O baralho de um soldado

26 de janeiro de 2010 por Adriana Kastrup

Num dia tranqüilo, os morteiros e minas, por alguma razão, não eram ouvidos.
O jovem soldado sabia que era domingo, o dia mais santo da semana.
Enquanto estava lá ele sentando, pegou um velho baralho e deitou-as atravessadas na sua cama.
Então um sargento entrou e disse: “porque você não está com a sua patrulha?â€
O soldado respondeu: “eu pensei que poderia passar algum tempo com o senhorâ€
â€Me parece que você está jogando as cartas?â€
â€Não, senhorâ€, disse o soldado. “Como não nos é permitido ter a Bíblia ou outros livros espirituais neste país, eu decidi conversar com o Senhor estudando este baralhoâ€.
O sargento perguntou descrente: “Como você faz isso�
“Veja o Ãs, sargento! Ele me lembra que há um só Deus.â€
O 2 representa que há duas partes na Bíblia: o Velho e o Novo Testamento.
O 3 representa o Pai, o Filho e o Espírito Santo.
O 4 representa os 4 evangelistas: Mateus, Marcos, Lucas e João.
O 5 é para as cinco virgens, que eram 10, mas só sobraram 5.
O 6 é para os 6 dias que Deus levou para criar o Céu e a Terra.
O 7 é para o dia em que Deus descansou, depois de fazer essa criação.
O 8 é para a família de Noé e sua mulher, seus 3 filhos e suas mulheres. As 8 pessoas que Deus poupou do dilúvio que destruiu a terra.
O 9 é para os leprosos que Deus curou da lepra. Ele curou 10, mas só 9 vieram agradecer a Ele.
O 10 representa os 10 Mandamentos que Deus entregou a Moisés, nas placas das pedras.
O VALETE é uma lembrança de Satan um dos primeiros anjos de Deus, mas foi expulso do céu pelo seu jeito maldoso e é agora o coringa do inferno eterno.
A RAINHA é a Virgem Maria.
O REI é Jesus Cristo, pois Ele é o Rei de todos os Reis.
Quando eu conto os pontos em todas as cartas, tenho 365 no total, uma carta para cada dia do ano.
Há um total de 52 cartas no baralho, 52 semanas no ano.
Os 4 naipes, Espadas, Paus, Copas e Ouros, representam as 4 estações: Inverno, Primavera, Verão e Outono.
Cada naipe contém 13 cartas que são, exatamente 13 semanas em um quarto.
Assim, quando eu conversar com Deus e agradecer a Ele, eu pego o baralho e as cartas me lembram de tudo que eu tenho para ser agradecido.

