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28.01.10 9H50M

Decreto de Cabral para ocupação em Angra favoreceu um cliente de sua mulher, o apresentador Luciano Huck

// Postado por Eucimar de Oliveira

A ação do escritório de advocacia da primeira-dama do estado, Adriana Ancelmo, voltou a ser objeto de uma longa reportagem, hoje, no jornal Estado de S. Paulo. O apresentador Luciano Huck, que em 2007 foi alvo de uma ação pública do município de Angra dos Reis, local da tragédia de fim de ano e cidade marcada por ocupações irregulares, é representado pelo escritório da  mulher do governador Sérgio Cabral.

MAIS SOBRE OUTROS AÇÕES DO ESCRITÓRIO DA PRIMEIRA-DAMA

ILHA

 

 No dia 7 de janeiro, o youPode publicou uma matéria mostrando que apenas três dias antes de oficiais de Justiça tentarem notificar Huck por irregularidades em sua mansão, em 22 de junho do ano passado, o governo do Estado editou o decreto 41.921 que modificou os critérios para ocupação na Enseada da Ilha Grande, onde fica a casa do apresentador, apesar dos protestos dos ambientalistas.  Angra é considerada um paraíso dos endinheirados. Com o decreto, Huck acabou sendo um dos beneficiados pela medida (leia aqui a matéria completa do youPode). Abaixo, em negrito, a reportagem da edição de hoje do Estado de S. Paulo, dos repórteres Alfredo Junqueira e Felipe Werneck.

Alvo de ação civil pública movida pelo município de Angra dos Reis em outubro de 2007 por supostos danos ambientais e construções irregulares em sua casa de veraneio, o apresentador de TV Luciano Huck é representado pelo escritório de direito do qual é sócia a primeira-dama do Rio, Adriana Ancelmo Cabral. Seu marido, o governador Sérgio Cabral Filho (PMDB), editou, em junho do ano passado, o Decreto 41.921, que alterava a legislação da Área de Proteção Ambiental (APA) de Tamoios, na Baía de Ilha Grande. A medida, cuja constitucionalidade é questionada no Supremo Tribunal Federal (STF) pela Procuradoria-Geral da República, beneficiaria proprietários de residências consideradas irregulares na região ? caso de Huck e sua casa na Ilha das Palmeiras.

Ambientalistas contrários às mudanças determinadas por Cabral se referem ao decreto como “Lei Luciano Huck”. Na Ação 2007.003.020046-8, que tramita na 2ª Vara Cível de Angra, o apresentador é representado por dois integrantes do escritório Coelho, Ancelmo e Dourado Advogados. O município obteve liminar, em maio de 2008, que obrigou Huck a paralisar as obras em sua casa, que incluíam a construção de bangalôs, decks, garagem de barcos e muro para criação de praia artificial, “o que pode ocasionar danos ambientais irreversíveis, assim como agravar os já existentes” ? conforme despacho do juiz Ivan Pereira Mirancos Junior.

Desde domingo, o Estado vem mostrando a atuação da primeira-dama e de seu escritório de advocacia em ações judiciais, como a defesa do Metrô Rio e do grupo Facility, um dos maiores fornecedores do governo Cabral.

Procurado, o governo do Estado indicou Instituto Estadual do Ambiente (Inea) para comentar o caso. Cabral e Adriana estão em Londres, na Inglaterra, e não foram localizados. Em nota, o Inea informou que a licença ambiental para a casa de Luciano Huck foi concedida em junho de 2004 e o Estado “desconhece a existência de ação do município de Angra contra o apresentador e os motivos que fizeram com que o município movesse a ação citada”. Segundo o Inea, Huck nunca fez pedido ao Estado com base no decreto.

O polêmico Decreto 41.921 teria sido originalmente elaborado na Secretaria da Casa Civil, e não por órgãos ambientais do Estado do Rio , segundo servidores que atuam no setor. Segundo o Inea, a informação não é verdadeira. “O decreto foi elaborado pela Secretaria do Ambiente e encaminhado à Casa Civil unicamente para a assinatura do governador e publicação.”

Segundo o coordenador-geral da Sociedade Angrense de Proteção Ecológica (Sapê), o decreto não beneficia apenas o apresentador. “Em termos gerais, o decreto beneficiaria não só o Luciano Huck, mas grandes empreendimentos que não são regularizáveis pela legislação atual”, afirmou.

Segundo o procurador-geral de Angra, André Gomes Pereira, todo processo de regularização que menciona o decreto é suspenso. “A gente tem uma resposta padrão informando que não haveria decisão enquanto não houvesse decisão na Ação Direta de Inconstitucionalidade em tramitação no STF”, explicou Pereira.

Por sua assessoria, Luciano Huck informou que o escritório da primeira-dama “atua há vários anos como correspondente de Lilla, Huck, Otranto, Camargo Advogados”, seus advogados em São Paulo, desde antes da gestão Cabral. “Não tínhamos conhecimento, até o momento, de que a primeira-dama do Rio de Janeiro era sócia desse escritório”, informou a assessoria. O advogado Sérgio Coelho não quis comentar o caso e informou apenas que representa Huck e seus sócios desde 2002.

 

 

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» 1 Comentário

  1. [...] numa série de reportagens do jornal Estado de S. Paulo (reportagem 1, reportagem 2, reportagem 3, reportagem [...]

    youPode » Deputado espera ação rápida do MP no caso da mulher de Cabral, vê escândalo na publicidade e governo blindado na imprensa — 08.02.10 @ 21H04M

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