O que 2010 nos reserva

2 de dezembro de 2009 por Adriana Kastrup

Estamos muito habituados a ter com referencia os Arcanos Maiores do Tarô. São aquelas 22 cartas que a gente conhece e que tem como representação as figuras. O que acontece em 2010, que será o início de uma série de anos complicados e desagregadores, é que a carta de 2010 será o 2 de Ouros. Este arquétipo fala das tensões, dos conflitos. É aonde as “guerras†começam. É a hora dos confrontos e dos impasses. Isso será 2010!
Pra você ter uma idéia, está se formando no céu, uma configuração muito semelhante àquela que tivemos na época da 1ª e da 2ª guerra mundiais, onde o ápice (a pior posição) se dará em 2012. Por isso o “terror†que a gente está prevendo.
O símbolo de ouros fala da terra, do ter, do possuir. Fala do que a terra nos dá, por isso a relevância com o meio ambiente, dos proventos e da natureza propriamente dita. Simboliza o dinheiro e seus conflitos, o poder. Como o 2 de ouros é uma carta de crise e de embates, o dinheiro e o poder serão fontes de disputa. Haverá luta pelo poder, haverá mais corrupção, haverá mais queda de braço entre os mais fortes, e os menos fortes tentarão ganhar força e partir pra briga tbm. O numero 2 fala das parcerias, e nesse 2010, as alianças podem se dar principalmente no “mau†sentido. Uns se unindo a outros contra alguém ou a alguma coisa.
Como nos preparar para viver isso? Como receber 2010? O que podemos fazer?
Em primeiro lugar, na hora da “virada†a cor usada deve ser o LARANJA, ou qualquer tom da gama do dourado forte. Pode até ser amarelo, porém o amarelo quente. Para suavizar, sugiro que a cor branca venha em alguma peça de roupa, como por exemplo uma bermuda, uma listra na blusa ou no vestido, ou até mesmo uma sandália. Para quem desejar ir à praia, sugiro um calçado preto. Não se esqueça que a energia do “submundo†vem de baixo, e o preto neutraliza essa energia.
Como viver dentro ou em torno dos conflitos?
Tentando ser mediador e buscar o equilíbrio entre as coisas, as situações e as pessoas. O grande desafio de 2010, na minha opinião, será tentarmos com afinco fazer o papel da balança. O BOM SENSO será a palavra de ordem e quem fizer bom uso disso, certamente terá um ano mais suave. A CONCILIAÇÃO, os acordos, relevar as coisas será fundamental para que possamos passar por esse período com o mínimo de “estragos†possíveis.
No mundo maior (esfera mundial) seremos espectadores de brigas, conflitos armados e veremos iniciar algumas crises que poderão ter desdobramentos em 2011.
No mundo menor (nossas vidas, nosso cotidiano), atuaremos na defesa. O cotidiano vai nos apresentar conflitos e vai gerar crises a todo o momento. Desde briga com vizinhos, discussões no transito até confrontos de maiores proporções.
O que fazer?
Evitar ao máximo partir para o confronto, NEGOCIAR sempre. Evitar as grandes mudanças. Falo daquelas que podem nos deixar sem chão, como por exemplo: mudar de trabalho para algo que não temos garantia ou até mesmo mudar de cidade para tentar a sorte. Arriscar pode ser perigoso.
Feliz 2010 a todos!

As minhas vitórias dos outros

23 de agosto de 2009 por Adriana Kastrup

 O que faz com que as pessoas queiram se consultar com o tarô?
Sobre a matéria de hoje, domingo, 23 de Agosto de 2009, na Revista do Globo, a repórter Karla Monteiro fala da sua peregrinação pelo mundo das cartas.
Fico imaginando quando acabo de atender uma pessoa, o que acontece quando ela sai daqui. Ouve coisas boas, ouve coisas ruins, coisas improváveis e até mesmo coisas “impossíveis†de acontecer. Como lidar com esse mundo de informações (ainda não concretas), como lidar com os sonhos (bons e ruins) que “compraram†e quando e de que forma esses sonhos serão “entreguesâ€.
Durante esses anos todos como taróloga, quase 25, ouvi muitas histórias, assisti muito sofrimento e comemorei inúmeras vitórias dos outros. As minhas vitórias dos outros! Tudo isso tem sido relativamente fácil para mim. O difícil mesmo é lidar com o “limboâ€. Esse espaço no meio do caminho entra a “venda†dos sonhos e a “entrega†dos mesmos. Inúmeras vezes, quase sempre mesmo, as pessoas saem daqui e me ligam logo depois. Umas para saberem se vai acontecer tudo mesmo, outras para me perguntar se vai demorar (pergunta essa que me mata, pois NÃO temos resposta para tempo), outras para questionar se o tarô não erra nunca? (Claro que erra!), e por aí vão muitas outras indagações, que na maioria das vezes angustiam mais do que acalmam. A vantagem, é que na maioria das vezes o tarô dá um “show de bola†e o alívio vem como recompensa (mais para mim do que para os outros, preciso confessar).
Uma das minhas hipóteses sobre o que motiva o outro a procurar o oculto, aquilo que está “atrás dos fatosâ€, é a independência. Independência essa que faz com que as pessoas tenham que além de controlar as suas próprias vidas e os próximos acontecimentos, tenham que planejar essas vidas da melhor forma possível, de modo que elas possam dar conta de si mesmas. Resultado de um mundo moderno? Pode ser que sim. Ou será que é uma independência tão sonhada que agora todos os recursos são indispensáveis? Também é uma possibilidade. Mas a minha maior aposta é que informação é independência e independência é um dos passos para a felicidade.
O que fazer com essas informações? Só cabe ao outro dizer. Cada um ouve e digere as informações de um jeito diferente. A mim, cabe a leitura das cartas e a torcida para que as “minhas vitórias dos outros†acontecem bem depressinha.

Sobre a boa vaidade

11 de agosto de 2009 por Adriana Kastrup

Estava uma chuva inacreditável, um transito daqueles típicos do Rio de Janeiro, e eis que chega pontualmente à consulta uma moça linda, impecavelmente arrumada, perfumada e sem nenhuma dobra na roupa. No mínimo, inusitado para aquele dia. Admirei a beleza da moça.
Conforme se desenhava a consulta, fui vendo que ela estava num momento de dor, ela ficara viúva há 2 meses apenas, o seguro ainda não havia liberado o dinheiro dela, os dois filhos pequenos estavam sofrendo e ela precisava se mudar com urgência.
Esse quadro já era suficiente para ela estar na sala de espera do inferno, disse eu.
Sozinha, quase sem dinheiro, tendo que se mudar e a moça estava linda, impecável e “calma†tendo em vista a situação.
Seu jogo era bom, não maravilhoso, mas estava aberto para ela receber o dinheiro do seguro, coisa que aconteceu dois ou três meses depois da consulta, como bem disse o tarô, demorou mas chegou, e com esse recurso ela pode comprar um pequeno apartamento que acolheu a ela e os dois filhos. Do jogo também saíram as informações que ela iria voltar aos estudos, arrumar um segundo emprego, refazer a vida dela num tempo maior, e que os amigos dela seriam as grandes referenciais nesses tempos bicudos.
Dito e feito!
Uma amiga dela arrumou uma bolsa de estudos na PUC, com isso ela pode se candidatar a uma vaga de professora na universidade e foi “fácil†conciliar as atividades e os horários.
Mais tarde, numa festa, um outro amigo apresentou a ela um sujeito de São Paulo, que tinha uma vontade enorme de vir morar no Rio de Janeiro. Admirado pela beleza da moça, o sujeito se aproximou cada vez mais dela, e com isso, foi o estímulo que faltava para ele “empurrar†a vinda dele para cá. Resultado: eles começaram a namorar, o que acontece até hoje, cada um vive na sua casa e a relação vai indo muito bem.
Noutro dia, fazendo compras no Hortifruti, dei de cara com ela. Linda, impecável e sorridente, ela veio me cumprimentar e dizer que tanto a vida afetiva como o trabalho estavam indo bem, e que os amigos estavam sendo verdadeiros “anjos da guarda†para ela. E também, graças a eles, ela só tinha chegado até a sala de espera do inferno, e sorrindo, voltou da porta!
Entendi que sempre há um caminho de volta.

Sobre a família

19 de maio de 2009 por Adriana Kastrup

 Andei às voltas com consultas de conteúdo muito semelhantes, onde os assuntos eram sobre relacionamentos familiares e seus desdobramentos, mas, uma consulta em particular me chamou a atenção.
Trata-se de um rapaz, de uns vinte e muitos anos, talvez trinta, que perdeu seus pais e um irmão ao mesmo tempo. Foi um terrível acidente de carro, que levou à morte todos os ocupantes daquele veículo. Evidentemente que estamos falando de uma tragédia, certamente esse moço vai demorar bastante para se recuperar de uma pancada dessas, mas como se isso não fosse o bastante, sobrou uma irmã (a única) que resolveu rouba-lo descaradamente. Parece que eles vinham de uma família de algumas posses e essa irmã tomou-se de poderes e por conta própria fez e desfez de todos os seus bens, dinheiro, investimentos e etcetera. Quando o rapaz se deu conta,  além do horror das perdas, ainda se viu quase que sem respaldo material. Por azar, ele tinha assinado uma espécie de procuração para a irmã tomar as providências necessárias.Em resumo, ele estava encrencado. Foi, então, nessas condições que eu o conheci.
Com todos esse lutos horrorosos e ainda por cima um desfalque causado pela própria irmã, esse rapaz me trouxe um jogo muito bom! Até eu não entendi nada. Afinal com essa estória, como um jogo poderia estar tão bom?
A resposta foi o seguinte: a carta do Papa não parava de sair. Esse arcano tem relação com as tradições e também com a família. É um arcano de proteção e de austeridade, no sentido amplo. Entendi que, pelo menos, ele iria reaver a herança dos pais, e oportunamente, ele próprio iria constituir a sua família em moldes bastante satisfatórios.
Foi o que aconteceu. Na ocasião da procuração que ele passou para a irmã, a coisa foi feita sem muito cuidado, portanto por uma formalidade qualquer, essa mesma procuração, pode ser invalidada. Assim, ele pode reverter “o rouboâ€. (O Papa o protegeu).
Também nessa mesma época, ele foi apresentado a uma moça, advogada, que resolveu dar andamento às coisas pendentes dele, conseguindo muitos avanços nesse sentido. Essa moça é viúva e tem uma filhinha de 3 anos. Passa-se o tempo, o rapaz e a advogada se aproximam por questões profissionais, (mais uma vez o Papa), começam a se relacionar, e formam uma família. Hoje, algum tempo depois, eles estão casados, ele “assumiu†a filha dela e um outro bebê já está a caminho. A irmã ursa está respondendo a um processo difícil, segundo ele ela não será presa, mas vai ter que indeniza-lo por perdas e danos morais e materiais.
Hoje entendemos porque o jogo estava bacana.
Ainda que você passe por lutos e por perdas terríveis, esteja certo que você pode ter um futuro promissor.
 


Escolhas: frustrações e êxitos

21 de abril de 2009 por Adriana Kastrup

Estive refletindo sobre a carta de número 12, O Enforcado. Essa carta costuma ser polêmica porque fala de “dar um tempo”. Parar, esperar e fazer nada. Tem coisa mais difícl do que fazer nada?

Dentre muitas pessoas que atendi, chegou aqui uma moça muito bonita, alegre, bom astral, independente, cheia de amigos, que estava no maior dilema: o namorado dela resolveu “dar um tempo” na relação, dizendo que ele precisava pensar, respirar, não estava certo dos sentimentos por ela, precisava conhecer outras pessoas e viver outras experiências. Maneira educada de se “dar um fora”, pensei. Evidentemente a moça estava arrasada, segundo ela nunca tinha notado da parte dele nenhuma dúvida sobre suas intenções, e, de repente, cai o teto e ela se vê dependurada de cabeça para baixo.
Sua questão era: o que fazer? Dar realmente esse tempo ou partir para outra? Esperar o quê? Prá quê? O tarô foi categórico: Espere. Não faça nada, ou melhor, faça nada! Isso é apenas uma confusão da parte dele, um medo qualquer que com o tempo (tempo?) vai passar. Achei que os sentimentos dele eram genuínos e que seria apenas um imbroglio passageiro. Apostemos!

Senti que a moça ficou meio frustrada, pois ela queria algo mais imediato, mais ágil. Não pude dizer o que ela queria ouvir… Insisti que ela esperasse. O enforcado não parava de sair, mostrando que ela iria sim, ficar na espera sem poder agir, dependendo das atitudes do sujeito e ao bel prazer do tempo que o tempo tem.

O tempo realmente passou, e foi longo, segundo ela, um ano e dois meses! O sujeito teve um lampejo qualquer na alma, ligou para ela, se desculpou pela maneira como ele saiu da vida dela, disse que nunca tinha esquecido dela e da história deles, e propôs que eles fossem viver juntos, sem se casarem ainda para ver no que daria. Não foi exatamente o que ela queria, mas ele tomou uma atitude e ela topou. Vamos ver no que vai dar. Vale a torcida!

O Enforcado fala de perder para aprender a ganhar, encarando as provações não como derrotas e sim como lições que nos fazem apreciar a vida sob uma nova perspectiva.

Sobre o Renascimento e a Ressureição

8 de abril de 2009 por Adriana Kastrup

Sobre esse período de Páscoa e também de Pessach (Páscoa Judaica), estive refletindo sobre o Arcano 20, ou seja, sobre o JULGAMENTO.
Esse arcano tem uma relação direta com todos os verbos que começam com RE, e com todos os seus significados (e significantes): Reunir, Renascer, Rearrumar, Reorganizar, Recomeçar, Refazer, Remover, Rever e tantos outros Res.
Para os cristãos, a Páscoa simboliza o Renascer e a Ressurreição e para os judeus, o  Pessach significa a Reconquista.
Nos dias de hoje, Re alguma coisa é mais do que uma vitória pessoal, é uma necessidade.
Quem não precisa Rever alguém, quem não precisa Reavaliar alguma coisa ou alguma atitude tomada?
É sobre isso que esse período nos pede a Reflexão.
O Julgamento, ao soar das trombetas, faz com que nossos sentidos nos alertem para o  despertar. É hora de analisar a estrada e receber o que merecemos. A colheita do que  plantamos. O Julgamento aqui referido é dado pelo despertar da nossa alma, que se Reconhece como parte do divino. O juiz somos nós mesmos, enquanto seres repletos e completos, em corpo e espírito. Ao percebemos a nossa verdadeira essência, recebemos a oportunidade de Rever o caminho que trilhamos e partir para uma Renovação. Tendo agora a absoluta consciência da bagagem que acumulamos ao longo da estrada da vida, podemos efetuar um Renascimento. Aqui se chega ao momento em que nos é exigido o confronto com as nossas verdades e somos presenteados com a possibilidade de Resgate e transformação.
Compreender que o presente nasce do passado para ser capaz de enfrentar o futuro de peito nu, aceitando tanto a colheita dos bons, quanto a dos maus frutos. É isso que traz a possibilidade e o dom da transformação.
Desejo a todos uma Feliz Páscoa e Chag Ha Pessach.

Ninho de Mafagafos

1 de abril de 2009 por Adriana Kastrup

 

Passei uma semana encasquetada com uma situação que me lembra muito o arcano 22, ou para alguns, o Louco.
Esteve aqui, há algum tempo, uma moça envolvida amorosamente com duas pessoas ao mesmo tempo, (até aí, nada de incomum), mas que são irmãos. Ocorre que eles não sabiam o que estava rolando e ambos se diziam apaixonados por ela. Aqui começava o enredo para uma maravilhosa estória, que certamente iria dar o maior bode!
Ela separou a semana em dois turnos, um para cada um dos irmãos, e com isso, vinha “ganhando tempo†para se definir. O fato curioso, é que, segundo ela, cada um dos irmãos tinha seus encantos, o que naturalmente dificultava a escolha. Enquanto um era mais passivo, mais receptivo, o outro era mais agitado e corria mais atrás da vida. O que a estava dividindo eram essas diferenças tão gritantes, mas que a completavam. O que um tinha o outro não tinha, e o que o outro tinha o um não tinha.
Isso causou um sofrimento e uma angústia enorme nela a tal ponto que ela passou a ter insônia. Ela estava com tanto medo de trocar os nomes deles enquanto dormia que por conta disso passou a ficar as noites em claro.
Consultando o tarô, achei o seguinte: ela não iria ficar com nenhum dos dois irmãos e ainda por cima, eles iriam descobrir a traição e nunca mais iriam querer assunto com ela. E mais: apareceria uma outra pessoa no caminho dela que, de alguma forma estaria ligada aos dois irmãos, e que ela não se preocupasse porque apesar da confusão, nada disso teria conseqüência. E ela ainda iria rir desse bafafá todo.
Ou seja, tudo o que ela não gostou de ouvir e nem entendeu como isso seria possível. (Nem eu se estivesse no lugar dela!)
Dito e feito: Numa dessas noites, já desconfiados do jogo duplo, um irmão foi no lugar do outro para o encontro e, claro, desmascarou-a. A partir daí, uma sucessão de explicações inúteis, pedidos de perdão, súplicas e etc, porém tudo em vão. Os irmãos não quiseram ouvir os apelos dela, terminaram a relação, sumiram e desapareceram, não atendiam mais aos telefonemas dela, até que a garota foi ao encontro de um amigo em comum para ver se ele intermediava um encontro, último que fosse.
Nem foi preciso: ali mesmo “rolou†um clima entre a moça e o amigo, a coisa engrenou de forma que semana passada, alguns meses depois desse ninho de mafagafos, eles vieram aqui me entregar o convite de casamento!
O Arcano 22, ou seja O Louco, aparece para dizer que quando você programa alguma coisa, vai acontecer outra e bem diferente, mas que não será necessariamente pior.
Uma mudança de rumo inesperada é “engraçadaâ€.
Coisas que estão além do seu controle.

Se eu tenho as entrelinhas…

24 de março de 2009 por Adriana Kastrup

Refletindo sobre o arcano XV que é o Diabo, me voltou à memória um caso muito interessante.
O protagonista dessa história é um rapaz de uns 30 e poucos anos, arquiteto, ralador e politicamente correto. Ele tinha ficado órfão de pai, fazia uns dias e, claro, sua dor era enorme. Esse pai havia deixado de herança para ele apenas uma casa em Botafogo, tombada pelo Patrimônio, com pouco valor de venda, onde ele fazia de escritório e moradia ao mesmo tempo.
Acontece que ele estava atolado em dívidas, o escritório estava rendendo pouco, a crise apertando cada vez mais, e a única solução visível era vender esse imóvel.  Assim foi feito.
Foi nessa que ele esteve comigo, para saber como as coisas para ele iriam se desenrolar.
Eu, ousada como sempre, ao invés de lhe dar uma resposta direta, mandei foi uma bela charada!
O tarô disse que ele iria vender a casa, sim, mas que ele iria ficar com a casa! Que tal? Como alguém vende a casa e fica com ela?
Obviamente, eu não soube ser mais clara, e ele saiu daqui completamente grilado com isso. Não deu  4 ou 5 meses, volta ele aqui, rindo (felizmente para mim e não de mim!), com um convite de casamento nas mãos.
Aconteceu o seguinte: quando ele colocou a casa à venda, foi uma moça com o pai para vê-la. Eles se interessaram pela casa, pois os dois são arquitetos, e queriam o imóvel para trabalhar. Imaginem uma casa plana, grande em Botafogo, com fácil estacionamento, na “mão†como ele mesmo disse, e por um preço bastante convidativo! Tudo de bom! Negociaram, fecharam o preço, passaram a escritura, tudo em cima. Nessa, o rapaz e a moça se aproximaram, se envolveram, se apaixonaram e casaram.
Eles então resolveram morar e trabalhar na casa por ter espaço suficiente e, ainda por cima, além dos trapinhos, juntaram seus escritórios e clientes.
Se eu fui no casamento? Claro que eu fui!
O tarô, mais uma vez estava certo! Ele vendeu a casa e continuou com ela!
Arcano XV: realização através de luta feroz, ralação ao extremo, ir além dos limites. Paixão!
Quem contesta?

Sobre Dar e Receber

19 de março de 2009 por Adriana Kastrup

Estava atendendo uma moça que passava por uma situação dramática. Confesso que eu também fiquei tocada com o problema dela.
O caso era o seguinte:
Ela vive o segundo casamento do qual tem um bebê de 9 meses, e um filho mais velho, só dela, hoje com 12 anos.
Quando eles se conheceram, eram só flores. Ele adorava o garoto e considerava-o seu próprio filho. Hoje, alguns anos mais tarde, são só espinhos. O garoto é malcriado, ela não o educa bem, ele (o marido) só fez “doar†esse tempo todo, tempo, dinheiro, dedicação, horas de sono e blá blá blá….
O “pedido†do marido é o seguinte: que ela mande o filho mais velho dela ir viver por um tempo (indeterminado) com o pai biológico. Afinal, o “fulaninho†é ou não é o pai biológico do menino? E, para que servem os pais?
Estamos vendo, na contra mão da história do menino Sean, como se comporta o “mau†padrasto, louco para se ver livre do enteado, e com um argumento imbatível: A mulher SEMPRE recebeu “do bom e do melhorâ€, e nada mais justo que agora, ela possa SE DOAR para o marido e para o bebê. Que tal?
A pergunta que ela fez ao tarô, foi: O que fazer?
E eu tive a ousadia de responder:
“Dê você um cheque-mate nesse homem, e diga que entre seu filho e ele (o marido), você escolhe o seu filho! No fundo, acho que ele vai recuar”.
Ainda assim, dá um frio na barriga!